Angel
1 Onsehot
Notas iniciais

Emilie Agreste sempre fora bem conhecida em Paris, eu era no final das contas, a esposa de um dos mais renomados estilistas do mundo da moda, não que eu dependesse financeiramente do meu marido ou não tivesse sequer um emprego.
Posso contar mais sobre o meu desaparecimento e como ocasionou no surgimento do maior vilão de Paris Hawk Moth em sua busca pelos miraculous da criação e da destruição. Todavia, antes, eu quero que me conheçam.
Não a Emilie de que tanto Gabriel e Adrien falam. Não! Aquela Emilie, não passa de uma personagem de ficção, por isso comecei já mencionando que possuo uma carreira que tanto tem a ver com essa história.
Eu sou uma atriz, muito boa por sinal, tanto que me graduei apenas pelo diploma, desde que já havia percebido que na minha vida atuar não era uma escolha, e sim uma necessidade, desde sempre precisava manter uma máscara de boa menina, enterrar meus meus pensamentos mais perversos e sombrios dentro da minha mente.
Ninguém jamais entenderia o que se passava na minha mente, meus pais sempre acreditaram que a opção mais viável, que não estragaria o meu futuro, seria me entupir de medicamentos, para conseguirem algum controle sobre mim, nunca fui para eles mais do que um símbolo.
“Aja como uma boa menina, não faça besteira”
Com o passar do tempo foi ficando cada vez mais fácil, minha aparência física e traços delicados ajudavam bastante a passar a imagem, cabelos loiros como o sol, olhos verdes, brilhantes como esmeraldas...Porque a verdade é que ninguém resiste a uma imagem daquele tipo, uma representação feminina de beleza e bondade encarnadas.
Mas as pessoas nunca são o que parecem ser, porque assim como existem dois lados de uma história, também existem dois lados de cada pessoa. Um que a mesma decide revelar ao mundo e o outro, que prefere manter escondido.
As vezes eu me enchia para caramba de carregar aquela máscara por tanto tempo, estava considerando jogar tudo para o alto, até que eu conheci Gabriel Agreste. O Conheci por intermédio de uma amiga que tínhamos em comum: Audrey Bourgeois. Na época Audrey estava ajudando Gabriel a iniciar sua carreira no mundo da moda e precisavam de uma modelo para a primeira coleção, que combinado com o talento expresso nas peças e no meu próprio desempenho, foi um estrondo de sucesso que alavancou a carreira dele no mundo da moda.
Na primeira vez que vi Gabriel, já me ocorreu um clique, sabia que havia mais naquela figura de autoridade fria do que aparentava ser e foi exatamente tal curiosidade que me instigou a me aproximar dele...Descobri um homem gentil e carinhoso por trás daquela máscara de indiferença e frieza, mas também sabia o que ele queria de mim.
Uma boa esposa, aquele anjo estampado com um sorriso brilhante e gentil na televisão e nas fotografias, aquela que nunca fazia nada de errado...Mas por Gabriel Agreste, eu estava disposta a tentar
Tive minha parcela de culpa, a questão é que fiquei inicialmente louca por ele porque ele despertava em mim coisas que eu nem sabiam que existiam como: humor, leveza e relaxamento. Até conhecê-lo eu nunca me senti como uma pessoa de verdade, sempre era uma modelo a ser mostrada, precisava ser brilhante, bonita, criativa, gentil, atenciosa e etc.
Mas quando eu estava com Gabriel, sentia aquele fardo aliviar bastante, ainda precisava fingir mas não mais me manter alerta o tempo todo, conseguia relaxar e me permitir aproveitar o momento.
Me casei com ele e me tornei de fato Emilie Agreste, eu julgava estar apaixonada pelo meu marido, por isso me esforcei ao máximo para me manter sendo o anjo que ele havia se apaixonado e se casado...Voltei a tomar aqueles remédios que desciam rasgando pela minha garganta, dessa vez com o tratamento mais eficiente que o dinheiro poderia pagar, escondido dele, é claro.
Na opinião do psiquiatra eu estava até melhorando, os incidentes, como as brigas em que eu imaginava como seria colocar minhas mãos delicadas em volta do pescoço dele e sufocá-lo até que soubesse quem estava com a razão: Eu.
O que nunca aconteceu de fato, nossas brigas podiam me deixar com os nervos à flor da pele mas ainda era incapaz de machucá-lo….Tais incidentes foram diminuindo cada vez mais, até desaparecerem e entramos em um período que gosto de chamar de auge da nossa felicidade conjugal.
Provavelmente fui mais feliz naquele período- fingindo ser outra pessoa- do que jamais fui antes ou depois. Foi o período que eu estrelei meus melhores projetos cinematográficos, viajando entre vários países diferente e que Gabriel criou as melhores coleções de sua carreira, o garantindo prestígio mundial, o que pareceu não ser suficiente para ele, já que começou a me encher o saco trazendo a ideia de termos um filho.
Nunca fui do tipo maternal que gostaria de ficar presa em casa cuidando das crias, ser responsável por uma vida que não seja a minha, a ideia em si me apavorava completamente...Eu não sentia a menor vontade de ficar presa a Páris por causa de uma criança, estava mais para um pássaro livre que gostaria de viver, independente e sem preocupações.
Mais especificamente um pavão, ilusório, orgulhoso, e cheio de graça.
Sentia que apesar dos meus esforços, Gabriel estava começando a enxergar esse lado meu e estava arranjando ter um filho como uma desculpa para me prender a ele...Tal perspectiva me deixava em um breve e contido pânico, porque depois de manter uma máscara por tanto tempo, esconder toda a loucura que habita na sua mente, qualquer coisa é motivo para desconfiança de ser descoberta.
Minha Paranóia atingiu níveis estratosféricos quando percebi que a minha menstruação estava atrasada, todo despertar de manhã estava sendo seguido por uma corrida até o banheiro para vomitar...Não tomei nenhum momento para me desesperar antes da hora, sai para comprar o teste na primeira farmácia que encontrei e quando cheguei em casa fiz o teste.
Positivo
Aquilo não poderia estar acontecendo, pensei surpresa, como eu havia deixado aquilo acontecer? Eu sempre tive minha vida toda planejada antecipadamente nos mínimos detalhes, listas e mais listas ( As quais Gabriel adorava debochar), me sentia atônita ao ver que pela primeira vez alguma coisa havia escapado do meu controle.
Então lembrei que eu não era uma mulher desprevenida, sempre mantia meus comprimidos anticoncepcionais em dia junto com os que foram prescritos pelo psiquiatra. Algo não estava certo! Assim que peguei o meu frasco de anticoncepcionais percebi que haviam sido trocados por pílulas de remédio para dor de cabeça comum.
Foi quando eu percebi que havia me deixado relaxar demais, que havia baixado completamente a minha guarda, dado uma brecha para Gabriel me enganar. Naquela noite o esperei na cozinha, usando do meu hobbie preferido para tentar espairecer: Afiar facas.
Não sei se eram por causa dos hormônios da gravidez, mas meus instintos assassinos voltaram com força total e foi a primeira vez que eu deixei cair minha máscara completamente em anos de casamento.
Foi quando eu percebi que de fato Gabriel Agreste não me amava, não amava a mim mesma..Eu estava fingindo, como muitas vezes fazia, fingindo ter uma personalidade. Não consigo evitar, foi o que eu sempre fiz, assim como Audrey troca de estilo regularmente, eu troco de personalidade.
“Anjo? O que você está fazendo?”, Gabriel me questionara com os olhos demonstrando medo, usando o apelido carinhoso que normalmente não me atingia mas que naquele momento havia feito meu sangue ferver.
Ainda amava Gabriel Agreste, amava o quão leve, ele conseguia me fazer sentir. Todavia, perante aquele olhar de medo diante de um vislumbre da minha verdadeira face, aquela pequena faísca de ódio se originou no meu peito.
Adrien
Um pequeno vislumbre de algo novo me atingiu quando meu filho veio ao mundo, eu não sabia o que era aquele sentimento, então eu o temi e temi aquele maldito bebê por estar me fazendo sentir isso.
Havia parado de tomar a medicação durante a gravidez porque mesmo não querendo aquele bebê, não achei que seria justo arriscar a saúde dele assim, no final das contas ele não tinha culpa de nada.
Estava longe de pensar no meu juízo perfeito quando peguei meu filho recém nascido no berçário, minha mente estava dando voltas e voltas, me fazendo pensar a cada segundo que aquela criança seria um fardo na minha vida, que eu não o queria em primeira lugar, Gabriel não havia me deixado abortar, então eu teria que dar o meu próprio jeito naquele empecilho.
Enchi a banheira com água gelada e aproximei o Adrien cada vez mais da água, que começou a chorar a plenos pulmões...E foi só quando eu o ergui prestes a joga-lo em uma banheira cheia para morrer afogado, que eu percebi o quanto meu filho era parecido comigo.
O Mesmo cabelo loiro, os mesmos olhos verdes esmeralda, me encaravam em pânico como soubesse o que eu estava prestes a fazer...Eu não tive forças para fazer aquilo, puxei o bebê para o meu peito, tentando acalmá-lo do susto.
“EMILIE!” ouvi a voz de Gabriel apavorada quando viu o que eu cheguei tão perto de fazer. Além disso, me olhava chocado, como se não acreditasse no que havia acabado de ver.
“Eu sinto muito” chorava descontroladamente depois que Gabriel havia arrancado Adrien de mim, com medo da possibilidade de eu ainda machuca-lo.
O Médico havia diagnosticado o incidente como uma consequência de uma Depressão Pós Parto profunda mas eu sabia que ia bem mais além disso, aqueles pensamentos sombrios da minha mente haviam tomado o controle e quase me fizeram matar a sangue frio um bebê inocente, o meu próprio filho.
Não estava mais aguentando a pessoa dentro de mim, virei todos os espelhos ao contrário...Pensaria até em acabar com a minha vida miserável se eu não tivesse acabado de ter um filho que precisava de uma mãe equilibrada e sadia mentalmente. Apenas por essa razão eu decidi continuar.
E consegui mais um papel para interpretar, a mãe amorosa e afetuosa de Adrien. Devo dizer que essa era com certeza a personalidade mais agradável afinal meu filho era um garoto tão adorável e gentil, ele parecia mesmo ter puxado a minha personalidade Emilie Agreste, tão gentil e angelical quanto.
Percebi que se o meu estado psiquiátrico me permitisse sentir amor, o único que eu amaria seria Adrien e mais ninguém...Gabriel, eu apenas aturava mesmo e não me daria ao luxo de pedir o divórcio porque seria admitir uma vitória dele...Não mesmo! Ele teria que me aguentar mais um pouco.
Acredito que Gabriel tenha percebido o quão irritada e rancorosa eu estava para com ele, porque organizou uma viagem de família ao Tibete, com certeza planejava se afastar do trabalho e se aproximar de mim novamente.
Mas eu não planejava deixar as coisas fáceis para ele, não mesmo. Durante aquela viagem precisava terminar porque eu já estava farta, não era real, não era eu e todo aquele teatrinho de anos já estava insustentável.
O Odiei por ficar surpreso, o odiei por não saber que aquilo tinha que terminar, por realmente acreditar que havia se casado e tido um filho com o meu disfarce, com aquele mulher gentil e bondosa, que ele chamava de anjo.
Aquilo tinha de parar, nesses anos criando o filho que eu inicialmente não queria e que havia tentado matar afogado quando ainda recém nascido, acabou me fazendo perceber que havia de fato uma Emilie real aqui dentro e que ela era muito melhor, mais interessante e desafiadora do que O Anjo Emilie Agreste.
Estava começando a perceber que ceder aos meus impulsos mais sombrios me mostrava quem eu realmente era por trás de tanta atuação e personalidades diferentes e forjadas, que eu realmente poderia me deixar levar pela loucura e não perder o controle de mim mesma, e sim ganhar controle sobre os outros que estão ao meu redor.
Mas mesmo assim, Gabriel havia preferido Anjo Emilie Agreste. Conseguem imaginar revelar seu verdadeiro eu para o seu conjûge, a quem deveria ser sua alma gêmea, pai do seu filho e ele não gostar de você?
Foi o que me fez sair do nosso hotel no Tibet correndo sem rumo depois da decepção, um caminho que eu não planejava fazer inicialmente mas ultimamente as melhores coisas sempre são inesperadas mesmo.
Acabei encontrando três objetos incríveis a venda por um colecionador de artigos dos Tibet, obviamente me custaram uma fortuna, mas como o dinheiro era do Gabriel mesmo, não estava ligando para o preço.
Um livro antigo escrito em uma língua indecifrável, mas cujas gravuras em si já eram bastante reveladoras, imagens de super heróis que me chamaram a atenção imediatamente.
Um broche com uma pedra roxa no centro e o que pareciam ser asas de borboletas roxas nos cantos.
Outro broche que simulava o visual de um pavão, foi o item que mais me agradou dos três, e foi o motivo de eu ter parado naquela loja em primeiro lugar, eu sempre admirei muitos os pavões e agora me encontrava em posse de uma joia exótica com o visual daquela ave.
Eu nunca fui muito uma mulher de acreditar em forças do destino ou nessas baboseiras, sempre fui bastante cética quanto a crendices e superstições, mas o pressentimento que me dominou quando vi aquela joia, não possuía uma explicação lógica, prendi o broche na minha roupa e me lembro que tomei um susto quando eu vi uma criaturinha azul surgir literalmente do nada na minha frente.
“Olá minha nova portadora” me cumprimentou a criaturinha dando piruetas no ar animada e excitada e eu apenas peguei meu celular e disquei um número apavorada.
“Olá doutor, sim desculpe pela ligação intencional mas eu acho que eu estou vendo coisas” disse ainda encarando atônita aquela criatura na minha frente”È uma coisinha flutuante que parece um mini pavão que exagerou no energético”
“Ei!” reclamou a coisinha cruzando os braços zangada” A Coisinha Flutuante tem nome e é Duusu”
“Disse que o nome dela é Duusu” informei ao médico que apenas bufou em exasperação do outro lado da linha “Está bem aguardo seu retorno”
“Ei você não está louca loira” disse Duusu tocando minha bochecha com a patinha “Eu sou um Kwami e você está em posse de um miraculous”
Demorou até que Duusu conseguisse me explicar tudo relacionado a heróis, miraculous e Kwamis, mas eu finalmente entendi tudo e não conseguia acreditar na minha sorte de ter conseguido tão raras e poderosas relíquias, ou eu estava apenas alucinando por causa da medicação mesmo.
De qualquer forma, valia a pena tentar.
“Como faço para me transformar?”- perguntei animada.
“-È só dizer: Spread my feathers”- respondeu Duusu naquele tom de voz animado e característico dela.
“Duusu spread my feathers”- murmurei enquanto via como a kwami era sugada para dentro do broche.
A Sensação da minha primeira transformação em Le Paon foi alucinante, eu me senti tão eu mesma pela primeira em anos, o irônico era quando eu estava usando a máscara da heroína do pavão foi a única vez em que me sentia não usando nenhuma das minhas máscaras habituais.
Eu não era mais a esposa de Gabriel Agreste, não era mais aquele anjo bondade encarnada, não era mais a mãe de Adrien Agreste.
Eu era apenas a Le Paon, o que por si só, já era libertador afinal havia me tornado o pássaro livre, ilusório, orgulhoso e cheio de graça que eu tanto desejava ser. O Poder do miraculuos do pavão também não era nada mal, poderia criar praticamente o que eu quisesse a partir de sentimentos, coisas estas chamadas de sentimonstros.
Usava os meus próprios sentimentos para dar vida aos meus pensamentos mais distorcidos e obscuros.
Chegou ao ponto de eu criar um senti monstro do Gabriel Agreste morto em uma poça de sangue aos meus pés. Depois que voltamos a Paris, e eu descobri o segredinho sujo do meu marido.
Lembro-me que estava voltando a querer encontrar um jeito de fazer a minha dinâmica com Gabriel voltar a funcionar, estava disposta a voltar a fingir ser outra pessoa outra vez, mais pelo Adrien do que pelo Gabriel.
Quando eu os vi, Gabriel e sua secretária Nathalie .
Percebi que agora tinha um novo papel, o qual não escolhera ter: Agora eu era A Esposa Traída e Idiota. Percebi também o quanto bancar o anjo,a garota boazinha havia me prejudicado mesmo, e aquela traição havia sido a gota d’ água.
Não engoliria ser trocada assim sem mais nem menos, por uma questão de orgulho, quão previsível seria se eu engolisse? E Gabriel acabaria mais feliz do que nunca...Não! Não podia permitir que ele fizesse isso comigo e ainda vencesse, caramba! Não!
Eu havia interpretado mil e um papéis por causa dele, mudado o meu sobrenome para Agreste? Sido modelo de graça das peças que ele criou, meu desempenho contribuiu e muito para que ele ganhasse prestígio no mundo da moda, para ele me trocar pela secretária? Não, ele não vai vencer…
Estava na hora de me livrar de ser Emilie Agreste, mas de uma maneira que ele não saísse limpo...Então estava começando a pensar em uma história diferente, comecei me inspirando por um dos meus livros preferidos de literatura: O Conde de Monte Cristo, para criar uma circunstância que dê Gabriel Agreste o papel que eu quero que ele interprete.
Afinal por que apenas eu precisava atuar nesse casamento? Estava na hora dele ter um gostinho do que é isso, de preferência miserável e afundado na culpa.
Apostaria tudo que ele ainda me amava apesar de ter um amante, pela maneira que me olhava, ainda amava aquele que chamava de Anjo e eu usaria esse amor para tirar qualquer chance que ele pudesse ser de ser feliz com a secretariazinha.
Sempre achei que poderia cometer o assassinato perfeito, as pessoas que são pegas é só porque são descuidadas e impacientes, não tomam o tempo necessário para planejar e paciência era o que eu tinha de sobra.
Fiz uma lista extensa do que eu faria no grande dia, passo a passo, e sorri ironicamente ao lembrar do tanto que Gabriel debochava das minhas listas intermináveis. Mas quem venceu aqui? Eu venci porque a lista de planejamento do dia do meu desaparecimento era rigorosa e meticulosa.
Gabriel merecia sofrer, pois destruiu e rejeitou meu verdadeiro eu, pedacinho por pedacinho, desprezou minha inteligência, meu orgulho e minha autoestima. Eu dei bastante e não recebi o suficiente em troca, apenas me trocou pela secretária, matando minha alma, algo que deveria ser um crime, na minha opinião.
E o castigo já estava a caminho
Fiz meu papel de Esposa Traída Idiota direitinho, agindo como se nada estivesse errado, na verdade até me aproximei bastante de Gabriel agindo como a boa esposa amorosa e dedicada que ele esperava que eu fosse.
“Aqui seu presente de aniversário de casamento”- disse com um sorriso brilhante enquanto entregava nas mãos dele, o livro dos Miraculous e o próprio Miraculous da Borboleta...Não, eu não estava doida, sabia exatamente o que estava fazendo.
“Emilie! Eu não sei o que dizer”
“Então não diga” respondo com um sorrisinho gentil “ Vou ajudar o Adrien a separar uma roupa para o desfile aqui amanhã”
“Gabriel” digo me virando antes de sair pela porta “Desculpe por ser tão difícil assim, não consigo evitar”
“Do que você está falando?” me questionou aparentemente confuso
“Os remédios no armário do banheiro, não são vitaminas, são…” Simulo um soluço sôfrego e começo a chorar, fingindo não ser capaz de terminar de falar.
Gabriel toma sua deixa e assim como eu havia previsto, pega o meu frasco de comprimidos do banheiro para verificar.
“Oh Emilie! Por que não me contou?”
“Estava com medo” deixo a minha voz rouca o suficiente para simular arrependimento “ Medo de que você me deixasse porque eu sou louca, medo de que no meu primeiro surto saísse correndo. Você não merece uma mulher desequlibrada como esposa”
“Não fale assim Emilie!” ele me puxou para si me abraçando apertado e afundando o rosto nos meus cabelos “ Não vou desistir de você assim tão fácil anjo, vamos superar isso”
Precisei me concentrar bastante para simular tremer entre os braços dele, para parecer tão frágil quanto cristal, como se fosse quebrar a qualquer momento. E Funcionou melhor do que eu esperava, Gabriel ficou completamente abalado pelo meu estado e tentou de qualquer forma me consolar.
Naquela mesma noite, fingi estar dormindo enquanto ele falava por telefone com Nathalie , terminando o caso com ela por causa da preocupação para comigo e sorri contra o travesseiro, estava certa, ele ainda me amava.
Agora que eu tinha essa certeza, agora que eu o fizera se apegar a mim novamente. Estava na hora da minha deixa triunfal, em um desfile na mansão Agreste, cuja coleção era completamente inspirada em penas de pássaros exóticos e eu, é claro, vestia a peça principal.
Deixei meu cabelo solto em ondas loiras pelo comprimento azul daquele vestido deslumbrante, um longo Zibeline azul topázio cujas penas verdes simulavam as penas de um pavão, o vestido que eu havia pedido em detalhes para Gabriel fazer, o que deu a ele bastante trabalho mas pelo olhar nos olhos azuis dele ao me ver o trajando, valera completamente a pena.
“Você está deslumbrante Anjo!’ retribui o elogio de Gabriel com um sorriso gentil, brilhante e falso.
Estava dando o meu máximo para arrasar naquela performance, afinal seria a desspedida de Emilie Agreste...a Ùnica coisa que me apertava o peito era pensar em Adrien, em como ficaria o meu filho sozinho sem a mãe, por causa dele comecei a considerar perdoar Gabriel por sua traição, ele já havia terminado com o caso com a Nathalie mesmo.
Mas o fato irreversível de que ele havia me traído ainda queimava dentro de mim, além das rejeições que eu sofrera dele...Adrien teria que me perdoar, porque o pai dele precisava aprender uma lição, também considerando o fato de que tinha muito medo de em um dos meus surtos de loucura acabar machucando-o, ainda mais agora que havia parado de tomar os remédios definitivamente.
Porque eu estava cansada de fingir, cansada de ser reprimida, cansada de ficar me controlando, estava na hora de spread my feathers.
Transformada em Le Paon, usei o poder do miraculous do pavão para criar um senti monstro, a cópia mais perfeita jamais criada, uma cópia minha perfeita exceto por um detalhe: Em coma definitivo, respirando mas apenas isso.
Foi quando a minha pequena dose de teatralidade entrou em ação, peguei todos os meus comprimidos, sumindo com alguns para simular uma overdose. Usei uma seringa para extrair meu sangue e derramar sobre o vestido exuberante do sentimonstro, cortando o pulso dela também para simular automutilação.
Para isso precisei sangrar muito, extrai o suficiente até quase ficar tonta, havia demorado semanas estudando sobre a circulação sanguínea humana para saber o que fazer naquele momento, mas pelo menos quando Gabriel mandasse analisar o sangue, não teria dúvidas de que era meu.
Como o toque final, estava o motivo do meu suposto suicídio, coloquei as fotos que havia revelado de Gabriel e Nathalie em seu pequeno casinho nas mãos do sentimonstro e apreciei minha obra de arte.
Deveria sentir pena de ver a mim mesma deitada em uma poça de sangue e comprimidos antipsicóticos, sentir pena de ver aquele azul topázio do vestido manchado com o meu próprio sangue, parecia literalmente um anjo conhecendo a morte...Mas eu só consegui me sentir vitoriosa e vingada.
Gabriel Agreste sempre pensara em mim como um anjo, agora eu seria o anjo mórbido que o assombrar pelo resto da vida, ele sentiria tanta culpa que não deixaria de pensar em como me ter de volta a cada momento.
E eram aí que entravam os presentes que havia dado para ele antes de morrer, depois de Duusu me explicar sobre o poder absoluto dado pela fusão de dois miraculous, eu apenas queria ver até onde Gabriel seria capaz de ir para ter seu anjo de volta...Não era garantido que ele viesse a fazer tal coisa, mas eu havia plantado a possibilidade propositalmente, esperava que a culpa e o amor que ainda sentia, fosse motivação o suficiente para percorrer tal caminho.
Se eu não fosse deixar suspeitas, precisaria abdicar do meu miraculous, mas não iria fazê-lo tão facilmente. Aquele miraculous era meu e de mais ninguém, precisava garantir uma forma de que o infeliz que tentasse usa-lo novamente, se desse muito mal. E havia conseguido encontrar tal solução no livro, antes de entrega-lo a Gabriel, vi que cada miraculuos tinha um ponto fraco e que não era a prova de falhas.
Então eu o quebrei propositalmente para que ninguém mais tivesse oportunidade de ser tão poderosa quanto eu era quando Le Paon, prendi a jóia no vestido do sentimonstro terminando de fechar minha última ponta solta,
Tranquei o quarto para que ninguém encontrasse o corpo tão cedo e para que desse a impressão de que eu não queria ser interrompida, precisava me despedir do meu filho primeiro...Andei até a cama de Adrien que já estava dormindo, acariciei seus fios loiros carinhosamente e beijei a testa dele como gesto de despedida, o cobri com o cobertor antes de sair sorrateiramente escapar da mansão.
Assim que me encontrei sozinha novamente, tirei um martelo da mochila e respirei fundo, era parte da segunda parte do meu plano...Usei aquele martelo para me dar hematomas roxos por todo o corpo, até mesmo no rosto que seria o lugar mais antigido quando se leva uma surra.
Assim que estava pronta, corri até a casa da minha melhor amiga Audrey e implorei para que ela me levasse junto para sua próxima viagem á Nova York, o que é claro, ela não negou depois de ver o meu estado e acreditar sem sombras de dúvidas que Gabriel havia me agredido e ela nem havia estranhado minha atitude de deixar meu filho sozinho com o meu susposto agressor, também considerando o quanto Audrey é negligente com a própria filha.
Passei meses incríveis em Nova York, não só nos Estados Unidos, como viajando para diversos países diferentes do mundo, me sentindo finalmente livre, relaxada e solta no mundo como um pássaro exuberante deveria ser.
Mas ás vezes parava para questionar tudo o que havia feito, o quão radical eu havia sido em me vingar do meu marido? Eu, que deveria amá-lo incondicionalmente, apesar de todas as suas burrada? Apesar de sua traição?
E Gabriel? Deveria me amar apesar dos meus caprichos e da loucura incrustada em cada canto da minha mente? Meu quadro psiquiátrico havia dado uma guinada, eu havia passado de alguns surtos psicóticos para uma sociopata em potencial.
Ninguém haveria de entender como a minha mente funcionava, eu mesma mau a entendia, as vezes não conseguia me controlar e fazia coisas terríveis comigo mesmo e com aqueles ao meu redor.... Simplesmente não conseguia parar, depois de me afastar da minha família, sentia como se a minha humanidade estivesse acabando pouco a pouco.
Estava me tornando um ser frio e desprovido de sentimentos, a única coisa que me impedia de me jogar totalmente naquele abismo era ver as fotos do meu filho na internet, pensar nele e em como ele estaria, o que fazia um aperto indescritível no meu peito.
Adrien, era o único fio que me ligava a a sanidade.
Precisava dar um jeito nisso, precisava cortar minhas ligações emocionais para mergulhar de vez na deliciosa insanidade que reverbera pela minha mente. A Graça de como minha mente funciona, ideias novas vão surgindo e os meus planos vão mudando, se tornando cada vez mais friamente calculados e sem erros.
Listas e mais Listas de planejamento e nunca estou satisfeita, a minha fome interna pelo caos aumentando a cada segundo, voltaria para Paris sim, mas dessa vez seria para derramar sangue.
Porque se eu sou um anjo, sou um anjo mórbido.
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