Notas iniciais
Bem, meu primeiro capitulo, espero que vocês gostem ;)

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria não se ensoberbece não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta...”.

1° Coríntios 13:4-7

Completos estranhos

Portland oregon, dias atuais.

Quando entrei na sala de aula do S.R. Petter James – ­nosso professor de história geral – quase me debrucei no chão de tanto rir, quando vi que ele vestia uma espécie de calças de smoking, e um suéter verde por cima de uma camisa branca. “É depois a estranha sou eu” pensei.

– O que é tão engraçado Srtª Meyer? –perguntou o S.R. James, quando viu que eu o fitava de baixo para cima.

–N-Nada S.R. James – respondi já correndo para a minha carteira

Às vezes eu me perguntava por que me sentava só em uma carteira dupla... Deve ser porque sou inteligente o suficiente para saber que colegas que dividem a mesma carteira se aproveitam do mais inteligente; ou só porque sou estranha. Pronto falei.

Estudo em uma escola católica, o que é uma coisa estranha, pois meus pais nunca me falaram sobre Deus, mas mesmo assim escolhi essa escola, pois sei que para crermos em Deus não precisamos que ninguém nos fale sobre ele, porque ele está presente em tudo e em todos. E por mais que existam pessoas que falem que não acreditam nele, bem lá no fundo são os que mais acreditam, pois a maioria das pessoas apenas tem medo de admitir que creem em Deus, o que é uma coisa estranha, pois ele nos ama incondicionalmente, e sabe o medo nos enfraquece, nos faz perder a cabeça. O medo é como uma consciência pesada, sempre está lá no fundo, nos perturbando, nos maltratando, até que tenhamos coragem de enfrenta-lo.

—Bem turma — anunciou o S.R. James — esse é o S.R. Hanyel Sparks — disse gesticulando para o garoto alto de cabelos castanhos olhos verdes e um lindo corpo atlético. — E Mike Randof, meus novos alunos, e seus novos colegas.

“Ah que bom mais dois novos ‘estranhos’”. Pensei. “e o melhor de tudo era que garoto alto de cabelos castanhos estava dirigindo-se para sentar-se ao meu lado” urgh.

— Oi — falei, tentando ser simpática enquanto ele se sentava e me deixava falando sozinha. O.K. Eu já fiz a minha parte. Já falei com ele e tudo... Eu já vi esse garoto, eu o conheço, eu sinto que conheço, mas... Como...?

— Ah! Oi — Respondeu ele com uma voz que mais parecia à banda filarmônica de Portland tocando. — Eh... Prazer Hanyel sparks. E você deve ser Lucinda Meyer, Certo?

—Não. — Respondi — Meu nome não é Lucinda Meyer, e sim Kirsten Meyer.

— Não brinque comigo, por favor, luce... Espere você poderia fazer à gentileza de mostrar à sua mão? — Hanyel me perguntou — por favor?

“Que cara estranho” pensei.

—Não vou mostrar minha mão para uma pessoa que eu mal conheço... E em primeiro lugar porque diabos você quer ver a minha mão? Sinceramente achei que já tinha visto todo tipo de loucura que existia, mas você as superou – dessa vez virei-me e encarei aqueles olhos azuis profundos que me deixavam completamente em harmonia com comigo mesma... Eu acabara de conhecê-lo, mas porque ele me deixava assim? Então resolvi fazer a coisa mais inteligente em um momento como aquele, me afastar, pois eu tinha a nítida certeza do que se tornaria aquela aproximação... — Vou lhe falar uma coisa, sou a melhor aluna do 1° ano, sou líder do conselho estudantil, sou linda, inteligente, e provavelmente vou ganhar uma bolsa de estudos em uma faculdade famosa, então, acho que sou inteligente o suficiente para não falar com pessoas estranhas, e principalmente, me afastar delas, pois sabem, os seres humanos são fracos, pois se apegam rapidamente com as pessoas à sua volta...

Mas já era tarde para àquele discurso todo, Hanyel já estava com suas mãos nas minhas e a olhava tão atentamente que me dava medo... Mas, o pior de tudo, o seu toque era como plumas macias e ao mesmo tempo, estranho, sedutor. Era uma coisa nova, e eu estava começando a achar que me apaixonara por um menino que acabara de conhecer a menos cinquenta segundos... E então eu fiz a coisa mais inteligente que pude... Fugi.

—S.R James – disse – posso ir ao banheiro? – “posso ir ao banheiro? mas que pergunta é essa Kirsten?” Pensei. Mas em momentos como aquele, eu faria qualquer coisa.

–Sim, sim. Vá e venha logo– disse o S.R. James.

“Kirsten...” disse uma voz suave e estranha em meus pensamentos, tão estranha que eu virei imediatamente para ver se a ouvi mesmo, ou se era apenas mais um fruto da minha imaginação, mas esse foi o meu erro, pois vislumbrei o passado de duas pessoas juntas: O lugar onde eles estavam parecia algo do século passado, não, não do século passado, mas sim da era passada... O lugar era lindo, o penhasco onde eu estava o que me assustou de inicio, dava para ver tudo, desde uma pequena arvore que eu poderia deduzir que ficava a duzentos metros de distância de onde eu estava, até uma pequena, mas linda borboleta laranja, com detalhes que pareciam pingos de tinta preta em suas asas, e em cima de mim um céu, não um céu qualquer, mas o céu mais lindo que eu já vi na minha vida! . E o mar! Era tão azul tão brilhante, que chegava até a doer em meus olhos, isso tudo me fascinou, me deixou em transi, mas esse transi, esse fascínio todo que eu estava sentindo naquele momento quebrou-se quando me virei para esquerda para poder ver as peônias, foi aí que eu vi dois jovens apaixonados perdidamente, não, não que o amor fosse uma coisa ruim, mas era o amor desses dois jovens que me deixou triste, pois pra mim o amor é uma coisa linda e não triste. E o desses jovens era um amor amaldiçoado por um ser superior a todos nós, um ser que eu pensei que não castigava seus filhos, um ser lindo, mas que na àquela hora me fez chorar em meio a sua rigidez, me fez ver que apesar do amor ser uma coisa inexplicável não é pra ser para sempre, foi aí que ela...

–Kirsten? Kirsten...? Você está bem? Kirsten!–e foi a ultima vez que eu os vi... Não Hanyel ou seu amigo, mas sim aquele casal apaixonado... E isso me decepcionou muito.

Uma semana após aquele “incidente” na escola, comecei a ter medo de dormir, não medo necessariamente do sono, mas sim do que vinham com ele, os sonhos, eles eram tão reais, tão vívidos, que parecia que de alguma forma eu os presenciava, não só durante o sono, mas quando eu estava acordada também. E isso estava mexendo com meu psicológico, e com meu emocional.

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Acordei com uma dor de cabeça infernal, levantei para tomar um tylenol, e percebi que não estava sozinha em meu quarto, tinha alguém me observando pela janela, ou melhor, alguém que não conseguia tirar os olhos me mim, eu o conhecia, aqueles cabelos castanhos cacheados, aqueles olhos azuis que me fascinavam, me deixava fora de mim. Hanyel. É ele. Mas como? E as, me virei abruptamente para o despertador no criado mudo em meu quarto para ver a hora, 04h00min da manhã?

— O que faz...?— Mas já era tarde, ele não estava mais a me observar, ele não estava mais ali. Ele esteve mesmo ali, na janela?

Sai do meu estado de choque, e corri até a janela, a abri, mas nada, não havia ninguém, exceto uma pena com o tamanho do meu braço. Branca, ela era linda. Mas que pássaro tem uma pena assim, tão grande? E por que ela tinha ficado aqui? Foi aí que percebi, na ponta da pena havia sague.

—Kirsten! Acorda! Você vai se atrasar para a escola! — Grita minha mãe lá da cozinha.

—Não posso ficar em casa só hoje? — Gritei da minha cama.

Deitada em minha cama escuto minha mãe subir as escadas, mas o mais engraçado é que minha mãe nunca foi muito de me incentivar a ir à escola, ela sempre me deixava fazer o que eu bem quisesse. Mas hoje, logo hoje, depois daquele sonho bizarro que tive, ela quer que vá a escola? Isso é estranho.

—Meu amor? Está acordada? — Pergunta minha mãe atrás da porta. — posso entrar?

—Entra. — Respondo.

Enquanto minha mãe entrava em meu quarto percebo, de novo, o quão bonita ela é. Alta, cabelos negros e olhos verdes. Queria ter herdado isso dela, os olhos o corpo, mas não, sou baixa, magra e ruiva, e pior, tenho os olhos negros. Isso me parece injusto, porque minha mãe tem olhos verdes e meu pai azuis, porque eu tinha logo que herdar os genes da minha avó? Porque baixa? Magra? Olhos pretos, e pior, cabelos ruivos? Hoje definitivamente não é um bom dia.

—Querida você não pode simplesmente fugir assim, — fala minha mãe, enquanto se senta em minha cama— você já faltou duas semanas de aula meu amor.

—Não posso mudar de escola? — Pergunto na esperança, de que ela diga sim.

—É isso mesmo que você quer? Fugir? Abandonar tudo o que você já construiu aqui, porque você desmaiou? Isso não é o fim do mundo meu amor, isso acontece com qualquer um.

—Mas mãe eu...

— Kirsten Lucinda Meyer, levanta agora, e vai tomar banho pra ir pra escola. — Interrompe minha mãe.

Saio da cama pensando ainda como vou encarar aquelas pessoas em minha turma, eles são desagradáveis e repugnantes, na verdade todas as pessoas normais são. Os odeio, são fúteis, mimados, e eles têm uma espécie de hierarquia que eu não entendo. Por que diabos, um bando de idiotas que correm atrás de uma maldita bola, em um campo cheio de grama são tão importantes? Que espécie de mundo é esse? Onde essas pessoas idiotas, que se acham importantes por que correm atrás de uma maldita bola, acham que podem humilhar as pessoas que ligam realmente para os estudos? Pra que isso? Às vezes os humanos são muito idiotas.

Fui para o banho na esperança que uma ducha quente, me fizesse esquecer aquele sonho estranho, e Hanyel. Ele nas duas semanas é tudo que eu penso. Ele está presente em tudo, não consigo nem olhar direito para meu pai que me lembro dele. Os seus olhos azuis, seus cabelos castanhos encaracolados, seu corpo tudo isso me deixa fora de mim. Mas o mais intrigante disto tudo, é que venho sonhando com ele. Ontem pensei que ele estava em minha janela a me observar, enquanto dormia. Foi aí que lembrei. A pena. O sague.

Sai correndo do banheiro à procura da pena, mas quando abri minha janela, ela não estava mais lá. Vesti minha calca jeans rasgada, meus coturnos uma blusa branca de mangas longas, e pus minha toca e sai correndo do quanto para ver se a encontrava no jardim.

— Bom dia...

Não esperei meu pai terminar, o em empurrei e sai correndo pelo jardim a procura da pena, mas os empregados já tinham limpado tudo. Nada. Não havia, mais nada, nem folhas, nem sacolas, nem pena.

— MAIS QUE DROGA! — Gritei. — Droga, droga, droga!— Sai chutando as latas de lixo que achava pelo caminho, como eles puderam fazer isso comigo? Como poderiam ter limpado tudo sem antes me perguntar?

—Vincent! — Gritei do jardim.

Ele saiu correndo de dentro de casa assustado com meus gritos.

—O que foi querida? — Me perguntou com um rosto serio, — o que está acontecendo aqui? Por que desses gritos todos?

—Nada pai, não foi nada. — Foi ai que percebi, eu estava agindo igual a aqueles idiotas da escola. Como uma menina mimada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.