Angel of Light
1 Um
Notas iniciais
“Então quer dizer que a Terra agora tem feiticeiros?”
“Chá?”, perguntou ao homem.
“Eu não bebo chá”, o homem lhe respondeu.
“O que você bebe?”, perguntou curioso.
“Qualquer coisa, mas não chá”, ele respondeu com um ar presunçoso. Um ar de alguém que tinha o ego enormemente inflado assim como ele próprio.
Stephen olhava para o homem à sua frente via que ele claramente não pertencia àquele local. A Terra, pensava. Tanto havia mudado nos últimos tempos e ver aquele tipo de coisa ainda lhe causava um pouco de surpresa.
Pensava que todo o mito e Asgard e essas coisas nórdicas fossem histórias e apenas isso, tampouco acreditava que isso pudesse realmente existir. Mas agora acreditava já que um deus asgardiano estava na sala de estar do seu sanctum. Transformou a caneca de chá de Thor, o deus do trovão, e a encheu com cerveja. Ele parecia apreciar isso.
“Eu tenho uma lista de indivíduos e seres de outros reinos que podem ameaçar este mundo. Seu irmão adotivo, Loki, é uma destas criaturas. Uma valiosa adição”, disse enquanto refilava a caneca de Thor. Como ele bebia rápido, isso era surpreendentemente interessante. “Por que o trouxe a Nova York?”
“Longa história. Drama familiar. Coisas assim. Estávamos procurando pelo meu pai”, ele respondeu como quem está cansado de explicar alguma coisa.
“Então quer dizer que se encontrarem Odin, todos vocês retornam para Asgard imediatamente?”, perguntou ansioso. Aquilo parecia não ter mais fim. Thor concordou. “Ótimo. Deixe-me ajuda-lo, então”, disse se levantando.
“Algo mais me trouxe até aqui, Sr. Strange”, ele disse. Pensou em corrigi-lo para Doutor Strange, mas fazer isso com alguém que carrega um martelo ancestral mitológico não parecia ser uma ideia muito boa.
“Então diga o que mais tem para mim”, disse.
“Há uma garota, o nome dela é Wanda Maximoff. Eu a conheci pouco, mas Steve Rogers, um amigo, a estima muito. Ela precisa ficar segura para que possa se controlar. Soube do que aconteceu depois do ataque às Nações Unidas?”, ele perguntou.
O homem ainda não tinha falado muito e agora tagarelaria, tinha certeza. Soube por alto o que aconteceu, sobre como um membro da equipe deles era instável e provocava o caos por onde passava mesmo sem querer. Talvez fosse quem ele se referia. Assentiu e percebeu que ele continuaria.
“Ensine-a, por favor. Teremos uma dívida eterna de gratidão se aceitar Wanda aqui para que ela cresça e consiga dominar os poderes que tem”.
Ah, sim, se lembrou de quem ele falava. Wanda Maximoff estampou uma primeira página de jornal sob a alcunha de Feiticeira Escarlate. Não se lembrava do rosto da garota, mas se lembrou do que leu sobre o estrago que ela causou em Lagos. Respirou fundo. Thor, o grande deus asgardiano do trovão, e o resto desses tais Vingadores estavam mesmo tomando-o por babá?
“Por que está pedindo isso de mim, sr. Odinson?”, perguntou se lembrando pouco de como davam sobrenomes nos países nórdicos.
“Você é um feiticeiro, ela é uma feiticeira. Ninguém melhor para ensinar a garota do que você”, ele disse. “Ela está em Wakanda junto dos outros, mas os outros a temem. Ela precisa de ajuda e eu não estaria lhe pedindo se não fosse por Steve. Ele parece gostar muito dela”.
Passou alguns minutos pensando no que poderia acontecer depois que uma garota como essas chegasse ali. Olhou para o homem e toda aquela autoconfiança transpareceu mais branda na medida que ela mencionava os amigos. Ele deveria considerar bastante esse tal Steve para que passasse por cima de seu próprio orgulho em nome de uma moça que ele nem conhecia.
“Traga a garota”, Stephen disse ainda incrédulo no que estava fazendo. Julgando que passou a acreditar em várias coisas nos últimos tempos, essa seria a menor de todas. Que mal poderia acontecer?
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