Notas iniciais
Olha o que está saindo do forno! :3 Capítulo novíssimo de Angel of Light recheado de emoção, socorr :v Promessa cumprida e capítulo novinho antes do meu aniversário que é amanhã, 29 de julho!!!!! Como presentão, espero que possam me dizer o que estão achando de Wanda e Stephen juntos e dos rumos que AOL está tomando ♥ (mas sem pressão, claro, vocês sabem que eu não sou dessas autoras que obriga vocês a comentar :v) Ah, tem músicas novas da playlist e vocês sabem que elas estão sendo bem utilizadas por aqui mesmo no texto :3 : — Dog Days Are Over, Florence + The Machine (muito Wanda e Stephen :3); — Come Together, The Beatles; — Jar of Hearts, Christina Perri (que é totalmente Wanda e ela vai se encaixar daqui a alguns capítulos); — Miles Away, Madonna (também está relacionada a eventos futuros da fic :3). Agradecimentos a Bianca Di angelo pelo comentário no capítulo anterior ♥ Apreciem a leitura!

Sabia que Stephen lhe falaria muito depois quando voltasse para casa, mas o que faria era algo que precisava ser feito há tempos mesmo que estivesse arriscando a sua deportação.

Era um passeio de quase trinta minutos de ônibus da Rua Bleecker até a Torre dos Vingadores, em Midtown. Não pensou muito no que falar, só queria deixar claro que não fazia mais parte do mundo deles; talvez deixasse somente um bilhete. Precisava se despedir, deixar ir. Desapegar.

Era cedo, Stark não acordava a essa hora. Como uma cidadã casada com um americano, poderia agir por debaixo dos panos que ninguém desconfiaria. Sabia que não estava fazendo o certo, mas o ímpeto que sentiu quando acordou foi desesperador.

Olhou a paisagem e percebeu que durante todo esse tempo, nunca havia de fato passeado por Nova York, nem quando estava com os Vingadores. Via as casas de tijolinhos tão encantadoras que era difícil não acreditar que Derek e Addison moraram ali em Grey’s Anatomy.

As ruas de Nova York continuavam como se nunca tivesse acontecido nada. Sem a grande batalha, ou Ultron tentando se apossar do mundo ou a Guerra Civil. Parecia que o mundo não queria conhecer esses fatos, não mais. Arrumou o boné na cabeça e colocou os seus óculos escuros tipo aviador que roubou das coisas antigas de Stephen. Tinha vários, ele não daria pela falta de um.

Apertou o casaco contra o corpo e isso era apenas um reflexo do que os outros esperavam que sentisse. O inverno de Nova York era diferente do de Sokovia e o frio, apesar de intenso, era mais brando. A sua parada logo chegaria e ainda não havia imaginado o que falar. Tinha certeza que não assinaria o Acordo.

Quando saltou do ônibus, viu a portaria da Torre quase desocupada. O porteiro, Richard, não era um fã muito grande de Stark e pintava e bordava na ausência dele. Pensou que nunca mais faria uma coisa dessas, mas se ajoelhou no chão e engatinhou até perto da porta. Quando se levantou, viu que estava de costas e usou a sua magia escarlate para ilusionar que não estava lá. Era mais fácil assim.

Estranhou não haver mais tanta segurança por lá, era como se aquilo não fosse mais de Stark. Parecia diferente, estranho.

Entrou no elevador e parecia que ele não via manutenção há bons tempos. Se lembrava em que piso ficavam as acomodações, não seria difícil dizer a ele para sair do seu pé, estava pronta agora que estava mais perto. A porta do elevador abriu e deu de cara com uma sala vazia e móveis sob mantas brancas. Se assustou por reconhecer quem estava tomando conta disso. Não poderia espera menos do seu amigo. Ele ainda era seu amigo depois de tudo? Respirou fundo, contou até três e esperou que a sua voz saísse menos quebrada. Tinha ferido os sentimentos dele quando manipulou a Joia da Mente, mas ele também feriu os seus quando disse que todos só a temeriam mais.

“Eu não pensei que encontraria você aqui, Vis”, disse. “Sempre achei que não sairia do Complexo”.

“Wanda!”, ele largou a prancheta que tinha nas mãos e correu em sua direção. Não esperava isso. “O que faz aqui? Por que voltou? Você pode ser presa! Como chegou aqui?”

“Uma pergunta de cada vez, eu prometo responder a todas elas. Ao que parece, Stark e o governo estão e não estão atrás de mim. Eu voltei para Nova York, mas não posso me demorar aqui”, disse.

“O Sr. Stark ficará feliz em saber que considerou os termos do Acordo. Você voltou para casa, voltou para mim”, ele disse e lhe abraçou. Abraçou de volta, mas não era exatamente isso que pretendia.

“A minha casa é Nova York agora, não o Complexo, Vis. Eu não vou assinar o Acordo. Eu vou fazer o mesmo que Clint fez, viver de acordo com a consequência. Muita coisa mudou nos últimos meses, meu bom amigo”, disse.

“Eu... não entendo. Se não vai voltar, o que faz aqui?”

“Eu precisava me despedir de tudo”, soava falso dizer isso. E era. Haviam outras maneiras de salvar o mundo, poderia fazer o que quisesse a partir delas. “Não diga a ninguém que me viu, eu não me despediria de quem quer que estivesse aqui, só estou fazendo porque vi que era você. Não precisa me procurar ou manter contato, será melhor assim”.

“Eu não esperava que fosse ser assim. Você não me quer na sua vida?”, Visão tocou a sua mão. “Eu sempre acreditei que fossemos ficar juntos no fim, independente do que acontecesse”.

“Tudo mudou, Visão. Eu não sou mais a mesma, você não é mais o mesmo. Tudo foi acentuado no aeroporto”.

“Você não será feliz longe daqui, fique”.

“Eu não vim aqui para me explicar sobre querer ou não ficar, eu vim dizer que não faço mais parte disso”, falou. “Eu preciso ir, logo darão falta de mim”.

“Quem dará falta de você? Eu posso ajuda-la, Wanda, nós podemos ajuda-la”.

Estava realmente ponderando se deveria ou não contar ao Visão sobre Stephen. Parecia algo falado para magoar o outro, não deveria ser assim. Se ele visse os dois na rua seria pior ainda. Precisava tomar uma decisão rápida.

“Eu me casei... há alguns dias. Ele é um cara legal, vocês iriam gostar dele”, disse depois de escolher. Sem anestesia, Derek e Addison disseram uma vez. “Ele não faz ideia de que eu vim aqui”.

“Espero que você realmente saiba o que está fazendo com a sua vida. Nós a protegeríamos”, Visão insistiu.

“Ele também me protege. Me acolheu quando todos se voltaram contra mim, cuidou de mim. Ele não sabe o quanto faz pelos outros, mas isso é o de menos, os outros percebem”.

“Você parece apaixonada por ele”, Visão pontuou.

Ele estava ferido, como coração em pedaços pelo que estava falando e pelo modo como falava de Stephen. Não sabia se estava realmente apaixonada por ele, mas gostava demais do mago e sentia nas emanações dele que era correspondida timidamente. A sua telepatia estava mais acentuada desde que ficou na casa de Victor e Glenda.

“Eu só vim dizer adeus”, disse. “Talvez nos reencontremos um dia, talvez não. Isso não pertence a nenhum de nós dois”.

“Eu sempre vou estar aqui para você, Wanda”, Visão beijou o seu rosto.

“Adeus, meu amigo”, disse. Ele hesitou, mas se virou de costas.

As lágrimas no seu rosto caíam pois sabia o que estava prestes a fazer. Mexeu os seus dedos e a sua névoa escarlate se formou. Percebeu como ela agia na cabeça de Visão através da Joia da Mente. Se poderia mexer com o medo dele, poderia lhe fazer acreditar que nunca esteve ali. Não seria justo, mas seria a lembrança que teria do que fez parte da sua vida. O deixaria com as lembranças felizes deles juntos no Complexo, da amizade dos dois. Ambos feridos, ambos quebrados, ambos prontos para seguir em frente.

[...]

Ah, sim, se lembrou das cenas que viu no orbe sobre a luta deles todos naquele local horrível que guardavam as naves deles. Viu coisas de antes e notou que Wanda conseguia controlar esse ser que não sabia muito bem o que era. Com uma ponta da sua magia, conseguiu apagar completamente dos sensores dele o fato de que ele esteve lá e que se falaram.

Rodrick estava suficientemente forte, logo a trilha de corpos começaria a aparecer verdadeiramente e Wanda os investigaria.

Tinha colocado o seu orbe para observar Daniel Rand, ele seria um bom adversário pelo coração de Wanda. Algo grande aconteceria não muito longe dali e sabia que ela poderia ajudar a iniciativa que ele e os outros estavam destinados a se tornar.

No fim ela ficaria com Stephen, claro, mas seria interessante vê-lo enciumado, experimentando coisas as quais nunca sentiu.

[...]

Tinha notado o vazio na sua cama, mas pensou ser somente por conta da quantidade de suco tinto de uva eu tomaram na noite anterior. Wanda demorou bastante. Não quis abrir os olhos, poderia estar se enganando. Não usaria magia com ela, já bastava que ela sentisse tudo dos outros o tempo todo.

Se levantou, escovou os dentes e calçou uma pantufa azul que Wong havia lhe comprado. O seu amigo havia começado a desbravar o Village e tinha encontrado algumas lojas de 1,99 por lá. Ninguém nunca saberia que o Dr. Strange calçava essas pantufas.

O cheiro de café chegou até as suas narinas quando estava descendo as escadas. Wanda estava sentada no final delas com dois copos de café que reconhecia ser do coffeetruck de Stépfan. Se sentou ao lado dela no degrau e ela lhe entregou o copo como seu nome escrito Stepfen, aquele homem precisava de aulas de inglês urgentes.

Percebeu Wanda calada, fria, como se algo passasse pela cabeça dela que era muito difícil de dizer. Ela quebrou o silêncio quando não conseguiu mais sufocar o choro. O café caiu no chão, ela tremulava. Não sabia o que poderia fazer. Era a primeira crise que a via ter depois do acontecido com Rodrick e o jornal, não sabia muito o que fazer, não tinha se preparado para isso. Estavam tão bem e agora acontecia isso. Era confuso.

Mesmo tendo se casado com ela, mesmo dormindo na mesma cama que ela, ainda não eram íntimos. Fazer sexo não provava tanta intimidade em uma situação assim. Não sabia como ajudar e isso o desesperava pois dali a alguns segundos ela ficaria sem ar.

If I lay here, if I just lay here would you lie with me and just forget the world? Tocou o braço dela com a ponta dos dedos. Wanda não demonstrou muita coisa, só continuou chorando. O ruído era alto, era como se algo tentasse sair dela e não conseguia. Ela se encolheu como uma criança e abraçou os joelhos, deixou que visse a sua face avermelhada e inchada.

I don’t quite know how to say how I feel. Ela deixou que se aproximasse. Ainda hesitante, passou o braço esquerdo pelos ombros dela e a abraçou desajeitado. A cabeça dela desabou no seu ombro e a ouviu chorar com mais vontade. Não poderia imaginar algo que a levasse a ficar desse modo. A visita a Wakanda havia terminado bem, os amigos dela não fizeram nada com eles e a viu conversar muito com Scott Lang para contar o que tinha visto de Cassie. Não conseguia imaginar o que poderia deixa-la tão desesperada.

We’ll do it all, everything, on our own Nesse momento Wanda parecia, de fato, uma criança sofrendo. Se detestou por um momento por pensar que era algum desajuste da idade, mas percebeu que era algo mais profundo quando analisou tudo o que ela passou no último ano. Wanda deve ter tido um catalisador durante esses minutos que ficou fora, alguém que a viu na rua ou alguém que ela mesma viu, não conseguia explicar.

Forget what we told before we get too old. Se perguntou se havia algo para arrependimento dela. Talvez todo o frisson e euforia do casamento já tivesse passado e ela estive remoendo que gostaria de retornar para Wakanda. Talvez ela não precisasse dele desse modo e a estava prendendo, se chorava era porque se sentia sufocada.

Silenciosamente, os dedos dela se entrelaçaram nos seus buscando força, notou isso por causa do suspiro longo que ela deu depois de parar de chorar. Não sabia se era um bom momento para perguntar. Contudo, sabia que em algum momento deveria arriscar algumas palavras com ela.

“Wanda, o que houve? O que deixou você assim?”, perguntou baixo.

Ela não respondeu, estava recuperando a respiração, quando estivesse pronta para falar, ela falaria. Esperou pacientemente alguns segundos.

“Tudo mudou, Stephen, tudo... absolutamente tudo... mudou”, ela falou. O resto não conseguiu entender pois parecia que ela estava falando na sua língua materna.

Isso tudo tinha relação com a saída dela. Não era tolo de imaginar que ela não tinha saído para longe, talvez devesse se preocupar ainda mais com o fato de que ela ainda não tinha permanência no país. Tudo vinha na sua cabeça ao mesmo tempo e nunca tinha tido problemas em cuidar de muitas coisas ao mesmo tempo, mas agora tudo mudou.

Tinha feito o diagnóstico certo com Wanda, de depressão e transtorno pós-traumático. Talvez fosse o momento de ela retomar as medicações, acreditava na ciência nesse momento.

“O que houve? Eu só posso ajudar você se você deixar”, disse. Entendia o que isso significava e como tinha relação com a sua própria jornada até ali. Todo esse cuidado, era somente com ela.

“É hora de esquecer as reminiscências e seguir em frente”, a ouviu dizer. Wanda olhou nos seus olhos. “Obrigada por tudo, Stephen”. Wanda o abraçou, fortemente até. Estranhou isso.

“Você andou lendo o dicionário?”, riu para quebrar o gelo.

“A nossa vida é aqui agora. Você já está me protegendo”, não estava gostado muito do tom dessa conversa. “Você me magoaria?”.

“Por que está perguntando isso?”, estava começando a se sentir desconfortável.

“Apenas me responda, por favor. Sinceramente”, Wanda insistiu.

“Sinceramente? Não intencionalmente, você não”, confessou.

I need your grace to remind me to find my own. A situação lhe parecia semelhante e diferente ao mesmo tempo, se lembrou de como Christine havia saído da sua vida pela primeira vez, de como quis magoá-la, provar que não precisava da sua ajuda. Wanda precisava dele, sabia disso, então poderia magoá-la, precisava mostrar que estavam lá um para o outro.

Just know that these things will never change for us at all. Com Wanda, ajudando a moça e aos Vingadores, sabia que estava se tornando uma pessoa diferente, Wong não cansava de dizer isso. Estava finalmente se tornando o que a Anciã viu nele.

All that I am, all that I ever was is here in your perfect eyes they're all I can see. Olhou no rosto de Wanda e ela parecia menos vermelha e com a respiração mais calma. Os olhos dela agradeciam a sua sinceridade.

“O que aconteceu com você?”, perguntou, insistiu.

“A nossa vida começou agora, Stephen”, sentiu Wanda beijando o seu pescoço. “De verdade, para valer”.

Não perguntaria mais nada, cada metáfora dela se faria ser entendida mais tarde. Só deixou que o momento não se acabasse. Estava frio e ainda não haviam chego no Ano Novo, só começaria a trabalhar no começo do ano que chegaria. A vida deles estava começando para valer, de verdade. Beijou a testa dela e ofereceu o seu café a ela que foi recusado. Gostava quando ela ficava assim, perto. Deixou o seu café no piso e a abraçou com os dois braços.

Algo muito grave tinha desgraçado a cabeça dela e isso desestabilizou o comportamento de Wanda agora. Depois ela começaria a falar, não precisava se preocupar. O tremor nas suas mãos parecia ser o de menos em um momento desses, ela não repararia que estava tremulando mais que o habitual.

Notas finais
Me deixem saber se gostaram ♥