Aneurysm

1 Capítulo 1 - Love you so much, it makes me sick.


Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura!

Kurt olhava impaciente para o telefone, tinha que contar para ela. Mas não sabia como. Tinha medo de sua reação, medo de as coisas não serem como ele achava que eram. Havia guardado isso consigo há um bom tempo, mas agora não conseguia mais evitar os fatos. Era preciso que ela soubesse. E ela iria saber. Levantou da cama, pegou um casaco e saiu sem ao menos trancar a porta de casa, tinha pressa. Sabia onde encontra-la, tinha que chegar lá a tempo. O sol estava se pondo, esse era o horário perfeito.

Caminhava a passos largos e decididos, a distância não era longa, mas grande o bastante para que pudesse refletir se estava realmente pronto para fazer isso. Passou por um parque onde duas crianças brincavam, pareciam felizes sem preocupações, vivendo cada minuto daquele momento como se não fosse mais haver outro, mesmo que tivessem conhecimento de que podia não haver outro. A inocente autenticidade daquelas crianças fez com que Kurt parasse um pouco para observá-los. Aquela cena lhe era familiar, já havia vivido aquilo. Se, quando criança podia expressar o que sentia tão sinceramente, porque essa facilidade tinha de desaparecer com o passar dos anos? Agora não lhe restava dúvidas, mesmo que por apenas alguns minutos, seria sincero como uma criança para descarregar o peso que tinha nas costas.

Continuou seu caminho, agora mais decidido de o que tinha de fazer. Passou por um vendedor de flores, sabia que ele sempre esteve ali, mas nunca tinha notado como dessa vez.

– Bom dia! – Comprimento o senhor com um sorriso contagiante.

– Bom dia! – Kurt parou em frente ao homem e respondeu, tentando retribuir o sorriso da melhor forma possível.

– É um belo dia não? – Disse o vendedor simpático.

– Sim, sim. É mesmo. –Respondeu Kurt, ainda sorrindo.

– Você me parecia com pressa. Vai encontrar alguém especial? – Perguntou o senhor parecendo saber a resposta.

– Não exatamente... É que... Ah... – Kurt não sabia o que responder, parecia que o homem estava lendo seus pensamentos.

– Não precisa responder. Seus olhos dizem mais do que pensa. – rio o vendedor. – Agora tome isso, — continuou e entregou ao rapaz uma margarida. – Não deixe a moça esperando. – terminou. O rapaz continuava parado em sua frente, não entendia o que estava acontecendo. Simplesmente pegou a flor, cumprimentou o vendedor com um aceno de cabeça e voltou ao seu rumo. Havia perdido um pouco de tempo, agora tinha de se apressar.

Não demorou até que Kurt avistasse o pequeno monte. Era um pouco afastado da cidade, vegetação baixa, algumas flores e no topo havia uma árvore. Havia folhas amarelas espalhadas ao redor da árvore por conta do outono. Aproximou-se mais um pouco e lá estava ela, a garota de cabelos ruivos e olhos escuros como o anoitecer, apaixonada pelo pôr-do-sol. Kurt hesitou em chegar mais perto, até pensou em desistir, voltar para casa e deixar as coisas como estavam, mas lembrou das crianças no parque. Olhou para a flor que levava na mão e sorriu, havia um papel pendurado no fino caule, dizia “Está tarde para desistir. Vá!”. Já ouvira dizer que vendedores de flores eram sábios quanto ao amor, essa era prova concreta. Pegou o papel e guardou no bolso. Os últimos raios de sol estavam desaparecendo no horizonte, correu até Alice que ao o ver, abriu um sorriso enorme.

– Kurt! É ótimo te ver, preciso falar com você. – ela disse animada.

– Também preciso falar com você.

– Diga.

– Não sei como. – ele disse e ela riu.

– Como não sab...- Kurt a interrompeu.

– Não sei como dizer, vou lhe mostrar. – Aproximou seu rosto ao de Alice até que seus lábios se tocassem iniciando um beijo calmo. Não durou muito para qualquer pessoa que os observasse mas, para eles aqueles poucos instantes foram como a eternidade. Alice encerrou o beijo com um selinho, sorriu e olhou para baixo, envergonhada.

– Hey! – Ela disse pegando a flor que estava na mão de Kurt.

– Havia me esquecido disso – Ele riu. – É para você.

– Obrigada. – Ela sorriu. O Sol já estava quase desaparecendo no horizonte quando os dois iam juntos para a casa de Alice.

***

– O que você queria me dizer? – Perguntou Kurt, quebrando o silêncio. O sorriso desapareceu dos lábios de Alice, dando lugar para expressões tristes.

– Ah... Er... Kurt, estou indo morar com meu pai em San Francisco. Vou embora nessas férias.

Kurt não conseguiu acreditar em nenhuma palavra que havia ouvido.


Notas finais
Espero que tenham gostado! Não esqueçam de comentar, o futuro dessa história está nas mãos de vocês!
Se acharam algum erro me avisem, por favor.
Beijos!