Notas iniciais
Gentneys!!!! Como estão? ♥ Confesso que as ideias começaram a vir com mais força agora que o Loki decidiu que vai separar o Stephen da Christine de vez :v Eu nem ia postar hoje, estou com um capítulo de outra fic na escrita também, mas bora aproveitar logo que as ideias estão fervilhando kkkkkkkkkk Nesse capítulo teremos muitas menções ao Scott Lang, mas não de um jeito romântico, ok? Não aconteceu nada entre eles em Wakanda :x Agradecimentos a Jujah, Bianca Di angelo, Jace Jane (que comentou em todos capítulos até agora) e SahVandenburg pelos comentários no capítulo anterior ♥ Apreciem a leitura!

Wanda se sentia observada.

Isso não era um fato isolado, acontecia com mais frequência do que admitia. As primeiras vezes aconteceram quando ainda estava em Wakanda, pouco tempo depois de Thor achar a todos eles no palácio de T’Challa, depois do incidente com Jakarra. Quando olhava em volta, nada percebia de anormal. Tudo continuava no seu devido lugar e isso de certa forma era um conforto, saber que não havia nada ali mesmo desconfiando lhe despertou um pouco de paranoia.

Cobriu o nariz e a boca com um lenço de tecido na finalidade de não entrar em contato com toda aquela poeira que havia ali. Apesar de os livros estarem bem condicionados, a sua saúde estava um pouco fragilizada desde o incidente no aeroporto e a prisão na RAFT. Estava ali há horas, quase que o dia inteiro, não havia conseguido dormir muito bem, tirou breves cochilos durante a madrugada porque teve o sentimento de alguém observando o seu quarto.

Assombrações seriam reais também? Se Thor era real, assim como o Visão era real e a magia como um todo era real, poderia supor que o mundo sobrenatural era real? Quando pensava nisso, pensava em demônios, círculos do Inferno, danação eterna. Poderia tirar da prateleira um volume de A Divina Comédia, de Dante Alighieri, algo dali deveria ser verdadeiro. Se remexia desconfortável na cadeira somente com a ideia de estar sendo observada por uma entidade sobrenatural não-humana.

Lembrou-se com carinho da noite em que estava sozinha na sua ala e Scott Lang a surpreendeu na pequena sala de estar que tinha nos seus aposentos com um balde de pipoca e várias cópias de filmes de terror. Ele sentia saudades de casa, daqueles amigos que haviam se tornado os seus parceiros de trabalho, da filha. Principalmente da filha, Cassie. Ele havia dito que ela era uma garotinha adorável, inteligente e doce, assim como ele imaginava que ela tinha sido na infância. Lang disse que as duas se pareciam bastante fisicamente mudando somente a cor dos olhos. Quando viu a foto que ele tinha na carteira, acabou notando algumas semelhanças com ele, não consigo. A garotinha sorria na fotografia e o sorriso era o de Scott.

Não entendeu na hora o porquê de ele a ter procurado, Sam parecia mais propenso a conversar com ele. Contudo, enxergou nos olhos dele que ele se sentiu como ela havia se sentido nos seus primeiros dias no Complexo dos Novos Vingadores. Ele se sentia um forasteiro, um intruso no meio de super pessoas como ele mesmo disse. Sabia como era esse sentimento bem demais e deixou que ele ficasse com ela naquele momento, fazendo companhia e assistindo filmes de horror.

Quase morreu várias vezes quando ele colocou no aparelho de DVD os dois filmes de Invocação do Mal, passou noites sem dormir imaginando que haviam coisas em cima do seu guarda-roupa ou que a freira sairia de algum dos quadros que haviam nos cômodos. Não era bem uma amizade, mas tinha um laço com Scott Lang.

Não sabia porque havia divagado sobre o Homem-Formiga, mas achou que ele havia entrado nos seus pensamentos graças ao sentimento de observação que tinha todos os dias, quase que a todo momento.

Era diferente de Stephen a olhar por cima de um livro ou Wong vigiá-la por cima dos ombros, era como se algo realmente sobrenatural estivesse junto de si. O tempo todo.

Fechou o livro sobre astrologia e andou despretensiosa até o acervo de demonologia que estava meio escondido no Kamar-Taj. Junto de Dante, colocou um volume de A Chave de Salomão e Aparições Ao Redor do Globo: Um Ensaio Sobre a Fantasmagoria. O último parecia relativamente novo e todos estavam em inglês, tinha penado um bocado nos últimos dias já que não sabia ler sânscrito.

Andou com os volumes pesados até a mesa de Wong. Era noite e ele estava ouvindo músicas no seu iPod e percebeu que ele realmente gostava de Sia pois o volume estava muito alto e não foi notada a sua chegada. Os olhos dele estavam fechados, aproveitando a música. Teve pena de interromper tal momento, era demasiado engraçado e íntimo, mas precisava desses livros.

“Wong?”, chamou uma vez. Continuou chamando até ver que seria necessária uma interferência física. Tocou o ombro dele e logo ele se assustou.

“Eu não sabia que ainda estava aqui, já é tardinha e logo anoitecerá. O que você tem aí?”, ele perguntou e entregou os seus livros a ele. “Não acha que é nova demais para demonologia? Não é uma carreira muito comum e exige um grau de comprometimento muito alto”.

“Eu apenas quero conhecer, aprender”, respondeu sem muito. Ainda não havia esquecido o modo como ele mencionou os seus pais, principalmente de como havia falado da sua mãe.

“Nada é proibido aqui, nenhum conhecimento. Acho que Stephen não se oporá. Ele já disse que semana que vem você começa a treinar com outros aprendizes. Você enfim começará a praticar, ter contato com a magia”.

“Obrigada, Wong”, agradecei e sentiu a vibração de estar de volta ao Sanctum de Nova York.

[...]

Não importa o que pensasse, os seus dedos só se agitavam no ar e logo uma faísca vermelha era produzida. Diferenciar a energia que produzia para poder produzir a outra magia era difícil e sentia essa dificuldade se alastrar pelos seus pensamentos. Alguns aprendizes a temiam, outros simplesmente ignoravam o que ela fazia, nada disso conseguia deixa-la em paz. O fim do seu primeiro dia de treinamento junto dos outros acabou em desastre pois acabou danificando uma fonte de água com a sua energia escarlate. Já estava no quinto dia e nada parecia melhorar muito. Já era novembro e estava passando mais tempo no Kamar-Taj que no Sanctum, preferia deixar Stephen na sua intimidade lá do que incomodá-lo.

Via Stephen sair à noite, depois que ele julgava que ela estava dormindo. Não estava conseguindo dormir direito nos últimos tempos e sabia que isso estava afetando o seu lado físico e místico. Por dois dias foi encontrada na biblioteca, dormindo de pijamas, sentada em uma das cadeiras e debruçada sobre livros de demonologia. Quanto mais pesquisava, mais percebia que tinha que aprender.

Viu Stephen sair dessa vez, mesmo que sem querer. Estava saindo da cozinha e viu quando ele passou descendo as escadas e usando roupas civis. Tinha um péssimo pressentimento do que poderia acontecer durante essa noite particularmente escura de novembro.

Levou a sua tigela de frutas para o seu quarto e comeu em silêncio, vendo o filme se desenrolar diante dos seus olhos. Era uma comédia romântica, talvez, não ligou muito para o título. Só colocou para rodar, nada mais. Tinha conseguido pechinchar com um ambulante um pequeno televisor que mais parecia um monitor de computador e o aparelho de DVD encontrou no lixo, em perfeito estado. Steve havia deixando uma grande quantia com ela, o suficiente para se manter por bastante tempo já que não tinha despesas, fora o seu salário como Vingadora já que eram um grupo privado na época. O antigo mestre do Sanctum tinha uma caixa de filmes que ele escreveu com pincel hidrocor como guilty pleasures. Tomou a caixa para si em segredo e levou para o quarto, aquele seria o seu segredo também.

Scott tinha ligado para o Sanctum querendo falar com ela, Stephen não gostou muito disso. Já tinha percebido que o seu tutor franzia as sobrancelhas quando algum deles fazia contato. Conversou com o Homem-Formiga e ele pediu para que ficasse de olho em Cassie sempre que possível. Já tinha o endereço e assim que conseguisse fazer algum tipo feitiço de transporte, passaria para visitar a filha dele em segredo, ninguém poderia saber que estava em Nova York.

Quando o mocinho deu o beijo final na mocinha, lá pelo final do filme, ouviu passos do lado de fora. Decididos, como que furiosos. Se assustou. Girou a maçaneta da porta devagar e abriu uma fresta na porta para poder espionar o que estava acontecendo.

Stephen estava rindo, depois esticou o braço e uma silhueta feminina apareceu, beijando-o. Eles pareciam funcionar bem juntos, nesse contexto que não sabia o que acontecia. Algo estranho subiu à sua garganta e um nó se formou, isso fez com que um gosto amargo viesse à sua boca. Não entendeu porque sentiu isso, apenas sentiu. O viu sussurrando algo no ouvido da mulher e ela riu mais ainda. Os dois andaram até a porta do quarto de Stephen e lá se trancaram.

Pegou a sua bagunça e a sua manta de dormir e desceu, não era obrigada a ouvir os dois transando. Tampouco era justo.

[...]

Não poderia alugar um carro, não sabia dirigir. Não podia pegar um táxi pois daria uma fortuna até o endereço que Scott deu a ela. Decidiu por usar o trem, chegaria rápido e não seria reconhecida pelas roupas que usava.

Prendeu o cabelo com um rabo de cavalo, colocou um boné de baseball e achou os óculos escuros de Sam no fundo da sua mochila. Começava a esfriar, então se agasalhou mais que o normal.

Era uma área de subúrbio, com casas bonitas, talvez tivesse uma boa escola naquela parte. Pela foto que imprimiu do seu e-mail, reconheceu a casa que estava recém-reformada. O horário coincidia ao que as crianças chegavam em casa da escola. Como era uma sexta-feira, as crianças deveriam estar na pracinha perto dali, seria um bom lugar para procurar por Cassie Lang.

Andou até a praça infantil que tinha ali e viu a garotinha da foto, a que Scott disse que era parecida com ela. Se sentou longe e observou. A menina se sentou em um banco e lá ficou, nem sinal da mãe ou padrasto. Deveria se aproximar? Scott talvez quisesse saber de algo mais da filha.

Hesitante, Wanda se levantou e andou até perto de Cassie, se sentando no banco ao lado do dela. Depois percebeu que as crianças que estavam ali estavam brincando com os pais, sem as mães. Ela sentia a falta de Scott.

“Você é a Cassie?”, perguntou. A menina não respondeu, não queria responder. “Cassie Lang?”, continuou sem resposta.

Estava com medo de estar assustando a menina, o melhor seria que fosse embora, que partisse antes que a mãe dela chegasse e a visse falando com uma estranha. Esperou mais alguns momentos e decidiu por ir embora, já tinha visto Cassie e ela estava bem, fisicamente falando. Quando fez menção de levantar, ouviu a voz infantil da garotinha.

“A minha mãe me disse para nunca falar com estranhos. Você é uma estranha”.

Riu. Era verdade. Era uma adulta e estranha para ela. “Eu sei. A minha mãe também falava isso para mim quando eu tinha a sua idade”.

“Você fala engraçado”, Cassie deve ter mencionado o seu sotaque. Não queria nunca se livrar dele, era a sua única lembrança de Sokovia.

“É porque eu não sou daqui”, retorquiu.

“Você é de onde?”, Cassie Lang era cheia de perguntas.

“Sokovia, mas acho que você ainda não estudou isso na escola”.

“Como sabe o meu nome?”

“Por que eu sou amiga do seu pai”, falou. Se arrependeu.

“O meu pai sumiu. A minha mãe disse que ele foi preso de novo e que eu não devo pensar nele. Ela também disse que ele não vai voltar nunca mais”.

Sentia a dor de Cassie, foi algo parecido com o que sentiu nas semanas após a morte dos seus pais. O seu coração se apertou. Scott não estava morto. Ele mesmo teria ido até a filha se fosse possível, mas infelizmente havia burocracia demais envolvida e ele acabaria preso mais uma vez.

“Eu estive com o seu pai há não muito tempo. Ele disse que ama você mais que tudo no mundo e me pediu para ver como você estava. Eu sou Wanda”.

“Quando ele vai voltar?”

Essa era uma pergunta que não poderia responder. Se sentia péssima por não conseguir dizer a Cassie que talvez o pai dela não retornasse nunca mais. Foi duro ter sido colocada nessa situação.

“O seu pai ama você demais, Cassie. Ele vai voltar para você. Eu preciso ir agora, parece que a sua mãe já chegou”, falou a ela quando ouviu Maggie, a mãe de Cassie, gritar do outro lado da pracinha.

Precisava ir embora antes que a sua visita gerasse mais confusão do que já estava gerando.

Havia saído escondida do Sanctum de Nova York e a essa altura, Stephen já deveria ter descoberto a sua fuga. Correu até a estação de trem e checou o número antes de entrar, seria uma longa viagem e ainda pegaria o metrô para chegar a Bleecker St. Estava longe demais.

Ouviu música durante todo o trajeto no iPod que ganhou depois que aceitou a oferta de integrar os Vingadores. As ruas de Nova York começavam a ficar enfeitadas para o Natal já que já era o final de novembro. Quando girou a maçaneta da porta de entrada, Stephen estava sentado nos degraus da escada.

“Você não pode sair por aí sem me avisar, está sob a minha tutela, a minha responsabilidade. Não faça mais isso, eu fiquei com medo que alguma coisa tivesse acontecido a você”, foi a única coisa que ele disse antes de se levantar e subir.

Não havia visto Stephen nos últimos cinco dias, depois da visita da mulher. Estava levantando mais cedo por causa dos seus exercícios de magia e indo dormir muito tarde devido os seus estudos sobre demonologia. Agora ele parecia entristecido, como se algo tivesse acontecido nesse meio tempo.

Não recebeu uma bronca, não brigou, não aconteceu nada. Stephen só a deixou ali e se recolheu. Não estava com fome, então subiu para o seu quarto. Tirou todas aquelas roupas e tomou um banho, estava cansada de ir e voltar até Cassie. Escovou os dentes e vestiu um pijama folgado, na esperança de conseguir dormir logo.

Tirou um primeiro cochilo, mas depois ficou virando na cama, sem conseguir se concentrar no sono que precisava. A sua inquietação se voltou para o sentimento de estar sendo observada. Não havia feito muito progresso, embora soubesse que em algum momento daria resultado.

Se inquietou ainda mais quando ouviu um grunhido vir do quarto de Stephen.

Notas finais
PS: os endereços da família do Scott foram movidos para Nova York para poder haver o encaixe no enredo. Há um motivo para a Cassie ter aparecido aqui, ele ficará claro mais lá na frente Me deixem saber se gostaram :)