Notas iniciais
E finalmente "Anexos" é postada. Primeiramente, eu gostaria de agradecer a todos que apoiaram esse projeto, agradecer a minha beta (Chocoo) e também a julisbw_ que fez a capa para essa fanfic.
Eu espero que vocês possam curtir essa fanfic e acompanhar ela até o fim. Agora, sem mais delongas, boa leitura!

OBS: Essa fanfic é narrada em primeira pessoa do singular, o título do capítulo se refere ao personagem que está narrando atualmente, em caso de mudanças, no meio do capítulo haverá uma "quebra" como o nome do próximo narrador.

De: Itachi

Para: Você.

Sasuke, me envia por e-mail a foto da receita médica da mamãe. Estou com tempo livre hoje e poderei ir comprar.

“Alívio”. Seria a palavra ideal para descrever o que senti naquele momento ao ler a mensagem que meu irmão havia me enviado. Eu era o responsável pela empresa da minha família agora, a Sharingan Corporation, e eu estava conseguindo fazer contratos com parceiros internacionais. Somos uma empresa de tecnologia, um ramo bem concorrido, então esse era um momento ótimo para os negócios, porém, isso vem consumindo quase todo meu tempo livre.

Não pensei duas vezes em procurar a receita médica da minha mãe na gaveta da mesa do meu escritório. Recentemente ela havia descoberto o câncer de mama, um câncer benigno, mas que deixou todos da família preocupados com sua saúde; depois de alguns exames feitos o médico pôde receitar os medicamentos que iriam ajudar na sua recuperação, me comprometi em compra-los, no entanto, não conseguir ter disponibilidade.

Peguei a receita e deixei sobre minha mesa, lembrando dos arquivos que pedi para Sakura Haruno entregar-me. Sakura era minha secretária, dona dos cabelos tingidos de rosa e dos olhos verdes e grandes. Confesso que não gostava muito dela, não por ela ser uma má funcionária, muito pelo contrário, apenas não nos dávamos bem, nossas opiniões sempre batiam de frente. Apenas mantinha essa garota como minha secretária porque não tinha motivos para demiti-la, eu tentava ser justo, e pelo currículo exemplar que ela possuía não poderia fazer isso.

— Srta. Haruno, espero que não demore com as planilhas que pedi para a reunião de hoje. — falei para ela e a mesma se manteve séria e sem dizer uma palavra enquanto me fitava. Realmente não nos dávamos bem e, mesmo eu sendo seu chefe, ela me lançava um olhar raivoso. Essa garota realmente não tinha medo de acabar no olho da rua.

Voltei para meu escritório e, com meu celular, tirei a melhor foto que eu podia da receita e passei para o computador com meu cabo USB, precisava resolver aquilo antes de mais uma reunião com fornecedores. Abri meu e-mail e anexei a imagem, eu não precisava escrever muito no assunto já que meu irmão tinha conhecimento do que se tratava. Olhei para o relógio e vi que faltava apenas cinco minutos para a reunião com Jiraya e, como poucos tinham meu e-mail pessoal, minha lista de e-mails gravados era pequena. Talvez fosse burrice da minha parte não perguntar para meu irmão qual o e-mail dele, porém, se eu não tivesse selecionado o correto, alguém da minha família ou meu melhor amigo iriam notar e encaminhar para o endereço certo, o plano era simples.

Enviei para o endereço que parecia ser o certo e recolhi tudo o que seria necessário para a reunião faltando três minutos para esta começar.

“De: sharingan@konoha.com

Para: byakugou@konoha.com

Enviado: Qua, 24 de Março de 2015, 08h31min

Assunto: Receituário da mamãe.

Imagem anexada, chique aqui pra visualizar.”

A reunião demorou quase duas horas completas para terminar. Jiraya era uma pessoa exigente, além de ser um pervertido. Eu reparei quando ele ficou observando minha secretária, olhando fixamente para suas pernas enquanto a mesma preparava as planilhas para serem exibidas no slide. Mesmo eu achando extremamente errado, permaneci calado, eu precisava que ele assinasse o contrato. Por sorte, ela havia notado, e olhou ele de forma tão feia quanto ela costumava olhar pra mim.

Consegui que ele assinasse com a minha empresa e não pude conter o sorriso de canto ao ver ele confirmar o acordo. Apertamos nossas mãos após o contrato ser guardado em um envelope. Não via a hora de chegar em casa e dar as boas novas para minha família.

Sim, eu estava morando com minha família. Quando eu descobri sobre a doença da minha mãe, não pensei duas vezes em colocar meu apartamento à venda e voltar para a casa dos meus pais. Meu irmão não fez isso, já que ele havia se casado e agora sua esposa estava grávida, porém ele sempre nos visitava quando possível.

A rosada se mantinha calada na sala, sentada à mesa de reuniões como eu e Jiraya, fazendo anotações em sua agenda. Ela era sempre calada assim, falava somente o necessário e, quando se tratava de mim, ela era curta e grossa. Mas era em silêncio que a gente discutia um com outro, eu até achava divertido provoca-la sabendo que a mesma nunca iria me atacar diretamente por eu simplesmente ser o chefe.

— Srta. Haruno, acompanhe o Sr. Jiraya até a saída e depois venha à minha sala. — nada ela respondeu, nem sequer tirou os olhos da sua agenda, fingindo que não tinha me escutado. Ignorei. Cedo ou tarde eu teria minha vingança silenciosa. — Novamente, agradeço sua presença Sr. Jiraya, você fez um ótimo negócio.

Peguei o envelope com o contrato e logo retornei para minha sala, deixaria toda a organização nas mãos da minha secretária. Precisava falar com meu irmão para saber se ele já tinha conseguido ter acesso ao e-mail que enviei e saber se ele realmente iria comprar, se não, daria essa função para a Haruno, aliás, já deveria ter feito isso.

De: Você.

Para: Itachi.

“Recebeu meu e-mail com a receita da mamãe?”

De: Itachi.

Para: Você.

“Ainda não!”

Aquilo era estranho, fazia um bom tempo que eu tinha enviado o e-mail, mesmo se eu tivesse enviado para outra pessoa da família já deveria ter tido acesso, éramos unidos. Eu me mantinha na esperança que fosse algum problema no site e que logo chegaria o anexo. Suspirei.

Ouvi duas batidas na porta e não precisei responder, pois a Haruno já estava entrando com uma expressão não tão boa; eu poderia até adivinhar o porquê dela estar tão irritada, sem dúvidas o pervertido do Jiraya tinha jogado para cima dela mais uma de suas cantadas horríveis. Ela se posicionou de frente para minha mesa, aguardando as próximas ordens, sem dizer uma palavra sequer, mas era mais do que visível sua irritação.

— Que bom que você não demorou. — ri de forma anasalada, ela era fácil de irritar e a deixar com raiva era a maior diversão que eu poderia ter com tanta pressão sobre meus ombros, era quase como um alívio. — Primeiramente, eu quero que você entre em contato com todos os nossos sócios informando-os sobre a nossa nova parceria, mostrando a eles todos os prós e os contras, deixe-os por dentro de tudo. Depois, reorganize as planilhas que foram apresentadas hoje, incluindo as ideias dadas por Jiraya, eu quero isso pronto até o fim do expediente de hoje. — eu sabia que aquilo era loucura, seria difícil fazer tudo isso em menos de 24h. Eu poderia estar ficando louco, mas eu conseguia ver seu rosto começando a ficar vermelho de raiva, tive vontade de rir naquele momento.

— Mais alguma coisa, Sr. Uchiha? — me perguntou com voz firme, era quase como um desafio para mim.

— Por enquanto não, Srta. Haruno. Pode se retirar. — sorri de canto, fechando um dos botões do paletó que eu estava usando. Sakura passou a caminhar em direção a saída do escritório. — Ah! Mais uma coisa. Antes de fazer o que eu lhe pedi, me traga um café. — não resisti e pisquei para ela, no entanto ela só virou o rosto e saiu batendo a porta.

Hora de voltar ao trabalho, ainda haviam papéis que deveriam ser lidos com cuidado, nenhuma letra pequena poderia escapar dos meus olhos.

Enquanto eu folheava alguns arquivos, a dona dos cabelos róseos entrou sem bater no meu escritório, deixando uma xícara com café sobre minha mesa.

— Aqui está, Sr. Uchiha, espero que goste. — ela falou suavemente, podia ser visto até mesmo um sorriso delicado em seu rosto. Ou ela foi pedida em casamento a minutos atrás ou algo não estava certo ali. Não respondi nada e apenas observei ela sair dali feliz demais para o meu gosto, entretanto, eu decidi ignorar e voltar ao trabalho, depois eu iria descobrir o que ocorreu quando eu fosse na cafeteria do prédio e as atendentes passassem a fofocar sem se importar com quem estava escutando. Peguei a xícara e tomei um pouco do café, eu precisava me espertar para continuar trabalhando.

Salgado, muito salgado.

Dessa vez eu não precisei ouvir as fofocas das senhoras de idade que trabalhavam na cafeteria do prédio, já havia descoberto o que fez a Haruno ficar tão feliz, aposto que ela daria tudo para ver minha expressão quando eu provei o café salgado que ela me trouxe. Aquilo estava horrível. Peguei a xícara e, juntamente com o café, joguei na lixeira da sala. Aquilo tinha sido um golpe baixo, mas eu iria me vingar pelo café e isso iria ser algo contrário ao que aquele líquido estava. Minha vingança iria ser doce.

Contei até dez devagar e de olhos fechados, tentando me acalmar do jeito que minha mãe costumava fazer e a dona Mikoto Uchiha era muito sábia. No entanto, minha simples meditação foi interrompida com uma notificação de “e-mail recebido” no canto inferior da tela do meu computador, rapidamente eu abri a mesma.

“De: byakugou@konoha.com

Para: sharingan@konoha.com

Enviado: Qua, 24 de Março de 2015, 12h27min

Assunto: Re: Receituário da mamãe.

Oi, quem é? Gostaria de lhe informar que esse e-mail foi enviado por engano e não tenho como enviar para o verdadeiro destinatário. Espero que entenda.

Melhoras, seja para quem for. Mas acredito que, pelo ‘assunto’ que você colocou, seja sua mãe.”

Droga! Não acredito que cometi um equívoco como esse. Enviei um e-mail pessoal para alguém que nem faz parte da minha família e nem do meu grupo de amigos. Acho que aquele foi um momento que percebi que deveria arranjar um tempo e comprar esses remédios.

“De: sharingan@konoha.com

Para: byakugou @konoha.com

Enviado: Qua, 24 de Março de 2015, 12h28min

Assunto: Re: Receituário da mamãe.

Me perdoe pelo equívoco, isso não irá mais se repetir. Agradeço por ter avisado.”

“De: byakugou@konoha.com

Para: sharingan@konoha.com

Enviado: Qua, 24 de Março de 2015, 12h30min

Assunto: Re: Receituário da mamãe.

Não precisa me agradecer, apenas percebi o quão importante isso poderia ser e avisei. Cuidado ao enviar e-mails. Sorte que não caiu em mãos erradas (pelo menos eu julgo que minhas próprias intenções são boas).”

“De: sharingan@konoha.com

Para: byakugou @konoha.com

Enviado: Qua, 24 de Março de 2015, 12h31min

Assunto: Re: Receituário da mamãe.

Obrigado, novamente. Já decidi que eu mesmo irei cuidar disso. Tenha um bom dia!”

Já era o horário de almoço e eu iria aproveitar esse horário para comprar os remédios pra minha mãe e levar até ela. Desliguei o computador e guardei algumas coisas, resgatando a chave do meu carro e a receita logo em seguida.

Passei por minha secretária que riu baixo ao me ver, com certeza lembrando o que tinha feito comigo, mas do jeito que estava sua mesa, provavelmente não iria almoçar naquele dia para conseguir terminar o que eu havia lhe pedido, como eu disse, minha vingança seria doce e, depois do café salgado que recebi, eu não sentia remorsos em ver que ela não teria um momento para descansar. Podem até pensar que sou grosseiro ou idiota e talvez eu possa até ser, mas meu orgulho ninguém iria conseguir derrubar e muito menos meu ego.

Segui para a garagem do prédio e assim que vi meu carro, eu entrei no mesmo. Existia uma farmácia próxima a minha recente casa, então seria uma boa opção para comprar ali, já que aquele local fazia parte do meu trajeto. Eu até poderia não me preocupar com o horário, pois eu sou o chefe, mas eu tenho que ser exemplo para meus funcionários. Por sorte o trânsito estava calmo, diferente do que costumava ser naquele horário da manhã, então não demorou para que eu chegasse na farmácia. Fui direto ao encontro da farmacêutica do local mostrando a receita médica que continham palavras que só aquela mulher poderia identificar. Não tardou para que ela me entregasse o mesmo e para que eu pagasse por eles, saindo com certa pressa daquele estabelecimento.

Dirigi até chegar em frente a uma grande casa branca de dois andares e com um belo jardim na frente, este que era cuidado com todo carinho pela dona Mikoto. A casa dos meus pais.

E lá estava ela, a dona das madeixas pretas que agora estavam curtas, regando suas margaridas que tanto amava, já que as chances de elas sobreviverem naquela região eram poucas. Minha mãe era a pessoa mais querida por mim, ela me fazia sentir especial e único, ela aquecia meu peito com o amor que dava para mim, eu odiaria perde-la e eu sei que ela vai vencer essa batalha que está enfrentando. Estacionei meu carro e saí, seguindo em sua direção enquanto a mesma parecia distraída.

— Adivinha quem veio almoçar com a senhora?! — sorri para ela assim que esta percebeu minha presença ali.

— Infelizmente não é o Brad Pitt. — ela riu, me abraçando apertado. — Que bom que veio. Seu irmão também acabou de chegar. Hoje irei almoçar com minha família reunida.

— Não posso demorar, logo voltarei pra empresa. Desculpe.

— Não se preocupe, de noite poderemos passar mais tempo juntos. — ela sorria gentilmente, caminhando ao meu lado enquanto entravamos na residência. Lhe mostrei os remédios que eu havia comprado e ela apenas agradeceu, deixando-os para tomar apenas depois que almoçássemos.

O cheiro da comida da minha mãe era tão bom quanto o sabor da mesma, o que me fazia pensar do porquê de não almoçar em casa todos os dias, ao lado dela e do meu pai.

— Ainda bem que não fiquei plantado esperando seu e-mail chegar, irmãozinho tolo. — disse ele ao avistar os remédios sobre a mesa de centro da sala. — Comprou todos?

— Eu comprei. — suspirei, aliás, odiava ver qualquer pessoa próxima de mim doente. — Eu enviei o e-mail para uma pessoa desconhecida, por sorte ela retornou e me avisou, aí tomei a liberdade de comprar logo.

— Gentil da parte dessa pessoa, eu no lugar confesso que nem iria responder e ainda iria excluir.

— Isso porque você é um cara mau. — ri, dando um leve soco em seu braço. Nos dávamos bem, mesmo vez ou outra discutindo, éramos irmãos e isso fazia parte, certo? — Como está Konan?

— Ela está irritada comigo porque eu disse que ela parecia uma bola de futebol, então ela se negou a me dar almoço e eu vim para cá! — ele fez uma careta que eu até poderia julgar engraçada, mas a situação era engraçada por si só. Konan era a esposa grávida do Itachi, eles se conheceram ainda no ginásio quando ele jogava as cantadas mais cafonas possíveis para ela, e, depois de anos rejeitando ele, ela aceitou o convite para um encontro para ver se ele parava de lhe perturbar. No entanto, como ela mesma diz, o destino não foi tão amigável com ela e fez esta se apaixonar pelo meu irmão e desde então eles estão juntos.

Eu queria ter um pouco da sorte que ele tinha em relação a relacionamentos. Foram poucos os namoros que eu tive, mas que me afetaram muito. Minha primeira namorada só tinha se aproximado de mim porque achou que poderia se aproximar do Uchiha mais velho e conquista-lo; a segunda me traiu; a terceira estava apenas de olho no dinheiro da minha família. E não foram alguns dias ou meses preso a elas, foram anos vivendo uma ilusão, achando que eu tinha encontrado a mulher da minha vida, um mero engano. Com tudo isso eu não me deixei ser fisgado por mais ninguém, os beijos e carícias que eu compartilhava com alguém não passavam de uma noite, e assim que venho vivendo desde então.

— Meninos, a mesa já está posta! — chamou a nossa mãe com um sorriso largo em seu rosto. Eu admirava o quanto ela poderia ser forte.

Sentamos à mesa sem a presença do nosso pai, segundo Mikoto, ele tinha saído para almoçar com seus amigos mais próximos, pois depois ele iriam jogar golfe para lembrar dos velhos tempos. A macarronada da mamãe era maravilhosa, preparada com o seu tempero especial que ela já havia compartilhado com Konan. Ela sempre me lembrava que, quando eu casasse, minha esposa também teria a oportunidade de aprender o tempero secreto e teria a obrigação de passar adiante entre as mulheres da família.

— Desista disso, mamãe. O Sasuke é muito broxa, ele nunca vai conseguir casar. — Itachi brincou querendo me irritar, ouso dizer que esse era um dos maiores hobbies dele.

— Não fale assim do seu irmão. — repreendeu nossa mãe. — Mais uma dessa e eu lavarei sua boca com sabão. — apenas ri, eu não tinha tempo de entrar em uma discussão naquele momento, por mais que fosse uma brincadeira.

O relógio já apontava que eu estava ficando atrasado para voltar pro escritório e por um momento me peguei pensando na minha secretária, me sentindo satisfeito e vingado. Não sei ao certo quando começamos essa guerra fria; quando ela começou a trabalhar pra mim ela era mais calma, sempre me recebia com sorriso no rosto e um caloroso "bom dia", mas aí ela mudou, bem no período que eu estava começando a fazer parcerias para expandir a minha empresa. Naruto Uzumaki, meu melhor amigo, disse que, sem eu perceber, eu estava sobrecarregando ela, além de descontar minhas frustações na mesma e que foi desse modo que ela passou a pegar ranço por mim, não que fosse de todo mal, porque, atualmente, irritar ela se tornou minha diversão dentro daquele escritório. Ela era muito transparente e era quase infantil sua maneira de agir. Sakura Haruno costumava bater as portas por onde passava, descontava a raiva em objetos e até mesmo mostrava a língua em minha direção quando eu virava as costas. Eu acho isso cômico. Quantos anos ela tem mesmo?! Porém, no fundo, ela poderia ser uma boa pessoa. Ou não.

Não demorei para terminar minha refeição. Me despedi da minha família dando um selar na testa de minha mãe e mandando um aceno para meu irmão. Saí às pressas da residência em direção ao meu carro, torcendo para o trânsito estar livre para que eu não chegasse tão atrasado. Por mais que eu seja o chefe, não achava correto chegar atrasado sem justa causa; eu também me via apenas como um funcionário, eu dava meu melhor pela empresa da minha família.

Levei um pouco mais de vinte minutos para chegar ao meu trabalho, estacionando no estacionamento subterrâneo do prédio. Cumprimentei o porteiro com um aceno e um simples “boa tarde”, entrando no elevador e apertando o botão que indicava o andar do meu escritório. Avistei a dona das madeixas rosadas trabalhando em sua mesa, concentrada em algo que lia na tela do seu computador enquanto mordia seu lábio inferior.

— Boa tarde, Srta. Haruno. — me aproximei, observando o seu olhar tedioso para mim. — Quero saber como estão ficando as planilhas que pedi.

Ela riu sem vontade, cruzando seus braços sobre seu busto que era coberto por uma blusa de botão azul clara de tecido crepe de seda, com um decote modesto.

— Não se preocupe, Sr. Uchiha, as planilhas estão em boas mãos, você sabe disso.

— Eu fico feliz em ouvir isso, Srta. Haruno. Qualquer coisa, pode me chamar em minha sala e eu mesmo poderei lhe ajudar. — pisquei para ela tentando conter o riso quando a vi me olhar torto.

— Então estou torcendo para dar certo até o fim, não gostaria de ter o desprazer da sua companhia. — ela se levantou, colocando seu computador em espera. — Agora, se me der licença, preciso ir à sala de impressões.

Quando as portas do elevador se abriram para ela, revelou a imagem de alguém que já estava lá e claramente essa pessoa havia chego no andar que lhe era desejado. Naruto, meu amigo, a cumprimentou com um largo sorriso no rosto e com um firme aperto de mão e ela, Sakura, lhe devolveu o cumprimento da mesma forma entrando no elevador em seguida.

— Me pergunto onde arrumou uma secretária tão bonita, não mais bonita que minha noiva, claro. — inconveniente como sempre e com uma piadinha sem graça na ponta da língua pronta para ser solta a qualquer momento. — Ela é solteira? Se quiser posso bancar o cupido para vocês dois.

— Pare de falar asneiras, Naruto, e diga logo o que veio fazer aqui.

— Não precisa ficar estressado, só vim trazer algumas revisões de contratos seus. — além de ser meu melhor amigo, Naruto era formado em direito e fazia parte de um escritório que só os melhores advogados do país poderiam trabalhar, foi nesse escritório que ele conheceu Hinata Hyuuga, sua noiva. Hinata vinha de uma família de classe média alta, ela era professora de música e dava aulas para crianças. Ela conheceu Naruto quando a mesma o procurou para lhe representar em um processo, ela processava o diretor da antiga escola na qual trabalhava porque ele não pagava seu salário haviam mais de três meses. No final, Naruto ganhou a causa e uma namorada. — Vamos para sua sala, assim poderei te passar os detalhes.

O acompanhei até minha sala e sentamos à mesa, logo ele começou a me mostrar os contratos, me explicando detalhadamente as cláusulas e eu prestava bastante atenção, pois um bom conhecimento dos meus contratos me evitaria de ser enganado por aqueles que estavam se aliando a mim.

As horas se passaram e apenas fui notar quando minha secretária entrou na minha sala, sem nem bater na porta, colocando um pen drive na minha frente, ignorando a presença do Uzumaki.

— Aqui está o que me pediu. Já informei a maioria dos seus parceiros sobre a associação do Sr. Jiraya no grupo. Informarei os outros apenas amanhã, pois já passou do meu horário e sei que você não vai me pagar hora extra. Era apenas isso. — ela ajeitou a sua postura e suspirou, fitando meu amigo e sorrindo levemente para ele. — Bom trabalho! — assim que ela saiu o loiro passou a rir do que havia acabado de ocorrer ali.

— Como meu pai, que descanse em paz, sempre me dizia: não importa a mulher, se uma está com raiva de você, automaticamente você tem problemas.

— Ela não é uma preocupação pra mim. Sakura é inofensiva, então tire esse sorrisinho da cara.

Não tardou para que passássemos a organizar as coisas para podermos finalizar o nosso trabalho. Fomos juntos para o estacionamento do prédio e ele logo se despediu, dizendo que iria jantar com sua noiva. Caminhei até meu carro, destravando o mesmo e entrando, mas antes de começar a dirigir, decidi visualizar as notificações presentes ali e uma do meu e-mail particular me chamou atenção.

“De: byakugou@konoha.com

Para: sharingan@konoha.com

Enviado: Qua, 24 de Março de 2015, 16h45min

Assunto: Desabafo.

Eu sei que pode parecer estranho eu vir novamente aqui, mas percebi que é muito mais fácil desabafar com um desconhecido que não sabe quem é você.

Eu gostaria de ressaltar que eu odeio meu chefe, ele é um idiota!

Desculpe o incômodo.”

Não pude deixar de sorrir levemente ao ler isso, agora eu começava a acreditar que talvez eu tivesse mandado, por engano, o e-mail para uma mulher, pois não vejo um rapaz tomando esse tipo de atitude. Eu precisava confirmar minhas hipóteses, pois eu não iria conseguir conter minha curiosidade, porém, iria deixar para responder aquele e-mail quando eu chegasse em casa.

Girei a chave e liguei o automóvel para começar a dirigir, no entanto, tudo o que eu tive foi um alto barulho e um carro que não saía do lugar. Algo estava errado. Desliguei e saí do veículo, pronto para checar o motor, mas logo eu encontrei o problema, um detalhe que eu poderia ter percebido antes. Não acreditava que aquilo podia estar acontecendo comigo.

Dessa vez Sakura Haruno tinha passado dos limites. Todos os pneus do meu carro estavam furados. Furados não, aquilo era pouco para as marcas de rasgos feitos com faca que estavam ali. Ela iria me pagar! Oficialmente, eu estava odiando minha secretária.

“De: sharingan@konoha.com

Para: byakugou @konoha.com

Enviado: Qua, 24 de Março de 2015, 18h01min

Assunto: Re: Desabafo.

Me encontro na mesma situação, mas eu estou odiando minha secretária. Porém, não quero entrar em mais detalhes.”

Notas finais
O que vocês acharam desse primeiro capítulo? Bjs ♥

Meu grupo no facebook: https://www.facebook.com/groups/1445578192198056/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.