Angels

5 Permissão concedida


Daniel saiu em direção à cidade principal do reino, pediria autorização do Soberano para usar a armadura.

A cidade era perto seria fácil chegar lá. E em apenas um dia após sua partida ele chegou. Ficou maravilhado . Estava linda. Era meio que uma vila, as casas de madeira, pequenos anjos brincavam de guerreiros , anjas conversavam e trabalhavam, anjos sobrevoavam os céus. Internamente rezava para que aquela paz durasse para sempre em todo o reino, que aqueles pequenos anjos jamais precisassem lutar de verdade.

Calmamente se dirigiu ao grande castelo no centro da cidade, aonde o Soberano morava.

Bateu na porta, uma jovem de pele pálida e cabelos negros, toda de branco o atendeu. Sabia que era uma sacerdotisa humana. Embora fosse um anjo, o Soberano não aceitava a ajuda de anjos, preferia os humanos. Dizia que eles eram mais equilibrados espiritualmente.

A jovem moça o levou através de incontáveis a torre mais alta do castelo.

O Soberano estava meditando observando o pôr-do-sol no horizonte.

- Soberano, o jovem chegou.

- Oh, sim.-se levantou de onde estava e se dirigiu aos dois jovens. O Soberano tinha a aparência de um velho de uns oitenta anos, mas seu físico era de alguém com vinte. Tinha olhos azuis bem claros, cabelos brancos assim como sua roupa. E suas asas. Tinha um ar impotente, imperial e ao mesmo tempo humilde e calmo.

- Deixe-nos, Sebila.

- Sim, Soberano.-a jovem fez uma curta reverência e saiu.

- Soberano.-Daniel ajoelhou-se diante do homem a sua frente.

- Estava a sua espera, meu jovem.-disse o Soberano fazendo um gesto indicando que Daniel devia se levantar.

- A minha espera?-Daniel espantou-se.

- Sim. Soube do ataque a sua cidade.

- Oh.

- E ouvi muito a seu respeito.

- A meu respeito?

- Sim. Como és um guerreiro forte, valente, corajoso. Como lutas para defender os fracos, suas inúmeras vitórias e é claro, seu relacionamento com o líder dos vampiros, Lucas.

- O senhor, obviamente, tem conhecimento disso.

- Sim, tenho. Mas com essa guerra contra Lucas, o que te trás até mim?

- Queria sua permissão.

- Minha permissão?

- Sim.-respirou fundo.-Gostaria de usar a Armadura Negra.

- A Armadura Negra?

- Sim, senhor.

- Presumo que saiba dos riscos.

- Sim, sei. Gabriel me falou sobre eles.

- Gabriel Macleod?

- Sim. O senhor o conhece?

- Sim, o pai dele era um grande amigo meu. Terrível o que aconteceu com Ricardo.

- Sim.

- Mas, mesmo sabendo dos riscos ainda queres usar a Armadura Negra?

- Sim, senhor.

- Por quê?

- Porque é meu dever.

- Seu dever?

- Sim. É meu dever como guerreiro lutar por meu povo e pela paz do reino.

- Apenas pela paz do reino?

- E pela paz da minha alma.-disse mais para si do que para o Soberano.

- Hum...Lutarás sozinho?

- Não. Meus amigos lutarão ao meu lado.

- Por sua escolha?

- Não, pela deles. Por mim iria sozinho.

- Por quê?

- Não queria arriscar a vida deles.

- Se oferecendo, mostram que são bons amigos.

- São sim-sorriu.

- Quem eles são?

- Gabriel Macleod, Rafael Andréas e Miguel Andreatti.

- Grandes nomes. Grandes feitos. Vocês quatro são famosos por todo o reino. Todos vocês vêm de famílias nobres. São filhos de grandes guerreiros. São grandes guerreiros.

- Obrigado, Soberano-fez uma curta reverência.

- Não há o por quê de agradecer, vocês têm todo o crédito-Daniel sorriu e se endireitou-Pois bem-acenou para um servo que trouxe uma urna de prata, com escritas negras em latim.

O Soberano a pegou e falou com uma voz séria que até agora não tinha mostrado:

- Ajoelhe-se Daniel Torres.-ele se ajoelhou-Agora, eu o Soberano de lhe presenteio com a arma mais poderosa de todo o meu reino: A Armadura Negra.-colocou a urna na frente de Daniel.

- És bravo e corajoso. Tens um bom espírito. Mas tome cuidado. Está armadura é perigosa.

- Não se preocupe, Grande Soberano. Eu terei cuidado.

- Está bem, então. Levante-se.-Daniel se levantou e o Soberano lhe entregou a armadura.

- Vá. Lute pelo que acredita. Lute com seu coração e sua alma e vencerá.

Daniel pegou a armadura, fez uma reverência e voou de volta.

- Você tem bom coração, Daniel. Tens chance de vencer. Pena que ainda estás preso ao passado.-disse o Soberano olhando o rapaz a voar e voltando a meditar.



Daniel voou durante um bom tempo, não se sentia cansado. Ao contrário, se sentia leve como nunca se sentiu antes. Tinha conseguido permissão para usar a armadura. E agora tinha ganhado uma vantagem sobre Lucas. Era pequena, mas fazia a diferença.


I long to be like you

Lie cold in the ground like you

Já era de noite e ele ainda estava acordado. Não conseguia dormir direito desde que soube que o ataque a sua antiga cidade havia falhado. Andava de um lado para o outro, arrastando o robe preto que usava, que combinava com seu olhos e cabelos, ambos negros como a noite.

Muitos haviam morrido naquele ataque,nas mãos de seus guerreiros. Mas não aquele que queria. Daniel ainda estava vivo.

- MALDIÇÃO!!!-gritou atirando taça de vinho que bebia contra a parede.

- Algum problema, Milorde?

- Se há algum problema?-se virou para seu general-TODOS!!! Daniel está vivo e provavelmente se juntou com aqueles desgraçados que ele chama de amigos!

- Quem são eles, senhor?

- MIGUEL! RAFAEL! GABRIEL!!!-socou a parede-Eles são os melhores guerreiros daquele reino. Têm que ser destruídos!

- Sim, Milorde.

- Vá, os encontre e os mate!

- Sim, Milorde Lucas.

Lucas olhou para fora, para a lua e seus negros olhos tomaram um ar maléfico, de alguém que vive de puro ódio. Definitivamente não lembrava o anjo que um dia foi.



Daniel chegou à cabana já era bem tarde da noite. Abriu a porta devagar, pois os outros já deviam estar dormindo. Estava certo. Seus amigos já estavam dormindo. A única coisa que se podia ouvir era o ruído da floresta ao redor e a respiração calma de seus amigos. Guardou a armadura em um canto e seu deitou. Precisava descansar. Longos e difíceis dias estavam por vir. Precisava se preparar. E com esses pensamentos, deixou-se ser levado pelo sono e adormeceu.