Aneurysm

16 Capítulo 16 - We Aren't Done


Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo! Espero que gostem. Boa leitura!

- Bem, eu tenho uma boa notícia. – disse Alice sorrindo. – Arrumei um lugar para a gente ficar, definitivamente!

- Nossa, que legal, Ali. – Kurt respondeu. – Era só isso?

- Não... Você não está nos notando um pouco afastados Kurt? – perguntou ela, um pouco sem graça.

- Afastados?

- Sim, não conversamos da mesma forma como conversávamos quando vivíamos em Aberdeen... Nem nos tratamos da mesma forma que antes! – ela explicou.

- Alice, estamos aqui a menos de uma semana, como pôde chegar a essas conclusões?

- Ora... Eu estou tentando impedir que isso evolua! Estou tentando evitar antes que fique mais difícil de reverter, sabe?

Ele não respondeu. Permaneceram alguns instantes em silêncio, perdidos em seus pensamentos. Ou seria melhor dizer separados por seus pensamentos? Mal se olhavam nos olhos.

- Você lembra-se da noite antes de virmos para cá? – perguntou Kurt de repente.

- Claro que lembro. – ela sorriu.

- No dia seguinte estávamos viajando para cá, um pouco depois trabalhando... As coisas aconteceram rápido demais. Isso nos afastou. – ele falou pensativo.

Não houve resposta. Agora se olhavam nos olhos, talvez isso fosse o bastante. Não precisavam de muitas palavras para se entender, nunca precisaram.

- Sinto falta daquele lugar... – Alice disse de repente.

- A montanha?

- Sim... E assistir ao pôr-do-Sol com você. – ela sorriu. – As coisas mudaram tanto, em um período de tempo tão curto, mas parece que se passaram anos desde aquele dia.

- Sim, é verdade. – Kurt respondeu sorrindo. Ainda se encaravam, sentiam como se fossem chorar a qualquer momento, mas aguentavam firme.

- Kurt... – Alice deixou uma lágrima correr pelo rosto.

- Diga. – uma lágrima também fugiu dos olhos incrivelmente azuis dele.

Alice não disse mais nada, olho para baixo, chorando baixinho. Kurt levantou o rosto da amiga com uma das mãos, fazendo-a encara-lo, então enxugou suas lágrimas com a mão livre.

- Na última vez que tive de enxugar lágrimas dos seus olhos, que eu me lembre, tínhamos catorze anos e foi porque um garoto dois anos mais novo tinha derrubado seu sorvete no chão. – ele falou, fazendo a menina rir.

- Não sei o que seria de mim sem você. – ela disse ainda rindo.

– Nem eu sem você. – respondeu ele.

Alice apenas sorriu, chegou mais perto dele, deixando seus rostos bastante próximos. Seus lábios estavam prestes a encostar, então a campainha tocou. Kurt sorriu para a amiga e levantou-se, indo em direção ao quarto. Alice levantou depressa indo atrás dele. A campainha tocou mais uma vez.

- Não vai atender? – perguntou Kurt se virando e ficando de frente para a menina.

- Aquilo não termina ali, O.K.? – ela falou o encarando.

- Aquilo o que? – ele riu.

Ela deu um sorriso sapeca indo em direção à porta e ele continuou seu caminho para o quarto.

- Caramba! Que demora! – protestou Fernanda assim que Alice abriu a porta.

- Desculpa Nanda.

- O que você estava fazendo? Onde está o Kurt?

- Ele está no quarto.

Fernanda olhou desconfiada para Alice, parecia estar ligando os pontos e chegando a uma conclusão.

- Eu não atrapalhei nada, atrapalhei? – perguntou sorrindo.

- Não. Ah, Nanda, tenho que falar com você uma coisa, mas podemos conversar amanhã, se você estiver muito cansada.

- Agora que já começou, pode continuar. – falou Fernanda indo em direção á cozinha.

- Bem, eu encontrei um lugar para morar, você terá sua privacidade de volta. – disse Alice sentando-se em uma das cadeiras na mesa.

- Jura? Poxa, mas foi tão rápido. – respondeu Fernanda abrindo a geladeira e tirando uma garrafa com água de lá.

- Eu sei. – Alice riu.

- Mal pude sentir o gostinho de não morar sozinha. – Fernanda sentou-se em frente á amiga.

- Mas não se preocupe, o Kurt trabalha com você e o apartamento em que vamos morar fica perto daqui. Ou seja, não tem jeito de perdermos contato.

- É mesmo... Mas venha me visitar de vez em quando, viu? – falou Fernanda bebendo um gole da sua água e fazendo um gesto oferecendo a mesma para Alice.

- Não, obrigada Nanda. Eu vou dormir agora, tenho que acordar cedo amanhã. – disse a ruiva se levantando.

- Daqui a pouco eu vou também. Só preciso comer alguma coisa e tomar um banho.

- Tudo bem então... Boa noite! – a menina seguiu para o quarto.

Chegando lá, Kurt já estava dormindo. Ela o cutucou para que ele desse espaço para ela se deitar. O garoto resmungou alguma coisa que ela não entendeu e se afastou. Ela deitou, de frente para ele, sorrindo. Ficou enrolando os dedos no cabelo dele até adormecer...

***

Na manhã seguinte, Alice acordou cedo. Abriu os olhos devagar, se acostumando com a claridade do quarto. Espreguiçou-se e sentou-se a na cama. Kurt e Fernanda não estavam mais no quarto. A menina levantou-se e foi até sua mochila, tirou de lá uma calça jeans e uma camiseta do Mudhoney. Seguiu para o banheiro para tomar banho e escovar os dentes. Depois de fazer tudo isso e vestir-se, ela foi para a cozinha.

- Bom dia! – falou animadamente sentando em uma das cadeiras da mesa.

- Bom dia... – responderam Kurt e Nanda juntos.

- Só eu acordei de bom humor hoje? – perguntou a menina enquanto colocava café em sua xícara.

- Sim. – respondeu Kurt.

- Poxa... – Alice sorriu. – É sexta-feira gente!

Não houve resposta.

- Tudo bem então. Já que não tenho ninguém para compartilhar felicidade, vou indo, que já deu minha hora. – disse a menina dando um último gole no café e se levantando.

- Vou com você. – disse Kurt levantando também.

- E você Nanda? – perguntou Alice.

- Eu vou dar mais um tempo aqui, não ‘tô com saco para trabalhar hoje, preciso juntar coragem. – ela disse, a amiga riu.

- Tudo bem então... Até mais tarde. – disse Alice saindo da cozinha, seguida de Kurt.

***

Caminhavam sem pressa pela calçada, passaram pela loja de discos, mas passaram direto. Alice estranhou.

- Você não vai pra loja hoje? – perguntou a menina, confusa.

- Vou. Mas antes quero te acompanhar até o Café. – respondeu Kurt. – Até porque, de acordo com você, estamos nos afastando certo? Então vamos fazer mais coisas juntos. – ele completou e ela sorriu.

Continuaram andando calmamente até que, quando viraram a esquina da rua onde ficava o Heaven Coffee, Alice viu, de longe, alguém familiar. Tinha um palpite, mas desejava estar errada. Porém, a medida que se aproximavam, a certeza de que esse palpite estava certo aumentava.


Notas finais
E aí, gostaram? Comentem, queridos! Até o próximo capítulo, beijos!