Angel of Light
20 Vinte
Notas iniciais
Quando acordou com Wanda na manhã seguinte ao episódio da banheira, ainda estavam nus sob os lençóis. Ela tinha aberto a janela para sentir o vento gélido e estavam passando frio. Estava passando mais frio que ela, tinha certeza absoluta. Tomou coragem e enfim se levantou para se juntar a ela no estofado vermelho dali e levou consigo a manta da cama pois já estavam no auge do inverno nova-iorquino. Ela ainda parecia abalada, mas o semblante já estava voltando ao normal. A febra já havia finalmente cedido e percebia que o corado nas maçãs do rosto de Wanda já estava normal.
“Nós vamos para a fazenda no Ano Novo?”, ela perguntou.
“Sim, Victor quer quer você vá. Pelas meninas, por nós todos. Eu acho que nunca fui tanto lá quanto agora”, respondeu franco.
“Você pretende me contar como era a sua família?”, Wanda insistiu.
“Você pretende me contar como era a sua família?”, retrucou.
Wanda parecia hesitar, mas também parecia tentada a lhe dizer bastante sobre si mesma como algo que fazia por alguém que merecia saber a sua história.
“Sokovia era só mais um distrito da Sérvia. Os meus pais nasceram na Iugoslávia ainda. Quando o Kosovo se desintegrou e se declarou independente, um ano depois Sokovia fez o mesmo”.
O Leste Europeu e os seus conflitos geopolíticos... ainda era bastante surreal estar com uma pessoa que vivenciou todos aqueles conflitos verdadeiros com guerras territorialistas e mortes em massa. Isso tudo fora a experiência como um experimento humano a HIDRA, organização que só ouviu falar algo quando informações foram vazadas e comentadas pela mídia.
“Os meus pais se conheceram em um baile de debutantes, eram primos de quarto grau. Não sabiam quem era e se apaixonaram à primeira vista. Pelo menos era assim que a minha mãe contava”, a ouviu e riu de como isso poderia ter acontecido.
“Já eu era desregrado: sem hora para dormir, com hora para acordar. Cumpria plantões de quarenta e oito horas, mas voltava porque não conseguia ficar longe dos holofotes, da... minha melhor amiga ingrata, a fama”, confessou. “Eu tive uma vida competitiva, depois da residência comecei a trabalhar no Metro General Hospital de verdade”.
“Eu não tive uma educação formal como a que você teve aqui. Eu estudei só até o ano retrasado que foi quando a HIDRA começou a recrutar. Teríamos teto, comida, não parecia tão ruim. O que aconteceria a mim e ao meu irmão depois que saíssemos do orfanato oficialmente seria pior. Não deveria parecer ruim se se olhasse por fora”.
Duvidava que ela soubesse o que significava olhar por fora. Por fora, o que foi feito com eles, ela e o irmão, não havia sido muito diferente do que o mundo pensava que era feito em países subdesenvolvidos. Pela sua própria idade, somente poderia imaginar o que restou de ciência da União Soviética. Não parecia ser algo relacionado ao cão de duas cabeças de Vladmir Demikhov ou a corrida espacial propriamente dita. Havia, sim, equipamento de tecnologia alienígena que estava dando poderes a pessoas, a Joia da Mente. Habilidades essas que elas muitas vezes nunca sonhariam em ter. Sabia que Wanda era o ser mais poderoso que conhecia depois de si mesmo, muito mais poderosa que tantos outros a julgavam. A magia verdadeiramente a rondava e precisava que ela continuasse a treinar e estudar para que não se tornasse a bomba-relógio que já pensavam que ela era.
Teve um sonho estranho durante a noite. Sonhou com um prédio implodindo no meio de um quarteirão. Era um arranha-céu robusto e elegante. Policiais estavam rodeando a construção, com aquele ato.
Até para o Kamar-Taj, os sonhos tinham significados. Eram mais complexos do que adquiri-los em livros de bancas de revista. Um sonho poderia significar uma visão do passado ou do futuro, um presságio de que irá acontecer o contrário ou um espelho do que já estava acontecendo há não muito longe dali. Se estava tendo sonhos desse modo isso poderia ser o indicativo de que algo catastrófico viria em não muito tempo a partir dali. O novo ano começaria quatro dias a partir deste e estava sentindo que vinha algo bastante curioso por lá.
A sua volta para o Metro General estava lhe causando mais ansiedade que o normal. Não teria mais tantas entrevistas para a CNN, não apareceria mais tanto nos jornais. Ainda se lembrava da sua última primeira página, a que falava que havia sofrido um trágico acidente de trânsito misterioso em uma curva. Estava ao celular quando aconteceu, falando com Billy sobre um coronel da Força Aérea. Primeiro pensou que fosse James Rhodes, colega Vingador de Wanda, mas as datas não batiam. Se tratava de outro James, da Real Força Aérea Britânica.
Levantou e esticou a mão para Wanda. Ela o olhou e sorriu, ouviu o click da janela sendo fechada.
“Tome banho, hoje vamos para a Sala das Relíquias praticar”, disse a ela. Ainda estava nua e aquele corpo era uma tentação para os seus olhos. Jovial e tentador, assim como percebeu que ela era assim e ela já percebia o que fazia com o seu corpo.
“E você não vai se juntar a mim?”, um sussurro veio ao seu ouvido à medida que o corpo de Wanda se aproximava do seu e a sua pele tocava a dela.
“Por agora, agora, é melhor treinarmos um pouco hoje, mas isso não quer dizer que eu não esteja preparando algumas coisas para hoje à noite”, piscou para ela.
“Você conseguiu se sair bem dessa, agora, mas não acho que consiga fazer novamente hoje à noite”, Wanda entrou no seu jogo.
A viu entrar no banheiro e sentiu vontade de entrar no banho com ela, mas o que fariam agora exigia que ambos tivessem a cabeça no lugar certo pois precisariam de cuidado com o que mexeriam. Portais precisavam de concentração para se formarem e ter conversas de teor sexual ou relações a essa hora, antes do seu treino, não os deixariam em forma para que Wanda pudesse começar a aprender a técnica.
[...]
Enquanto secava os cabelos com a toalha de Stephen, se lembrou das palavras que ouviu no seu sonho.
O demônio de Hell’s Kitchen... a detetive sabichona... o presidiário à prova de balas... o garoto com o punho brilhante... a Vingadora renegada... vocês não conseguem cuidar das próprias vidas, como cuidarão de Nova York?
A voz que vinha na sua cabeça era de uma pessoa velha, um homem. Vingadora Renegada lhe chamou atenção. Era como se alguém estivesse tentando falar consigo ou fazer uma previsão do que lhe aconteceria futuramente.
Já tinha visto no Bulletin que há muito tempo não se um tal Demolidor, o Demônio de Hell’s Kitchen. Pelo que leu ele era uma espécie de defensor, um amigo da vizinhança. Os outros não fazia ideia de quem seriam. O garoto com o punho brilhante parecia ser místico o suficiente para estar nas páginas de pesquisa do Kamar-Taj, veria isso depois que retornasse às suas pesquisas em demonologia.
Não sabia o que Stephen iria querer hoje, então colocou as suas roupas de ginástica, pelo menos estava preparada para se movimentar abertamente. Calçou as suas meias leves pois sabia que a Sala das Relíquias era aquecida.
Saiu do quarto e percebeu que Stephen tomou banho e se trocou no quarto que era dele anteriormente. Ele também vestia roupas diferentes, a sua vestimenta “oficial” como Mestre do Sanctum.
“Vá na frente, preciso trancar algumas coisas ainda aqui”, ele falou e acenou positivamente. Andou pelo corredor até passar novamente pelos portais que levavam a outros lugares e alcançou as relíquias. Boa parte do que estava ali ainda não tinha visto verdadeiramente e algumas daquelas coisas poderiam lhe causar.
Vagou lentamente para poder contemplar tudo o que estava lá, era uma novidade poder andar tão livremente ali. Haviam armas, botas, joias. A que mais lhe chamou atenção foi uma rede de cabelos que permanecia intacta dentro da cristaleira em uma cabeça de porcelana. Se aquilo de fato era uma relíquia, aquelas pedras não deveriam ser de vidro. Se era antiga, deveriam ser rubis. Poderia passar o tempo todo especulando sobre o que aquilo faria, seria bom colocar a sua imaginação para funcionar.
Sentiu os passos de Stephen vindo na sua direção e logo ele soltou um longo suspiro.
“Eu não pretendia ensinar você a fazer isso tão cedo, mas não vejo porque não possamos praticar, pelo menos”, ele disse.
Viu quando ele colocou a mão no bolso e tirou de dentro o anel que usava para abrir portais. Do outro bolso ele tirou mais um.
“Esse é seu, mas não posso deixar nas suas mãos ainda. Você ainda é muito jovem nesse tipo de arte. Quero que você se sente de frente para mim”, ele acenou enquanto se sentava.
Fez o mesmo e se sentou na mesma posição. Stephen tocou os seus dedos da mão direita e colocou o anel no indicador e no do meio com ele ficando nas falanges do meio.
“Estenda o seu braço e flexione o cotovelo um pouco para baixo”, fez como ele pediu. “Agora levante a mão esquerda e comece a desenhar um círculo no ar, não importa a velocidade com que faça. Isso é só um treinamento”.
O fez e nada apareceu. Stephen disse que era normal que isso acontecesse já que ainda não estavam canalizando a energia verdadeiramente. Fez mais algumas vezes e olhou de relance para baixo, para as mãos de Stephen. Ele não estava mais tremulante e sabia que o tinha deixado pior no dia anterior. Uma pessoa que não tem o mesmo problema que ele já sentiria na pele e músculos a tensão que estava dentro por causa do que fez.
“Calma, por Deus, vá com calma”, ele pediu. Quando voltou a si, faíscas alaranjadas se formaram no ar e o círculo, outrora translúcido, agora mostrava o Lago da Esperança, em Sokovia.
Era possível que o rompimento com a Joia da Mente de Visão tivesse feito isso? Pensava que a Joia amplificava os seus poderes, não entendia direito como isso estava funcionando. Toda a sua reflexão levou bastante sobre o que lhe foi feito na sede da HIDRA e como estava lutando para se manter no lugar agora que essa era a sua vida. Para sempre.
“Francamente, eu não sei mais o que fazer para ensinar você. Propriamente, digo. Parece que estou frente a frente com a visão que a Anciã teve de mim quando me viu aprendendo sozinho”, sentia o modo como ele confessava.
“O que aconteceu?”, perguntou. Quando abaixou as mãos, o círculo sumiu.
“Você tem aptidão para as artes místicas. É tão forte que consegue vencer as suas barreiras de aprendizagem e se manifesta. Eu não lhe dei um feitiço que requer muito estudo ou energia. Na verdade, é algo bem elementar. Mas você consegue fazer parecer tão... fácil. Eu tive dificuldades no começo e você conseguiu em poucos minutos. Estou admirado”, Stephen disse.
“De um jeito bom ou ruim?”, perguntou.
“De um jeito bom e ruim”, pelo riso dele, deve ter feito alguma feição ofendida. “Deixe-me explicar: é algo bom que a minha primeira aprendiz tenha facilidade, me poupa um pouco de trabalho já que você já consegue estudar sozinha; é algo ruim pois sei que alguém conseguiu me superar e isso é um baque para o meu ego”.
“O seu ego é bastante inflado, por sinal. Já que eu já consegui, preciso mesmo passar o resto do dia treinando?”, perguntou.
“Honestamente, você conseguiu desenvolver o mínimo para abrir um portal, isso requer um pouco de energia para alguém que não tem experiência nisso. Quero o anel de volta e amanhã vamos treinar mais um pouco. Se você quiser voltar para os seus estudos, esteja à vontade. Wong anda um pouco sumido, mas acho melhor retornar para o Kamar-Taj e ver se ele precisa de algo”.
Tinha uma sensação ruim, de que Stephen saberia de algo logo mais e isso o deixaria preocupado. Se se ocupassem com os prazeres da carne, conseguiria fazer com que estivesse mais receptivo a qualquer tipo de notícia que recebesse logo mais.
Retirou o anel dos seus dedos e entregou aos cuidados de Stephen. Sorriu. Ele parecia tentado a lhe dar o que pedisse. Não precisaria pedir com palavras faladas se mostrasse o seu corpo. Se entregar com o corpo fazia parte dos seus planos sobre seguir em frente pois sentia quando Stephen queria se entregar também apesar não falar nada.
Ele se levantou e colocou os dois anéis no móvel perto de onde deveria ficar a Capa de Levitação. Seria o tempo de coragem insana. Lentamente, retirou a sua blusa larga. Não sabia se seria tempo suficiente, mas enquanto se levantava para alcançar Stephen verificando o celular do Kamar-Taj tirou o sutiã de ginástica.
Stephen se virou e deu de cara o seu corpo descoberto na parte de cima, apenas com a calça legging preta e as meias. Sentiu os pensamentos dele e não era nenhum pouco castos.
“Já treinamos, agora podemos, por favor, ir para cama? Ou fazer aqui mesmo?”, perguntou.
“Acho que Wong pode esperar mais alguns minutos pois eu não posso abrir mão do que planejei para nós dois hoje”, ouviu.
Com as duas mãos nos seus seios, Stephen a encostou na parede e sabia o que aconteceria depois. Passou a gostar do quanto ele conseguia ser atirado nos seus momentos íntimos.
[...]
Até para alguém com os seus padrões, Loki achou que Stephen tinha gostos muito sexuais por Wanda. Não tinha incitado esse furor nele, esse desejo todo era dele agora que ele poderia tê-la. Era bastante excitante ver os dois fazendo amor tão calorosamente. Mas o que veio depois foi o que fez o seu dia ficar melhor.
Rodrick havia conseguindo atrair a atenção do Sanctum através de Wong. Ele percebeu que um Dividido estava fazendo um trabalhinho sujo no Upper East Side. Pelo que pesquisou na tal internet, era um dos melhores bairros de Manhattan, onde moravam as crianças que tinham tudo e não tinham nada ao mesmo tempo. Ele havia dito que os sonhos delas eram mais fortes por lá.
Agora era só sentar e esperar que o resto aconteceria naturalmente. As visões eram o todo que Wanda viveria nas próximas semanas. Esse tal Tentáculo mexia com magia, então colocaria a sua feiticeira favorita de volta à ação. Já começava a desenhar o plano e seria glorioso para ela voltar a ser uma heroína e vestir o seu traje de batalha. Com aquela rede nos cabelos, seria mais poderosa ainda.
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