Angels — Everybory Will Fall Tonight
2 Don't Leave Me
Notas iniciais
A loirinha do meu lado lia de cabeça para baixo. Sim, as pessoas ao nosso redor a olhavam com uma louca. Mas ninguém sabia que era assim que se entendia os mortos. Uma vez ela me contou que “O mundo dos mortos é como um universo paralelo ao nosso. Por isso usamos muitos espelhos e lemos de ponta cabeça, para entendê-los”.
Foi bem engraçado o dia que eu a conheci. Bom, ela estava perto de um gato morto na estrada. Eu já a tinha visto naquela localidade. Mas, na rua vazia às 10 horas, cercada de velas e o animal bem no centro eram novidade.
— Bem, vamos iniciar. Veniens Indicado Illud Ab Alio Mundi. — A fumaça surgiu do chão, como num filme de terror mesmo. Ela continuou a falar em latim, até a fumaça começar a formar semelhante a um humano, mas sem nenhum detalhe. A figura começou a soltar uns sons esquisitos, enquanto ela ouvia com toda a atenção. Logo ela começou a fazer perguntas, e ser, a respondê-las. Isso não durou muito tempo, pois logo a forma corpórea da criatura começou a ser perder. Ela continuou ali, observando o gatinho sem vida, até começar a apagar as velas.
— O que foi isso? — Perguntei enquanto ela apagava a primeira. Ela ficou tão assustada que gritou e caiu sentada no chão. “Ela conversa com um fantasma mas tem medo dos humanos, ou os supostos”. — O que foi?
— Meus Deus, como você viu? Como? — Levantou rápido e começou a grita comigo, irritada. — Eu tenho certeza que fiz o feitiço de proteção certo. Então como você me viu?
— Olha, fica calma. Digamos que eu veja muito mais do que os outros. — Coloquei a mão em seu ombro, para ver se ela ficava mais calma.
— Você é médium? — Viu um brilho estranho em seus olhos, parecidos com aquele que as crianças tem quando ganham um presente no natal.
— Não…
— Ué, então como?
— Médiuns são humanos com uns vudus aí; eu não sou isso.
— Ora, não fale assim. Minha mãe é médium, e não tem nada de vudu não — Me deu um leve tapa na têmpora.
— Que bom que você é simpática e delicada, parece que nos conhecemos há anos. — Fiz a minha famosa cara de nojo — Okey, agora me explique o que era isso que você estava fazendo. — Ela tentou desviar do assunto, tentou falar como era complicado cuidar do cabelo loiro que, na época, ia até a altura da cintura. Mas continuei ali, querendo saber o que era aquilo.
— Tá, tá, eu sou necromante. Posso entrar em contato com os mortos para perguntar coisas. Eu vi que esse gatou morreu ontem e, como eu queria muito conversar sobre o futuro, entrei em contado com um espírito.
Obviamente eu achei aquilo estranho. Eu a ajudei a limpar tudo, apagar as vela e …
— O que você vai fazer com o gato? — Perguntei.
— Pretendo enterrá-lo. Por quê?
— Acho que posso dar um jeito nisso. — Concentrei-me no corpo do bichano e fiz o que minha especialidade mandava.
— AHHHHH, porque bostas você fez isso? — Se ajoelhou no chão, enquanto remexia nas cinzas daquele ser. Ela chorou um pouco, enquanto eu pensava algo como “Ela fez uma bela de uma mandinga com o gato. Mas quando sou eu que o cremo, ela chora”. Suspirei. Quando isso terminou, a garota pareceu perceber o que havia acontecido ali.
— Como fez isso? — Levantou, enquanto limpava as mão negras de cinzas na saia antes cinza claro. Senti que fiz uma expressão de nojo.
— Eh, esse é meu poder, necromante. Ou melhor, isso é o que restou dele.
— Restou? Como assim? — Suspirei mais uma vez e contei a procedência daquilo. Bem no começo, ela fazia uma expressão de “não acredito nisso que estou ouvindo”, para depois ficar “te entendo totalmente, estranha”. Foi assim que a conheci.
— Eliza, você não deveria estudar isso aqui? — Cochichei-lhe. — Para, tá todo mundo nos chamando de loucas.
— Pensei que você fosse o tipo de criatura que não ligasse para o que os outros pensam, Burn. — Respondei sem nem levantar os olhos do objeto a sua frente.
— Pela milésima vez, é Lavínia. L-A-V-Í-N-I-A. Pode, pelo amor a essa bendita criatura que você cultua, me chamar de Lavínia? — Sorri desmochadamente para mim, para retornar ao seu livro. Respirei fundo, “isso é só para me irritar, mais nada. Não exagera”.
De repente, me senti estranha.
A sala vibra, escurece. Ninguém mais sente isso, apenas eu e Eliza.
— O que foi isso? — Pergunta. Ambas levantamos e corremos para fora da sala. Logo sentimos mais vibrações, e sobre o olhar de todos, corremos até o banheiro feminino do andar acima, o terceiro.
Lá normalmente é muito vazio pois tem poucas cabines e as luzes não são muito boas, tornando o lugar escuro e perfeito para algum tipo de magia.
A menina que está olhando para o espelho parece concentrada, aí eu percebo que sua boca está se mexendo. Seus pés não estão no chão, e flutuam sobre uma figura repleta de outros símbolos dentro. Seus cabelo, curtos, ou estão voando, ou estão no chão. Já começo a ver uma criatura saindo de dentro do espelho.
— Uma evocação? — Sussurra Eliza, bem ao meu lado.
A pouca luz do ambiente some de vez, o que nós faz ficar praticamente cegas por um minuto. Eli conjura algo e com isso começo a ver bem, como se nada tivesse acontecido. Tenho uma ideia do resultado dessa evocação, e pretendo impedí-la logo. Toda a pele do meu corpo cai, de uma vez só, no chão, e queima. O que resta é o meu verdadeiro corpo, o espiritual.
— Eliza, pare-a. — Falo. Minha amiga começa a rezar em latim, fazendo o espelho rachar. Saque as adagas, e partir para o combate conta a figura já fragilizada no vidro.
Ela lutou pouco, e foi fácil colocar a lâmina no seu pescoço e cortá-lo. Depois que eu o fiz, ela gritou, berrou, queimando numa chama azul escura e profunda, e o espelho, se estraçalhou. Por um segundo a sua invocadora ficou paralisada, e sem forças, afinal, ela estava ganhando estas com a besta.
Mas seria idiota falar que seu poder era pouco. Primeiramente, pra invocar aquilo ela já deveria ser fodona, forte para caralho, pois não seria nem um pouco fácil. Segundo, o motivo que a fez fazer aqui também seria forte, e provavelmente ela não iria admitir tão imediatamente a minha intervensão.
Ela olhou para mim de uma tão forma que pensei que, eu pudesse, eu teria queimado da mesma forma daquela coisa. Pena que eu já estive no fogo, não é, meu amor?
Partir para cima dela,e ela fez o mesmo. Ela jamais recuaria. Como garras, senti as suas unhas rasgarem as minha roupas, mas eu não sangrei. Entretanto, quando fez da segunda vez, senti a leve ardência no meu quadril. “Merda!”
Com uma das mãos segurei seu punho, e com a outra eu cortei um profundo corte no seu peito, fazendo-a jorrar sangue, e mesmo gritando, ela não caiu. Ela se debateu um pouco mais, mas como eu ainda a segurava, eu acabei por puxar o seu braço. Senti que o tirei ele do lugar, porém a menina não parou. Por fim, eu cortei a sua cabeça. Seu sangue manchou todos os lugares que ainda não o tinha feito, deixando aquele delicioso cheiro de ferro.
Logo ao lagar a criatura no chão, Eliza apareceu e começou a cantarolar uma canção indecifrável, por mais que eu já conhecesse o seu ritmo e os cantasse, às vezes, a versão que eu achava que entendia das palavras. O corpo, antes morto e em partes, foi se juntando e voltando a vida. O sangue, agora percorria o caminho de volta, para o corpo. E, mais uma vez, a menina estava alí, como se nada tivesse acontecido. Isso agora não me impressionava mais, mas no começo eu achava bem malígno.
Eli me explicou que “o corpo que você mata é o possuído, e não a pessoa de verdade. Se eu fizer o seu ‘conserto’ rapidamente, será como se nada tivesse acontecido. Mas se já tiver passado muito tempo, a linha da vida da pessoa se rompe, e ela realmente morre”.
A menina saiu correndo do banheiro, e mais uma vez Eli cantarolou a música, fazendo toda a pele do meu corpo físico retornar ao lugar.
— Fico surpresa que nós não tenhamos sentido nada antes. — Disse, enquanto voltávamos.
— A vibração foi dele saindo do espelho, e não dela.
— Mas por que alguém faria esse tipo de coisa? Sério, é um… — Preparou-se para sussurrar — Um demônio. Ela não sabia do preço não? Tipo, essa parte dos filmes está certa. Alma. Ninguém liga para essa bosta não?
— A maioria nem acredita que ela exista, Eliza. — Falo com ela enquanto ando de costa para dentro da sala.
— Inteligente. Não acredito em alma mas acredito que tem um ser poderoso que eu posso chamar gratuitamente e tudo ficará de boas. — Levanta as sobrancelhas e ri, incrédula. Ela então foca em algo quase no fundo da sala. Olho para mesma coisa e vejo em quem ela realmente está olhando.
— Como diria a minha avó, que pedaço de mal caminho. — Percebe que ela quase saliva. A olha como “não me leve a mão, mas o único pedaço de mal caminho sou eu”. — Não faça essa cara, você acha mesmo que eu queria uma piada sem graça dessas? Enfim, ele é maravilhoso. Qual será o nome dele?
— Para de fogo nessa coisa, Eliza. Senta que você ainda tem estudar.
—Obrigada mamãe. — Ela se mantém em pé, e vai até o fundo da sala. Lá, ela se mete no meio do grupo de meninos, e conversa normalmente. Não que eu já quisesse ser assim, mas desde que conheci Eli, ela conversa com qualquer um. Até porque ela é linda, e fica fácil ter um amor próprio do tamanho do dela. Parece até uma Barbie. E tipo, eu não considero-me feia, mas não estou dentro dos padrões. No grupo, vejo um ou dois meninos a comendo com os olhos. É nojento. Ela pergunta o nome deles, e conversa um pouco com todos, mas sempre focando no garoto que está no seu lado. Não posso falar que ela esteja errada. O menino era bem branquinho, os cabelos cacheados que iam até a altura do queixo e castanhos escuro, mas dourados por conta do sol que entrava pela a janela. O nariz dava para ver, por conta dele está de perfil para mim. Era reto, praticamente começava na testa, sem ter aquela decida que o nariz normalmente tem. Ele respondia a Eliza, mas fora isso quase não falava. Sim, ele era lindo.
Logo ela voltou para onde estávamos e sentou, toda contente com si própria.
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— Você disse que iria me ajudar com matemática, não disse? Vamos logos com isso Lavínia! — Falou alto.
— Não é como se eu tivesse a obrigação…
— Mas é claro que é, você prometeu! Dedinho mindinho, lembra?
— Querida Eli, você tem 16 anos. 16! Para de encher o saco, ouviu? — Ela ficou parada, chocada, enquanto eu andava e tentava ver se conseguia consertar o bendito fone que quebrou novamente. Até ela puxá-lo da minha mão.
Eu esperava algo “sua filha de uma…, para agora mesmo”, mas o que recebi foi um olhar de cachorro que caiu do caminhão.
Respirei fundo e atravessei a rua, dando o sinal que iria para a casa dela, ela logo veio correndo para o meu lado, e começou a andar pulando, e faltava muito pouco para que eu visse flores saindo dela.
Quando estávamos quase chegando, sentimos outra vibração. Diferente da de mais cedo, ela era muito mais forte. E isso significava outra coisa. Corremos um pouco até uma rua vazia, e sem saída. Lá, perto do muro que dava para linha do trem, vimos um garoto gritando, e era como se ele tivesse com febre, pois suava muito e estava vermelho. As vezes que ele abriu os olhos, dava para ver que em lado era azul escuro e outro era o olho normal do garoto. Ele não era desconhecido para mim. Eu tinha gravado os seus traços. Era o menino de mais cedo.
Ele se debatia violentamente na parede. Eu ainda estava meio assombrada quando vi Eliza recitando um feitiço. Este fez com que estivesse dentro dele perdesse um pouco da força; E com isso, o menino conseguiu assumir o controle do corpo novamente.
Eu já estava preparada, por isso quando aquela coisa saiu dele foi fácil cortá-la ao meio. Mais uma vez, Eli consertou tudo e fomos ver como o menino estava.
— Ei, Rodrigo, como está? — Eliza estava ajoelhada ao seu lado, já que ele estava praticamente deitado no chão. Ela segurava a sua cara e dava umas batidas leve, até ele acordar. Quando ele percebeu quem era, pulo para o lado, assustado.
— Estou bem, estou bem. Não ocorreu nada. — Se levantou e tentou correr, mas eu segurei o seu braço.
— Calma boneco, tudo bem, nós sabemos o que aconteceu. Nós não temos medo daquilo. — Ele olhou incrédulo para mim, obviamente não acreditando.
— Claro que não sabem. Aquilo era um… Um… Não importa, eu já resolvi isso.
— Resolveu MUITO BEM, obviamente. Fomos nós que o exorcizamos! — Gritei, já nervosa com a situação, e Eliza veio logo tentar me acalmar. Ele arregalou o olho, e depois de alguns segundos, balbuciou um “muito obrigado”. Eu o larguei. — Você, bem, isso já aconteceu ante? Por que, tipo, você se assustou comigo e com a Eliza, mas não com o fato de você está possuído.
Ele me olhou profundamente nos olhos. Senti pena dele, e quando sentou suspirou e sentou no chão para começar a contar toda a sua história de vida, nós o seguimos.
— Vamos lá, vou explicar uma coisa. Sim, isso acontece comigo muito. Mas por conta de sempre acontecer, eu já consigo me controlar na maioria das vezes sozinho e sem que nada de ruim aconteça. Alguns são mais forte, como esse de agora pouco, e, digamos assim, é um pouco mais dolorido para tirá-los. O problema que alguns nem eu consigo controlar. Aí, nesses caso, coisas ruins acontecem, como eu roupar coisas, matar animais e agredir pessoas. Quando isso ocorre, logo após eles vão embora. E eu fico com a culpa e, como já ocorreu, posso até ir para a delegacia. O pior, até hoje, foi eu ter morto o meu cachorro. Eu sinceramente não entendo o porquê disso, o porquê deles quererem um corpo para fazer essas coisas! Eu já tentei tudo para evitar, mas nada funciona. E eu acabo me sentido mal, ou fisicamente, psicologicamente ou moralmente. — Respirou fundo e olhou, mas uma vez, no fundo dos meus olhos. Depois fez o mesmo com a Eliza. Isso era porquê ele queria que entendêssemos que ele falava a verdade.
— Eu sou uma necromante. — Soltou Eli, e ele a olhou surpreso. — Já li sobre isso, e talvez possamos te ajudar pois, tanto eu quanto ela, lidamos muito com isso. Além do mais, sei que um artefato considerado sagrado que evitaria a possessão.
— Existe algo assim mesmo Eliza? — Sua voz saiu cansada, e implorava por paz. Só agora eu havia visto as profundas olheiras, e as linhas de expressão levemente marcadas na testa e nos cantos das bocas, que deixavam o menino que provavelmente tinha 16 ou 17 anos bem mais velho. Ela sorriu levemente e fez que sim com a cabeça. Senti que eu fiz o mesmo, se querer.
— Okey, será melhor se levantamos e formos para a casa da Eli, temos que ver isso e estudar. — Ela me olhou com um olhar acusador, algo do tipo “não fale sobre isso agora!”. Mas era verdade mesmo.
— Ficaria muito contente se eu pudesse ajudar com isso. Eu sei um pouco de matemática — Sorriu. Se levantou e ajudou Eliza. Foi aí que percebi o quão alto ele era, passando uns 10 centímetros a minha altura.
Não levou nem cinco minutos para chegarmos até lá, mas antes o menino quieto e reservado se mostrou bem falante e divertido. Eliza estava adorando. Eu já começava a pensar no shipp que surgiria dali: “Roliza” ou “Elidrigo”? Qual era o melhor?
Eu nem me dei ao trabalho de ensiná-la nada, até por que ela nem me perguntou. Rodrigo queria ajudar, Eliza queria ajuda e atenção, e eu, descanso. Tudo estava indo muito bem.
Logo que terminaram, Eliza saiu para pegar uns livros e o tal objeto sagrado. O silêncio era um tanto constrangedor, pois ele olhava para mim, eu o olhava de volta, ninguém falava nada, mas ambos se incomodávamos com a profundidade dos olhares. Alma na alma. E muitos calafrios.
Só que de repente, ele começou a chorar. Depois, surgiram lágrimas pretas, e seus olhos piscavam sem parar. Mais uma vez, um ficou completamente azul e outro continuou normal. Isso tudo foi muito rápido, e quando eu estava preparada, ele já tinha começado a me atacar. Sua velocidade era um pequeno problema, mas eu conseguia atingí-lo muitas vezes, transformando o menino em um boneco todo cortado.
Já fraco, ele começava a falar em latim, para chamar outros da sua espécie. Eli, agora do meu lado, também falava os seus encantos, deixando ele mais fraco ainda. Até que ele saiu do corpo do Rodrigo.
Mais uma vez ele falava, mas no começo eu não entendia nada. Entretanto, eu comecei a entender, e como se o tempo tivesse parado, só existiu eu e aquela criatura.
— Ainda luta pelos anjos, demônio? É isso que você é, um demônio. Os anjos tem poder, mas ainda não te transformaram em uma criatura completa da espécie deles. Então, por que você faz isso? Impede do seu senhor vir até esse reino? Ele virá, assim como seu exército, e será pelo esse garoto. O príncipe virá! — Gritou, e como tudo voltasse ao normal, vi Eli tampar os ouvidos. E eu, o cortei.
Após ajudar o garoto, nós sentamos para finalmente respirar. Eu sabia que ela não tinha entendido uma palavra sequer do que ele tinha dito. Mas também que eu tinha que contar. E eu o fiz.
— O Príncipe? — Rodrigo observava a pedra que estava no colar pendurado no seu pescoço. Esse era o artefato que Eliza tinha falado. Era bem simples, um cordão de barbante e uma pedra roxa, uma ametista, e segunda ela, da cor da Magia. — Eliza, você disse que já tinha lido sobre pessoas como eu. E o que se falava sobre elas?
— Têm diversos nomes, mas alguns, como a minha avó, a chamam de hospedeiros reais. Elas têm grande facilidade de serem possuídas, pois suas almas são leves e finas. São elas que normalmente hospedam os grande príncipes do submundo. Entretanto, como são muitos, eu não sei de qual o demônio estava se referindo. — Ela olha dele para mim. — Quando você esteve lá, qual era a sua legião?
— Como assim, “quando você esteve lá”? — Falou surpreso Rodrigo.
— É por isso que tenho poderes. Eliza é descendente de bruxas e de necromantes, mas eu sou ser em transição, entre os chamados demônios e os anjos. E estou na terra para pagar pelos os meus pecados e sofrer no Prover dos Votos. Era essa a segunda opção. Só demônios podem matar outros, além dos anjos poderosos. E esses, normalmente não o fazem, pois são “bons”. Eliza, sinceramente, naquela época, eu não ligava para nada além dos meus próprios interesses. — Balbuciou um “entendo”, e abriu um livro. Falou que iria falar de alguns nomes, e aqueles que eu sentisse uma lembrança, eu deveria falar. Pois, segundo ela, “por mais que não ligasse nada, alguém deve ter ser referido a você por servidor de alguém, um espécie de súdito, ou soldado”.
— Yurin? Cristel? Astaroth? Kokabiel? Lâmia? Nada ainda? — Falava, suplicando.
— Você tem fé mesmo que eu vá lembrar? E mais fé ainda que ele estará nos dez primeiros que você vai falar?
— Não custa nada tentar.
— Vamos pensar em outra coisa. — Virei para o Rodrigo. — Você sabe qual é o tipo de ambição que um demônio tem quando ele entra em você?
— Vejo algumas coisas, mas nem sempre sei o que querem — Respondeu, ainda segurando a pedra.
—Okey, mas você não pode tentar lembrar do nome da coisa em questão?
— Talvez. — Virei-me para Eliza mais uma vez.
— Eli, faça aquele feitiço da lembrança. Talvez diminua o número de seres da lista. — Confirmando, ela o fez, e no livro, alguns nomes pareceram pular do seu lugar. A partir daí, ela começou a falar, um por um, os nomes. Até que ela falou Azalael.
— É esse! Tenho certeza! — Falei.
— Concordo, também o senti. — Falou Rodrigo.
— Então estamos indo para o local certo. Precisamos agora saber o que ele quer aqui. — Eliza fechou o livro e abriu outro, já procurando o nome em questão. — Pois, muito em breve, ele virá até o Rodrigo.
— Mas quando acontecer, o que faremos? — Eu sentia que ele queria ser forte, mas no fundo, muito provavelmente, ele estava com muito medo.
— Sinceramente, nem eu sei. Mas, muito provavelmente, teremos que achar um jeito de nos defender. — Eli sugeriu, também com medo estampado no seu rosto.
— Ou fazer como qualquer outro exército. Lutar, e sobreviver.

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