Angel Being Pampered [Hiato]
34 No Arquivo Dos Suou
Notas iniciais
Haruhi precisava falar com Allen. Agora que o garoto tinha controlado o Noah dentro de si era de vital importância que ela descobrisse o quanto ele sabia; Tamaki-sempai e os outros chamavam para si toda a atenção naquelas prolongadas despedidas do evento de Valentine’s Day, o que lhe dava muita margem para investigar. Dispensou uma ou outra fã mais fervorosa com toda a educação e calma que conseguiu reunir antes de seguir em frente.
Seguindo-o a uma distância segura, ela assistiu impotente enquanto ele era atacado por Akumas Nível 3; era coincidência demais que aquilo acontecesse logo quando ele acabava de recobrar o domínio sobre seu corpo, estava travado e desorientado, andando no colégio em plena luz do dia com um número considerável de estudantes na propriedade.
Alguém tinha previsto aquilo ou estava observando-o para o Conde.
Road jamais faria tal coisa; pelo que sabia sua afeição pelo exorcista era forte e, se ela pudesse evitar, não o colocaria em perigo eminente. Se houvesse outro Noah por perto ela saberia – portanto ou eram Akumas infiltrados ou os odiosos humanos que ajudavam o Conde a mergulhar o mundo em trevas. O primeiro já teria sido detectado pelos exorcistas e o segundo era uma possibilidade preocupante, pois há mais de meio século isso não acontecia.
Onde afinal de contas estavam Yuu Kanda e Lenalee Lee?
Sua linha de pensamento foi interrompida por uma enorme e inesperada chama; torcendo para que mais nenhum estudante reparasse pois civis ali seria um problema, ela forçou a vista irritada pelo clarão de luz e o calor até o cenário da luta enquanto se xingava por não ter chego mais perto.
Os Akumas haviam sumido e em seu lugar uma figura solitária fitava Allen atentamente; era impossível para ela não reconhecer aquela pessoa, mesmo nunca tendo falado com ela em toda a sua vida. Cabelo ruivo e bagunçado, estatura alta, tapa-olho, Innocence em forma de martelo. Contrariando todas as expectativas, ele estava aqui.
“Lavi”, o Bookmen que mudou tudo.
...
O lugar não era amplo e nem muito bem iluminado. A “dedetização” estava prevista para acabar em menos de uma hora, então eles realmente não tinham muito o que pudessem fazer por ali com o pouco tempo. A sala era cheia de caixas com arquivos, o que dificultava tudo: se fossem computadores, os Finders ainda poderiam tentar roubar quantidades enormes de informação em questão de minutos.
Na verdade era impossível estimar o tamanho do lugar, um labirinto feito de caixas ou armários com pastas vazando para fora ocupava o lugar – Lenalee se perguntava exatamente quanto de conhecimento estava ali, seriam informações de desde a criação da Ordem? Pela quantidade de coisas, não era impossível, ela achava o arquivo da Divisão de Ciências enorme e desorganizado, mas aquilo devia estava em um nível muito além, sob ambos os aspectos.
Justamente por essa razão eles dividiram entre si comunicadores e rastreadores para que todos se encontrassem na porta em quinze minutos. Focada, ela começou a andar por entre os estreitos “corredores” formados pelas pilhas, sem saber ao certo o que procurar; ela andava com cuidado, pois o menor movimento errado poderia soterra-la em pilhas de papéis.
Em pouco tempo, ficou claro que quanto mais avançava, mais novas as coisas pareciam: as folhas ficavam menos amareladas e as caixas se tornavam mais inteiras. Quando mencionou o fato no comunicador, recebeu impressões similares dos outros. Em um raro momento de brilhantismo, Kanda jogou a luz uma questão importante:
–O que precisamos está no final, qualquer coisa antes disso pode até mesmo ser anterior ao nosso tempo. – ninguém discordou, e eles acertaram que tirariam fotos de qualquer informação recente que conseguissem.
Dito isso, mesmo com medo de se machucar, ela apertou o passo; quando finalmente encontrou uma parede, o volume de pilhas era menor, os armários estavam arrumados e o conteúdo das pastas estava intacto, sem traças ou folhas amareladas.
O combinado era mandar um sinal quando isso ocorresse, então a exorcista rapidamente avisou o resto da equipe enquanto pegava a diminuta câmera, do tamanho de uma caneta, que haviam lhe dado; por mais que se interessasse ela ainda era estranha a tecnologia do século XXI, por isso se manteve calma para não cometer erros.
Agachando em frente ao armário que claramente era o mais recente, pois não tinha nem manchas de ferrugem, ela abriu a primeira gaveta, tirou uma pasta e começou a fotografa-la.
Não podia fazer algo com pressa, pois mais valia uma dúzia de fotos de qualidade do que cinquenta meio borradas; ela mal absorvia o conteúdo do que registrava, parando ocasionalmente quando surgia um selo conhecido, ou um nome lhe saltava aos olhos – haviam fotografias também, e até estas elas copiava.
Quando faltavam pouco mais de dois minutos, ela terminava uma pasta apreensiva; havia reconhecido vários nomes e ao chegar à última folha teve que se segurar para tirar uma foto decente, pois agora ela tinha certeza de que havia achado algo relevante.
Muito mais que relevante.
Com o coração disparado, ela guardou a pasta com todo o cuidado, apagando quaisquer sinais de que havia estado ali; Kanda já reclamava da demora dos demais no comunicador, então ela se virou e saiu o mais rápido que conseguia.
Talvez por conta de seu nervosismo, os corredores pareciam mais apertados e confusos; mesmo como rastreador ela se perdeu ali dentro, completamente atordoada entre tantos papéis, caixas e armários. Kanda a encontrou e, ao olhar para sua expressão por um segundo, entendeu o que se passava – sem reclamar ou dizer qualquer palavra, a guiou pacientemente pelo braço.
No fim das contas tudo deu certo; a residência foi devolvida para seus donos intacta e sem nenhum rato – durante todo o caminho de volta o silêncio imperava, cada membro da missão ansioso para compartilhar o que havia descoberto e temeroso de tratar do assunto antes de estarem em completa segurança.
Quando chegaram, num acordo silencioso resolveram compartilhar suas descobertas antes que “Allen” voltasse e sem perder tempo Lenalee assumiu o controle:
–Eu... descobri onde a Hev e as outras Innocences estão! – disse ela, sentindo um peso sair de seus ombros tensos; todos se sobressaltaram.
–Onde? – perguntou Kanda, o único que conseguia se manter realmente calmo.
–Na França... sob a guarda da mãe de Tamaki Suou.
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