Anik
1 Just One Shot
Notas iniciais
Ps: A imagem foi do google, não sei de quem é a autoria.
ANIK
“Caminha sozinho
Adentra o espinho
Casa com a morte
Mas por outro lado, vive sem sorte.”
Anik sentia-se diferente das das demais pessoas
Um menino, sua história é trágica.
Anik tem cabelos pretos e olhos negros, pele pálida e transparente, grandes olheiras em baixo dos olhos, fundas e escuras.
Nasceu em uma cabana de palha, na estrada, a qual tinha telhas quebradas e janelas encardidas de preto pelo pó do asfalto.
Era um lugar simples, com uma cama de madeira a esquerda.
Nasceu sem pai, pois este não havia se dado ao trabalho de saber que tinha um filho.
Após o parto, sua mãe havia sumido, ele nunca chegara a vê-la.
Quem o encontrou foi um velho andarilho, de cabelos brancos e sujos, dentes amarelos, olhos azuis.
Deu-lhe um lar, de comer e de beber.
Anik foi crescendo e aos seus oito anos era um menino de olhos negros como a noite, cabelos cacheados, até o pescoço, pretos. Olhos fundos com olheiras roxas. Sua pele era como a Lua, de tão branca. Magro como um graveto.
Mas isso era até que normal.
O anormal mesmo era o que ele guardava para si.
Todo dia que o andarilho saia e o menino ficava sozinho, tirava sua camiseta, velha, preta e surrada e abria suas lindas asas negras.
Tinham um metro e cinquenta, mais ou menos. Um brilho excepcional, penas espalhadas e desorganizadas.
Ele se lembrava da primeira vez que as tinha visto.
De início começou como uma coceira em suas costas e evoluiu para algo parecido como um corte.
Ele resolveu não contar ao mendigo.
E logo elas assumiram formas, e no começo o que era cinza, ficou preto.
Ele nunca havia voado, tinha medo.
Antes que o andarilho voltasse, ele colocava a sua camiseta novamente.
Aos onze anos foi levado para um orfanato, ele só não sabia o por que.
Tinha o cabelo curto agora, ao pé da orelha.
A boca se tornara carnuda e vermelha.
As asas agora tinham dois metros e entravam em sua pele quando ele queria.
O orfanato era grande e cinza.
Quartos como celas, sem portas, com apenas uma cama, uma banheiro e uma armário pequeno, tudo no quarto andar.
Ele dormia sozinho, não tinha amigos.
Anos se passaram e o pequeno Anik agora tem quatorze anos, músculos saltam de suas camisetas, e asas de dois metros e meios de suas omoplatas, ele as arruma todos os dias, as penas voltam a se desarrumar.
Ele já não é aquela pequena criança inocente. Revoltado com o mundo com seus pais, com sua vida, ouve AC/DC e Metalica, se veste de preto, é a ultima criança que os adultos pensam em adotar, o garoto adora desenhar caveiras, olhos e rostos, sempre os mesmos rostos: um demônio e uma anja, ambos voando em sincronia, asas lustrosas a luz do luar.
Ele se pergunta o que é todos os dias, reza para que se há um Deus, responder suas dúvidas, imagina sua mãe e seu pai, escreve redações.
Até que um dia o orfanato pega fogo, dominado pelo medo, Anik entra em pânico, seu quarto irrompe em chamas.
Sua única saída: a janela!
Anik arranca a camiseta, quebra o vidro com suas mãos, sangue ensopa suas roupas e ele se atira em queda livre.
Um baque surdo e ele voa, asas estendidas, negras.
Se junta a ele uma mulher parecida com ele, asas brancas, uma anja, e um demônio de asas negras e de alguma forma ele sabe que aqueles são seus pais, e ele voa feliz.
Distante dali, em outra realidade um desenho queima, um menino, uma anja e um demônio voando, últimas lembranças de um garoto que achava ter asas, antes de virar uma mancha vermelha e carbonizada do lado de fora do manicômio queimado.
Nada é o que parece ser, a realidade é louca, mas cabe a você confiar no seu cérebro ou no seu coração.
O que você vê a sua volta é mesmo a realidade, ou é apenas mais uma de suas invenções?
Notas finais
By Annie (ou Ana Luiza) não aceite imitações ^^
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