AngeL love II
2 Minha família é esquisita!
Notas iniciais
– ...Um Incubus. — As feições de Ryoshi mudaram, estreitando os olhos e tirando de dentro da mochila uma adaga, assustando Makoto. — Não deixarei que seduza outros !
O menor fechou os olhos com força e se encolheu, havia sido descoberto, era o fim...
No momento em que iria ser acertado pela adaga, um gato preto com asas de morcego saiu da mochila e mordeu a mão do agressor.
– AIII! MALDITO, QUE BRUXARIA É ESSA?!
Makoto não perdeu tempo, levantou-se e saiu correndo com a mochila em mãos, adentrando na floresta e logo desaparecia da vista de Ryoshi, assim como aquele gato que se desfazia como fumaça.
Só parava de correr quando passara pela barreira, dentro do campo de proteção, apoiava as mãos nos joelhos, cansado e ofegante. Sentiu o pequeno gato preto alado pousar sobre seu ombro e relaxou, voltando a ficar com o tronco ereto e abria um sorriso, afagando a cabeça do animal.
– Que bom, você conseguiu fugir também, Zefir...
O gatinho miava e lambia a bochecha do Incubus, que ria.
– Isso faz cócegas! — Reclamou, mas riu com aquela pequena demonstração de afeto. Logo percebeu que estava sendo observado, quem estava na porta era seu pai, um jovem alto de cabelos negros, olhos azuis e pele pálida, usava um uniforme colegial preto e parecia estar cozinhando algo, pois estava usando avental.
– O jantar está pronto, venha comer...
– Haii, Otoo-san! — Se acostumara a falar naquela língua, pois seu pai era japonês, apesar do sobrenome chinês. Corria até o maior e sorria com os olhos fechados enquanto seu pai afagava-lhe os cabelos roxos.
– Como foi seu primeiro dia na escola?
– Ahn...Bem, eu acho...- Tentou desviar-se do assunto, não queria contar que logo no primeiro dia tinha sido descoberto.
– Fico feliz, mas lembre-se do que sua mãe falou...Seu corpo está se desenvolvendo rápido e logo atrairá tanto homens quanto mulheres, e até mesmo demônios e anjos...Por isso tome muito cuidado, não serão todos que vão ser gentis...- Dizia e afagava a face do filho, que fechava os olhos e corava muito com tanto carinho e zelo.
– Não se preocupe, Too-san...Eu ficarei bem...
Ambos entraram na mansão e passaram pela cozinha, se dirigindo para a sala de jantar. Havia uma mesa retangular muito grande e extensa, como as dos reis de antigamente, e ela estava preenchida de várias comidas saborosas em louças de porcelana. Os cálices eram de cristal e uma toalha de seda protegia tudo isso por baixo, na mesa estavam reunidos seus irmãos e irmãs, sua mãe e suas tias e tios, seus primos e claro, seu querido pai. Sentou-se confortavelmente em uma das cadeiras e fitou os presentes e juntou as mãos, fechando os olhos.
– Meu amado Deus, obrigado pela comida...
– Não acha que é irônico um demônio agradecer a Deus? — Interrompeu sua mãe, era a Lendária Succubus pois essa foi a alcunha lhe dada por Lúcifer por ter exterminado tantos anjos no Paraíso. Tinha cabelos longos e roxos e olhos vermelhos como sangue, estava sempre usando uma lingerie de cinta-liga roxa, apenas isso. A causa de sua mãe balançava frenéticamente em estado alegre e um dos caninos salientava-se por fora dos lábios.
– ...Acontece que eu sou um meio demônio, too-san é um humano! — Tentou se justificar e terminou a oração, começando a se server do que ia comer.
– Não fale comigo nesse tom, seu Uke! — Pegou uma maçã e ia tacar na cabeça do filho, se não fosse pela mão delicada a lhe segurar o pulso.
– Kurai, não seja tão dura com ele! — Disse a Sacerdotisa de cabelos esverdeados e olhos de igual tom, usava um kimono todo branco e azul.
– Isso mesmo, Kurai-san! Makoto-chan deve ter tido um dia duro...- Apareceu por detrás da Sacerdotisa uma pequena anjinha, com olhos grandes e verdes, cabelos castanhos curtos atrás e grandes na frente, aparentando timidez e pureza.
– Jeny, Ai-chan...Por acaso querem me ensinar como educar meu filho? — Disse para as duas e elas ficaram em silêncio, mas enquanto discutiam, Makoto terminou de comer e levou o prato para a cozinha, lavou a louça e a guardou, indo para o próprio quarto. Tirou as roupas ao chegar lá e via seu gatinho alado dormindo sobre seu travesseiro e sorria. Trocou o uniforme por uma camisa branca folgada e um shorts preto, não se incomodando em ficar descalço.
"Meu nome é Makoto, atualmente tenho dezesseis anos, mas essa é a idade de mentira pois ainda não completei nem seis. Acontece que minha espécie adquire muito cedo intelécto superior e o poder de mudar de idade. Com meu poder só consegui chegar a essa idade, mas sonho em crescer e me tornar um adulto respeitável, não um ser que assusta outras pessoas. Pra falar a verdade, eu odeio ser metade demônio, porque sou muito diferente dos demônios normais, gosto de limpeza, de cozinhar e de cuidar do jardim, não me pareço nada com meus irmãos Maho, Hanyuu e Mikael e apesar de ser o segundo irmão, me sinto como se fosse o mais novo..."
Se deitou na cama de costas e fechou os olhos, com o gatinho ao lado de sua cabeça. Entreabria as pálpebras e colocava o braço na altura da testa.
– ...Ryoshi, como ele sabia quem eu era só de me olhar...? E também...- Lembrou-se do beijo e to toque de sua mão e ruborizou completamente, balançando a face pros lados nervosamente e cobria as bochechas coradas com as mãos.
–..Não posso pensar nisso...Gyuu...
A noite foi chegando rapidamente enquanto o incubus cochilava, acordando ao sentir algo pesado sobre si, abriu os olhos e viu que era sua irmã mais nova.
– HANYUU! — Gritou assustado ao vê-la sobre si só de camisola transparente e corou completamente, fechando os olhos.
– Vá vestir algo decente!
– ...Porque meu irmãozinho está tão alarmado? Somos parentes, e eu sou fêmea...- Dizia ela com voz feminina e doce, passando a mão pelo peito do irmão, que engolia seco.
– Já falei! Nós somos irmãos! Irmãos não fazem esse tipo de coisa! — Se debatia, tentando escapar dos beijos dela.
– Irmãozinho bobo, estamos no século 21, e somos demônios do sexo...- Ela se debruçou sobre ele, encostando os seios fartos em seu rosto.
– Eu ODEIO sexo! — Se debatia mais ainda e rolou pra fora da cama, caindo no chão e saia correndo do quarto com lágrimas no cantinho dos olhos.
– Maninho, volte aqui!
Mas ele não voltou, talvez tivesse sido exagero seu sair da mansão, mas estava com o coração disparado, seu corpo pedia uma coisa, mas sua mente dizia o oposto. Foi andando pra fora da barreira até uma colina e sentou-se em meio a grama comprida, fitando a lua cheia e erguia a mão, como se tentasse alcançá-la, foi então que uma flecha foi disparada e pegou de raspão nas costas da mão do Incubus, que a retraiu rapidamente junto ao peito, gemendo de dor. Ergueu-se para ver quem era, detrás de uma árvore surge Ryoshi com um arco e flechas, arrumando outra flecha para caçá-lo.
– Eu sou um caçador de demônios, e você está na minha lista...
Makoto arregalou os olhos, sem saber o que fazer, estava diante de um caçador de sua espécie agora. O que podia fazer se deixara Zefir em casa?? "Doshi o...?"
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