Angel's Black and White
2 Capítulo 1
Notas iniciais
– Nora! – escuto e me viro na direção da voz mesmo já sabendo quem é: Cameron. Olhei para eles, sim eles, pois estavam Cam, Vee, Luce e ele. Todos me olhavam, por um segundo me perdi naqueles olhos pretos que tudo absorviam e nada devolviam, os olhos dele... Patch Cipriano, o melhor amigo de Cam, como sempre ele está vestido todo de preto e seus cabelos assim como os de Cam são pretos e cheios, também levemente bagunçados, desvio o olhar e encaro Cam – Nora, vem aqui – ele me chama receoso. Eles estão parados no lugar que sempre ficamos. A sombra de uma enorme árvore.
Aproximo-me a passos lentos, paro de frente para eles e os encaro, até Patch que não tenho muito intimidade, mesmo nutrindo uma paixão secreta por ele, coisa que ele não precisa saber e que não vem ao caso agora...
– Fala logo que eu estou com pressa... – digo friamente – Pra que você me chamou até aqui Cameron? – ele arregala os olhos, não só ele todos eles se espantam, quando eu o chamo de Cameron, eu nunca, nunquinha o chamo de Cameron.
– Cameron? – ele me pergunta espantado – você nunca me chama assim Nora – ele dá um passo em minha direção e eu afasto um – Nora, o que foi? Você ainda esta com raiva? Você sabe que pra mim você é como uma irmã – ele diz se exaltando um pouco o que dificilmente acontece – Pare já com isso! Nora você sabe o porquê não temos te contado... – eu o cortei.
– Cameron, eu não estou interessada! – eu digo nervosa – Eu também poderia não ter contado, mas eu confio em vocês três – aponto para cada um – mais do que tudo, vocês para mim são como irmãos. E adivinhe só, confiei tanto que fui traída da pior forma, isso só mostra o quanto ingênua eu fui! – sinto as lágrimas virem, mas as seguro, não vou chorar – E isso não é assunto para discutirmos aqui – olho em volta e vejo muitos curiosos prestando atenção em nós – Temos plateia – digo isso e começo a caminhar.
– Nora – dessa vez foi Luce que falou – Vamos conversar – ela diz com uma voz contendo receio e desespero – Mais tarde, naquele horário e naquele lugar – viro-me para encará-los e percebo o olhar de confusão de Patch, ele não sabe desse lugar.
– Estarei lá, Lucinda – digo e quando vou me virar vejo o olhar de dor em Luce, eu também nunca a chamo de Lucinda, começo a caminhar, mas me lembro de algo e paro – Quem mais vai? – pergunto me referindo a Patch.
– Nós quatro e você, Raio de Sol – diz Vee e eu posso sentir a culpa em sua voz – Você não se importa não é?
– Não me importo se ele for Sky – começo a caminhar e digo – Só que alguém leve ele lá, como era somente nós quatro que sabíamos da existência daquele lugar – paro e me viro – Espero que pare nele, não quero mais ninguém tendo conhecimento daquele lugar – volto a caminhar e sigo para a minha sala de aula.
Minha primeira aula é de biologia – chato – geralmente sento-me com Vee, mas hoje não vou. Encaminho-me para o fundo da sala e me sento. Abaixo minha cabeça e espero a aula começar, sinto alguém ao meu lado, levanto a cabeça lentamente e vejo duas orbes negras me encarando. As mesas aqui são para se sentar em duplas, o que sempre faz com que sentemos com outras pessoas, porem esse lugar em que eu estou nesse momento, geralmente é vazio, então porque justo ele se sentou ao meu lado?
Olho em volta e só está vazio o lugar ao lado de Vee, mas não vou me sentar lá, ainda não me resolvi com ela, então vou ter que ficar com ele e aturá-lo, meu Deus daí-me paciência!
– Olá Nora! – ele diz e dá um sorriso de canto – Fico feliz em saber que somos da mesma sala.
– Quanto tempo? – pergunto ignorando o que ele fala.
– Quanto tempo o que? – ele pergunta com uma expressão confusa.
– Que você é dessa sala Cipriano! – digo como se fosse óbvio, ele arregala os olhos minimamente pela forma de como o chamei.
– Pode me chamar de Patch, Nora. – ele diz olhando para a porta e se vira para me olhar – Uma semana... – ele diz me olhando nos olhos – Achei estranho não te ver, pois sei que você e Vee são da mesma sala – ele olha para outra direção – O que acont... – ele não conseguiu terminar, pois foi interrompido.
– Ora Patch, meu amor, porque você esta sentado aqui com essa... Coisa? – pergunta uma garota ruiva: Marcie Millar. Marcie é um pouco mais baixa do que eu, tem cabelos ruivos, pele branca e olhos castanhos. Marcie sempre veste roupas curtas ou apertadas demais, sempre chamando atenção dos garotos e pelo visto até de quem eu mais queria que ela se mantivesse afastada. Essa semana deve ter acontecido muita coisa, ela o chamou de amor – vamos para nosso lugar, amor.
– Marcie, se não se importa quero me sentar aqui hoje – Patch fala com uma voz calma, mas seu olhar é frio – e não me chame de amor.
– Tudo bem amor – ela diz ignorando o que ele fala e se vira para mim. Patch revira os olhos – Saia, Patch quer ficar aqui então vou me sentar com ele. – ela me dá um sorriso malicioso – Assim como ocorreu essa semana toda que passou.
– Não vou sair – eu digo calmamente – Sentei aqui primeiro, nada mais justo eu continuar – eu continuo falando e encaro minhas unhas, que se diga de passagem estão necessitando de uma manicure urgentemente – Que eu saiba essa mesa fica vazia, cheguei e me sentei primeiro. Patch se sentou aí porque quis. Não vou sair, seu namorado que deve sair para se sentar com você, no seu devido lugar!
– Nora, você entend... – Patch foi cortado por Marcie.
– Não! – ela diz com visível irritação – ele quer sentar aqui, então vamos nos sentar aqui!
Chega! Cansei disso, meu corpo e mente não aguenta mais uma coisa dessas! Quer saber, já sei o que eu vou fazer e para onde vou. Olho para Marcie com o olhar mais frio que possuo.
– Olha é sério, cansei disso – pego minha mochila e me levanto.
– Aonde você vai, Nora? – pergunta Patch espantado.
– Embora, já cansei disso – olho para ele – já estou cheia de problemas para resolver, minha vida deu um giro e eu não quero perder tempo com as futilidades de sua namorada – olho para Marcie – que acima de tudo é uma mimada e fútil, que quer se sentar com o Senhor Frio. Marcie pode sentar com seu amado Patch – começo a andar em direção a porta.
– Nora aonde você vai? – Vee me pergunta assustada.
– Você me conhece – dou um sorriso cínico olhando nos olhos dela – vou extravasar... – deixo a frase morrer e dou de ombros. Estou parada em frente à porta o professor ainda não chegou.
– Nora eu sei que você esta frustrada essa semana – diz Vee ainda sentada em seu lugar, dou alguns passos e paro em frente a sua mesa e fico olhando para a janela, todos da sala e principalmente Patch olham a cena – Mas se você fizer isso, vai se machucar de novo – ela diz com uma voz desesperada e pega na minha mão, quando ela faz isso desvio o olhar da janela e vou olhar para ela, mas antes meus olhos cruzam com o de Patch e ele está preocupado – mas não me importo – desvio o olhar e olho para Vee.
– Não precisa ficar me lembrando dessas coisas, até porque minhas cicatrizes já me lembram disso – eu digo a encarando e puxo minha mão das suas – nem me dizer o que eu devo ou não fazer... Sky – volto a caminhar para a porta – Vou estar lá no mesmo horário, avisa aos outros... Mas sem atrasos – volto a andar, mas paro antes de chegar à porta – Ah! E não venham atrás de mim!
– Raio de Sol – ela falou se levantando – fica...
– Não! – falo e saio logo em seguida.
Começo a andar rápido em direção ao estacionamento, pois quero sair logo daqui. Logo chego ao meu carro, agora sim eu vou poder ver do que essa belezinha é capaz. Ligo o carro e o tiro da vaga, com cuidado é claro, não quero arranhar meu bebê. Assim que o tiro da vaga uma ideia passa por minha cabeça, dou um sorriso, piso no acelerador e saio com o carro cantando pneu, mas antes de sair vejo Luce, Cam, Vee e Patch, todos com olhares preocupados, mas não ligo, só quero esquecer um pouco tudo isso. Vou em direção à praia. Tanto a clareira, quanto a floresta que eu “extravaso” são pra lá.
Quando menos espero já estou na praia, realmente meu carro é potente e veloz, será que eu ganho num racha? Estaciono o carro na beira da praia, aqui, especialmente nessa praia, tem estacionamento e essa praia é pouco movimentada, então sempre que dá, nós damos uma passada aqui. Acabamos descobrindo a clareira por acaso e desde então sempre passamos algumas tardes ou “momentos amigos” aqui, ou quando um de nós está triste. Hoje vamos vir aqui resolver um problema. Mas não vou para lá agora. Agora vou para meu “campo de treinamento”.
Sim campo de treinamento, desde pequena minha mãe me fez fazer várias lutas: sou faixa preta no Taekwondo, sou faixa azul pela idade, mas em ensinamento já sou faixa preta no Jiu-Jitsu e sou faixa vermelha no Judô, também sei boxe e um pouco de Caratê. Então para não matar ninguém, extravaso batendo nas árvores.
Desço do carro e me encaminho para a trilha.
– Ei, garota! – ouço uma voz masculina grave, rouca e muito sexy, paro no mesmo instante. Viro-me lentamente e vejo um rapaz alto, bem branco, de olho verde escuro e bem ruivo, mas de um vermelho muito intenso, acho que é natural, pois seus cílios e sobrancelhas também são ruivos. Encaro-o por alguns segundos – Você vai se perder entrando aí – diz ele de maneira fria e se aproximando mais.
– Não se preocupe – eu disse e dei um sorriso – eu venho aqui com frequência.
– Sério?! Porque eu nunca te vi por aqui? – ele diz e dá um sorriso torto, mas seu olhar ainda é frio – lindo se diga de passagem – ele se aproxima mais um pouco – Se você se perder na mata será muito ruim... – gente como ele pode ser mais frio do que Patch?
– Não vou me perder lá... Hum... Meu nome é Nora – dou um sorriso tentando ser amigável – você não me viu antes, porque venho no período da tarde geralmente, hoje foi uma exceção.
– Hum... Bom, tenho que ir agora – ele simplesmente se vira e começa a caminhar – quem sabe não nos trombamos por aí Nora – dizendo isso ele some tão rápido quanto veio. Resolvo ignorar esse encontro... E a propósito ele não me contou seu nome... Deixa para lá.
Voltei minha atenção para a trilha. Caminhei longos minutos até chegar onde eu queria. Meu campo de treinamento é uma clareira bem menor e com pouca visibilidade para a floresta, nesse local ela é densa. Aproximei-me de uma árvore e comecei uma sequência de socos e chutes, colocando toda minha raiva e desgosto neles.
Lágrimas de tudo o que eu guardei essa semana me vem aos olhos e choro descontroladamente, minha raiva só aumenta e o sentimento de traição e rejeição também, minhas mãos já doem, me concentro e dou um soco mais forte que posso, quando meu punho toca o tronco da árvore, ele afunda, ficando com a marca do meu punho.
– Mas como? – perguntei assustada.
Pelo menos parei de chorar. Olho para minha mão direita e ela sangra um pouco. Olho para uma rocha grande e uma ideia passa por minha cabeça “Será que consigo quebrar a pedra com um soco?”. Aproximo-me da pedra e me concentro, dou o soco mais forte que consigo, realmente consegui quebrar a pedra, mas me ferrei, porque quando a pedra quebrou, ela fez uma ponta afiada e entrou na minha mão.
– AI!!! – dou um grito, pela dor causada pelo corte.
De repente escuto passos apressados na mata, fico com medo, quem poderia estar vindo, ainda mais no meio dessa densa floresta?
– Nora! – ouço gritos e já sei quem são: meus amigos. – O que aconteceu? – me pergunta Vee assim que me vê.
– NADA! – grito com raiva. O que eles estão fazendo aqui? – Eu falei para vocês não virem atrás de mim!
– Você não apareceu! – gritou Luce com certa raiva – ficamos preocupados.
Olhei para a Luce cinicamente – Uhum sei. Pare de agir como sê se importasse! – olhei com raiva para eles – Me distraí e perdi a noção de tempo, não sei por que tanto drama.
– Nora, você melhor do que ninguém sabe que nos importamos sim com você! – Cam me olha de forma magoada – E novamente você se machucou, quando você vai para de ferir seu corpo dessa maneira? – ele me olha sério – Você já quebrou costelas, braço, perna, pé e pulso, o que mais você quer? Quebrar o pescoço?!
Dou um olhar mortal para ele e nesse instante Patch aparece de traz de Cam e me olha assustado – Ah, tinha me esquecido de você – olhei para ele de maneira fria – viemos aqui... – dou uma olhada em volta – Aliás vamos para o lugar que marcamos primeiro, já não bastava ele conhecer aquele lugar, ele vem conhecer esse também?
– Qual é Anjo, eu sou o melhor amigo de Cam e nós nos conhecemos há bastante tempo – ele me olha e se aproxima um pouco mais – Então porque me trata como um desconhecido?
– Anjo? Não te dei essa liberdade! Patch, fala sério, quantas vezes nós conversamos? Pouquíssimas vezes. Você disse bem, é o melhor amigo de Cam... De Cameron e consequentemente de Lucinda, vocês são Arcanjos se conhecem há mais tempo é natural ter amizade – olho para ele séria – você nunca falou nada além de um oi ou um tchau, hoje é a primeira vez que estabelecemos um diálogo, então agora você vem e quer conhecer os locais importantes para mim, saber meus segredos. – O encaro olhando bem fundo naqueles lindos orbes negros – O que mais você quer?
– Infelizmente essa resposta fica para depois, Anjo – ele dá um sorriso de canto.
– Vamos logo! – começo a caminhar em direção a clareira, não é muito longe. Minha “área de treinamento” é à direita da trilha e a nossa clareira fica a esquerda da mesma. Depois de uns 10 min. caminhando chegamos à clareira – Vamos logo com isso!
– Nora – começou Luce com um pouco de receio – como você já soube Vee é uma Nefilim e Cam, eu e Patch somos três Arcanjos... Não contamos porque esse assunto é um pouco surreal você não acha?
– A questão não é essa Lucinda – fechei a mão em punho e me arrependi, minha mão ainda dói. Faço uma expressão de dor, abro minha mão e olho a mesma voltando à fala – Séria surreal também eu te contar que sou uma Nefilim, mas mesmo que eu fosse chamada de louca, o que eu fiz? – tirei meu lenço do pescoço e o amarrei na mão machucada. Assim que o terminei levantei meu olhar para ver três rostos arrependidos.
– Você veio até nós para nos contar – diz Vee com um pouco de arrependimento.
– Isso mesmo, que mesmo que vocês me achassem uma louca e parassem de falar comigo... Mesmo assim eu não teria segredos com vocês... – olhei para um ponto qualquer para eles não verem a dor me meu olhar – Mesmo vocês me abandonando por me acharem louca. Mas aí o que eu descubro? Que meus irmãos têm segredos para mim... – fecho a mão boa em punho – e que somente eu não sabia, porque entre eles não tem segredo...
– Nora não é assim – começa Luce se aproximando e eu me afasto, apoio as costas numa árvore e a encaro – Realmente eu entendo que você esteja se sentindo traída e tudo mais, mas não temos nenhum outro segredo.
– Não sei se acredito não, viu? – digo cinicamente e desvio o olhar, acabo olhando para Patch e me lembrando “Para que ele está aqui? Isso não tem nada a ver com ele” – Cameron – ele olha para mim, e nesse olhar ele me fazia uma pergunta muda de porque continuar o chamando de Cameron – Para que Cipriano veio mesmo?
– Ele tinha que saber que você também é uma Nefilim – ele diz me olhando com aqueles olhos verdes com um pedido mudo de perdão – Ele só soube quando Luce falou, tanto de você quanto por Vee, porque ate então ele não sabia do real motivo da nossa “briga” – ele diz fazendo aspas – e como nós te contamos há uma semana, você já sabe o que Patch é.
– Isso mesmo Anjo. – ele diz e dá um sorriso de canto – e fiquei muito surpreso quando Luce falou que você é uma Nefilim...
– Tudo bem Cipriano, agora entendo o real motivo de você estar aqui – eu digo desinteressada – até porque de certa forma, você não nada a ver com isso. Isso é entre mim e eles...
– Nora, eu te conheço melhor do que qualquer um – começa Vee – você saiu daquele jeito da escola com seu carro e sei que não parou depois de sair de lá, com toda certeza você veio correndo com seu carro até aqui não foi? – ela passa a mão pelo cabelo, em sinal de nervosismo – Você já pensou se você batesse o carro? No seu treinamento você se machucou não foi... Sua mão ainda sangra...
– Não preciso disso Vee – eu digo séria – Sim machuquei minha mão, mas não se preocupe, daqui a pouco sara, já nem dói mais sinal de que a cura já começou... – dou um sorriso de canto – e quanto ao carro, vocês três me conhecem então tirem as próprias conclusões.
– Isso foi imprudente! – grita Luce com raiva – Você não se preocupa em como ficaríamos se você sofresse um acidente?
– Olha quem fala! – eu digo com raiva – você diz como se Cam também não entrasse em tantas corridas quanto eu! – eu a olho com um sorriso sarcástico nos lábios – e como se você nunca estivesse no banco do carona nesses momentos... Então qual sua moral de falar algo?
– Espera aí – diz Patch com olhos arregalados – vocês entram em rachas?
– Você é amigo de Cameron e não sabe? – pergunto sarcástica – e estamos fugindo do foco aqui – dou um suspiro cansado – olha tive um dia longo e exaustivo. Tive minha dose de raiva por um dia, primeiro vocês, depois o Cipriano e tive de quebra uma Marcie também – dou outro suspiro – o que mais vocês querem me falar? Eu só quero ir para minha casa e dormir, esquecer-me de todos os problemas por um dia apenas...
– Raio de Sol, sabemos que você esta se sentindo traída e excluída – disse Cam — mas pense comigo, como iríamos te contar Nora, isso é um assunto muito delicado e você poderia nos achar uns loucos... Como iríamos surgir assim do nada e dizer “Oi Nora, Luce, Patch e eu somos Anjos e Vee uma Nefilim, agora vamos tomar um sorvete?” Não dá né Raio de Sol. Vee não nos contou nada, descobrimos porque estávamos com ela quando se machucou – Cam se aproxima de mim e para em minha frente abrindo os braços – Raio de Sol, você nos perdoa?
A verdade é que não consigo ficar com raiva deles por muito tempo, eles são meus irmãos e não sei mais viver sem tê-los por perto, me amparando e me ajudando, sendo meu suporte, tanto físico quanto emocional. E também tenho que entender o lado deles, eles não me falaram nada por se preocuparem comigo... Eu os entendo... No fundo eu entendo... E por entendê-los vou perdoar desde que seja só dessa vez...
Começo a chorar e abro um sorriso, o abraçando logo em seguida – Claro que perdoo, mas, por favor, que esse tenha sido o único segredo que tivemos. Sem mais segredos tá? Ou vocês têm outros segredos? – pergunto com os olhos cerrados.
– Não Nora – Luce diz se aproximando e me abraçando também – Você é como uma irmã para mim Nora e odeio você ouviu O-D-E-I-O brigar com você! – ela da um sorriso.
– Eu também, Raio de Sol, te considero como uma irmã – Vee me lança um sorriso e se aproxima me abraçando também – Você sabe que eu não tenho segredos com você... Aliás só tive esse... – ela se afasta – você me perdoa carga explosiva? – todos começam a rir, menos Patch – que não sabe do que Vee esta falando — e eu que fiquei emburrada – Qual é aquele dia foi hilário, se Cam não aparece, você ia matar o garoto.
– Isso já foi! – eu grito incomodada, não quero que Patch descubra essas coisas, se não o que ele vai pensar de mim? – Esqueçam isso poxa! – faço um biquinho – Se vão começar a contar minha vida a Cipriano, porque não contar algo que envolvam vocês também? – dou um sorriso cínico – Posso ser motivo de encrenca, mas vocês também não ficam atrás – aumento o sorriso – como daquela vez que fomos presos...
– NORA! – os três gritam e eu começo a gargalhar.
– Então parem! – eu digo quando paro de rir.
– Ah, não! – Patch protesta – Eu quero saber, dos dois – ele me olha – porque você quase mata um garoto e porque foram presos?
– Quem sabe um dia, quando EU tiver confiança em você – não que eu não tenha, só não quero que você saiba para não ficar convencido – eu te conto...
– Você não confia em mim, Anjo?
Olho por um instante e desvio o olhar – Vamos embora, pessoal? Já esta ficando tarde – começo a caminhar, quando me lembro de algo, continuo caminhando e digo – Então Cam, você perdeu, meu bebê corre que é uma beleza! Agora vou poder ter aquela revanche! – dou um sorriso.
– Você não cansa de perder não? – ele me lança um sorriso – Já faz um ano que apostamos racha, pelo menos uma vez por mês e você não ganhou nenhuma...
– Isso não vale! – digo fazendo cara de emburrada – O neon não é rápido! A Range Rover é muito mais potente! – digo emburrada – Mas ainda vamos resolver isso!
– Depois, Raio de Sol – diz Luce – Já esta tarde é melhor vocês irem para casa. Patch, Cam e eu ainda vamos conversar um pouco. – ela dá um beijo em minha testa e na de Vee – Até amanhã, minhas pequenas.
– Isso mesmo pequenas – diz Cam se aproximando e nos dando um beijo na testa também – vão para casa e Nora não precisa arranjar um racha por aí, amanhã marcamos o nosso tá? – dou um aceno e me encaminho para o carro, quando uma mão me para.
– Não vai me dar tchau Anjo? – pergunta Patch me virando lentamente – Boa noite Anjo, durma bem – e me dá um beijo na bochecha – boa noite pra você também Vee. – Mas o que? Como assim ele me beijou na bochecha? Patch nunca me deu mais que um oi e agora isso? Ai meu Deus acho que vou enlouquecer.
– Boa noite – respondemos juntas e indo logo para nossos carros. Antes de entrarmos falo algo com Vee, ela me dá um sorriso e acena positivamente... É hoje que vou cumprir minha promessa a ela.
Ligamos nossos carros, ligo o meu som colocando em volume alto – tenho um som potente que ocupa todo meu porta-malas – colocando a musica Bring to My Life da Evanescence. Engato a ré e a música alta rola solta, Cam e Luce me olham de forma duvidosa e Patch espantado – acho que ele não sabe do meu lado rebelde – Vee me aguarda a frente com seu carro parado do lado direito da pista. Luce e Cam percebem o que Vee e eu queremos, antes deles fazerem algo eu paro ao lado, nos olhamos e ambas mostramos três nos dedos da mão esquerda, diminuindo até o um e saímos cantando pneu...
– Nora, Vee! – gritou Cam, mas elas não ouviram nada. Ele viu as duas se afastarem e deu um suspiro – Essas duas viu! Nora está pagando a promessa para Vee... Mas, dessa vez não vou falar nada – ele dá um sorriso para Luce — Nora esta muito estressada esses dias.
– Nora Grey, você é uma caixinha de surpresas – diz Patch, mais para si do que para os outros – Vamos conversar? – ele se dirige a Cam e Luce.
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Cheguei a minha casa exausta. Ganhei a corrida, mas fui injusta com Vee eu sei. O carro dela é muito lento comparado aos nossos... Subo em direção ao quarto e tomo meu banho, coloco meu pijama e desço para jantar. Como sossegada e depois subo para dormir, deito em minha cama e penso no dia que tive hoje e acabo dormindo em meio a esses pensamentos. Com brigas, discussões e olhos pretos...
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