Notas iniciais
Eu sei. Eu sei. Sou uma criatura desprezível e vocês amaldiçoam a mim, a Himea e as nossas próximas mil gerações. Experimentem o décimo primeiro ano de ciências e tecnologia e depois digam se têm tempo para ler fic's sequer. E ainda tenho de me preocupar com o exame de Biologia que vou fazer daqui a duas semanas com a matéria toda que dei nos últimos dois anos sem fazer a mínima ideia do que sai. E ainda ter de engolir o dez que a minha professora de inglês me deu quando eu tive um treze no teste. Merecia pelo menos onze. Como já devem ter percebido, eu estou muito irritada com as minhas notas e, para piorar, tenho de viver com o facto de a bruxa (Himea: Essa sou eu) vai passar Agosto inteiro em Nice. (Himea: A minha avó vive lá. Yey. ^_^) Não vos vamos empatar mais. Himea: Até lá em baixo.

Capitulo 10 — Familia ... ou não

Foram apenas minutos para que Link entrasse pela porta da torre de aço e vidro. Mas desta vez era um escritório diferente. Tal como era um sítio onde não de entrava sem ser por convite.

Link nunca tinha passado da porta de entrada. Tal como nunca percebeu a razão pela qual os seus pais se tinham casado. Provavelmente nunca o faria.

–Não com alguém como o meu pai. — disse para si próprio fitando o discreto anel no seu dedo

Dark tinha-o surpreendido ao pedi-lo em casamento da mesma forma que os humanos fazem. O pequeno anel de ouro branco era bastante discreto se ignorar-mos o pequeno rubi que fazia Link lembrar-se dos olhos do arcanjo.

–Idiota. — disse para si mesmo enquanto abanava a cabeça em negação

Mas, realmente, não sabia o porquê do casamento dos seus pais. O único progenitor que lho podia explicar estava morto e o que restava parecia ter-se esquecido que um dia teve uma esposa de nome Mirajane, uma mulher doce e alegre. Ria tão alto que abafava qualquer silêncio.

Perguntou a si mesmo se o seu pai pensava nela ou se realmente a excluíra do seu mundo.

Os olhos de Mira fixos nos seus enquanto gritava. O sangue sobre os mosaicos da cozinha. Os pés descalços a escorregarem no liquido quente e a dureza do chão quando caiu. Um calor húmido nas palmas das suas mãos.

Uma mão a apertar o coração ainda a bater.

Voltou a sacudir a cabeça, desta vez numa negativa firme, tentando afastar aquelas imagens traumatizantes.

Levantou a cabeça e seguiu na direção da secretária.

–Link?

O loiro assentiu.

–Faça o favor de entrar. O seu pai espera-o.

Como Link odiava aquela palavra.

–Obrigado. — disse colocando a mão na maçaneta e abrindo a porta.

Laxus Dreyar estava junto a lareira, com as mãos nas algibeiras do fato às riscas que Link calculou ter sido mandado fazer a medida por causa da sua grande altura. Além de ser a Laxus que Link herdara os cabelos loiros.

Os seus olhos cruzaram-se com os dele. Aqueles olhos que mostravam o ódio que um pai dirigia ao seu próprio filho. Link fitava-o cauteloso como um falcão a observar um lobo. O rosto de Laxus era duro e anguloso, com os cabelos penteados para trás.

–Link. – disse o mesmo limpando a garganta

–Laxus.

Os seus lábios cerraram-se.

–Não sejas infantil. Sou o teu pai.

Link encolheu os ombros assumindo uma postura involuntariamente agressiva.

–Chamaste-me e aqui estou.

As palavras saíram num tom zangado. Seis anos de independência e no segundo em que se encontrou na presença do pai voltou a ser o adolescente que suplicava o amor dele e a ver que todos os seus esforços eram em vão.

–Estou decepcionado. – disse ele, inabalável – Pensei que tinhas aprendido coisas novas com as companhias em que tu te tens andado.

Link franziu a testa.

–As minhas companhias são as mesmas de sempre. Já estiveste com Zelda, a Diretora da Guilda, em várias ocasiões, e Ikuto …

–O que os teus amigos caçadores – uma careta de desprezo – fazem, não me interessa.

–Calculei que não. – o loiro cruzou os braços em frente ao peito – Mas então porque tocaste no assunto?

–Referia-me aos anjos.

Link piscou os olhos, tanto de surpresa como de raiva.

–Nem te passa pela cabeça as coisas que eles consideram aceitáveis.

A justiça impiedosa de Dark era um dos muitos exemplos. Nada do que eles realmente faziam encaixava na percepção que o seu pai tinha dos anjos.

Com um gesto, desvalorizou as palavras dele como se não tivessem qualquer importância.

–Preciso de falar contigo sobre a tua herança.

Link cerrou os punhos.

–Referes-te ao fundo que a minha mão me deixou?

Sim. Link bem podia ter morrido a fome no meio da rua que o seu pai não mexia um dedo.

–Suponho que os genes são mesmo decisivos. – as maçãs do rosto de Laxus contraíram-se

Link esteve para lhe chamar sacana mas, curiosamente, foi a voz da sua mãe que o deteve. Mirajane sempre lhe ensinou a respeitar o pai (isso Link não conseguia fazer), mas podia respeitara memória da mãe.

Laxus deu meia-volta e dirigiu-se a secretária por baixo das janelas do lado oposto da sala, o som dos seus paços abafado pelo suave, mas espesso, tapete escuro.

–O fundo venceu-se quando fizeste vinte e um anos.

–Estás um pouco atrasado não?

O mais velho pegou num subscrito.

–Chegou uma carta para ti dos solicitadores.

Link recordou-se de ter atirado a carta, ainda fechada, para dentro do caixote do lixo. Pensou que se tratava de mais uma tentativa de o convencer, tanto a ele como aos irmãos, de vender as suas acções da empresa que herdara através do seu avô paterno, um homem que parecia gostar dos três.

–Fizeram realmente um bom trabalho.

–Não penses que a tua preguiça se estende aos outros. – Laxus avançou e colocou o envelope na mão dele – O dinheiro foi depositado numa conta a prazo em teu nome. Estão aí todos os pormenores.

Link não baixou os olhos.

–Porquê o toque pessoal?

Os olhos do loiro mais velho semicerraram-se.

–Por mais horrível que eu ache a tua opção de carreira …

–Não foi uma opção. Lembras-te? – a voz do caçador era fria

–Como estava a dizer, por mais lamentável que seja a tua profissão, a verdade é que te obriga a contactar com gente importante.

Link sentiu um ardor no estômago. Mas de que raio estava ele a espera? Sabia que não significava nada para o pai.

–Tens condições para ajudar a família. – um olhar de aço – Coisa que nunca quiseste fazer.

A mão de Link amarrotou o subscrito.

–Sou apenas um caçador. – disse, repetindo as palavras do mais velho – O que te leva a pensar que eles me tratam melhor do que tu?

Ele nem pestanejou.

–Disseram-me que andas muito tempo com Dark, que ele pode estar aberto a sugestões feitas por ti.

Link disse para consigo mesmo que ele não estava a dizer o que ele estava a dizer. A tremer por dentro, olhou-o de frente.

–Eras capaz de prostituir o teu próprio filho?

Nenhuma mudança na expressão de Laxus.

–Não, mas se ele próprio já o fez porque não tirar partido disso?

O rosto de Link ficou branco como cal, seguindo-se de uma expressão de raiva. Sem sequer pensar nas consequências andou até ao pai e “espetou-lhe” um soco na cara digno de um lutador profissional e, sem dizer uma palavra, virou-se, abriu a porta e saiu.

–É melhor chamar um médico. – disse para a secretária do seu pai antes de abandonar o prédio e entrar no táxi – Leve-me para um lugar qualquer. – disse sem olhar para o condutor

–Que cara é essa jovem? Parece que acabas-te de ver um fantasma.

Link deu um leve sorriso.

–Na verdade acabei de esmurrar um com o soco que um amigo meu me ensinou.

–Esse amigo parece ser uma pessoa fantástica.

O loiro voltou a sorrir.

–Na verdade é um chato que não para de falar do seu amado noivo arcanjo.

–Hei! – o taxista exclamou – Eu não falo assim tantas vezes do Rogue. – resmungou – Falo?

–Falas e sorris que nem um idiota. – risos – Afinal o que fazes aqui Sting?

–Soube que estavas aqui e vim ver se estavas bem. Afinal és meu amigo. – o outro pareceu não acreditar – Ok. Foi o Dark que pediu depois de me levar o Rogue para terem uma espécie de reunião com os outros arcanjos. – o maior suspirou frustrado

–A começar outro round, a meio ou a acabar? – Link provocou

–A meio. Agora mudemos de assunto que eu já estou puto o suficiente. Onde queres realmente ir? – Sting respondeu com uma voz irritada que fez Link rir

–Para o banco meu caro chauffeur.

–Vai a merda!

.-.-.-.-.-.

–8734 … 8735 … 8736 … 8737 …

–Trouxe-te o almoço.

A bola de borracha de cor azul parrou na mão de Layna visto que a loira a tinha agarrado.

–8738 … — sussurrou com a cabeça baixa

–Ainda estás assim pelo que eu te disse?

A loira direccionou o olhar para o moreno. Um olhar vazio e sem brilho realçado pelas olheiras escuras.

Ao fitar aqueles olhos, Drago pousou o tabuleiro com a refeição na mesa e cruzou os braços sobre o peito.

–Não me digas que passaste a noite em claro …

Layna não disse nada. Aqueles olhos da cor do oceano não a deixavam falar. Sentia que tudo o que dissesse seria em vão. Então apenas murmurou um «Talvez.» voltando a atirar a bola para a parede sendo que esta foi agarrada pelo anjo em vez da caçadora.

–Primeiro vais lavar o rosto. Estás com uma cara horrível. – os olhos azuis transmitiam autoridade já os de Layna mostravam uma fúria capaz de matar alguém de medo – Depois vais comer o que eu te trouxe e vais dormir.

–Se não o quê?

Layna parecia mesmo disposta a desafiar o anjo.

–Eu faço-te engolir a comida e amarro-te a cama até adormeceres.

–Querias que eu ficasse acordada depois de descobrir que toda a minha vida foi uma mentira? – Layna gritou olhando-o nos olhos – Que o meu pai não é meu pai e sim o pai do Akira que é o mesmo vampiro que matou a minha mãe. Querias que depois de saber isso sorrisse e dissesse que estava tudo bem? Eu sou meia vampira e nem sabia.

A esta altura a voz da loira foi substituída por soluços que denunciavam o seu choro.

–Como é que vou contar ao Link que ele viu o nosso pai a matar a nossa mãe? Ele ainda hoje tem pesadelos com esse dia. E eu … eu estou aqui parada feito uma inútil e …

Layna calou-se ao sentir um braço rodear os seus ombros. Só naquela altura é que reparou que o moreno estava sentado ao lado dela abraçando-a como se quisesse apoia-la na sua dor.

–Se tu és uma inútil eu nem sei o que sou. Vivi toda a minha vida aqui preso. Nasci neste buraco praticamente. A primeira vez que vi o mundo lá fora foi quando estava a vigiar Shiki em Tokio. E eu não pude fazer nada para o ajudar. Sinto-me um completo imbecil.

Layna deu um ligeiro sorriso.

–Sabes que ele é apaixonado pelo meu irmão certo?

Drago olhou-a sério.

–Não sou apaixonado pelo Shiki.

–Então és o quê?

–Eu sou …

.-.-.-.-.-.

Link não tinha nenhum tipo de interesse especial por valores monetários. No entanto, possuir alguma coisa que tenha pertencido a sua mãe era algo que, de certa forma, o alegrava. Só sabia que um verão, depois de chegar do colégio interno, descobriu que todos os sinais de Mirajane tinham desaparecido daquela casa, incluindo a sua colcha feita pela mesma que Link guardava com tanto carinho desde bebé.

Sentiu o táxi parar bruscamente.

–Estás entregue.

A voz de Sting fez com que Link saísse da sua paralisia momentânea e agradeceu por isso.

–Deixa o taxímetro ligado que eu não me demoro.

Não conseguiu evitar soltar aquela piadinha. Na verdade aquele táxi era um veiculo da Guilda totalmente equipado para caçar vampiros. O taxímetro na verdade era um emissor de sons de alta frequência que deixava os vampiros surdos e com grandes dores de cabeça por breves momentos.

Uma olhadela ao relógio confirmou que ainda tinha tempo para respirar. Decidido a esclarecer tudo sem demora, dirigiu-se ao balcão do banco especificado na carta. Felizmente ficava ali perto. Preencheu a papelada e, quando se preparava para sair, o gerente disse-lhe:

–Gostaria de ver o conteúdo do cofre senhor?

Link olhou para aquele rosto balofo, provavelmente consequência de comida a mais e exercício a menos. Entre os caçadores, ter uma boa forma física é o básico da profissão. Não foram poucas as vezes em que ele, Ikuto e Sting faziam concursos para ver quem tinha mais massa muscular. Teve vontade de rir ao lembrar-se de quando Sting teve um chelique quando perdeu 100g de massa muscular.

–Cofre? – perguntou ao gerente vendo que este esperava uma resposta dele

O homem ajeitou a gravata.

–Sim.

–Mas não é preciso ter uma chave e … — franziu a testa – a minha assinatura do cartão de acesso?

Ele sabia-o porque já lhe tinha acontecido de o procurar durante uma caçada difícil.

–Normalmente sim. – o homem endireitou a gravata pela segunda vez – Mas a sua é uma situação digamos que invulgar.

Tradução: o pai tinha mexido uns cordelinhos sabe Deus porque razão.

–Está bem.

Cinco minutos depois, a sua assinatura já tinha sido reconhecida e a chave estava nas suas mãos.

–Se fizer o favor de me acompanhar à cave … aqui usamos um sistema duplo. Eu tenho a chave da cave e o cliente a chave do cofre. – disse o homem adentrando nas profundezas do edifício antigo

Os cofres estavam escondidos atras de várias portas electrónicas que pareciam insólitas nas entranhas da histórica estrutura.

–Link.

Sabia que não contava com aquele sussurro na sua cabeça.

–Sai.

O homem que seguia em frente olhou-o por cima do ombro espantado. Link apenas fingiu-se de entretido a examinar as unhas.

–Estás atrasado. O que se passa?

Semicerrando os olhos, Link rangeu os dentes, perguntando-se se valeria a pena o trabalho que lhe ia dar a tentar afasta-lo da sua cabeça. Só de ouvir a voz dele já sentia o corpo quente.

–Encontrarás um carro á tua espera na entrada quando saires.

–E o Sting?

–Ele já voltou. Faz o favor de não matar o Zero.

–Farei os possíveis.

A conversa mental terminou. Link parou, fitou as costas do casaco do gestor, capaz de lhe cheirar até o medo.

–Com quem é que falou a poucos minutos?

O homem virou-se para ele com os olhos assustados como os de um coelho ao ver uma raposa.

–Com ninguém, senhor.

Link dirigiu-lhe um sorriso amarelo que deixou claro que o homem o tinha irritado imenso.

–Mostre-me lá o cofre.

Claramente espantado com a mudança de atitude, o homem obedeceu. Link esperou enquanto ele colocava a longa caixa metálica em cima de uma mesa e em seguida mandou-o embora. Uma vez sozinho fitou a parede a sua frente.

–Dark?

Nada.

Deu a volta a chave e tirou a tampa, á espera … não sabia bem do que estava a espera mas não tinha nada a ver com o que encontrou lá dentro. Caixas com jóias, que iriam ser para Layna, uma adaga antiga que Link se lembrava de Akira a ter pedido a mãe, cartas atadas por um cordel, fotografias antigas dele, da mãe e dos irmãos, e, em cima de tudo um caderno com cabedal preto com os cantos gravados a ouro. Reconheceu logo o diário da sua mãe. Como esquecer aquele caderno?

Retirou aquela memória tão importante da sua mãe e chamou o gerente pedindo-lhe que colocasse o cofre no lugar.

–Há quanto tempo é que isto está aqui?

O homem olhou para a ficha que tinha na mão.

–Tudo indica que foi aberto a quinze anos.

Link arrancou-lhe a ficha da mão antes que tivesse tempo de reagir, de olhos fixos na margem inferior da primeira página.

Laxus Dreyar

Maldito!

Atirando os papeis para cima do gerente indo na direcção da pesada porta de vidro que um segurança se apressou a abrir.

–Obrigado.

O homem passou de sorridente a estupefacto num segundo. Link seguiu o olhar dele teve o mesmo olhar de espanto. Viu um homem de beleza impressionante cujos cabelos cor de prata chamavam muita a atenção. Mas não era a Zero a que Link devia o seu espanto e sim ao Zenvo ST1 branco ao qual ele se achava encostado. Um dos carros mais caros do mundo.

Link avançou para o passeio.

–De quem é este carro milionário e o que é que ele te fez?

–É meu. E nada.

Link quase riu daquela resposta. O «nada» já previa. Apenas se dignou a seguir Zero e entrar no carro milionário.

.-.-.-.-.-.

Akira abriu os olhos lentamente perguntando-se onde estava. A ultima coisa que se lembrava foi de seguir o rasto de Shiki até a um bairro da classe alta e … e nada. Não se lembrava de mais nada. Não se lembrava de ir parar a um quarto onde as paredes se assemelhavam a uma masmorra mas não se assemelhava nada a uma.

A primeira prova era a grande cama de lençóis vermelhos onde estava deitado. Vermelho. Uma cor tão cheia de vida. A cor dos olhos do seu arcanjo.

Só de lembrar dos olhos daquele que conquistou o seu coração, Akira teve vontade de chorar. Tendo em conta que ele não era uma pessoa muito sentimental, pelo menos desde a morte da mãe, isso era um grande feito.

Foi durante essa ânsia de chorar que o albino sentiu dois braços fortes rodearem a sua cintura e um nariz a passar na sua nuca. Não precisou sequer de se virar. Reconheceria aqueles toques em qualquer lado.

–Saudades do teu cheiro.

Sentiu os braços apertarem ainda mais a sua cintura.

–Fiquei preocupado. – o albino confessou num tom de voz baixo – Pensei que não te voltaria a ver.

–Nunca te iria deixar. Tornaste-te o mais importante para mim. A minha fraqueza.

A ultima frase foi sussurrada tão baixo que se ele não estivesse tão perto de Akira não o teria ouvido.

–Como é que eu cheguei aqui?

Nesse momento Shiki parou como se estivesse a tentar arranjar forma de explicar a Akira que o quase o tinha atacado e morto num momento de loucura como o que fizera aos outros corpos? Não. Não lhe poderia dizer. Não no momento. Iria deixa-lo pensar que estava tudo bem.

–Quantas mulheres já mataste?

Ok. Com aquela pergunta a opção de fingir que não aconteceu nada para ele foi deixada completamente de lado.

–Desculpa. Eu não me consegui controlar. – a voz de Akira era baixa – Não precisas de responder se não quiseres. Sei que a culpa não foi tua.

–Não. – Shiki abraçou o outro possessivamente – Eu quero contar. É que eu apenas me sinto inseguro. Não quero que penses que eu sou o monstro que toda a gente pensa que sou. Qualquer um menos tu. – voltou a inspirar o aroma da pele do pescoço de Akira – Eu amo-te tanto meu amor.

Diante das caricias do moreno, o albino deixou-se relaxar fechando os olhos para aproveitar mais da caricia dada pelo amado.

–Eu amo-te mais. – disse dando um pequeno sorriso

Atrás de si, Shiki riu-se.

–Não vamos exagerar certo?

–Exagerar? Eu sou o mais serio da relação. – replicou o albino

–Isso é mentira. – shiki resmungou

–Não sou eu que choro com o final de “A vida é bela”.

–“Questa è la mi storia ... il sacrificio che mio padre ha fatto per me.”* – sussurrou nm perfeito italiano antes de olhar o amado nos olhos – Como podes ser insensível ao ponto de odiar aquele filme?

Akira levantou levemente as costas so para poder selar os lábios do amado num beijo leve.

–Nunca disse que odeio aquele filme. É lindo. Mas eu não vejo filmes ou leio livros com finais infelizes.

–Mas sonhar com um final feliz é viver a vida numa mentira.

–Não se trata de viver numa mentira Shiki. Trata-se de esperança. De ter esperança que um dia tudo vai melhorar.

–E se não melhorar?

A pergunta foi mais dirigida a si mesmo do que para o vampiro.

–Nesse caso é só tornar a vida o melhor possível e criarmos o nosso próprio final feliz.

Shiki sorriu ao sentir Akira apertar a sua mão com força.

–Ti amo mio piccolo vampiro.**

O vampiro sentiu o cansaço abater-se sobre ele. Não tinha sono, mas sentiu que ele vinha para o levar para o mundo dos sonhos.

–Shiki? …

–Desculpa meu amor. Mas não te posso manter aqui.

.-.-.-.-.-.

–Hum!?

O jovem albino acordou com uma leve dor de cabeça. Sentiu dificuldade a abrir os olhos lacrados pelo sono. A primeira coisa que viu foram cortinas. Cortinas brancas que esvoaçavam devido a brisa que entrava pela janela que dava para uma varanda.

Sentou-se na cama lentamente analisando ao mesmo tempo que analisava o quarto. Branco. Muito branco, preto e prata. Para não falar da mobília que se notava a distancia o seu valor. Pela varanda podia ver-se o jardim da casa extremamente colorido de tantas flores que tinha e … Espera ai!

Sentindo o corpo todo a estremecer, o albino levou as mãos a frente do rosto.

–Umuligt.*** – sussurrou para si mesmo

–Para um arcanjo nada é impossível.

Os olhos cinza voltaram-se para a figura ao lado da porta. Era verdade que não se devia subestimar a beleza de um arcanjo, especialmente se ele estiver daquela forma. Os cabelos escuros antes presos estavam agora soltos caindo como uma cascata negra sobre a camisa branca, esta que detinha os primeiros três botões abertos, e as calças de ganga escura. Tudo isto juntamente com as asas negras dava a sensação de estar a olhar para um dos quadros mais belos do mundo e uma imagem quase erótica ao mesmo tempo.

–Tudo bem? Doí-te alguma coisa? – perguntou Kanda com um leve olhar de preocupação

–O que é que tu queres? – Allen perguntou num tom ácido que não combinava nada com aquela carinha fofa (palavras do Kanda, não minhas)

–Remendar as coisas. – respondeu o arcanjo não parecendo afectado com as palavras do albino – Volto a repetir. Doí-te alguma coisa?

–Achas que transformar-me num vampiro vai resolver as coisas?

A fúria subiu a cabeça de Allen. Ele era um caçador. Transformar um caçador num vampiro sem este consentir era uma vergonha para o mesmo. Um golpe no seu orgulho.

–Eu não te transformei num vampiro. – disse o arcanjo calmamente – Apenas curei a tua tetraplegia. Tens fome?

Allen teve de se conter para não bater no moreno. Ele dizia as coisas de forma tão direta e mudava de assunto tao depressa que nem parecia ser humano. Bem. De certa forma ele não era.

–Não. Estou bem. Apenas com uma leve dor de cabeça … e … obrigado. – fora preciso engolir o seu próprio orgulho para dizer aquelas palavras mas, de certa forma, estaria a ser muito rude se não agradecesse

–Estou apenas a remendar um erro do passado.

Sim. Era isso mesmo. Não ele não sentia nada pelo ser sentado naquela cama a não ser uma leve compaixão e culpa. Afinal o jovem não tinha família por sua culpa. Ele não sentia nada por ele além disso. Era tao simples quanto isso.

–Vou pedir ao Lavi que te traga algo para comer. E não te esforces. O teu corpo está muito debilitado devido aos anos que ficaste com ele imóvel.

Depois disso o arcanjo saiu. Deixando para trás a fantasia tola de que sentia algo por aquela criança. A verdade é que Kanda nunca teve sentimentos muito fortes. Nem sequer com os vários amantes que teve na sua cama por todos os seus séculos de vida. Por isso aquele palpitar acelerado que sentia não era nada alem de uma reacção normal do seu corpo a tudo o que se passava e não ao jovem albino cujo a vida destruiu.

Continua …

Notas finais
* - ultima fala do filme "A vida é bela" em italiano - "Esta é a minha história ... do sacrifício que o meu pai fez por mim." ** - "Eu amo-te meu pequeno vampiro" em italiano *** - "Impossível" em dinamarquês .-.-.-.-.-. Kanda-kun está muito confuso. Pobrezinho. Ele acha mesmo que pode fazer o que quer. Rose: Tal como eu digo ao meu irmão. Fia-te num Fiat que depois andas a pé. Pedimos desculpa por estes MESES de ausência mas ficamos muito ocupadas com a escola. As nossas notas do primeiro período não foram como esperado e, por isso, decidimos dar uma pausa na escrita para podermos estudar e passar de anos. E conseguimos /o/ Não garantimos que possamos colocar o próximo capitulo muito cedo já que para além do exame de biologia eu também vou fazer o de física e química. Podem sentir pena de mim. T.T Rose: Era só chumbar a disciplina como eu fiz. E aí tinha de a repetir no ano seguinte. Rose: Pormenores. Adiante. Até ao próximo capitulo pessoas que me amam. XD