Notas iniciais
Honestamente, não sei nem o que dizer sobre esse delayzaço... vocês podem me perdoar? ♥ Eu não gosto de mentir para vocês, vocês são pessoas que eu amo tanto, mas esse ano de 2018 foi uma coisa bem louca pra mim, vocês não imaginariam... aconteceram tantas coisas e isso gerou um efeito dominó em mim que não sei mais o que pode acontecer: coisas na minha vida pessoal, coisas na minha vida profissional, coisas na minha vida como escritora e mais um monte de outras coisas que eu só to preferindo fingir demência no momento :/ Em junho/julho eu entrei em hiato, depois eu saí do hiato e consegui entrar num bloqueio criativo poderoso, aí depois a minha saúde mental desandou e eu preferi escolher a mim mesma na tentativa de ficar bem porá poder voltar a fazer o que eu amor: ler e escrever. Tomei algumas decisões muito difíceis, mas sigo o baile, estamos na luta. Já estou conseguindo escrever, mesmo que não no ritmo de antigamente, mas algumas coisas já estão saindo e eu estou feliz por isso :3 Uma coisa importante: se você tem algum amigo que sofre psicologicamente, mostre a ele que você está com ele, ele precisa de você ;) . Bom, achei melhor começar com essa nota que também saiu em Fate or Something Better e Broken :v Gente, perdão por ter ficado quase seis meses sem pegar em Angel of Light, mas quando a gente não consegue, a gente não consegue e nem adianta forçar que não sai. Mas acho que vocês perdoam porque It All Fell Down (One-shot | Scarlet Strange) saiu nesse meio tempo pra não deixar vocês tão desprevenidos. Espero que realmente consigam compreender o meu lado, de verdade ♥ . Agradecimentos a Lídia Albano, Lady Liv e Tharine Lillena Veiga pelos comentários no capítulo anterior ♥ . Apreciem a leitura! (ah, leiam as NOTAS FINAIS, elas são muito importantes!)

Confessava que estava ficando preocupada com a repentina ausência de Danny. Já havia criado toda uma rotina com ele sendo seu amigo e lhe ajudando diariamente que era um pouco dificultoso pensar que ele não estava mais lá para lhe fazer companhia. Talvez ele tivesse ido atrás dos Meachum de novo e finalmente tivesse sido aceito entre eles... mas tinha uma parte dela que desacreditava disso e desconfiava que algo realmente grave pudesse ter acontecido com o seu amigo Punho de Ferro.

O silencioso Sanctum de Nova York lhe parecia mais quieto que o normal. Deu play na sua playlist favorita, colocou os fones de ouvido e o iPod no bolso. Estava no aleatório, então poderia ouvir qualquer coisa a qualquer momento.

Halfway there, why would you turn around? Andou calmamente pelo corredor com o seu livro da semana à tiracolo. Alcançou o topo da escada e observou com cautela o módico Salão de Relíquias. Desde que começou a sua empreitada como estudante de artes místicas, além de Aprimorada, se sentia constantemente atraída pelo que havia ali. Não somente pela rede de cabelos de Lucrécia, mas também lhe era curioso que tudo o que estava lá era realmente mágico. Poderia voltar para o seu livro ou... poderia dar uma voltinha por lá. Já havia um tempo que buscava respostas e uma hora ou outra teria que enfrentá-las.

Seen the home inside your head, unlocked doors and unmade beds. Andou ainda mais calma, observou as redomas com os bustos e olhou diretamente para a rede de cabelos, vermelha e preciosa atrás da proteção de vidro. Vê-la lhe trazia lembranças daquele dia, o dia em que quase viu Stephen morrer diante dos seus olhos enquanto estava completamente em transe pela influência exercida por Rodrick. Até hoje se revirava com o fato de nunca terem conversado sobre isso.

You’re the one with negativity. Tinha limpado aquilo tudo há não muito tempo, mas não resistiu ao toque no vidro, era a sua forma de chegar mais perto do seu motivo de dúvida e confusão. Um pouco de névoa escarlate escorreu pelas suas mãos e sabia que isso era a sua vontade de compreender esse objeto tão mistificado. A história sobre ele poderia parecer apenas isso para muitos, história, entretanto, reconhecia que havia muito mais ali do que a descrição que o púlpito fornecia ou estava nos diários que havia lido.

You’re always saying you’re too weak to be strong. Um objeto como esse era feito para exacerbar a força de alguém que não compreendia a sua própria, deveria ser isso. Não era como se tivesse havido um tempo que tinha realmente duvidado de si mesma na questão das suas novas habilidades, mas houve um tempo em que temeu o que a confiança que depositava nelas... ainda era quem era, só havia se tornado algo mais, algo que sabia que deveria tomar cuidado.

You’re always saying that there’s something wrong. Quando olhava e sentia as emanações daquela rede de cabelos, não sabia se era somente uma atração qualquer, era como se aquilo pudesse fazer parte de quem era ou tivesse um lugar no seu futuro. Era um objeto fascinante e perigoso na mesma proporção, então conseguia entender uma ponta ínfima da admiração que Rodrick Errol-Wing havia tido nela. Depois que descobriu o que ela poderia fazer, continuou acreditando no valor inestimável que a joia deveria ter. Ainda se recordava da história dela, de como ela havia sido crucial para que Rodrigo Borja tivesse se tornado o Papa Alexandre, sabia que ela não era um brinquedo de criança.

Darkness comes in waves… tell me, why invite it to stay? Não gostava de se lembrar de como a dimensão de Rodrick era, mas tinha sonhos estranhos quando se percebia inquieta à noite e isso era inevitável. Na galeria dos seus pesadelos recorrentes, imaginar as sombras envoltas no Sanctum e o corpo suspenso de Stephen no ar já havia se tornado rotina. O seu Black sempre estava ao seu lado no momento em que acordava, como se soubesse que havia tido um sonho agônico. Quando se recordava de estar como mera espectadora da morte precoce de Stephen, só poderia temer as sombras e o que habitava nelas. Pensou em reconsiderar os seus estudos em demonologia, mas teria de haver alguém que soubesse lidar com isso.

I’m starting to believe it’s you’re playing along. Olhou por cima dos ombros e se notou sozinha ainda. Wong estava no Kamar-Taj e logo retornaria para o jantar, Stephen deveria estar chegando ainda e Black estava deitado no seu quarto, agarrado com o bichinho de pano que havia comprado para ele. Colocou o livro na estante e respirou fundo. Há algum tempo precisava de respostas, todos precisavam de respostas... nunca havia sentido um objeto, mas não deveria ser muito diferente do que sentir uma pessoa; havia sentido o Visão e visto aniquilação, o que poderia ver agora?

Death came around, force to hear its song. Com cuidado, tirou a redoma de vidro que cercava o busto que continha a rede de cabelos. De longe, parecia que estava frágil, como se estivesse sofrendo. Era um objeto encantado e achava que se assemelhava um pouco a Capa de Levitação já que a capa possuía vida. Os seus dedos estavam hesitantes ainda, mas a sua curiosidade conseguia superar qualquer outro sentimento que tivesse agora, isso e a sua sede por entendimento. Ao tocar a rede com a ponta dos dedos, sentiu pequenas faíscas nas falanges e fechou os olhos. Já havia feito isso algumas vezes, era como andar de bicicleta.

Havia sangue no chão, muito sangue, como se alguém já tivesse sido morto ou seriamente machucado. Havia, no fundo, um homem e uma mulher se encarando. Não sabia quem era a mulher, mas sabia que ela estava com muita raiva, conseguia sentir. O homem estava vestido em uma cor escura, mas que não era preto, e respirando profundamente, como se estivesse cansado. Ainda mais ao fundo havia um corpo no chão que batia com a trilha de sangue que havia encontrado. O odor estava insuportável, era um cheiro parecido com carne crua e sangue quente, fresco, como se alguém tivesse acabado de morrer e ser aberto. Olhou para as suas mãos e viu sangue também nelas.

Oh, I have faced it, a life wasted, I’m never going back again. Abriu os olhos, havia sido expulsa da visão, como se aquilo que havia visto não fosse para ser visto – pelo menos não agora. Havia visto sangue nas suas mãos como se também fizesse parte da visão, como se também fizesse parte daquela ambientação. Não compreendia como que isso tinha relação com as respostas que buscava.

Tocou com a mão o seu ventre, perto do osso púbico. Já conseguia sentir uma leve resistência muscular ali, como se uma bolinha estivesse se formando naquele lugar. Mesmo que por um segundo, temeu também por ele, como se alguma coisa tivesse ameaçando a simples existência do seu filho.

[...]

Parecia que tudo estava realmente diferente. Não era como se houvesse finalmente aceitado o seu destino ao saber que seria pai, era como se as coisas realmente estivessem em estranha sincronia. O seu emprego, o seu trabalho no Sanctum, Wanda, o Kamar-Taj... e ainda tinha que arranjar tempo para as confusões que Danny Rand se metia.

Quanto tempo o tempo tem? Se lembrou da frase que ouviu um dia em um documentário na televisão. Pensar o tempo era justamente pensar na mutação dele, na condição de o que foi um dia hoje em dia não era mais. Isso se explanava mais ainda quando se tratava do multiverso e tudo. Ficava claro como não estavam prontos para lidar com tudo o que o tempo tinha. Ainda ruminava as palavras da Anciã, as que diziam que deveria se submeter, mas se submeter a quê, exatamente?

Abriu a porta da frente do Sanctum e sentiu um pouco a ressonância do lugar. Algo definitivamente estava fora de eixo, como se tivesse sido mexido e precisasse se reequilibrar. Havia entrado em casa em silêncio, como sempre, e havia decidido permanecer assim. Se fosse algo que precisasse da sua atenção, poderia ao menos surpreender. Andou sorrateiro e ouviu um barulho de vidro sendo posto em algum lugar. Flexionou os cotovelos e um feitiço se formou nas suas mãos trêmulas, estava pronto para entrar em uma ofensiva quando viu Wanda.

“Ai, meu Deus, você estava aí o tempo todo?”, Wanda se assustou e deixou o quer que tivesse não cair.

“Eu cheguei há menos de dois minutos, alguma coisa aconteceu aqui”, disse a ela. “Você não percebeu nada?”

“Não, nada. Nada aconteceu aqui, Stephen”, ela contou. “Você já jantou?”

“Não, eu vim jantar em casa. Eu falei com você no telefone sobre isso, o que foi que aconteceu?”.

Percebeu Wanda um pouco desconfiada de algo, como se tivesse percebido que algo estranho estava por ali assim como ele. Notou que ela parecia ter um nó na garganta à medida que subiu as escadas, como se estivesse nervosa com algo. Chegou até onde ela estava e ela sorriu.

O toque na sua mão veio e ela beijou o seu rosto. Segurou o rosto dela e fez o mesmo, beijando levemente até conseguir alcançar os lábios. Olhou nos olhos de Wanda e queria perceber que não haviam muitos motivos para se preocupar, ela parecia... calma.

“Como foi o seu dia aqui?”, resolveu perguntar para quebrar um pouco mais o gelo.

“Tedioso, mas produtivo, eu acho”, ela coçou a cabeça. “Eu pedi comida do Royal Dragon, o Wong vai receber. E o seu filho está bem, obrigada por perguntar”.

Sentia o tom cortante dela, mas ainda estava se acostumando com isso. Se acostumando com o fato de que as coisas haviam se acelerado tanto a ponto de desconsertar os dois. Ainda achava tudo um pouco estranho, de fato, mas tinha se comprometido consigo mesmo de que sempre estaria ali para eles. E estava até começando a gostar disso porque mostrava que estava finalmente esquecendo as reminiscências do passado e seguindo em frente.

“Eu ainda ia perguntar sobre ele, me desculpa”, beijou a testa dela. “Como está o nosso filho?”, falou falsamente cansado, para poder arrancar um riso dela.

“Parece que tem uma batata crescendo em mim, é sério. Você quer ver?”, ela riu.

“Depois, quando você tirar a roupa para tomar banho”, piscou para ela. “Sem coisas fora do normal acontecendo?”

“Você já perguntou isso e não tem nem cinco minutos”, Wanda franziu o cenho.

“Eu me referia a vocês”, riu. “Nada fora do normal com vocês?”

“Nada fora do normal. Você precisa se acalmar um pouco, isso sim. Você acabou de chegar do trabalho, deve estar cansado demais e por isso não está falando coisa com coisa”, ela tocou a ponta do seu nariz com o dedo indicador e riu. “Banho, jantar e cama?”

“Banho, jantar e cama contanto que você faça esse itinerário comigo”, riu.

Deixou a mochila cair no chão e agarrou Wanda pela cintura, então ela riu alto enquanto a carregava apertada no seu abraço até o quarto que compartilhavam, correndo. Ela se soltou dos seus braços e beijou os seus lábios novamente, mas dessa vez com desejo.

Sentiu quando ela o puxou pela gola da camisa social cinzenta e começou a abrir os botões de cima. “Eu não consigo me conter”, ela disse desculposa. Mas não parou, continuou desabotoando a sua camisa até sentir a corrente de ar pela janela aberta. Com um pensamento a janela se fechou e Wanda riu. “Isso é você mesmo”.

Se sentiu sendo empurrado para a cama e ali se sentou até que se deitou, sentindo Wanda se sentar no seu colo como quando faziam amor. Ela passou as mãos na camisa branca que estava vestindo por baixo da cinzenta e depois ela colocou as mãos por dentro, sentindo assim as mãos quentes dela na sua pele novamente. Quando ela parou, percebeu que ela estava pronta para se levantar.

Segurou Wanda pelo pulso. “Você não pode parar assim”, advertiu.

“Se for para eu fazer outras coisas, eu posso”, ela piscou.

Wanda se levantou do seu colo e tocou o seu cinto. A sentiu desafivelando a peça e até levantou um pouco o quadril para que a ajudasse a retirar. Quando as mãos dela chegaram no botão da sua calça, ouviu o telefone tocar um som de telefone antigo: tinha uma linha fixa no seu quarto por causa da internet. Ignoraria o toque até que parasse de tocar, estava focado demais no que estavam fazendo. Sentiu mais uma vez o toque das mãos dela contra a sua pele quando finalmente conseguiu desabotoar a calça e puxar o cós um pouco para baixo, depois a sua roupa de baixo e estava nu e vulnerável. Bom, nem tão vulnerável assim.

Quando Wanda se encaixou no seu colo, o telefone tocou novamente. Mal tinha acabado de senti-la e ela saiu. “É melhor atender logo, nós temos a noite inteira para fazer isso”, ela riu.

“Eu não estou vendo graça nisso”, retrucou enfezado.

“Eu vou tomar banho primeiro, é melhor atender antes que pare de tocar”, a viu ir e nem se preocupar como havia ficado depois dessa tentativa de saliência.

Pegou o telefone da base e atendeu. “Aqui é o Dr. Strange, quem está falando?”, disse aborrecido.

“Stephen? Stephen, sou eu cara, você precisa me tirar daqui”, a voz disse, não estava reconhecendo.

“Quem é que está falando?”

“É o Danny, cara, você tem que me tirar daqui. Cadê a Wanda?”, ele continuou.

“Você some sem dar satisfações, arranja confusão e agora a gente tem que limpar a bagunça? Uma das condições de você ficar aqui era não se meter em problemas. E você ainda conseguiu me impedir de transar com a minha mulher!”, quase gritou a última parte. “Você é inacreditável!”

“Stephen, cara, não é hora de brincar! Eu prec-”, a partir dali a linha ficou muda, como se a ligação tivesse caído.

Estranhou o fato de Danny ter ligado, não se recordava de ter dado a ele o número do Sanctum. O dia estava terminando e esperava que terminasse pelo menos bem, na cama com Wanda e fazendo amor com ela como deveria ter acontecido se não tivesse sido interrompido.

Danny Rand estava com problemas aparentemente. Havia sentido uma mudança na aura do Sanctum. Wanda estava ligeiramente estranha quando chegou.

Passou a mão nos cabelos e terminou de se despir, entraria no banho com Wanda.

[...]

O corredor escarlate sempre era o mesmo de quando deixava Stephen entrar na sua cabeça e ver os seus pensamentos mais profundos, os seus medos e as suas angústias: cheio de portas vermelhas e maçanetas de rubis. Haviam cristaleiras carregando coisas importantes para a sua vida, também, viu uma boneca de pano que havia sido presente do seu tio viajante, uma bicicleta velha e enferrujada e uma escova de cabelos que pertenceu à sua mãe. Passou os dedos pelo vidro e, mais uma vez, sentiu um pouco de névoa escarlate se formar. Quando sentia, parecia que sentia tudo o que aqueles objetos poderiam lhe contar de volta a história de quem era.

Sentia o cheiro do fogo. Não que fogo tivesse cheiro, mas conseguia sentir o cheiro das cinzas. Olhou para frente e viu um ponto de luz alaranjado no que imaginou ser o final do corredor. Não pensou que esse corredor tivesse fim, mas aparentemente tinha e estava relativamente próximo.

“Aí está você, sua irmã está te procurando”, ouviu uma voz dizer. “Você precisa voltar, senhorita”.

Se virou para o outro lado e o viu. Nunca antes o havia encontrado assim, com ambos tecnicamente conscientes dentro disso, mas o viu. Ele parecia... preocupado com algo... e depois do que passaram era natural que estivesse realmente se preocupando à torto e à direita. Andou até ele e notou que ele estava... diferente.

Ele não a estava reconhecendo, era isso?

“Stephen”, o chamou.

“Como sabe o meu nome?”, ele se assustou com isso e estava tendo certeza de que algo estava errado aonde estavam.

“Mas...”, levou uma mão até o rosto dele e finalmente sentiu. “Não o meu Stephen”.

Notas finais
Bom, acredito que agora seja a hora certa de dizer isso: ANGEL OF LIGHT VAI FAZER CROSSOVER COM BURN AROUND ME!!!!!!! Pra quem não conhece, Burn Around Me é a fanfic de uma amiga minha, a minha melhor amiga Ophelia, e já tem algum tempo que estamos de olho nesse crossover e quase que ele não sai do papel XD nós decidimos que, apesar de ser um crossover e mexer com duas linhas de tempo diferentes com ambientações diferentes, vamos manter bastante os pés no chão porque queremos que isso passe a sensação de realidade pra vocês ♥ Lembrando que Angel of Light e Burn Around Me são duas obras distintas e poderão ser lidas independentemente sem problema algum mesmo durante essa época do crossover já que estamos preparando esse terreno há algum tempo. Não precisam se preocupar quanto a isso ;) . Link BAM: https://fanfiction.com/historia/760341/Burn_Around_Me/ . Me deixem saber de gostaram ♥