Angel Being Pampered [Hiato]
32 Uma Pista e Um Despertar
Notas iniciais
Já era meio-dia e eles não tinham dado nenhum avanço significativo. Desde as sete da manhã Kanda e Lenalee fuçaram em toda a segunda residência procurando qualquer coisa: sinal de Innocences, Matéria Negra, passagens secretas, câmeras suspeitas ou algo que ligasse o lugar a Ordem.
Quando pararam pra comer alguma coisa escondidos das vistas de qualquer empregado, a frustração era palpável. Os finders que estavam no futuro com eles fizeram um bom trabalho: simulando um vazamento de gás conseguiram esvaziar a casa por várias horas sem atrair suspeitas, mas sem dúvidas a residência principal seria mais complicada.
O lugar fazia a mansão de Tamaki parecer modesta. Mais do que o tipo de lugar que aparece nas revistas, a residência principal da família Suou não faria feio se fosse utilizada como cenário para um filme, uma vez que a propriedade era absolutamente suntuosa. Em meio a um devaneio, Lenalee se perguntou o que Renge bolaria caso entrasse ali.
Eles entraram disfarçados de uma equipe de dedetização. Aparentemente essa era uma medida que eles vinham bolando assim que o nível de Akumas nas mansões ficou evidente – era engraçado imaginar os funcionários da Ordem contrabandeando ratos para dentro da casa, mas no fundo eles se conformavam porque ambos cresceram assistindo a Divisão de Ciências extrapolar os níveis conhecidos de absurdo quase que diariamente.
Curiosamente não havia câmeras nem nenhuma outra medida de segurança aparente; ou eles se julgavam acima de qualquer risco ou tinham métodos mais pesados para conter intrusos. Lenalee percorria os corredores torcendo silenciosamente para que a primeira opção se provasse a certa, pois nos últimos dias ela quase não dormia por conta dos pesadelos cheios de memórias de sua infância. Se a família de Tamaki tinha algo relacionado com os monstros que governavam a Ordem, ela precisava descobrir.
...
No colégio, todos estavam em choque. As comemorações de Valentine’s Day corriam perfeitamente bem, com risos, chocolates, bilhetinhos e inesperados pedidos de namoro dos garotos corajosos o suficiente para pagar a entrada. Os garçons faziam um trabalho excelente, carregando em suas bandejas pilhas em forma de pirâmide com taças delicadas de dois tipo de bebida: a rosa para quem desejava amor e a vermelha para quem desejava paixão. Ambas tinham sabor morango, por exigência de Hani-sempai.
Curioso, alguns professores se arriscaram a dar um volta e se divertir com a frivolidade de seus alunos. Graças a vários acordos com outros clubes, era possível ser erguido pelo time de futebol americano para fazer sua declaração de amor, pedir para violinistas e pianistas do clube de música tocarem alguma canção de amor especial e ter aulas com o clube de culinária para criarem seus próprios doces (com o “auxílio” de grandes confeiteiros trazidos de Paris).
Provavelmente, era a maior e mais grandiosa comemoração que o Host Club já promovera; mesmo se considerassem todos os dias temáticos. Todos estavam alegres e se divertindo.
Tudo isso, até Allen desmaiar.
De início as meninas pensaram que fosse uma manobra dramática, mas os hosts sabiam que não; por mais teatral que pudesse ser, aquilo não fazia o estilo dele. Rodeado por rostos ansiosos, o jovem parecia estar num sono regado a pesadelos, sua face mais pálida que o normal se contorcia em caretas de agonia, o suor empapava seu corpo. Tentaram chama-lo, dar tapinhas no rosto, jogar água (o que deixou as clientes chocadas) e recusaram uma ideia de revive-lo por um beijo (o que deixou os garotos aliviados, pois eles tinham certeza de que as meninas iriam querer ver um beijo gay).
Os minutos se arrastaram e ele não dava grandes sinais de vida. Decidido, Mori-sempai o levou até a enfermaria nos braços, o que causou uma pequena comoção entra as meninas.
...
O quarto do Diretor, assim como o de sua mãe, foram revistados até não poderem mais. Sótão, porão, garagens... nenhum dos lugares mais suspeitos revelou algo de útil. Os finders cuidadosamente colocavam documentos e fotos em seus devidos lugares, arrumando gavetas, armários e cômodas reviradas. Lenalee tentava ser cuidadosa com as coisas dos outros, mas o mesmo definitivamente não podia ser dito a respeito do outro exorcista na missão.
Com o cenho franzido, Kanda encarava a planta da mansão principal. Algo claramente estava errado. Ela constava três andares e mais um subterrâneo para os carros, mas as análises das fundações da casa revelavam que provavelmente havia algo mais abaixo. Lugares estratégicos como o escritório eram ocupados por aparentes quartos de hóspede sem valor – os cômodos tinham tamanhos diferentes do indicado. O lugar era antigo e quase não havia passado por reformas.
Ali havia alguma coisa, eles só não conseguiam encontra-la; frustrado, ele socou a parede e observou em silêncio seu punho enquanto o sangue escorria. Olhou para o estrago feito e se deu conta de que a parede do “escritório”, diferente do que os testes feitos por eles instantes antes mostravam, era oca.
Chocados, eles encararam o buraco para entender o que existia do outro lado – ele parecia um tipo de túnel, com iluminação fraca e sinistra. Começou uma verdadeira busca: enquanto um finder vedava o buraco, todos os outros mexiam móveis, procuravam falhas no piso encarpetado, puxavam objetos de decoração... tudo. Se aquela passagem secreta tinha uma entrada, eles iriam encontra-la naquele mesmo dia, pois as chances de esvaziar por completo aquela residência enorme novamente eram mínimas.
Tamanha era a concentração que nenhum deles sequer percebeu quando um gato preto se esgueirou pelos corredores, em direção a um quarto no fim do corredor.
...
A maioria das alunas se recusava a voltar para casa, embora as horas passassem e o Sol começasse a se por. Allen continuava adormecido e a enfermaria tinha dado o veredito: ele precisava ser internado. Quando chamavam uma ambulância (naturalmente um helicóptero, pois seria um absurdo fazer um ilustre aluno da turma A ficar preso no trânsito doente), ele estremeceu uma última vez e abriu os olhos.
Todos se precipitaram ao seu encontro. Tamaki, os gêmeos e Hani-sempai choravam. Mori-sempai parecia contente e Kyouya levemente aliviado. Haruhi se sentou na beirada da cama, com um luminoso sorriso no rosto.
–Bem vindo de volta Allen.
–Sim – concordou ele com um ar cansado – finalmente estou de volta.
Os outros pareciam confusos, mas comemoraram do mesmo jeito.
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