Notas iniciais
Oi gente! Sei que devem estar querendo me fuzilar, mas tenho dois bons motivos para a demora:
1- vai começar uma fase mais tensa e essa cap era importante; mas não conseguia inspiração pra ele.
2- num dia particularmente feliz, comecei a escrever uma fic, original (sim, direto desta cabecinha perturbada) e ela teve um retorno ótimo, com poucos caps tenho mais leitores que aqui e vários reviews com elogios e carinho; não tenho a menor pretensão de abandonar vocês, mas entendam que é claro que minha mente anda trabalhando em cima dela e não vem inspiração pra escrever ABP.
A propósito, se tiverem interesse, chama-se Undertaker.
Enfim, boa leitura gente!!

A mansão ocupada pelos exorcistas estava irreconhecível; embora os jardins permanecessem bem cuidados e o lugar aparentasse estar tranquilo, uma vez dentro e qualquer um se sentiria num quartel general em meio a uma guerra.

A principal sala de jantar do lugar, antes um elegante cômodo com uma comprida mesa, vários lustres e obras de arte, agora estava apinhada de gráficos de diferentes tipos, todos complexos e envolvendo a relação de feridos, akumas, gastos com danos a patrimônio alheio em batalhas, etc; todos os quadros foram removidos e as esculturas serviam de apoio para as ferramentas dos finders.

A mesa estava repleta de papéis, mas nenhum chamava tanta atenção quanto o gigantesco mapa que representava a área, com marcações em forma de círculos de diferentes cores. Cada uma correspondia a um nível e formava assim um quadro geral das aparições das monstruosas máquinas por ali. Laranja pra nível um, Verde para dois, Roxo para três e Vermelho para quatro, esta última até agora inexistente – para o alívio geral de todos.

Discussões por motivos banais como quem iria reabastecer os mantimentos da casa ou quem velaria o sono de um ferido se tornavam comuns no cotidiano de todos e sempre acabavam em atos violentos e desnecessários; a situação estressante estava levando todos ao limite e muitos que começaram a missão como camaradas mal se olhavam nos olhos e com isso os exorcistas passaram a temer secretamente traições.

Não estava fácil para os membros da Ordem, pois logo após a aparição da misteriosa Innocence – que não voltou a se manifestar, diga-se de passagem – o número de acidentes inexplicáveis envolvendo mortes e o número de akumas na região subiu radicalmente, chegando ao ponto em que Allen, Kanda e Lenalee enfrentavam quase vinte deles cada um, todos as noites.

Mandar reforços, pelo menos por hora, era algo completamente inviável: a comunicação entre um tempo e outro era bem complicada e vivia sofrendo interrupções, por isso só podiam fazer um relatório da situação e falar o menos possível; e principalmente o gasto de energia que eles tinham cada vez que contatavam um ao outro era absurdo para ambos os lados. Apenas quando um indício de que o Conde estava por lá, ou que a Innocence fora de fato encontrada faria com que o Inspetor liberasse a ida de outras pessoas ao futuro.

Komui, assim como muitos outros, passava as noites em claro e às vezes aos prantos, só de imaginar o que os companheiros estavam passando.

As inúmeras buscas não indicaram nenhum sinal da Ordem Negra ou de Innocences e outros exorcistas no século XXI, o que os deixava cada vez mais desanimados e à mercê; por mais que se sentissem tentados, não poderiam abandonar a jornada dupla, pois ficou claro depois de estudos e análises que a maioria dos servos do Conde se concentrava em casas de famílias abastadas, gozando de maior proteção nelas. O que na prática queria dizer as residências de seus colegas do Ouran.

Reunião após reunião, as notícias nunca melhoram e isso somado a condição física cada vez mais precária e as saudades de seu próprio tempo deteriora todos lentamente...

...

-Algum problema Allen-kun? – perguntaram suas clientes pela milésima vez, durante um especial tropical.

-Não minhas caras, mas agradeço pela preocupação. – respondeu ele, com seu costumeiro sorrisinho doce que derrete a mais fria das colegiais.

-Mas não andou muito bem de saúde ultimamente não é? – lembrou uma delas.

-De fato, nem tudo é perfeito, embora eu confesse que seja um alento poder passar horas tão agradáveis em meio a estes dias atribulados. – vários gritinhos se seguiram a declaração e elas deixaram o assunto de lado.

Mas ele reconhecia que não conseguia mais ser o mesmo; passava as aulas aéreo e novamente precisou tomar cuidado para não tirar notas vermelhas; no clube só conseguia dar sorrisos, dizer algumas frases bonitas ou implicar com Tamaki e os gêmeos e na mansão se sentia solitário, com saudades de treinar com Marie, comer as coisas que Jerry preparava, jogar xadrez com Johnny ou vadiar pela Divisão de Ciências com Lavi.

O diálogo com Lenalee e Kanda estava cada vez mais escasso e tenso – na verdade, sentiu ambos se afastarem dele drasticamente depois de se ferir gravemente no abdômen numa luta e ficar uns dias parados. Talvez estivessem duvidando de sua capacidade, ele não saberia dizer.

Suspirando, ele tocou a manga do quimono com uma estampa exageradamente colorida, mas que mesmo assim não causava desconforto aos olhos; obra da mãe dos gêmeos, sem dúvidas.

Sentia-se cansado. Cansado e triste.

...

Lenalee cutucava as bordas do livro que lia, exausta demais para se concentrar nas palavras que ele continha; não fazia ideia de onde seus dois companheiros tiravam energia para continuar com suas atividades extracurriculares e também se irritava em ficar tempo a mais na escola ao invés de gasta-lo descansando em casa. Pensava seriamente em começar a ir embora no horário habitual e mandar a limusine para busca-los depois.

Pelo menos era quinta-feira, a semana estava terminando e de sábado apenas Kanda vinha para as atividades de seu clube.

Os dois entraram no veículo quietos e assim permaneceram o caminho todo – nada de brigas infantis, comentários felizes dela ou paradas em cafeterias para Allen abastecer sua carência eterna de doces. Por mais que lhe doesse pensar nisso, ela tinha lá suas dúvidas de que continuaria sendo tão próxima de ambos quando voltassem pra casa.

Uma vez de banho tomado, músculos parcialmente relaxados e estômagos cheios, embora para o albino essa sempre seja uma tarefa difícil, eles se reuniram na “sala de reuniões”, vulgo antiga sala de jantar principal. Sem perder tempo, pois sabia que logo as brigas por temas ridículos começariam, o mais novo se adiantou:

-O Clube vai fazer uma viagem a Okinawa nesse final de semana, pretendem ir amanhã logo depois do colégio e voltar domingo de noite.

-Você vai? – perguntou a menina, colocando mais frieza na voz do que pretendia e fazendo o amigo recuar. Ela sentiu um golpe silencioso com isso.

-Eu disse – começou ele – que teria de checar se estava em condições de ir sem afetar em nada a minha saúde frágil; então acho que antes de mais nada devemos discutir essa questão, pois devo mandar a resposta por e-mail ainda hoje.

“Saúde frágil.... ele fala de suas mentiras com tamanha facilidade.” Pensou o samurai, para logo em seguida se dar conta de como seus pensamentos estavam venosos e resolver focar mais no dilema apresentado por Allen.

Um desfalque, ainda mais entre os exorcistas, seria extremamente prejudicial para todos; mas o fato era que eles tinham que fazer constantes varreduras nas casas dos membros do clube, seus amigos próximos e principais clientes, pois akumas surgiam nelas o tempo todo – o que tornam grandes as chances de o compatível estar nesse grupo e perigoso deixar o núcleo dele, os hosts, irem para longe desprotegidos.

E o mais importante: como foi debatido ferozmente a semana toda, os finders haviam acumulado ferimentos demais e não davam tempo para as drogas de Komui fazerem efeito e os exorcistas varavam as noites lutando para logo em seguida irem pro colégio... boa parte ali era a favor de uma pausa nesse final de semana em questão.

A discussão foi feia, mas no final a decisão foi unânime: Allen iria, os outros descansariam e monitorariam a área. Se algo de grave acontecesse ali, eles se viravam a dois – mas se algo de grave acontecesse em Okinawa, o menino estaria por conta própria e não teria nem um talismã finder para lhe ajudar. O fato é que a maioria dos membros da missão apostava suas fichas em algum dos hosts e achavam essa viagem uma chance perfeita de coloca-lo sob pressão suficiente para faze-lo se revelar.

Mesmo que isso acarrete em eles estarem errados e Allen ser atacado por um número muito grande, morrendo em combate completamente sozinho.

Depois de mandar e-mails para Kyoya (o organizador), Haruhi (a única companhia sensata que teria lá) e Hani-sempai (o anfitrião), ele arrumou suas coisas desanimado e foi checar a casa do vice-presidente do Kanda, no Clube de Kendô. Foi uma batalha horrível e eles só voltaram depois das quatro da manhã com hematomas e algumas escoriações.

...

Hoje as atividades do Host Clube estavam suspensas devido à viagem; as clientes estavam chateadas a semana toda – notem que Allen só contou sobre a viagem um dia antes – mas no dia estavam misteriosamente animadas. Não que uma certa promessa de Kyoya sobre fazer um especial de fotos dos hosts em Okinawa tivesse algo a ver com isso e a prancheta que ele segurava também não continha os nomes de quem reservou um exemplar e pagou adiantado. De modo algum, era apenas uma viagem inocente entre amigos.

Lenalee estava aflita, mas passava despercebida entre as outras garotas que dramatizavam a situação ao máximo; pelo menos aos olhos da maioria, inclusive do próprio Allen. Ela sabia que no fundo ele estava sendo lançado naquela situação por conta de um comentário infeliz de seu irmão na última vez em que contataram o QG:

É provável que vocês estejam lidando com algo poderoso ao nível do coração, então toda cautela é pouca.

As palavras de Komui causaram uma ânsia em todos, sobretudo nos finders, levando-os a tomarem decisões inconsequentes como aquela, desejosos de voltarem para seu tempo com a mais forte das Innocences e colocarem um fim à guerra.

Depois que o amigo partiu, ela se sentou na limusine esperando Kanda e, mesmo magoada com Allen, chorou em silêncio e rezou por sua segurança nos dias em que passaria fora. Logo ela, que sempre dizia que Deus havia abandonado a todos, se importando unicamente com seus amigos.

...

A viagem foi tumultuada, pois ele foi no mesmo carro que Haruhi, Tamaki e Kyoya; não queria nem pensar na zona que estava o outro, pois pelo menos ali a menina não queria participar de brincadeira alguma e o Rei dos Demônios lançavam olhares cortantes pra qualquer barulho, restando Tamaki cantando músicas japonesas de uns quarenta anos atrás ou choramingando que queria ir brincar com os demais no outro carro.

Chegaram à casa de veraneio – ou melhor dizendo, mansão a beira da praia – dos Haninozuka e se espreguiçaram com vontade, alongando os músculos; mesmo o exorcista tendo feito-os pararem cinco vezes para comer, eles ainda passaram muito tempo sentados e foram até a ilha de Okinawa numa balsa particular dos Suou.

-Acho que esqueci de contar, mas o Chika-chan também trouxe alguns amigos! – disse Hani-sempai, segurando seu coelhinho que usava uns óculos escuros por estarem na praia, embora o pequeno mesmo estivesse sem proteção.

-Ele tem algum amigo além do irmão do Mori-sempai? – perguntou Haruhi impressionada, como sempre sendo rude sem ter a intenção.

-Pelo que sei, eles vão fazer um trabalho! – respondeu o outro, não movendo um dedo pra defender o caçula.

Enquanto todos faziam comentários sobre as diferenças de Hani-sempai e Chika, antes que o último aparecesse e os mandasse calar a boca, Allen atendeu seu celular:

-Allen? – a voz da amiga parecia estranha, meio rouca.

-Oi Lenalee? – ele tentou transmitir animação.

-Já chegaram? – mas ela realmente parecia preocupada.

-Acabamos de chegar, estamos entrando... já ia ligar pra vocês. – explicou ele, sentindo-se culpado.

-Tudo bem, só queria saber se não tem nenhum problema aí. – o alívio dela era perceptível.

-Está tudo ok, qualquer coisa ligo. – garantiu ele.

-Ok... então tchau. E cuidado. – sua voz ficou séria; ele riu.

-Tchau. – disse e desligou.

Só então se deu conta de que as crianças já haviam se juntado a eles; e quando colocou os olhos nelas agradeceu mentalmente já ter desligo, ou a amiga notaria que tem algo errado.

Bem errado.

Notas finais
Viram como é importante? Eles estão cada vez mais separados e vão se ferrar consideravelmente por conta disso. Tinha ter cuidado pra não ficar forçado.
Acreditem, o que ele viu agora é realmente sério! Dessa vez juro que vou tentar postar novamente mais rápido, mas é que a fic nova realmente está sendo bacana de desenvolver.
Aliás, aconteceu um fato engraçado: descobri que estou entre os melhores leitores da semana! Como mando review em tudo (TUDO) que leio, deu preguiça de ver quem me favoritou, foram 4 só essa semana! Fiquei realmente feliz.
Quem quiser me mandar sua fic e não for de bandas, Crepúsculo ou animes que desconheço, sinta-se a vontade!
Beijos gente! (*--*)//