Angels or demons

6 Experimentando a luxúria


Notas iniciais
Estou testando vocês, me digam se gostaram ou não da história na perspectiva do Nickolas. Foi breve, mas se gostarem mais pra frente faço mais ok? Até lá embaixo :)

Nickolas's POV

Qual era a do Beijamin? A pequena humanazinha era minha e só minha. Apenas eu tinha qualquer poder sobre ela. Era a mim que ela seguia, a mim que satisfaria quando chegasse a hora. Sim, essa hora chegaria, apenas esperava pelo momento certo e, aí, ela pagaria por todo o trabalho que me dava. Pagaria por tudo. Pagaria por andar daquela maneira, por falar daquela maneira, por cheirar daquela maneira, por me olhar da porra daquela maneira. Era só esperar que confiasse em mim. Ela tinha de querer, não sou do tipo que impõe, pelo menos fisicamente.

E ela quereria, mais cedo ou mais tarde, e sentiria tudo aquilo que eu sentia constantemente, desde o primeiro momento que colocou o seu adorável pé em minha casa.

Deixei ela no seu quarto, com uma ordem dura para que não o abandonasse, a não ser que eu o ordenasse, e entrei no meu. Já vivia naquela casa há mais anos do que conseguia contar. Mesmo antes do apocalipse, já era minha. O portão na cave fora a mais-valia que tornara possível a minha fuga do inferno e ficara em segredo por muito tempo, até entrar em cena Fontes e, depois, Eliel.

Eliel era uma coisinha deliciosa que me servia excepcionalmente bem. Quando precisava de alívio e satisfação, ela estava sempre presente para tratar de mim e, sendo sincero, fazia isso como ninguém. Contudo, o bom trabalho dela não significava que não pudesse ter outras companhias e diversões e, no momento, a humanazinha despertava minha curiosidade mais do que qualquer outra. Talvez fosse devido ao seu cabelo flamejante e rebelde ou ao seu ar de aparente fragilidade mas, enquanto havíamos estado juntos no inferno, me senti mais homem do que nunca e não me refiro a Homem, de humanidade, mas a homem, estado anatômico.

Me livrei da roupa que vestia, atirando-a para qualquer lado, e me deitei. A minha cabeça doía, como raramente acontecia, provavelmente, por falta de energia. Na manhã seguinte, seria preciso me alimentar. Talvez a humanazinha se disponibilizasse...

Dei uma gargalhada baixa e seca só de pensar nessa possibilidade. Sugar a sua energia quente e humana, enquanto beijava novamente aqueles lábios vermelhos. Sabia como ela reagiria, tal e qual como fizera no inferno. Responderia, sem se importar se eu era demônio, anjo ou humano. A facilidade com os humanos podiam ser manipulados era tão... tentadora.

Quando dei por mim, percebi que já estava adormecido. Nunca tinha consciência de desligar, nunca. Simplesmente, acontecia e apenas quando acordava é que dava conta que dormira, provavelmente, porque o meu estado de sono era bastante parecido ao de vigília, ao contrário ao dos humanos. No entanto, naquela noite, senti plenamente que dormia. Primeiro, apareceram apenas flashes e jogos de luz, demasiado rápidos para serem percebidos. Depois, veio o som, demasiado estridente para ser entendido. Eu tentava compreender o que acontecia mas apenas quando a imagem congelou consegui.

Era um portão, um portão qualquer que me era desconhecido, logo, não era nenhum dos muitos portões do inferno – esses conhecia como cada pena das minhas asas. Sem qualquer força física presente, um som metálico se espalhou na minha cabeça e o trinco do portão se abriu. As duas grandes portas de grades negras e muitíssimo trabalhadas se afastaram, criando uma passagem. Tentei entrar mas uma presença invisível me impediu. Forcei mas, mesmo assim, nada. O que quer que ali estivesse, era mais forte do que eu e, não me querendo gabar, eram poucos os que o eram, mais precisamente, eram apenas quatro.

No momento seguinte, estava sentado, na minha cama, com uma camada de suor em todo o meu corpo. O que significava aquilo? Eu não sonhava. Nunca. Sonhar era demasiado humano, demasiado medíocre para alguém como eu. Sonhar significava um apagão total que não era admissível, um estado de relaxe total cujo luxo eu não possuía. Sonhar era uma fraqueza e eu não era fraco.

Poderia ser uma mensagem? Portões, poder... poderia?

Não, não podia ser. Preferia mil vezes que fosse um sonho à segunda opção e isso era preferir muito.
Tinha de ter a certeza. Tinha de sair.

Gabriella’s POV

A verdade é que mesmo depois do que se passara, adormeci instantaneamente. Estava cansada, tanto física como psicologicamente, e o grito que Nickolas dera antes de sair apenas me servira de embalo. A verdadeira verdade é que me sentia protegida. Afinal, ele me salvara e, apesar de não poder confiar nele e de, conscientemente, saber que apenas o fizera porque estavam prestes a estragar o seu brinquedinho novo, passara a me sentir bem com ele por perto.

Depois de vestir uma camisa de noite e de me meter debaixo dos lençóis, só os sonhos vieram. No entanto, esses, que sempre haviam sido vivos e coloridos, me pareceram desbotados e monótonos, e, acima de tudo, confusos. O mais preocupante foi ouvir o meu nome ser chamado do além, quando todo o resto era demasiado silencioso. Tentei seguir a voz mas os meus membros estavam demasiado pesados. E o meu nome continuava a ecoar. Uma vez, foi tão alto que me fez dar um pulo com o susto e sentar na cama. Pensei que estava louca quando continuei a ouvir o meu nome.

— Gabriella! Merda...

Me levantei, com uma sobrancelha franzida, e atravessei o closet até chegar ao quarto de Nickolas. Abri a porta, com um cuidado exagerado, não estivesse ainda a sonhar, apenas para o encontrar, bem acordado, apoiado nos cotovelos para olhar para mim, coberto apenas até à cintura pelo lençol negro.

— Estava a ver que tinha de te ir buscar – comentou, rabugento, e se deixou cair na cama. – Se aproxime.

Fiz o que me mandava e caminhei até ele. O seu cabelo, que tinha crescido bastante desde o dia que cheguei, estava revolto pelas horas de sono, contudo, a sua expressão parecia cansada, como se tivesse passado dias sem dormir. A sonolência que deturpava os seus olhos e envolvia o seu corpo lhe conferia um aspeto de uma fragilidade fingida, como um gato se espreguiçando ao sol.

— Senta – ordenou e, mais uma vez, cumpri, tendo o cuidado de não deixar a camisa de noite subir em demasia. – Preciso de você, esta noite, Gabriella.

Franzi as sobrancelhas em incompreensão mas não tive tempo de formular qualquer questão porque, em menos de um segundo, me vi pressionada contra a cama pelo corpo rígido e pesado de Nickolas. Seus braços ladeavam a minha cabeça e os seus quadris, pregados aos meus, me imobilizavam por completo. O odor a canela parecia mais latendo do que nunca e a proximidade a que estava apenas me deixava ver os seus olhos daquela cor tão escuro que podia ser confundida com ébano. Não demorei muito para sentir todos os efeitos habituais de ser vítima do seu olhar fixo, no entanto, algo me dizia que não era apenas isso que provocava tantas sensações em mim; a sua proximidade, o modo como me tocava, também operavam os seus poderes em minha frágil pessoa.

— Eu prometo que não vai doer – ouvi ele dizer, antes de fechar os olhos e acabar com a distância entre os nossos lábios.

Diferente da outra vez, não atacou logo. Encostou as nossas bocas, friccionando uma contra a outra, com uma suavidade impressionante. Ele era macio e muito, muito quente. Senti sua língua passar pelo meu lábio superior e, depois, pelo inferior, como se fosse um doce a ser saboreado. Segurou o meu lábio inferior entre os dentes, numa carícia provocadora, mas, ao mesmo tempo, doce, me obrigando a abrir a boca, apenas para ele poder penetrar com a língua. Por instinto, tombei a cabeça ligeiramente para o lado, para me conseguir encaixar melhor nele e levei as mãos às suas costas nuas, onde sabia estar a tatuagem. Nickolas não só cheirava a canela, também sabia e era isso que sua língua me dizia a cada passo de dança que fazia com a minha. Se entrelaçavam de um modo perfeito, sem fugas. A pressão de seu corpo no meu apenas tornava tudo mais excitante e, sem dar conta, precisava de mais. Havia tanto calor.

Me assustei quando comecei a sentir algo crescer contra as minhas mãos e isso me ofereceu um pico de sanidade momentânea que me permitiu abrir os olhos e constatar que as suas asas estavam abertas, nos rodeando e nos afastando do mundo. Uma luz muito branca e brilhante se materializou à nossa volta, tão clara que me obrigou a fechar os olhos novamente, contudo, antes de o fazer, ainda tive tempo para ver Nickolas, de olhos bem abertos e quase opacos, sem vida, sinistros e totalmente mortíferos.

~*~

O cansaço dopava o meu corpo, tirando a ele qualquer capacidade necessária ao movimento. A minha mente também estava afetada, visto que apenas se conseguia concentrar numa coisa ou, melhor, pessoa, melhor, demônio. Enquanto todos meus sentidos se encontravam entorpecidos sem motivo aparente, minha cognição estava totalmente presa em Nickolas, em seus olhos, em seu corpo, em seu meio sorriso, até em sua arrogância e maneira de ser insolente. Não conseguia evitar compará-lo aAnthonny, que me parecia tão sem graça ao pé do demônio, mesmo que, num estado de total vigília, não fosse capaz de o admitir. Nickolas era enigmático e misterioso, quente e, também, prepotente, insolente e com tendências psicopatas, contudo, naquele momento, nenhumas dessas características me parecia um defeito. Me protegera. Fora atrás de mim e me salvara. Se Importava comigo e eu, quase de certeza, estava a sofrer da síndrome da vítima que se apaixona pelo herói porque ele me parecia tão imperfeitamente perfeito e seu cheiro estava em toda a parte.

— Quanto tempo mais vai demorar para abrir os olhos?

Sim, sua voz rouca era reconfortante de um modo estranho e sobrenatural e, naquele minuto, teve a habilidade de desprender os meus membros e tirar a névoa da minha mente.

Quando abri os olhos e o vi, a ele, Nickolas de óculos, sentado num cadeirão, de um modo despojado, com um copo de qualquer coisa na mão e uma expressão sombria na cara, a primeira coisa que fiz foi me censurar pelos pensamentos sonhadores e completamente erroneos. Como é que poderia achar aquele ser frio e desprezível minimamente encantador e aconchegante? Em que é que andava pensando? E onde estava? Olhei à minha volta e para os lençóis negros que me envolviam.

— O que é que aconteceu? – perguntei, me sentindo aflita e totalmente desconfortável.

Nickolas deu uma gargalhada sarcástica e me lançou o olhar malicioso de quem sabe demais, antes de levar o copo aos lábios.

Eu não podia… Ele não… Tentei retroceder na minha cronologia mental mas um grande espaço em branco separava um beijo calma do presente. Não. Sim. Talvez.

— O que é que parece a você que aconteceu, humanazinha? – questionou ele, com a voz propositadamente arrastada.

Engoli uma resposta pouco agradável e rezei ao Senhor para que não me tivesse entregado ao demônio.

Ele riu, mais uma vez, provavelmente, do meu embaraço e eu continuava rezando. Por algum motivo que não era nem um pouco descabido, a ideia de dar tudo a um demônio me aterrorizava.

— Estou indeciso – afirmou. – Devo esclarecer-te ou deixar que continues a pensar que tivemos uma noite de luxúria escaldante? Cuidado, humanazinha, olha que vais parar ao inferno.

Com o olhar, pedi, encarecidamente, que me contasse a verdade e ele pareceu ceder.

— Me diga, humanazinha, você acha mesmo que se esqueceria se eu te apresentasse às artes da paixão? Quem pensa que eu sou? – baixou o tom de voz, antes de continuar, o tornando o mais íntimo e sensual. – Quando o fizer, você recordará todos os pormenores, todos os dias da sua curta existência e chorará por mais, enquanto o calor subirá por suas pernas.

Expirei de alívio, todavia, a aflição não se afastou.

— Quando o fizer? – questionei, tentando manter a voz calma.

Ele fez, de novo, um daqueles sorrisos maliciosos.

— Você é minha. Vou usar você, quando me aprouver. Na outra noite, me alimentei de ti, apenas isso.

Ignorei a primeira parte daquela frase. Se pensasse nela com demasiado atenção, perderia qualquer oportunidade de descobrir o que se passara, além de que, para ser franca, preferia esquecer o que ele dissera.

— Alimentar...?

— Sim. Estava com pressa.

Não aguentei a curiosidade.

— Por que está de óculos?

Ele me fitou com olhos estreitos, a boca numa linha fina. Parecia uma criança contrariada.

— Uso por diversão. Estou bonito humanazinha?

Corei imediatamente. Sim ele estava, e muito. Ele gargalhou e o tirou colocando numa mesa próxima.

— Consegue se levantar, ou vai ficar ai sentada o dia inteiro.

Olhei, novamente, ao redor. Ainda estava no quarto de Nickolas, com a mesma camisa de noite com que me deitara. Tentei me levantar. Me livrei do lençol e coloquei os pés no chão. Iniciei o processo para me erguer mas o quarto começou a girar e uma qualquer força desconhecida me atirou, de novo, para a cama.

— Esqueça. Eliel deve estar a chegar com algo para você, só não prometo que seja comestível – declarou. – Está há muito tempo sem comer, além de que tirei toda a sua energia. Era necessário.

— Quanto tempo? – inquiri, tentando me manter o mais quieta possível ou pareceria que estava dentro de uma enorme bola.

— Três dias. Não sabia que os humanos aguentavam tanto tempo sem água. Você me Surpreendeu.

Três dias? Ele me mantivera apagada durante três dias? Roubara três dias da minha vida. Três dias que poderiam ter sido ocupados com planeamentos de fuga e afins.

— Talvez para vocês três dias não sejam nada mas para nós, humanos, três dias é muita coisa – murmurei, com uma expressão fechada, sem o olhar.

— Três dias não são nada. Vocês vivem o quê? Oitenta anos?

— Costumava-mos viver mais mas isso foi antes de vocês saírem do maldito local de onde vieram e nos terem tirado tudo. Agora, vivemos apenas sessenta, com sorte, e vocês ainda nos roubam mais! – acusei, virando a cara para ele.

Pareceu surpreendido pelo meu ataque. Elevou uma sobrancelha e o seu olhar se tornou frio e superior.

— Isso é uma acusação, escrava humana? – qualquer que tenha sido a resposta que os meus olhos deram, ele não gostou. Se levantou com uma velocidade impressionante, o copo se estilhaçou no chão, suas mãos envolveram meus pulsos e me ergueram da cama abruptamente, me causando náuseas e tonturas. – Já estou farto de suas merdas! Diz que não quer fazer isto, que não quer ir ali, foge, me acusa. Farto! Quando é que vai meter nessa cabeça que não manda nada?

— Nunca. Eu vou ser livre. Um dia, vocês vão pagar por tudo o que estão fazendo!

Ele riu sem vontade.

— Isso nunca vai acontecer. O fim eterno está perto, escrava humana, e não falo do fim de brincar da última vez. Falo do fim total, definitivo. Para vocês, para nós, para todos – seus olhos se abriram muito, graças à loucura que radiavam. Nickolas parecia insano, desesperado, conformado mas, ao mesmo tempo, revoltado.

— O que se está passando? – questionei.

Ele franziu as sobrancelhas e, provavelmente, reparou que falara mais do que devia, pois fez uma careta e me largou para passar as mãos pelo cabelo, com frustração.

— Nada da tua conta – respondeu e me virou as costas.

— Não, algo se passa e algo grave. O que é?

— Nada. Nada que lhe interesse.

— O mundo vai acabar? Me diga!

— Para que é que você precisa de saber? Porque é que precisa de encher a cabeça de merdas se não pode fazer nada para o mudar?

— Algo mau vai acontecer, não é? Me diga, por favor!

— Quantas vezes tenho de dizer que não? Porra!

— Mas eu...

— Cala a boca – ele murmurou e fez o caminho até mim com uma determinação nunca antes vista por mim.

No espaço de um segundo, suas mãos envolveram as minhas faces e sua boca atacou a minha, com uma força fora do normal. Queria me calar, queria acabar com minhas perguntas, queria vencer aquela pequena batalha entre nós e estava conseguindo porque o sabor de seus lábios não me deixava pensar no que quer que fosse. A pressão era tão grande. Suas mãos passaram para a minha cintura e apertaram tanto que, provavelmente, deixariam marcas, mas eu gostava. Adorava. Aquele beijo parecia diferente dos outros que já havíamos partilhado. Era mais selvagem do que o segundo mas mais verdadeiro do que o primeiro. Parecia que Nickolas tinha soltado o animal dentro de si porque mordia o meu lábio com força, me fazendo gemer de prazer. Me empurrou contra a cama e eu, quando senti meus joelhos bateram nela, me deixei cair, com ele por cima. No fundo, queria lutar contra tudo aquilo mas como podia se me sentia viciada naquele beijo, naquele toque? Largou meus lábios e passou a boca por toda a minha mandíbula, até à orelha, que mordiscou antes de passar para o pescoço.

Como poderia tudo ser tão bom? O que se passava comigo? O que se passava com ele? Senti-o trabalhar na minha pele, causando calafrios em mim por todo o corpo. Me sentia mais quente do que o normal e com uma necessidade excruciante de lhe tocar. Sem pensar, coloquei as mãos dentro de sua camisa, num gesto de ousadia súbita e senti sua pele escaldante brindar a minha. Talvez tomando a minha ação como uma permissão, Nickolas subiu uma de suas mãos pelo meu corpo, parando à altura de meus seios. Quando reparei, os primeiros botões da minha camisa estavam abertos e seus lábios percorriam todo o meu decote. Apoiou a mão no meu peito e apertou, ligeiramente, e a minha respiração ofegante falhou por um momento. Me esfreguei nele, apenas um pouco, o que o meu corpo pedia e o suficiente para me levar a um estado de loucura que nunca antes experimentara. Me sentia febril, confusa, apaixonada.

Luxúria. Era aquilo. Tinha a certeza absoluta que aquilo era luxúria, o pecado que Nickolas tanto defendia. Começava a compreender o porquê de o número de pecadores ser tão alto. Como seria possível resistir a tamanha energia, a tamanho desejo? O demônio colocou uma de suas pernas entre as minhas e o simples toque fez o meu corpo todo vibrar. Nickolas afastou o tecido da minha camisa completamente do meu peito e foi com surpresa que o vi levar um de meus mamilos à boca, me oferecendo uma sensação por demais prazerosa mas que sabia ser errada. Sabia mas não conseguia parar. Ele sugava, lambia e mordiscava e a única coisa que eu conseguia fazer era me contorcer e pensar que apenas o guardião da luxúria conseguira tal efeito. Levantou a cabeça e subiu até meu ouvido, apenas para sussurrar sensualmente: — Pronta para ir ao verdadeiro paraíso, humanazinha?

Não tive forças para responder pois, no momento seguinte, Nickolas já tinha levantado a minha camisa e começado a acariciar toda a zona de meu estômago. Daí até baixar os dedos para tocar em minha intimidada foi menos de um segundo. Me assustei, quando o fez, mas foi um prazer tão delicioso que eclipsou tudo o resto. Por cima da roupa interior, fez círculos pequenos e precisos, com a pressão certa para me deixar gemendo descontroladamente. Chupou a zona do meu pescoço enquanto continuava me tocando, cada vez mais depressa, enviando ondas por todo o meu corpo, que pedia libertação. Queria mais. Queria que me tocasse com mais força, mais rápido, sem qualquer tecido entre nós. Queria tirar as roupas que o cobriam e as minhas também e poder tocar nele como ele me tocava, sem qualquer impedimento. Foi exatamente quando os seus dedos contornaram a minha calcinha e me tocaram diretamente que senti as costas arquearem que um modo demasiado agudo, tão agudo como o som que saiu da minha boca quando uma onda maior do que todas as outras se espalhou pela minha pessoa, me colocando numa qualquer dimensão desconhecida mas tão saborosa.

Seguidamente veio o relaxe total. Nickolas beijou meus lábios, ou melhor, encostou os dele nos meus, mesmo antes de se levantar e ajeitar a roupa.

— Isto foi um orgasmo, humanazinha. Se prepare. Muitos estarão por vir.

Não tive forças para o impedir quando saiu do quarto e apenas quando o torpor demoníaco abandonou o meu corpo é que caí na realidade e me apercebi do que tinha acabado de acontecer.

Basicamente, me oferecera ao demônio. Se ele o tivesse desejado, ter-lhe-ia dado tudo. Não conseguira parar. Tudo que ele me fazia era tão bom que não tivera como recusar. O pior de tudo é que não o culpava. Culpava a mim. A culpa era minha. Eu é que não tivera forças. Precisava de ser mais forte. Mas ele era tão forte...

Na posição fetal, comecei chorando. O que é que Nickolas estava fazendo comigo?

Notas finais
Se gostou deixa seu comentário! Beijão anjinhas, um abraço demôniozinhos. Nos vemos amanhã!