Angels or demons

21 Território neutro - parte II


Notas iniciais
Segunda parte postada! Valeu por comentarem o último capítulo. Ei, as visualizações estão bem altas, mas comentários que é bom nada! Vamos mudar isso. Boa leitura. PRÓXIMO CAPÍTULO:::: QUARTA.

Algumas horas antes...

Nickolas's POV

Saí da cama tentando fazer o mínimo alarde possível. Gabrielle estava enrolada no lençol, respirando tranquilamente e, sendo sincero, nada me daria mais prazer do que continuar junto a ela. Bem, talvez os acontecimentos das últimas horas me tenham dado um pouco mais de prazer. A menina era fogo e água, tudo ao mesmo tempo, juntos num estado de suma perfeição. Como conseguia? Não fazia a mínima ideia, mas gostava. Adorava. Aliás, amava.

Fui até ao armário para procurar qualquer coisa para vestir. Os "convidados" deveriam estar quase chegando. Seria uma reunião divertida. Anjos, demônios e humanos, todos juntos, na mesma sala, lutando pelo mesmo objetivo. Provavelmente, seria necessário separar alguns pares, no início, mas as lutas tenderiam a diminuir, com a aproximação da guerra. Ou, pelo menos, eu esperava.

Saí pelo quarto da Gabrielle, para não a incomodar, e quase tropecei num pequeno corpo sentado no chão, com as costas na parede.

— Olá? — disse eu.

Era um humano. Eu conhecia aquela cara. Era o pequeno profeta dos humanos. Queria aquilo significar que pelo menos a Resistência já havia chegado.

Baixei junto a ele.

— Então guri, o que anda fazendo por aqui? — perguntei.

Ele olhou para mim, desconfiado. Tinha de admitir que, em nosso último encontro eu não me encontrava particularmente calmo, então não o podia censurar.

O que quer que tenha visto em mim, não lhe pareceu totalmente demoníaco. Sem uma palavra, me entregou um pedaço de papel, como aquele que previra meu confronto com o anjo e consequentemente desencadear uma guerra. Aquele parecia um pouco menos confuso.

— Isto são casas? — apontei para o conjunto de quadrados com um triângulo como teto.

O miúdo assentiu.

— É a cidade? Esta cidade?

Assentiu novamente.

Conseguia distinguir a destruição, no desenho, na forma de fitas vermelhas de fogo, casas que pareciam inacabadas e homenzinhos de pau deitados no chão, provavelmente mortos. No meio, via-se uma figura negra, ligeiramente maior do que as outras, na horizontal, com um enorme "X" vermelho em cima.

— E o que é isto?

A criança me olhou com aqueles olhos azuis demasiado grandes e, simplesmente apontou para o meu peito.

Agora...

Gabrielle's POV

Passadas algumas horas no quarto com Nickolas, em momentos de paixão intercalados com abraços sonolentos, meu estômago começou a doer. Mudei de posição na cama, numa tentativa pouco frutífora de enganar a fome. Teria mesmo que descer à cozinha. Cuidadosamente, para não acordar o demônio que dormia a meu lado, empurrei os lençóis e virei-me para fora.

Um abraço pesado cai em cima de mim.

— Aonde vai? — murmurou a voz enrouquecida pelo sono, sem sequer abrir um olho.

— Comer.

Recebi um grunhido engraçado como resposta e levantei. Passando pelo closet, peguei num robe escuro e grande que tinha um agradável odor a canela. Apertei o cinto com um nó forte e saí para o corredor. Acabara de fechar a porta quando alguém virou a esquina e se aproximou. Meu primeiro instinto ao sentir o cheiro pesado das especiarias foi voltar para dentro do quarto e acordar Nickolas. Um demônio parou diante de mim e me analisou, me deixando confusa porque não fazia a mínima ideia de quem era ou o que fazia ali. Ele sorriu e disse:

— Fico feliz por finalmente conhecer você, a... Companheira de Nickolas.

Virei de novo para o início do corredor, de onde vinha aquela voz não tão grave, mas extremamente rouca, quase cortante, como se pudesse matar alguém somente com a voz. O demônio era alto e magro, possuía cabelos cor de ébano na altura dos ombros, num contraste arrepiante com a pele de marfim, apenas aumentado pelos dois poços da mesma escuridão do cabelo que possuía como olhos. Era muitíssimo bonito, porém tão... Mortal.

— Gabrielle, não é? — perguntou ele, quando demorei a responder.

— Sim — não me surpreendi quando gaguejei. — Você é...

Deu um pequeno sorriso.

— Ah! Vim ver como anda a preparação para a guerra. E devo dizer que eu estava extremamente curioso para conhecer você.

Ele mudara de assunto. Ergui as sobrancelhas em interrogação.

— Dois de nós foram mortos por sua causa.

Engoli em seco e dei um passo para trás, me aproximando da porta.

— Não serviam para nada, de qualquer modo. — ele continuou, com uma careta de desagrado. — A Khaya era insuportável e o Avaritia era um fraco. Não serão lembrados com saudade.

Expirei, com alívio.

— Mas isso não significa que não nos perguntemos como é que é possível uma humana manipular dois Guardiões tão poderosos como são Nickolas e Anael.

Espreitei os olhos num desafio, mas ele preferiu ignorar.

— Permita-me acompanhar você onde quer que estivesse indo.

— À cozinha. — informei.

Ele estendeu o braço e fui obrigada a aceitar, mesmo que aquele demônio me causasse calafrios. Não possuía a natureza alegre de Anael, ou o magnetismo erótico de Nickolas. Era... Estranho.

— Na reunião de mais cedo, percebi que Nickolas conseguiu perfeitamente fazer a união entre as raças. Me pergunto se você tem algo com isso. Pelo que eu me lembre, Nickolas nunca foi o amigável, nem tolerante aos humanos.

— Bem, com Lúcifer convenientemente desaparecido, é em Nickolas que os demônios procuram liderança, auxílio e segurança.

O demônio ponderou por uns instantes.

— Talvez Lúcifer tenha piores problemas com se preocupar. Mas você deve saber que estar com Nickolas coloca você numa posição poderosa.

— Continuo sendo uma escrava. — disse cautelosa, sem saber onde o demônio queria chegar.

— Bem, se prefere achar isso.

Tentava entender que repercussões teriam aquilo que ele dizia. Pela forma como fazia, parecia algo importante e me sentia lisonjeada.

— Quem é esta gente? — inquiri, descendo os degraus. A sala estava cheia de demônios e humanos, quase em harmonia, mas fazendo barulho.

— Nickolas transformou sua casa em quartel-general e decretou-a território neutro.

Chegados ao fundo das escadas, senti o braço do demônio endurecer e, com muitíssima rapidez, ele disse:

— Foi ótimo conhecer-lhe Gabrielle, mande um abraço para Nickolas. Diga a ele que seu amigo veio ver com anda as coisas.

— Não falou com ele? — perguntei.

— Não poderia. Mas de qualquer forma, tenho que ir.

E assim o demônio foi embora, virando o corredor em direção a saída. Por um milésimo de segundo, pensei ter visto o demônio mudar de forma, quase como uma transformação. Porém logo depois ele sumiu de vista.

Enquanto estava lá digerindo a situação, fui atingida pelo perfume fresco de citrinos e flores, quando a porta abriu.

Anthonny liderava um grupo de anjos, todos vestidos de branco, como se tivessem medo de ser confundidos com outras espécies.

— Gabrielle — Anthonny baixou respeitosamente a cabeça. Não consegui encará-lo por mais de cinco segundos sem sentir uma vontade absurda de o magoar e, depois vomitar. Felizmente, meu olhar captou outra coisa que me distraiu.

— O que é que está fazendo aqui? — perguntei, fixando o anjo à esquerda de Anthonny. Como me poderia esquecer-se dele? Beijamim. Já passara algum tempo mas, se fechasse os olhos, era capaz de reproduzir tudo novamente, desde o modo como me olhara, passando a mão pesada em mim e, acabando com Nickolas atirando-o ao chão.

— Que tipo de recepção é esta? — ele parecia divertido. — Oh, me lembro de você. A humana de Nickolas.

Um outro demônio chegou nesse exato momento, captando a última frase de Beijamim.

— Não tenho recordações de ti anjo, mas aconselho você a refrear as palavras na presença de Gabrielle — declarou friamente.

Beijamim se aproximou-se, com um sorriso de deboche.

— Ah! Yeres! O humano santo que se tornou anjo e, depois caiu em desgraça. Não me admira que esteja com a humana. É como se fosse sua prima, não é?. Tem de ser. Não pode ser mais do que isso, afinal, se diz que você não usa muito o que tem entre as pernas, se é que o tem.

— Passei pelas três formas, o que apenas me torna mais sábio do que você. Porém, se tem tanta curiosidade sobre o que tenho entre as pernas, talvez possa aprender a usá-lo em você.

As orelhas do anjo enrubesceram até um bonito tom vermelho escuro.

— Quer que acabe com você o que comecei com ela? — não precisei muito tempo para entender que "ela" era eu e que se referia ao nosso anterior encontro, com eu fugira de Nickolas. — Ou talvez, possa continuar com ela e você assista e vê se sobe.

Não foi necessário passar mais do que alguns segundos para a entrada da casa se encher de demônios, todos desconhecidos para mim, mas colocados à volta de Yeres.

— Se experimentar com ela, terá de experimentar com todos eles. — afirmou Yeres. — E acredita, não vai gostar.

O que quer que Benjamim fosse acrescentar, ficou perdido com a mão que Anthonny lhe colocou no peito.

— Não viemos aqui para lutar — declarou o Domínio. — Estamos todos juntos nisto e vamos nos comportar. Conseguem fazer o mesmo, demônios?

Yeres respondeu com um encolher de ombros neutro e despreocupado e, colocando minha mão novamente em seu braço, nos afastou da multidão.

— Obrigada — agradeci.

— Não tem de quê.

— Por que é que eles fizeram aquilo? Os demônios?

— É nossa missão proteger você. Ordens de Nickolas. E uma briga com anjos é sempre uma boa briga. — acrescentou, com um meio sorriso.

— Nickolas disse isto?

— Sim. Nos fez, igualmente jurar que protegeríamos você sempre, mesmo se ele não estivesse. E já há muito tempo que não jurávamos nada. Ah! Meu nome é Yeres, Guardião da Cidade de Dite. — se apresentou ele, com as mãos atrás das costas e um aceno respeitoso de cabeça.

— Heresia — comentei, me referindo ao círculo que guardava.

— De fato. — parou. — Estava indo para algum lugar?

— Vou na cozinha. Estou com fome.

— Ah claro. Foi bom conhecer a senhorita. — disse se afastando.

Prossegui. Ainda não tinha chegado à cozinha quando comecei a ouvir gemidos. A pele na minha nuca arrepiou, juntamente com a curiosidade de descobrir o que se passava, o que não era muito difícil de adivinhar porque os gritinhos, que não tardaram a aumentar, não tinham como ser outra coisa. Meses antes, diria que alguém estava sendo torturado. Naquele momento, sabia perfeitamente de que espécie de doce tortura se tratava. Silenciosamente coloquei a cabeça para dentro da cozinha. Um demônio estava de costa para nós, totalmente vestido de negro, mas com movimentos rítmicos dos quadris que indicavam que, pelo menos, uma parte de sua anatomia não estava coberta por tecido. Era encurralado por uma Eliel desesperada que, sentada na bancada, o segurava entre as pernas e fincava os pés calçados com saltos altos no traseiro de seu parceiro. Moviam-se rapidamente, como se tivessem pressa de acabar, o que eu compreendia, porque podia ser apanhados a qualquer momento, o que de fato, estava acontecendo.

Minha boca caiu contra minha vontade quando reconheci o remoinho de cabelo negro. Olhei para o lado, quando senti a presença de alguém. Fora Nickolas, que olhava fascinado a cena.

— Sabia disto? — inquiri, apontando para o centro de calor, que eram Eliel e Anael.

— Se sabia que era possível ter sexo naquela posição, sim sabia, e você também. Se sabia que o Anael andava trepando com a minha empregada, não, não tinha a menor ideia. — sussurrou, sem desviar o olhar. — Sabe, você esta aqui comigo e temos o armário das vassouras atrás de nós.

— Quer dizer algo com isso? — por instinto, comecei a brincar com os pontos do cinto.

A verdade é que não dava para esconder. Ver uma cena assim aquecia qualquer um e Nickolas era o Guardião da Luxúria, afinal de contas.

Desviando a atenção dos dois demônios — que pelos sons, pareciam estar prestes a terminar — e aproximou de mim, enlaçando-me a cintura.

— Quero dizer que quero fazer coisas novas... — ia esfregando o nariz em meu pescoço, me fazendo arrepiar. — Com você... No armário... Onde todos podem nos encontrar... Mas não o farão.

Não conseguia compreender como é que ainda era possível Nickolas e eu termos vontade de algo assim, depois das últimas horas, mas assim era.

— O fim do mundo está aí... — sussurrei, entre gemidos causados pela doce fricção do nariz e dos dentes de meu demônio em minha pele. — Temos de aproveitar, não é?

Ele murmurou algo que soou como um acordo e me levou pelo cinto ao tal armário das vassouras, que não era, de fato um armário, mas um quarto minúsculo. Com a porta fechada, Nickolas puxou o tecido e, instantaneamente, seu robe desceu por meus ombros, caindo no chão.

— Apesar de gostar de ver você com as minhas roupas, fica muito melhor assim.

Vi o sorriso lascivo em seus lábios e o fogo aceso em seus olhos, antes de me encostar de frente para a parede. Uma mão exploratória e uns dentes trilhando meus ombros e a nuca, aprendi que ele não precisava de me olhar nos olhos para me fazer estremecer por dentro.

Notas finais
A foto do capítulo é sobre o demônio misterioso. QUERO COMENTÁRIOS! BORA! TÃO ACHANDO O QUE? Obrigado. Um abraço demôniozinhos, beijão anjinhas, nos vemos quarta!