Angel Battle!
1 A pegadinha do destino
_Boa viagem, Tom!
_Já não preciso nem informar, nê?
_Claro, que não amigo. Nos conhecemos a 7 anos e todo mundo da escola sabe que você e sua família vão a fazenda de seus avós para o natal uma semana antes das ferias.
Venedit era meu amigo desde que eu me entendo por gente ele sabia meu cronograma e o que eu ia falar. Venedit dizia que eu era previsível, mas eu sempre tive uma única preocupação. Viver o momento a qualquer custo. Sem pensar no que viria depois. Mas, minhas frases eram repetitivas.
_Tem certeza que não quer ir, Venedit?
_Você sabe que eu queria, mas minas mãe não deixou, como sempre.
_Então, o que posso fazer, ne?
_Desculpa!
_Ah tudo bem, às vezes eu também sinto que lá é chato
...
_Ta pronto Tom _ O som berrante da minha mãe se destacava no berreiro da muntuaçao para a viagem.
_Quase... _*zíper da mala se fechando com facilidade*
...
_O que você ta levando aqui? _Meu pai perguntou assustado enquanto colocou a mala no fundo do carro
_Nada, quase nada na verdade!
_Eu sei, parece que não tem nada!
A mala da minha mãe era a próxima e meu pai tento pegar com a mesma facilidade. Mas, o que eu não carregava, minha mãe carregava de sobra. Eram duas pesadíssimas malas.
...
O uso excessivo dos parênteses, e por que eu não me lembro de muita coisa daquele dia, a ultima coisa que lembro vinha a seguir.
Estávamos todos muito felizes e descontraídos sem preocupações como eu gostava, mas em um momento de silencio decidi colocar a cabeça no vidro e fazer uma raridade, pensar no seguinte.
Como qualquer adolescente de 15 anos eu deveria ter um sonho. Um sonho possível ou impossível. Mas, eu só me preocupava em viver o momento sem temer as consequências. Mas, o destino simplesmente me resolveu pregar uma peça nos próximos minutos.
A luz daquele ônibus que vinha no sentido contrario da pista mantinha-se forte na neblina. Era madrugada, pois, meu pai Wallace preferia viajar de noite.
O inesperado aconteceu. A poucos metros do carro o ônibus jogou pra pista da contra-mao e acertou o carro de lado com toda força. Meu irmão Tony morreu na hora eu pude ver seus olhos assustados na janela se apagando. O ônibus simplesmente tombou na pista e nosso carro que foi empurrado pro lado, desceu o despenhadeiro.
Rolou, ate chegar a um ponto plano, mas de cabeça para baixo eu via o corpo deles jogados no teto do carro que agora era o chão. Eles caíram de pescoço e eu pude perceber pendurado ali de cabeça para baixo que eles estavam desacordados. Eu soltei a fivela do cinto e segurei no teto pra não bater de pescoço no chão.
Os corpos deles estavam quentes então supus. "Estão vivos, preciso ajudá-los".
Sai dos destroços passando pelo vidro quebrado e a porta destruída do meu lado. O despenhadeiro que o carro desceu parecia um pouco menor do que quando rolamos.
...
No topo do despenhadeiro o garoto disse
_Eles estão vivos mamãe, liga pra ambulância _A mãe obedeceu e puxou com pressa seu celular da bolsa.
Ela e os filhos saíram ilesos do ônibus, ela berrou
_Algum medico, tem algum medico ai. E de trás do ônibus apareceu uma mulher ruiva de olhos verdes e veio as pressas ao invés de cuidar dos feridos do ônibus.
Minha mão estava suja de sangue e sujeira de terra. Passei-a na testa que latejava, e lá estava como eu previ minha morte. Ela já estava agora coberta de sangue que gotejava.
A mulher me segurou antes que eu caísse sem forças no asfalto.
_Vai tudo ficar bem!
_Minha família...
_Eles vão ficar bem! Todos vão!
Meus olhos passaram a apagar junto com os latejos da minha testa e tudo parecia piscar.
_Não precisa chamar a ambulância, ela já esta chegando. _ Outro homem disse a mulher perto do ônibus que tentava bater os simples números do SAMU, mas, seus dedos não paravam de tremer.
_Não... _Eu sabia que não ia terminar como eu queria.
Pensei, vai tudo ficar bem mesmo, pois, a ambulância vinha apitando na estrada ao longe. Íamos ficar vivos. Mas, o destino decidiu acabar com toda aquela brincadeira. E tudo se apagou.
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