Angel Of Mine
16 E o demônio volta.
Notas iniciais
Ahn... e estava trabalhando em uma outra fic, se vcs quiserem olhar ela está aqui: http://fanfiction.nyah.com.br/historia/113756/Im_So_Sick :)
Era exatamente meia-noite. O pai de Katharine tinha ficado no escritório até tarde, pois tinha muito trabalho para terminar, deixando Soraya e seu filho sozinhos na grande casa. Talvez fosse um erro, ou não. Hoje era o dia do acerto de contas, ou talvez do pagamento delas. Soraya fez uma escolha que não poderia refazer. Não tinha volta. Uma vez que sua alma fosse vendida a Lúcifer, você não a teria de volta.
Ela ainda se lembrava do dia que o fez. A cena estava gravada em sua mente, pois a mesma sabia que a sua hora estava chegando.
Naquele mesmo dia, um ano atrás, ela tinha invocado um demônio pedido o homem que quisesse em troca.
- Para quê você me chamou aqui? – perguntou o demônio.
Seus olhos eram totalmente negros, Soraya não podia saber se ele estava ou não a olhando. Aqueles olhos eram impenetráveis, não demonstravam nada, não sentiam nada. Mas afinal foi para isso que ele foi criado. Para não sentir nada, para fazer os outros sentirem.
- Eu quero ter um homem. Casar-me.
Sua vida tinha sido mais do que trágica. Com 35 anos não era casada, morava de aluguel, sua família tinha morrido pela idade, e num momento desespero quando perdeu o emprego, sua última esperança foi um rápido culto satânico. Ela achou que aquilo realmente funcionaria, mas por tempo determinado.
- Com quem?
- Ainda não sei.
- Quando você o encontrar, o terá. – disse ele. – Mas você sabe que tem um preço a pagar, não é?
- Sim.
- Sua alma pertence ao inferno agora. Só falta uma coisa para selar nosso pequeno pacto. – O demônio chegou mais perto de Soraya, e pressionou seus lábios com uma força sobre-humana. – Você tem 12 meses. Os aproveite.
E o demônio se foi.
Uns dias depois, Soraya encontrou com o pai de Katharine e na sua primeira investida ela já se rendeu a ela a pedindo em casamento e os dois se mudaram para Boston junto com Katharine. Soraya logo achou incomodo a presença da menina, que tinha praticamente toda a atenção do pai, e começou a torturar a vida dela enquanto o pai dela estava viajando.
Enquanto Soraya remoia mais uma vez a desgraçada de sua vida, mas que naquele dia, há 12 meses, parecia tão convidativa, o demônio estava no quarto, a observando. Ele podia ver que ela estava apenas relembrando do dia que os dois tiveram um singelo encontro. Para ele, era delicioso ver a sua vítima encolhida de medo enquanto ele chamava os cães do inferno e assistia eles acabarem com a pobre pessoa.
- Já acabou de relembrar do nosso encontro, pequena Soraya?
Ela se sobressaltou com a voz conhecida que estava em sua cabeça há semanas, e que agora falava com ela, ali, ao vivo e a cores.
- Eu... Eu...
- Cala a porra da sua boca e vamos acabar logo com isso, ok? – naquele instante, ela podia ouvir batidas fortes na porta e latidos furiosos de cães que estavam tentando romper a barreira que os separava da vítima.
O homem não tirou os olhos da mulher, a fitou sentindo o medo dela e se alimentando dele. Logo os cães irromperam da porta, e foram correndo para Soraya que jazia encolhida no chão, mordendo-a com os dentes afiados, rasgando-a com as cortantes garras. Soraya gritava de dor, mas quem e importava? Ninguém.
Então com seu ultimo suspiro, ela foi embora. Sua alma foi encaminhada direto para as profundezas da terra. O inferno.
No dia seguinte, no quarto de Alex, o dia amanheceu mais do que lindo para o garoto, que observava Katharine dormir serenamente na cama. Victória graças a Deus, tinha deixado o casal em paz. Pelo menos o suficiente. Alguns dias, ela vinha até o apartamento, repetir novamente a Alex o risco que as crianças podem representar.
- Bom dia. – disse ele, quando a garota já estava abrindo os olhos.
- Bom dia. – respondeu ela se espreguiçando.
- O que vai querer para o café?
- O que você fizer está ótimo para mim. Eu só quero ficar mais uns instantes na cama antes de levantar.
Alex se levantou e foi até a cozinha preparar a comida para Katharine, quando se deparou com Victória recostada no balcão da cozinha com uma expressão furiosa no rosto.
- Você sabia que a madrasta de Katharine foi assassinada ontem à noite?
- Não. Como iria saber?
- Está passando em todos os jornais. Foi um assassinato brutal! Mais brutal do que qualquer humano poderia imaginar. Quem o fez era uma pessoa fria, sem compaixão. Tem idéia de quem poderia ser?
Um silêncio mortal reinou sobre eles. Claro que ele sabia. Alex já havia se encontrado com ele. Uma vez. Fora ele que violara o corpo de sua amada. Seu ódio alimentava o prazer de matar aquele infeliz.
- Você acha que Katharine sabia se a madrasta tinha alguma ligação com o satã? – perguntou Victória.
- Acho que não. Soraya era um monstro com Katharine, você acha que ela simplesmente chegaria para ela e revelar uma coisa dessas?!
- Eu sei, mas ela poderia saber.
Neste momento, Katharine estava na porta da cozinha, meio sonolenta ainda.
- Ah... Bom dia, Victória. – saudou. – Houve alguma coisa?
- Soraya foi brutalmente assassinada ontem à noite. – disse Alex.
Por um momento Katharine pensou aliviada ou até agradecendo a pessoa que havia feito aquilo, porém, olhou melhor para Victória e Alex. Aquela não era exatamente para ser uma notícia boa, na verdade, eles pareciam muito preocupados.
- E tem alguma coisa de errado com isso? Quero dizer, no assassinato dela.
- Você sabe se ela tinha algum acordo, com, hum... O satã?
- Satã? – repetiu Katharine meio confusa, como se não tivesse escutado direito.
- Sim. Com o diabo, sabe?
- Para falar a verdade, não. Mas um dia eu a ouvi atrás da porta falando com outro dono sobre o prazo de alguma coisa. E ela disse alguma coisa do tipo, nos fizemos um acordo, vocês todos são uns desgraçados. E ele disse que não aumentaria o prazo.
- Acho que você deve visitar o seu pai. E ficar lá. – disse Vitória.
- Por quê? Eu não estaria muito mais segura com o Alex. – para falar a verdade, ela não se sentia mais nenhum pouco a vontade com o pai.
- Acredite, estará segura, porém, você tem que fazer companhia ao seu pai. Deve estar triste. Alexander vai te vigiar todas as noites não vão deixar nada acontecer.
- Ahn, ok.
- Você a leva, ok Alexander? Tenho que voltar. Não estou com a mínima vontade de perder as asas. Adeus para vocês.
Eles ficaram calados até ouvirem um baque da porta se fechando. Alex podia ver que voltar para a casa do seu pai, não era exatamente o que ela queria. Ele havia tentado tirar Alex dela, havia trocado ela pela Soraya, havia trocado sua mãe por Soraya.
- Eu sei que você não quer ir, mas o melhor seria o que Victória propôs.
- Então nos vamos agora?
- Acho que sim. Vai se arrumar que eu vou fazer um rápido café da manhã.
Os dois tomaram rapidamente o café, e depois desceram para pegar um ônibus até a casa de Katharine. Se Katharine não estivesse grávida, talvez eles pudessem ir a pé, mas era melhor não.
Chegando lá, Katharine bateu meio receosa na porta. Logo seu pai atendeu, ele não estava chorando, mas podia se perceber que ele mergulhava em um estado de profunda tristeza. Seus olhos estavam fundos, os ombros caídos, o cabelo bagunçado, e transmitia uma aura de total depressão.
- Oi filha! – saudou um pouco mais alegre ao ver a filha, e a abraçou.
- Oi pai. O que aconteceu?
- Acho melhor vocês entrarem.
O casal entrou e se sentou no sofá, enquanto o pai de Katharine ia a cozinha pegar alguma coisa para beber. Logo ele voltou com uma bandeja com três copos contendo algum tipo de suco.
- Você não sabe a alegria que eu sinto te vendo aqui, Kath. Por um momento achei que ia ter que viver sozinho até morrer. – a alegria dele agora já estava mais do que evidente. Poderíamos até dizer que percebemos um leve sorriso no canto dos lábios.
- Nunca lhe deixaria sozinho. Mas o que exatamente aconteceu?
- Alguém entrou e matou Soraya. Eu tinha ficado até tarde no escritório, e quando voltei era mais ou menos uma hora da madrugada. Andei pelo corredor que levava ao nosso quarto, e vi a porta com sinais de arrombamento. Mas não foi arrombada por uma pessoa. Parecia que uma besta tinha tentado entrar no nosso quarto. E quando eu entrei no quarto, o carpete já estava com algumas gotas de sangue, e então achei Soraya. Foi horrível. Ela parecia que tinha sido mastigada, dava para ver seu coração que não mais batia, seus ossos, seus rosto totalmente deformado sem os olhos, olhei mais adiante e os vi. Foi horrível. Mas quem quer que tenha feito isso, não entrou pela porta da frente. Os policiais acham que ela o deixou entrar.
Katharine ainda estava entre ficar com pena, ou achar bom o que aconteceu. Mas pela expressão do pai, ela achou que não deveria ser uma coisa para achar graça.
- Sinto muito, Sr. Rodrigues.
- Obrigado. E me desculpe por tê-lo tratado daquele jeito no hospital. Mas vamos mudar de assunto, como está indo o bebê?
O que se seguiu foi uma conversa entusiasmada sobre a saúde dos pequenos bebês que Katharine carregava consigo, fazendo planos para os dois, mas seria realmente tão fácil assim?
Fale com o autor