Angel of Light
15 Quinze
Notas iniciais
A manhã da véspera de Natal chegou preguiçosa no Sanctum de Nova York. A sua cabeça parecia que explodiria e não queria ter que lidar com as tantas perguntas que fariam quando aparecessem em Wakanda. Stephen dormia no sofá e Wong estava no chão, aberto em um quatro com uma língua de sogra em uma das mãos. Se levantou da poltrona e riu do que fizeram na noite anterior.
Depois que Matthew Murdock se foi, pediram pizza e beberam uma garrafa de vinho branco de excelente safra, era tão doce e bom. Jogaram Banco Imobiliário e finalmente pode atualizar as suas músicas. Cada um ficou aonde estavam e caíram no sono aos poucos. Nada de banquete, nada de dança lenta, nada de chocolates, Ernesto estava certo e não podia deixar de rir por concordar.
Quando entrou no seu quarto, viu que aquele não parecia mais seu quarto. Agora era seu e de Stephen pelo que notou. O aroma do perfume dele já estava impregnado no seu sofá perto da janela pela sua capa de levitação já estar lá.
Não sabia se deveria tocá-la, era a capa de Stephen e Wong um dia disse o quão volúvel ela era, um passo em falso e poderia acabar com um objeto mágico furioso destruindo o seu quarto.
Os seus dedos finos chegaram no tecido vermelho e ela levitou no ar, circulando pelo seu corpo como se estivesse analisando-a. Sentiu uma das pontas acariciar o seu rosto para depois ela pousar nos seus ombros como se também fosse digna de usá-la. Se olhou no espelho e sorriu, pensou que ela sentiria ciúmes.
Precisava de um banho quente, estava frio e já era a véspera de Natal. A capa saiu dos seus ombros e abriu a porta do banheiro para que entrasse.
“Agradecida”, disse. A capa fez uma reverência e voltou para o sofá.
As coisas de Stephen estavam juntas das suas na pia e haviam duas toalhas de banho brancas. Se despiu e entrou no box junto com a escova de dentes para economizar tempo. O vapor quente inundou o cômodo e só ouviu que havia alguém ali quando Stephen se desculpou. A voz embargada dele por causa da ressaca ressoou junto com a porta sendo batida. Um arrepio passou pelo seu corpo por causa da cena que acabaram de protagonizar.
Finalizou e se cobriu com o roupão usando a toalha para enxugar os seus cabelos. Não havia muita diferença no que era ontem e no que é hoje. Um status de relacionamento formal.
Steve berraria. Sam riria. Clint faria todas as perguntas que um pai faria. Scott perguntaria sobre Cassie e precisava dizer a ele que ela estava bem. Casada com Stephen, poderia ir e vir de Long Island para visita-la sempre.
Destrancou a porta e viu Stephen indiferente de sono sentado na cama. Caminhou até ele e tocou o seu ombro. Assustado pelo sono, Stephen não devia estar prestando atenção no que estava fazendo. As mãos dele tremiam um pouco, sinal do tal acidente que o lesionou. Ainda arrancaria dele o que havia acontecido. Sabia que havia sido automobilístico, mas queria ouvir dele, a angústia dele sobre isso.
Ele sentia angústia e sentia essa angústia principalmente pela manhã.
Wanda Strange. Soava estranho isso e ao mesmo tempo confortável, familiar. Agora era tia de Donna e Amy, oficialmente, elas enlouquecerão quando descobrirem.
Stephen nada disse, apenas se levantou e rumou o banheiro. Ele não parecia muito acordado. Ouviu o grunhido e o seu julgamento disse que Stephen estava de ressaca. Riu disso e começou a se trocar. O frio lá fora deixava claro que Nova York estava quase vazia no Natal.
Batidas na porta vieram. Wong entrou com três canecas nas mãos.
“Acho que precisamos de açúcar nas veias”, Wong disse, ele já estava tomado banho e de roupa trocada.
Chocolate quente com mini marshmallows a fez se lembrar de Visão e do seu primeiro Natal no Complexo dos Novos Vingadores. Também fazia frio, estava cercada de pessoas com as quais o seu vínculo de amizade ainda não era forte, somente Visão fez algo para que se sentisse à vontade lá, querida. Ele lhe deu um pingente vermelho de presente, uma gota vermelha que lembrava sangue. Achou embaraçoso, mas usou uma única vez para ver o seu amigo feliz.
“Obrigada”, agradeceu.
“Gostou do que fizemos aqui? Stephen queria que o quarto ficasse com a cara dos dois, vai ser mais fácil assim”, ouviu.
Sim, mais fácil. A imigração, as visitas no meio da noite que via nos filmes, tudo isso seria uma realidade tão próxima nos próximos meses. Precisaria se acostumar rápido com isso.
Levou a caneca aos lábios e sentiu os gostos de tudo aquilo que estava dentro: chocolate, canela, pequenos marshmallows derretendo e uma ínfima gota de café. Sorriu para o amigo e se sentou perto da janela. O seu vestido preto combinava com o cardigã cinza aberto e só faltava calçar as suas meias.
Stephen já saiu vestido do banheiro e parecia que tinha vomitado meio mundo pelo tom esverdeado da sua pele.
“Não, nós nunca mais vamos derrubar uma garrafa assim. Quando foi que eu fiquei fraco para beber? Isso nunca me aconteceu antes, que fique claro”, Stephen falou.
“Eu não sou de beber, então, qualquer pouco álcool me derruba”, Wong disse bocejando e bebendo o seu chocolate quente.
“Nós vamos para Wakanda amanhã?”, perguntou.
“Sim, eu só não acho que preciso saber o que os seus amigos farão comigo. Eu não quero saber, de verdade. Wong, existe a possibilidade de eu não voltar vivo de Wakanda. Se eu morrer, você assume o Sanctum”, Stephen piscou para o amigo e gostava disso, era tão familiar e bom.
Stephen e Wong trocaram olhares cúmplices, alguma coisa estavam aprontando pelas suas costas. Wong se levantou e foi até o armário. Voltou com uma caixa cinza e a entregou a Stephen para poderem abrir juntos. O laço de fita prateado mostrou que na caixa aberta estava um álbum de fotografias marrom em couro sintético. O seu nome estava gravado em baixo relevo junto do de Stephen na capa.
Stephen & Wanda.
Abriu e viu fotos de quando ele era criança. Victor deve ter arranjado algumas para ele da última vez que se falaram. Donna estava com Victor e Stephen em uma delas, parecia ser um baile de fim de ano letivo ou algo assim. Quando virou a página, viu a foto dos seus pais, a mesma que Pietro guardava consigo e que depois parou nas suas coisas depois que ele morreu. Viu a foto que tirou com o seu irmão dias antes de Ultron acontecer. Haviam fotos suas com Steve e Sam no seu primeiro Ano Novo com os Vingadores. Fotos novas estavam espalhadas por lá, as mesmas fotos de quando estava na fazenda dos Strange.
“Aqui no meio vai ficar a do nosso casamento. Ernesto disse que mandaria as fotos hoje. Comprei papel fotográfico e tudo para a impressora”, Stephen piscou.
“Isso me faz sentir pertencente”, disse.
“E você pertence aqui. Pertence ao Sanctum, ao Kamar-Taj, pertence a Nova York. Pertence a mim agora, também, pelas leis de Deus e dos homens”, ele deu de ombros, brincando.
“Não sou uma propriedade, Mestre Strange”, respondeu no mesmo tom.
“É Dr. Strange, Wanda. Francamente, você é esposa de um dos neurocirurgiões mais respeitados dos Estados Unidos e ainda quer me tratar assim?”, ele se fez ofendido, continuando o que tinham começado. “O sentimento de pertencimento é importante, eu pertenço aqui, mas também pertenço ao Metro-General”.
“Como?”, não entendeu.
“Eu vou voltar a trabalhar. O Dr. Murdock disse que como você ainda não pode trabalhar, eu pensei bastante e achei que poderia retornar à Medicina. Deus tenha piedade dos garotos que vão aprender comigo”.
“Você vai ser professor?”, riu.
“Eu não me sinto confiante o suficiente para voltar a operar e não posso usar a magia levianamente para voltar a ter a minha vida de antes. Eu prefiro que o tenho agora”, ele disse. “Eu não quero aparecer como um milagre”.
“Pangborn fez isso e deu no que deu”, Wong falou. Descobriria quem era Pangborn depois. “Eu vou encher as nossas canecas de novo, coloque em Grey’s Anatomy, eles vão passar uma maratona de Natal na ABC”.
“Uma vida na neurocirurgia, um acidente na estrada, um amigo estranho, uma esposa que já passou por quase tudo na vida. Derek Shepherd me representa. Fique longe da minha esposa”, Stephen brincou com Wong.
Ligou a televisão e deixou no canal que pediram. Seria uma longa véspera de Natal.
[...]
Um dia todo assisntindo Grey’s Anatomy o fez lembra de como seria bom retornar à Medicina. Em um dia como esse, o hospital estaria em festa e quase não haveriam ocorrências no Pronto Socorro, todos estavam mais preocupados em ficar em casa com as suas famílias do que se meter em problemas mesmo que sem querer.
Wanda e ele seriam um casal diferente. Nada de alianças e essas coisas que os casais normais usariam. Tinha passado em uma loja de penhores durante a semana, quando estava organizando tudo isso ainda, e viu algo que condizia com a personalidade dela. Discreto e delicado. A corrente era de prata de lei e o pingente era um anel de rubis verdadeiros, tão delicados quanto a própria Wanda. Daria a ela depois, antes de dormir.
Queria uma noite tranquila, então conjurou uma caneca de chá de camomila e sentiu o líquido quente descer pela sua garganta para o seu acalento.
Wanda estava sentada na sua poltrona favorita, a que ficava de frente para a janela principal do Sanctum. Ela se assustou quando o percebeu chegando. Se levantou e sorriu, saindo em silêncio para fazer o que quer que tivesse para fazer, embora duvidasse que tinha algo de importante na noite de hoje.
Se sentou na poltrona agora vazia e notou o que ela observada. A neve caía intensamente lá fora e Nova York ficava bonita assim, branca. Bebeu mais chá e fechou os olhos, se deixando levar pelo momento e pelo som do silêncio. Ouviu os passos no piso de madeira e sabia que Wanda estava voltando. Percebeu quando ela parou ao seu lado como se pedisse permissão para alguma coisa. Ela queria se sentar com ele na poltrona. Ficariam apertados, mas não se incomodaria com ela se sentando no seu colo. Quando ela percebeu o positivo, se sentou delicadamente e lhe entregou uma caixa.
O dia estava cheio de surpresas.
Abriu e viu que dentro havia um relógio vintage, com as pulseiras de couro preto recém colocadas. Tirou de dentro da caixa e leu a inscrição atrás. Nunca Perca a Fé – W. A frase ressoou com a voz dela na sua cabeça.
Era a hora certa para o seu presente também. Sentiu cada grão da peça se materializar na sua mão enquanto se desmaterializada de dentro do saquinho que tinha guardado dentro da sua gaveta de meias.
“Você é a Feiticeira Escarlate, o vermelho lhe favorece”, falou.
Depois que colocou o colar nela, o silêncio embalou o momento dos dois. Os olhares se encontraram e pareciam querer conversar mesmo sem palavras.
“Se você ama alguém, diga. Mesmo se você tiver medo de que não é a coisa certa. Mesmo se você tiver medo que isso cause problemas. Mesmo que a sua vida seja destruída. Você diz. E em alto e bom som”, Stephen disse.
“Você tem que dizer agora, melhor alto que tarde demais”, Wanda completou.
“Aonde você aprendeu a filosofar assim?”, riu.
“Pearl Jam, Amongst The Waves”, ela sorriu. “Apenas admita, Eddie Vedder é um artista, o que ele escreve é poesia”.
O silêncio lhe atrapalhava pensar. De fato, imaginava que ela deveria ouvi-lo pensando no que faria depois e depois e depois. Havia tensão entre os dois, de todos os tipos. Wanda bebeu o resto do chá na sua caneca e a deixou no chão.
But I am up riding high amongst the waves. Observou em como o seu presente ficava bem no pescoço longo dela. O colo era bonito e pareceu ser enaltecido com tal joia. Wanda tomou a iniciativa e o beijou. Segurou o rosto dela e se entregou também, era o que queriam, estavam prontos para isso. O calor tornou a subir e dessa vez a culpa não era do chá. Os lábios e as línguas se entendiam, o seu beijo era caloroso. Ela não objetou quando as suas mãos tremulantes começaram a passear pela pele quente da sua cintura por debaixo da camisa. Era tão certo.
Where I can feel like I have a soul that has been saved. Ela estava deixando, ela queria, ela se fazia ser sua. As mãos dela puxavam a sua camiseta e faziam exatamente os mesmos movimentos que ele. Levou a sua mão mais e mais para dentro até sentir a pele da base dos seis dela. Os pelos eriçados, ela queria e estava se preparando. Deixou que ela tirasse a sua camisa para que pudesse fazer o mesmo com ela. Os seus lábios encontraram prazer no vão entre os seios dela até que a sua língua passeou e encontrou um dos mamilos. Wanda gemeu, então percebeu estar fazendo algo certo. Sugou e ela continuou gemendo até dizer coisas que não faziam sentido nenhum para ele já ela falava em sérvio.
Where I can feel like I've put away my early grave. Wanda se levantou, ela percebeu que as suas mãos passavam demais pelas suas pernas e quadril. Ela mesma começou a desenlaçar o seu short. Quem diabos coloca um cadarço em uma roupa com elástico na cintura? Ela quis que a sua mão alcançasse a sua roupa e fizesse aquilo desaparecer. Abaixou o shorts com força e viu toda a expectativa já gerada para aquilo quando a tocou lisa. Se ajoelhou no chão e beijou a intimidade dela mais que pronta. Era deliciosa. A agarrou pelas nádegas e sentiu as mãos dela agarrarem o seu cabelo, ela ainda dizia coisas sem sentido. Parou.
You've bled yourself, the wounds are gone. Ela era sua. Wanda era sua. E continuaria sendo sua. Sentiu o seu ombro ser tocado e foi conduzido de volta a poltrona. Wanda retirou as suas calças e notou como ela parecia querer e pedir consentimento para continuar. Afirmou com a cabeça e sentiu ela se sentar no seu colo. Uma ponta de desapontamento passou pela sua cabeça por notar que não foi o primeiro, mas julgando pelo fato de que Wanda era sua, lhe consolava ser o último. E único.
Love ain't love until you feel it. Ela movimentava com graça, era surpreendente. Segurou com força a sua cintura e a ajudou, queria estabelecer um ritmo que se aproximasse do perfeito até que conseguiram. Ouviu o seu nome sair dos lábios dela assim como o dela saiu dos seus. Suados, sentiu os braços dela passarem pelo seu pescoço e o abraçar forte. Fez o mesmo com a respiração pesada, ofegante.
I gotta say it now, better loud than too late. Preferia manter o que ouviu incógnito. Não sabia o que significava, só parecia ser algo bom. Wanda só encostou a testa na sua e disse algo enquanto segurava o colar que havia acabado de ganhar. Ela tinha razão, precisava dizer e era melhor que fosse alto do que tarde demais.
“Você é importante”, disse pausadamente para não prejudicar a sua respiração. “Para mim”.
“Como você sabia que eu disse isso?”, ela perguntou.
“Melhor alto que tarde demais”, foi a única coisa que conseguiu dizer antes de puxa-la para mais um beijo.
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