Anelli Vongola
5 Ryuji no país do Trovão
As chamas preenchiam o cenário, ofuscando o horizonte para o dono daqueles olhos verdes, que continuava parado sem saber o que fazer. O sorriso sarcástico de outra hora sumiu junto com o homem que havia lhe desafiado a pouco. Aquela sensação de ver toda sua vida correr em um piscar de olhos ocorreu e ele rezou. Rezou porque era a única a se fazer.
As esperanças se despediam, assim como o ar em seus pulmões. O último resquício de consciência foi deixado com o grito dos trovões, e já não sentia mais nada. Era intrigante o fato de ter acabado de se mudar e algo como ficar preso em um circulo de fogo causado por uma tempestade elétrica ter ocorrido, seria o cúmulo do azar assim dizendo.
A escuridão ainda era presente quando as orbes esmeraldas voltaram a abrir, e só sabia que estava acordado por sentir seu corpo colidir em algumas coisas enquanto caia e ganhava velocidade. Uma pequena luz ia subindo aos poucos e teve que desviar seu corpo ao notar que era um lampião indo ao seu encontro e naquele momento de claridade, reparou nas mobílias que subiam enquanto o Protetor do Trovão caía num buraco que parecia sem fim.
Fechou os olhos assim que avistou o chão e se preparou para a dor que não veio. Continuou flutuando, a centímetros do negro solo que só recebeu o peso do outro quando este abriu seus olhos. A única coisa que o ser humano não pode se acostumar é com a dor, e isso parecia estar em prova constante para Ryuji que após conseguir se levantar notou-se em um local úmido, cercado por rochas negras e mais nada para ser avistado.
- Esse é o céu?
Questionou a si mesmo, enquanto caminhava por aquela imensidão que ecoava cada gota d’água que atingia o solo escuro. Logo o som fúnebre era substituído por sussurros e cochichos, e o guardião se virava rapidamente procurando saber de onde provinham, entretanto, a cada movimento as vozes se tornavam mais altas e mais distintas demonstrando que não havia uma só pessoa ali.
- Quem está aí?! Apareça!
Ordenou, como Zeus faria no Olimpo. Com a ordem dada, reinou o silêncio e as gotas voltaram a beijar o chão. Ninguém acatou seu mandado e se viu sozinho outra vez, até que teve seu corpo empurrado e, novamente, ao chão se encontrou, mesmo que seu corpo demorasse em se levantar, ainda mais depois do choque, seus olhos puderam avistar uma raposa amarela correndo em duas patas e dizendo coisas como “estou atrasado!”, e, “vão me matar, ó Deus, vão me matar!”, sucessivas vezes enquanto liberava descargas elétricas fazendo com que as nuvens do céu criassem um redemoinho negro, e logo um vendaval se fez.
Ryuji teve de tampar seus olhos para que estes não fossem feridos pela poeira que se levantou, até mesmo seu corpo foi lançado alguns metros para trás perante tamanha força. Só pode voltar a assistir os ocorridos quando um barulho ensurdecedor preencheu a atmosfera e assim que os ventos findaram e em substituição veio um clarão que obrigou as esmeraldas voltarem a serem cobertas.
Novamente desacompanhado de qualquer sensação, pôde olhar o que se sucedia, percebendo uma enorme rocha, por volta dos seus cinquenta metros de altura, com vários desenhos em suas bordas, e que ao centro imitavam um rosto humano. O chão onde estava fixada apresentava estrias profundas demonstrando seu peso e aprofundamento.
Aproximou-se cauteloso daquela estranha estrutura. Admirou-se com a onipotência que ela lhe causava, assim como os grifos que pareciam querer lhe contar uma estória confusa, e conforme seus olhos se perdiam por aquelas linhas talhadas sua mão foi levada até uma das rachaduras fazendo o clarão voltar e uma voz poderosa preencher o local. Rouca, máscula e alta.
- Quem és tu?
Sua garganta não emitiu um agudo sequer. Suas pernas tremiam como gelatina em cima de uma bandeja sendo carregada por uma garçonete de patins, assim como suas pupilas se dilatavam e lábios secavam.
A rocha falava consigo?
- Quem és tu?
Voltou a repetir, mais alta, mais rouca, com raios caindo, assim como o redemoinho no céu voltou a se fazer, e pode jurar que viu aquela rocha aumentar ainda mais de tamanho.
- R-...Ryuji
- Ryuji? Que nome é este?
- É japonês...
- Japonês? Queres enganar a mim? Como foras ao Japão? Vai dizer que eres humano!
- Eu sou humano...
E os cochichos que ouviu mais cedo ficaram alterados, aumentavam de segundo em segundo, e o loiro podia jurar que a qualquer momento uma daquelas vozes lhe agarraria por trás e cortaria sua garganta.
- Silêncio!... Silêncio! Eu disse silêncio! — Esbravejou a rocha, fazendo apenas o vento cantar naquele local. As aberturas que imitavam olhos se moveram e miraram o pequeno humano, que estava tremendo em seu lugar. Tamanha seriedade foi substituída por uma gostosa gargalhada que tremia a tudo, inclusive o chão, fazendo que o protetor do Trovão tivesse de se equilibrar pela terra e pedras que saltavam debaixo do solo.
- Então entre Ryuji...
- Entrar? Entrar na onde?
- No País do Trovão, onde mais? Não há mais nada aqui fora... E só poderá voltar para sua casa daqui de dentro.
X-X-X-X-X-X
Os tronfas estavam a postos quando o adversário caminhava de volta para a arena improvisada no corredor. O homem já idoso, com seus olhos semi cerrados davam calafrios no estudante que olhava a luta de camarote.
Assim que os golpes voltaram a serem dirigidos a seu quase agressor, este estava preparado e conseguiu se defender da maioria dos golpes provindos do instrumentos de luta nas mãos alheias. E com a respiração presa e as mãos suando, foi dando passos para trás, de pouco em pouco, o quanto seus joelhos suportavam andar e manter seu peso ao mesmo tempo.
E o que pareciam serem horas se passando, não passavam de alguns segundos. Tudo parecia tão cansativo, só de olhar para aqueles dois homens lutando em uma velocidade extraordinária chegava a exaustar o mais afinco espectador.
Não pode dar mais um passo sequer quando a parede que estava atrás de si, há pouco foi quebrada, e alguns escombros alcançaram suas costas. Quando os olhos alaranjados miraram o ocorrido, se deparou com um homem de vestes semelhantes ao que lutava mais a sua frente, caído na estrutura de cimento, e quando olhou para o outro lado do corredor viu uma pequena garota morena ofegante e raivosa usando o uniforme de sua escola e uma mascara de luta.
X-X-X-X-X-X
- Você esta bem?
E a pergunta soava estranha e confusa para os ouvidos da nipônica, aos poucos os olhos azuis puderam ser vistos pela interlocutora, e assim esta sorriu deixando a recém acordada levantar-se.
- Tirando um cochilo no meio do parque?
- O quê?
A guardiã da tempestade perguntou confusa olhando ao redor vendo que estava em um local completamente diferente daquele parque próximo ao hospital. Voltou seu olhar para aquela que lhe despertou reparando no jaleco branco que esta utilizava contratando com o vestido curto e preto cheio de brilho.
- Você... é médica?
E ouviu uma risada como resposta e um estender de mão, que foi aceita e assim que ambas ficaram de pé, o riso cessou-se, mas um pequeno sorriso ainda se fazia presente.
- Sou cientista... Você devia saber, esta no pátio do laboratório afinal.
- Laboratório?
E olhou confusa, começando a se distanciar um pouco, vendo vários adultos de jaleco irem e virem, alguns com pressa, outros com pastas, mas todos ocupados. Não sabia nem como chegava ali e tudo o que se recordava era da tempestade que se aproximava de si.
- Você parece bem confusa... Bateu a cabeça? Quer ir à enfermaria?
- Me diga... Em que bairro fica esse laboratório?
E com um sorriso divertido e confuso a morena mais velha cedeu à pergunta e lhe concedeu a resposta obvia.
- Estamos em Kita (1)
E os olhos claros arregalaram-se. Como se teletransportou de Namimori para Kita sem se recordar?
- Sabe como posso ir para Namimori?
- Namimori? Hum... onde fica isso?
X-X-X-X-X-X
Tudo era escuro e seu corpo era movido de maneira violenta, chocando-se sempre com golpes de ar que de tão potentes, pareciam sólidos, não mais gasosos, e com alguns flashes de luz, sendo todos rápidos e assustadores. Era isso que o loiro mestiço sentia e via naquele medonho túnel repleto de escuridão. Os olhos escuros aos poucos iam se fechando não aguentando mais as lágrimas que lhe escapavam, sendo usadas como lubrificantes naturais.
Aos poucos o sentido da audição voltou à atividade captando pequenos ruídos, até finalmente depois de um clarão, que até de olhos fechados pode persentir, então veio o estrondo, e após isso sons do ar sendo cortado em alta velocidade.
Já estava preparado para colidir com o quer que fosse que estivesse a sua espera, só ficou surpreso que já não sentia mais a gravidade ir contra si, mas mesmo assim permanecendo em movimento.
Quando as íris esverdeadas, quase castanhas, deram o ar de sua graça, encararam sem escrúpulos o rosto feminino que também lhe encarava séria, com os fios negros desfilando junto ao vento. Só então percebeu que estavam em movimento e que era carregado por uma mulher. Sim. Uma mulher.
Viu os lábios dela se moveram, mas saiu uma dicção que não soube decifrar nem identificar que língua se tratava, e os olhos, verdes e severos, perfuraram sua alma, e teve medo de dizer que não entendera uma palavra sequer. Não conseguia ver nada que passava a sua volta, tamanha era a velocidade em que se moviam. E novamente os lábios se abriram, mas nem a chance de sopraram mais um som tiveram, já que algo explodiu perto de seus pés fazendo com que caísse e o corpo de ambos os jovens serem repelidos de tal maneira que pareciam até o olhar a pouco recebido pelo loiro.
Tudo zumbia e Ryuji teve certeza que morreria naquele momento, viu a corpo que antes lhe carregava rubro e o verde das gramas ficarem abertos, assim como seus lábios agora pintados pelo mesmo líquido que coloria suas veias.
Respirar o machucava, e não conseguia ouvir nada, e antes que pudesse raciocinar sobre o ocorrido, seu corpo foi levado novamente do solo e a velocidade que seu corpo se movia era espantosa, o forçando a fechar os olhos e morder o lábio inferior. Ao ver que não se movia mais, apenas o vento em seu cabelo loiro era possível ser sentido, tomou coragem para olhar os ocorridos. E qual sua surpresa ao estar novamente em colo alheio no meio do ar, saltando de uma rocha negra a outra, com um precipício bem debaixo de seu nariz.
Gritou como nunca gritara. E agarrou com tamanha força seu carregador que havia sangue debaixo de suas unhas mal cortadas. Esse repentino ato aparentemente tirou a concentração de quem corria, tendo um pouso nada suave, tendo que sacrificar um joelho e a palma de uma mão para que as consequências não fossem piores.
E se os olhos de outrora não o mataram, aqueles certamente ameaçavam devorar suas tripas e sua alma, pedacinho por pedacinho, tendo que sentir toda a agonia da espera. Mas outra explosão e rochas caindo foram seus salvadores momentâneos daquele martírio, onde se viu novamente carregado por uma mulher morena de iguais orbes esmeraldas. Porem, tão diferente do corpo jazido para trás, aquela que o carregava, além de ser muito mais veloz era dotada de tamanha beleza que poderia ser comparada a uma rainha, uma imperatriz, quiçá uma deusa, se lá elas existiam.
A pedra verde encrustada na tiara de prata adornava sua testa, e o manto negro que eram suas madeixas que vez ou outra roçavam nas bochechas pálidas do rapaz mais jovem. Por mais galanteador que fosse e uma rara beleza se expusesse em sua frente, aquele brilho da joia roubava sua atenção chegando ao estado de estar hipnotizado por ela.
Estariam os campos do Olimpo o chamando para tomar chá?
E antes que perdesse a consciência e tudo se escurecesse, pode ouvir baixo e de maneira cristalina um “finalmente nos encontramos”.
X-X-X-X-X-X
Os olhos do futuro líder dos Vongolas se ergueram ao céu, e lá se fixaram, sem serem tocados pelas gordas gotas d´água, já que permanecia acolhido pela estrutura de cimento que era aquele prédio, sendo logo acompanhado pelo rico e mimado Ethan que também passou a contemplar a precipitação.
- Esta esfriando...
- Estamos no final do verão afinal
E o sorriso sempre gentil e protetor, digno de um Chefe, se fez visto, e, antes que mais qualquer pronuncia pudesse ser feita, a temperatura caiu de forma tão brusca que até mesmo os olhos desatentos do legítimo herdeiro de um famoso haras captaram uma fina crosta de gelo tomar conta da janela, e ambos os morenos deram um passo para trás, assustados, soltando ambos as respirações que saia em forma de fumaça.
Ao virarem para seus colegas, estranhando o silêncio, repararam em todos congelados em suas posições, alguns sorrindo, outros até tirando a blusa, como se nunca tivessem notado estarem petrificados em cristais de água.
X-X-X-X-X-X
Misth parou de andar assim que percebeu estar sendo seguida. Não iria ficar naquela escola ridícula enquanto podia estar em casa fazendo qualquer coisa de mais proveitoso, mas já havia alongado o percurso por tempo demais ao notar que não estava mais sozinha. No começo pensou ser um estudante que ia para o mesmo caminho que o seu, e mesmo indo na direção do centro comercial e tomando chuva apenas para confirmar sua suspeita e parar em três lojas era seguida pela mesma pessoa. E mesmo não podendo ver quem quer que fosse seu perseguidor, aquele cheio de ferro se destacava entre o da grama molhada e o da água em si.
Cansou-se daquilo. Estava molhada demais para brincadeiras e nunca deixara ninguém lhe atormentar por tanto tempo. Abaixou o guarda chuva que já não lhe era mais útil, uma vez que ele mal a protegia. E os olhos rubros se abriram e o corpo virou-se para trás pronto para parar quem quer que fosse.
- Vá procurar o que fazer, Kuso!
E ouviu uma risada infantil e aos poucos o timbre desta ia aumentando ao ponto de estar fazendo ecos estrondosos, assim como os próprios trovões. Engoliu em seco e apertou melhor o cabo do guarda chuva para entrar em briga com qualquer criança que se achasse digna de lhe enfrentar.
- Sabe Misth-chan... vou deixar você viver hoje
E uma rajada de vento passou por si de forma tão violenta que levantou a minissaia que vestia, levando também seus longos fios albinos para trás, não sem antes arregalar os olhos, que eram protegidos por ambos os braços, ao ouvir a mesma voz ao seu ouvido.
- Nos vemos em breve Espectro
E o ar deixou de ficar pesado, e o cheio de morte sumiu. A garota que parecia não ter medo de nada ficou levemente surpresa, porem tudo foi por terra quando o toldo de tecido que estava em cima de sua cabeça rasgou-se, deixando-a completamente encharcada soltando um grito pela surpresa e em seguida um urro de raiva.
Se está na chuva, é para se molhar.
X-X-X-X-X-X
- finalmente acordou
E se levantou assustado, porem seu corpo reclamou daquele ato fazendo com que gritasse de dor e voltasse a cair para trás; batendo as costas no chão. Demorou longos minutos, que mais pareciam uma eternidade, para conseguir voltar a respirar e ir relaxando para só assim se concentrar em sua interlocutora, percebendo que não era um sonho aquela mulher que lhe carregava.
- Como eu—
- Consegue me entender? Com isso
E lhe foi apresentado um pequeno aparelho e ao tocar no ouvido pode notar um igual preso em sua pele. A olhou de forma curiosa para logo em seguida visualizar onde estava. Um lugar escuro pelas rochas negras e úmido, onde raios verdes, amarelos e brancos corriam por todo o lugar.
- Onde estou?
- Onde acha que esta?
- No país do Trovão?
- Isso é uma afirmação ou uma pergunta?
E pode notar como a voz dela era poderosa assim como a da rocha falante, tirando o fato daquela ser feminina e carregar em seu timbre um tom de elegância. Não fazia ideia de onde estava, se aquilo era um sonho e ao mesmo tempo, tentando lembrar se em algum pesadelo já sentira dor.
- uma pergunta...
- Você veio lá de fora não é? Como veio parar aqui?
- Eu não sei... Eu estava na minha escola, de repente um cara aparece e o jardim começa a pegar fogo, eu pensei que ia morrer sabe... Dai veio um clarão e parei em um lugar onde não tinha nada, dai apareceu uma raposa que parecia atrasada, dai apareceu uma rocha que falava. Ela falava! Da pra acreditar? Eu sei que parece loucura, mas ela disse que eu tinha que entrar para conseguir voltar, já que lá não se tinha o que fazer, e tinha um monte de voz cochichando e...
Finalmente percebeu na testa franzida daquela mulher; que reparando bem não era tão mais velha que si, apenas aqueles olhos sérios e pesados que lhe davam um ar de maturidade na qual era atrelado sempre a idade. Notou enfim que não calara a boca um segundo se quer e ficou constrangido, talvez tudo não passasse de um sonho, mas lá estava ele contando tudo para uma estranha. E foi estranho ficar apreensivo perto dela, e ao mesmo intimo o bastante para não ter pudor ao contar uma loucura daquelas. E novamente seus olhos captaram aquela linda safira que escondiam parcialmente a ruga que jazia ali.
- A raposa era Zip, ele era o espirito protetor dos corredores.
- era?
- sim... A alguns anos atrás a Duquesa Kablu (2) enganou suas duas irmãs e tomou o controle sozinha do país, Zip se colocou contra ela, mas aparentemente a duquesa conseguiu sair do reino e chamou por reforços estrangeiros, eles eram usuários de magia negra... Ninguém conseguiu os deter e foram todos escravizados, inclusive os espíritos protetores, muitos ficaram aprisionados, outros tão revoltados que juraram nunca mais voltar... A raposa que você viu... foi a única que curvou a cabeça, ela jurou sua fidelidade em troca do direito de nós continuarmos correndo... Desde então os olhos dela ficaram nebulosos e por ser um espirito, consegue sair do reino quando quer... o que é muito útil para a Duquesa, por isso ela aceitou a proposta
- Mas correr? Sério?
- Por que não? Correr é o que nos mantem vivos não é?
- Não... Alimentos e água nos mantem vivos.
- Alimentos? O que é isso?
E os olhos do rapaz se arregalaram notando enfim que em momento algum conseguiu ver uma única planta naquele local.
- Diga... Aqui faz Sol?
- Sol?
- É... Aquele astro gigante de fogo, que ilumina tudo...
- Não sei do que esta falando
E aquilo assustou o jovem loiro que percebeu enfim a urgência de sair daquele local, ou então morreria de sede em três dias.
- Me diga... a raposa é a única forma de se sair desse local?
- Não, desde que a Duquesa trouxe aqueles homens para cá vários portais tem se abrindo, o problema é que ninguém sabe onde e quando eles abrem, nem para onde levam, nem mesmo quanto tempo permaneceram abertos... Nem mesmo aquela rainha fajuta.
E sentia a raiva vindo do ser do sexo oposto que socou a rocha negra imitando o som dos trovões. Talvez todo aquele poder justificasse o nome daquele reino.
- E a raposa sabe?
- Claro, ela é um espirito guia no final das contas.
- e como eu a encontro?
- Você não a encontra, ela vem ao seu encontro.
- e como faço isso?
E pode reparar as ires claras se voltarem para a saída da caverna mirando a chuva que caia do lado de fora.
- Antes era só querer... Agora... Mesmo que você implore, ela não vira, por causa da coleira que colocaram nela.
- E como a Duquesa a chama?
- Com o sino imperial... Por quê? No que esta pensando?
E um sorriso divertido que lhe era característico voltou a face.
- Você vera querida
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Enquanto Zeus se preparava para a saideira, um loiro que mais parecia um gato assustado tremia em baixo de uma das centenas de carteiras com as mãos nos ouvidos enquanto as lagrimas banhavam suas faces e algumas salgavam os lábios já inchados pelo choro e mordidas continuas, a fim de acalmar a si próprio. Pai nosso tão salgado foi aquele que o mar de Portugal sentiria inveja, os gritos contidos toda vez que um trovão ressoava e iluminava o ambiente, enquanto as gotas dançavam no ritmo dos ventos e os galhos de arvores se sacudiam no ritmo da música da mãe natureza.
- Mamma...
Clamava baixo em italiano enquanto seu choro era acompanhado pela risada poderosa de Zéfiros que chegou a quebra uma das janelas tamanha sua potencia levando cacos de vidro por todo o recinto de tão leves que eram perto daquela força indestrutível. Tão longe voaram que a pele alva se abriu e foi se colorindo, assim como tingia o chão e o short curto.
Ouviu um barulho que não era os provindo de fora, mas sim o que parecia ser bem ao lado da sala em que se encontrava. Não queria ficar sozinho, e naquele momento aceitaria abraçar até o capeta se este lhe oferecesse conforto. Ainda tremendo como uma vara, se colocou como um verdadeiro felino, indo engatinhando para a saída se abaixando e chorando mais toda vez que um trovão estalava.
Seus joelhos e palmas das mãos já sangravam deixando um rastro assustador de sangue por todo o percurso, que era dado lentamente e com medo. A temperatura ia diminuindo cada vez mais, tanto que quando a porta foi puxada para ser arrastada, esta se congelou prendendo um gato assustado em sua própria jaula, na qual se encolheu naquele canto chorando assustado.
X-X-X-X-X-X-X
Gota a gota caia na poça daquela caverna, e aquele som já estava enlouquecendo Ryuji que nem dormir conseguia, pelo que entendeu não poderiam sair dali aquela noite, uma vez que todos os guardas da Duquesa estavam alerta e procurando por eles.
- Mas estamos seguros aqui?
- Estamos
- Como pode ter tanta certeza? Cavernas são bem suspeitas sabia disso?
- Eles nunca vem para essas bandas
- e por que isso? todos se escondem aqui é isso? Não devia ser perfeito para encurralar todo mundo?
- Eles não conseguem se aproximar daqui
- Como assim?
- Eles nem sequer vem essas montanhas, e se passarem por elas a atravessam, por isso que usamos esse local de base... Não tem muita coisa... Mas estamos seguros aqui
- Quer dizer que tem uma barreira por aqui?
- Não...
- um feitiço?
- Não... Só os escolhidos podem pisar aqui
- Escolhido? Por quem? Eu sou um também?
Seu orgulho se inflava e recebeu um tapa na cabeça por isso, e riu da situação, por um momento estranhou as feridas já não estarem mais doendo, nem seu ouvido zumbindo mais. Abriu a camisa já não vendo mais seu sangue nas ataduras, como se tivesse sido reabsorvido pelo corpo.
- Doideira...
- Por que a surpresa? Vocês não se curam rápido da onde você vem?
- Não mesmo, um arranhão, uma semana.
E dessa vez a dona das madeixas escuras se assustou.
- É serio?
- Seríssimo... Talvez o tempo passe diferente aqui
E só no momento se tocou que se fosse mesmo verdade, se havia se curado tão rápido de tão profundos ferimentos, quanto tempo tivera se passado em sua ausência?
- Ô meus Deus! Eu vou voltar e todos vão estar uns anciões!
- Então tente voltar o mais rápido possível...
E a garota se levantou indo caminhando para a entrada daquela rocha gigante sentindo a brisa em seu rosto e retirando o adereço de sua cabeça, chamando a atenção do loiro.
- Me diga... Onde conseguiu essa tiara?
- Minha mãe me deu
- É muito bonita...
- É...
E percebeu a tristeza daquele olhar e preferiu permanecer em silencio. Deveria haver uma maneira de sair sem chamar a atenção dos guardas.
- Me diga... como você foge daqui? E aquela... sua amiga?
- Ela morreu pela causa...
- Que causa?
- Queremos o poder novamente, para a verdadeira herdeira... Duquesa matou as duas irmãs e os filhos destas que estavam na sua frente da sucessão, mas dizem que uma delas conseguiu fugir com a ajuda de um guarda do castelo que era muito fiel a família, desde então tentamos dar um golpe e colocar a verdadeira governanta no poder.
- e se ela for tão ruim quanto a que esta?
E viu aquela mulher virar para si com um sorriso divertido nos lábios, como aqueles que costumava dar para conseguiu algo.
- Ora Ryuji, até parece que tem como isso acontecer.
E a tiara foi atacada em sua direção e segurada com força e medo que esta atingisse sua bela face.
- Hey! Tome cuidado! Já pensou no estrago se isso atingisse meu lindo rostinho?
- Claro, claro... Se você me ajudar ela será sua
Olhos arregalados. Palavras presas na garganta. Confusão em uma mente já confusa.
- Eu vejo como olha para ela... Não sei se ela tem algum valor, mas já que você não tira os olhos...
Foi a vez de enrubescer-se.
X-X-X-X-X-X
O sorriso sarcástico da garota era assustador, assim como a facilidade com que pegou seu adversário pelo colarinho e com a mão livre depositou um soco em seu estomago tendo pingos rubros lhe maculando a mascara de lutador.
- Você não devia ter feito isso, essa era a minha favorita.
E como o Sol em seus dias mais deslumbrantes, a se ver com plateia deu outro soco no homem maior o soltando, vendo este trombar com o outro de igual vestimenta na qual se encontrava mais a frente no corredor.
- Não se meta nessa briga Herbívoro
- Herbívoro?
E riu com gosto. Alto e chamativo. Mãos na cintura para dramatizar ainda mais a cena.
- Não me faça rir velhinho, senta ai que eu cuido da situação.
E teve agora os olhos assassinos em sua direção à medida que o corpo dos invasores se transformavam em fumaça, não sem antes dispararem uma ameaça.
- As coisas não ficaram assim...
Akio olhava a cena surpreso já vendo mais sangue manchar o, não tão alvo assim, piso do corredor. Apesar dessa constatação, sua atenção logo foi roubada quando a tensão no ar ficou tão grande a ponto de todos se manterem paralisados, um adversário analisando o outro. No meio do silencio pode notar o som de um choro e foi seguindo seus extintos. Abandou aqueles loucos e foi seguindo o som.
Conforme o mesmo se encontrava mais audível ia diminuindo as passadas até novamente se assustar com o resto do corredor totalmente congelado e com um frio rigoroso que só de sentir aquele ar sua mandíbula já tremia tendo aquecer o corpo desprotegido.
- Afaste-se!
Ouviu a ordem e ao virar para trás, nada mais nada menos que uma esbelta mulher com uma bela comissão da frente passou por ele como se fosse uma lata de lixo no canto da sala carregando consigo o que parecia ser uma bazuca lilás. Mulheres. Até armas deveriam ter cores delicadas.
Olhando aquela mulher com roupas tão curtas quanto às das alunas daquele colégio, se perguntou como ela não estava tremendo de frio, sendo agasalhada apenas com um enorme cachecol verde que combinava com seus negros cachos de cabelo. E outra constatação se fez em sua mente. Definitivamente era Homossexual.
Não era hora nem lugar para pensar naquilo, mas lembrou da manhã daquele fatídico dia, na qual em plena entrada sentiu seu coração bater mais rápido por uma simples garota loira. Uma estrangeira. Loira. Linda.
X-X-X-X-X-X
- né... você não respondeu minha pergunta...
- Que pergunta?
- Como que vocês saem daqui?
- correndo, de que outra maneira seria?
E suspirou. Começou a imaginar que tudo naquele país se passava rápido demais. Uma sensação de estar flutuando lhe ocorreu, assim como tudo ficou silencioso e aquelas malditas gotas paravam de cair naquela maldita poça. E um riso quase infantil, aquela voz novamente.
‘’Ainda não...’’
E acordou de seu transe com um tapa na face lhe fazendo levar a mão automaticamente ao local e olhar assustado sua agressora.
- qual a desse tapa?! – esbravejara.
- Você parecia em outro mundo... Eu falei que já podemos ir
- Você mesma não disse que não dava por causa dos guardas? Bipolares malditos...
- Só que já amanheceu queridinho
E um sorriso sarcástico, que antes lhe era a marca registrada estampava o rosto alheio. E assim, ela novamente teve o loiro em seus braços
- Qualé! Isso é constrangedor de mais! Me ponha no chão. A.G.O.R.A
- Pena que não recebo ordens de turistas
E como da ultima vez teve que fechar os olhos e se agarrar na morena que lhe carregava. A velocidade era tão grande que chegou a pensar que morreria afogado com sua própria adrenalina, e antes que vomitasse ou coisa mais humilhante, pararam bruscamente e seu corpo arremessado contra algo relativamente macio que acomodou seu corpo.
- que diabos...?
E olhou ao redor vendo imensos e milhares de arbustos, assim como rosas verdes. Essa cor ele nunca havia visto, talvez as azuis em alguma foto na internet, mas verde? Tão verde quanto a joia em suas mãos, quanto aos olhos de sua salvadora. E foi então que percebeu.
- Hey...Qual seu nome?
E ela pareceu surpresa com essa pergunta, mas logo ficou triste.
- Eu não lembro
Teve sua mão agarrada pela a da maior e foram atravessando aquele imenso jardim que mais parecia um labirinto, foram diversas as vezes que tiveram de refazer o caminho por se encontrarem presos.
- Eles vão nos encontrar assim... Vamos parar e pensar
- Não temos tempo para isso
- Mas temos para ficar perdidos pelo que estou vendo
E ele se soltou de forma brusca a olhando como se a desafiasse, e novamente aquela sensação de não estar mais naquele local, como se fosse engolido pouco a pouco.
‘’direita’’
E seu corpo ia se movendo quase que sozinho e sobre o olhar alienígena de sua parceira foi sendo seguido.
‘’ direita’’
E ia obedecendo aos comandos, que até o mandava se esconder e por lá passavam guardas que não os encontravam. E não passou despercebidos os olhos nebulosos do loiro pela moradora local. E com isso tomou a tiara das mãos do rapaz que pareceu voltar a si.
- E Então? Vai parar e encontrar um lugar?
- Já chegamos...
E sem mais nenhum comentário, olhou para o lado vendo o enorme castelo, onde parecia impossível meros arbustos, por mais altos que fossem, esconder tamanha magnitude.
- Uau... Será que tem umas empregadas gatinhas aqui?
E a porta foi aberta com a maior facilidade e aquilo foi ficando cada vez mais estranho. Guardas no jardim e nenhum na porta? Que tipo de truque era aquele?
- Hey... O que... O que esta acontecendo aqui exatamente?
- Você quer voltar não é?
E aquela situação estava ficando muito estranha. Parou de andar e olhou ao redor com os olhos nervosos. Não iria mais ficar seguindo uma estranha. Tudo aquilo era estranho. Procurava alguma câmera escondida, mas nada parecia estar fora do lugar.
- Porque não anda? O sino esta na sala do trono
- Como sabe de tudo isso?
E finalmente os olhos se encontraram.
X-X-X-X-X
Ethan ia se encolhendo morrendo de frio e isso não passou despercebido pelo o de olhos verdes que se abaixou na altura dele.
- Ethan, você esta bem?
- Não...
E tremia enquanto falava. Estava ficando literalmente azul e os lábios se tornando roxos. No momento em que fechou os olhos, aquela sensação da noite passado lhe acomodou e podia ouvir o pingo d’água caindo no que parecia ser um imenso oceano. Mas era escuro demais, nada se via só se escutava o trinar da mesma, que logo era seguida de outra e outra, até uma cachoeira lhe preencher a mente. E uma voz feminina, muito baixa ecoava junto da força das águas. E lá estava uma mulher, ela não parecia ser humana, mas penteava seus gigantescos cabelos azuis enquanto cantava e aquilo lhe acalmava. E quando esta sorriu um pássaro enorme, com longas pernas foi correndo aquele mar. Era um papa-léguas, e quando esse gritou seus olhos azuis se abriram automaticamente.
Já não sentia mais frio, e até mesmo Sato assustou-se com aquela mudança de temperatura e de estado de espirito. Ambos se levantaram e juntos forçaram passagem na porta, até o gelo ceder e trincar, os liberando daquele lugar.
X-X-X-X-X
- Veja só quem teve a coragem de aparecer por aqui
Uma mulher gorda e baixa apareceu descendo as escadas. Os cabelos tão negros como a noite e os olhos amarelos faiscavam conforme sorria de maneira sarcástica.
- Sabe, eu mandei procura-lo em todo canto, não é todo dia que um estrangeiro vem nos ver... Apreciou a estadia ao lado dessa selvagem?
Olhou para quem havia lhe trazido até aquele local, percebendo o punho fechado, como se tentasse conter-se. Os lábios crispados e a mais pura raiva e tristeza transbordavam daquele olhar tão sincero.
- Ela não é uma selvagem...
- É claro que não...
Disse debochando, não contendo o riso que fez com que toda a estrutura tremesse e outro trovão cantasse.
- Do que esta rindo?
- Pobre estrangeiro, mal chegou e já foi metido nessa confusão... Obrigada por trazê-la para casa... a procuramos por dia... Não sabemos até hoje como ela saiu do sanatório, coitadinha... fala cada coisa, acredita que ela diz que eu escravizo pessoas e que matei minhas irmãs para tomar o trono? – e riu mais uma vez – Não sei da onde sai tanta imaginação
Mirou a garota que olhava para si assustada e balançando a cabeça, como se tentasse convencer o loiro que aquilo era uma mentira, nunca mentira na vida, e tentava transformar aquele gesto em palavras. Mas era tão difícil acreditar na garota naquele momento, tudo parecia maluquice demais, nenhum guarda tentou os impedir de entrar, ninguém os atacou. Só podia acreditar que a morena era maluca.
- Eu... quero voltar para casa...
- Claro, imagino que não tenha sido bem recebido...
- Onde esta a raposa? Ela vai me levar de volta não vai?
E dessa vez as sobrancelhas da baixa mulher se juntaram evidenciando as rugas da idade.
- Raposa? Que raposa?
E nesse momento o céu se escureceu e mais trovões iluminavam o céu com seu esplendor. Os guardas iam se aproximando e logo estavam cercados por mais de duzentos homens armados com lanças e espadas.
- Corra!
Foi empurrado para o chão pela garota que o levou ali, enquanto todos os homens atacavam de uma vez. Não sabia o que fazer a não ser ficar paralisado olhando a cena que se desenrolava perante sua presença.
Viu a morena dar um chute no primeiro homem assim que segurou no cabo da lança a arrancando deste e com a mesma perfurar o mais próximo que tentou ataca-la. O que vinha por trás acabou atingindo um companheiro de guerra uma vez que sua parceira saltou para cima como em uma perfeita demonstração de salto com vara, só que aquilo não era uma vara, e o que lhe sustentava era agora um cadáver.
Quando o peso da mesma se fez para frente e os pés tocaram o chão, saiu junto a lança, que ao abaixar, usou para derrubar pelo menos cinco guardas que se aproximavam, mas por mais perfeita lutadora que ela fosse, foi atingida no ombro pela arma semelhante a qual usava, sendo este perfurado e um sonoro grunhir de dor se fez ouvir, mas como uma boa guerreira, olhou para trás babando de raiva tirando o instrumento da carne e correndo na direção do guardião do trovão.
O tomou com o braço bom e correu para longe dali, e mesmo estando cercados, saltou usando a espada de um que lhe era apontada para subir e pegar impulso e o ombro de outros dois para pular fora daquele cerco, mas tal audácia não passou gratuita. Teve um de seus pés cortados e ambas as pernas que se encontraram com as laminas dos muros vizinhos. E tal fato lhe retardava o ritmo.
Entretanto, ela era a melhor corredora que alguém viu na vida, tão machucada ainda era mais rápida que a primeira mulher que lhe carregou no colo assim que chegou a tal país estranho. Ela corria desesperadamente para uma sala enquanto se ouvia aquela mulher que fora intitulada de Duquesa, gritar para que os parassem e não os deixassem entrar lá. Lá? Lá aonde?
E uma porta for aberta bruscamente e foi arremessado para dentro e a tiara tacada em si na mesma velocidade que a porta era fechada novamente. Ainda era possível ouvir os gritos, urros, e metais se chocando e mesmo quando o loiro pensou em se levantar para ajudar, outra voz veio atrás de si, uma conhecida, porem, não familiar.
— vai mesmo jogar fora o sacrifício dela voltando lá?
E assim que seu corpo virou-se para trás encarando a raposa amarela que lhe guiou para os portais daquele local.
- Sa... sacrifício? Eu nunca pedi para ela fazer tal coisa! Eu tenho que para-los...
- E de qual ajuda poderá prestar?
E viu a mesma caminhar em suas duas patas traseira colocando chá em uma xicara.
- Nem lutar sabe... nem correr... Só lhe resta ir embora não é?
- Como poderia ir embora ao ver tudo isso? Hã? Como pode estar tão calmo? Diga-me!
E segurou raivoso o quimono que o canino usava, e enfim percebeu que o amarelo de seu pelo mais parecia ouro, e que seus olhos eram tão verdes quantos a da joia em suas mãos.
- Eu sou um espirito... Eu não me aflijo... E se ela morrer, ela sempre estará comigo... Não tenho porque ficar triste
- O que diabos esta acontecendo?
E levantou ainda mais o animal, falando entre dentes e com os olhos marejando tamanha era sua raiva. A voz embriagada contra sua vontade, a medida que se controlava para não bater naquela raposa e ir cometer suicídio do lado de fora.
- Ela é a guerreira mais forte e rápido que esse país já viu... O que tempos de guerra não fazem não é? Ela é só uma criança...
- Explicações!
- ok, ok... Há muitos anos atrás, havia três irmãs, entre elas a Duquesa, ela era a mais nova, logo não herdaria o trono, mas ela era tão invejosa... Ka era a mais velha, era a mais inteligente de todas e controlava os relâmpagos, a luz, ela sempre iluminava a mente de todos, Tinia era a segunda filha, a mais bela de todas e controlava os trovões, o barulho, era realmente barulhento o cortejar dos rapazes para com ela – e o contador sorriu um pouco, mas o aperto se tornou mais forte, então parou, voltando ao relato- Kadlu era o raio, ela precisa das outras duas para seus poderes funcionarem... Ela não era inteligente como Ka, nem bonita como Tinia... Mas ela tinha um coração sombrio, e foi assim que nunca se casou e nunca teve filhos...
- e o que isso tem haver com o que esta acontecendo?
- Quando Ka teve sua primeira filha, foi anunciado que esta seria a sucessora, e só depois Tinia, bem... Trovão ficou muito feliz, já que poderia namorar mais e não pensar em casamento com aquela criança, e realmente queria muito comprar coisas para a sobrinha, mas novamente a Duquesa não gostou... e foi fechando cada vez mais seu coração a ponto de raras vezes ela ser vista, quando Midori completou 6 anos e começaria seu treinamento para princesa, Kadlu matou sua irmã mais velha enquanto esta dormia, colocou veneno no vinho de Tinia matando ela e seu amante e o filho que ela esperava... Seu pai ao ver que perdeu suas duas filhas entrou em depressão e morreu em alguns dias e finalmente o trono passaria para ela já que era a única na sucessão, mas a acusaram de ter matado a todos, então foi reclusa do país...
E um urro de dor veio do outro lado da porta e o barulho se intensificava cada vez mais.
- Mas seu coração se tornava sombrio, um portal se abriu na cadeia em que se encontrava, e corroída pela ira encontrou seres das trevas que fizeram um contrato consigo... Tomaram o país...
- E a princesa? Não fez nada? Não pediu o trono de volta?
- E não é isso que ela esta fazendo agora?
E sorriu gentilmente, e com isso um estalo se fez na mente do loiro que soltou a raposa a deixando escapar por seus dedos e olhar de volta para a porta, que por ser de vidro podia se ver a luta, mas já não era mais possível pelas manchas de sangue que lá jaziam.
- Ela...
- O nome de alguém possui muito significado, quando você perde seu nome, você perde sua origem... Ela não se lembra do próprio nome porque há anos ninguém a chama, mas ela sabe que foi aqui que nasceu... e sabe que essa tiara, é a coroa que pode mudar tudo...
- Se ela estava com a tiara o tempo todo...
- ela não tinha um nome
- eu conto para ela agora!
- o poder da tiara não funciona...
- como não? Você não disse que ela tem o poder de mudar tudo?
- Porque a pedra sabia que ela não viveria para terminar o que começou e já escolheu outro mestre
- outro mestre?
- Você ouviu não ouviu? A pedra te chamando... Se sinta honrado meu jovem... você carrega o espirito da realeza aí dentro... e eles lhe protegerão, assim como Midori esta fazendo
- Midori... É verde em japonês...
E com isso, o estilhaçar do vidro foi ouvido, e Ryuji não queria acreditar no que via, uma lança atravessada, perfurando o corpo feminino no seio esquerdo, à medida que a porta era aberta e o corpo sendo arrastado para dentro, podendo ser visto o olhar desfocado da antiga dona da tiara.
- passe a joia para cá moleque...
Dizia a mulher carrancuda, manchada de sangue, dos pés a cabeça, deixando pegadas do mesmo no chão quadriculado, com um sorriso diabólico enquanto seu próprio braço derramava o próprio liquido avermelhado.
- Não...
E dava passos para trás já sentindo as lagrimas molhando a face, conforme apertava a joia entre suas mãos olhando de uma mulher para a outra não acreditando no que se passava em sua frente. Sentia sua mão pegar fogo, seu coração bater mais rápido e aquele grito que estava preso em sua garganta soar tão alto quando o próprio trovão.
- Não!
E trovões rugiram. E os relâmpagos acendiam. Raios por todos os lados. Tudo chegava a tremer enquanto da mão que trazia a tiara brilhavam incansavelmente, da onde o mesmo chegava a produzir uma enorme massa de ar capaz de arrastar os objetos próximos enquanto soltava faíscas verdes por todos os cantos. Bem atrás de si um clarão verde apareceu e mesmo com o olhar tão raivoso, pode ver um sorriso gentil aparecendo na face quase fúnebre de sua não tão antiga companheira assim.
- Obrigada...
Disse fraca, ainda com o sorriso no rosto, tão baixo que só pode ser entendido pela leitura de lábios, de tão preso naquela face o loiro logo captou a mensagem e mais lagrimas teimaram em caíram fazendo com que todo aquele espetáculo ficasse cada vez mais forte.
- Acho que sua carona chegou senhor Yamazaki
A raposa logo se despiu flutuando no ar fazendo com que o visitando fizesse o mesmo contra sua vontade, e os protestos da Duquesa continuavam, mas a força com que era levado ao portal era mais forte do que a si próprio, mas antes de partir, viu o corpo da princesa se transformar em um pó brilhante verde e ir flutuando até a joia.
Foi como entrar em uma piscina de uma vez só sem ter prendido a respiração. Foi essa a sensação que Ryuji teve quando atravessou aquele portal, mas logo a joia ficou quente em sua mão, uma temperatura agradável, como um aperto de mão, ou de um abraço. E ao abrir os olhos tendo seu corpo flutuando, assim como seus fios loiros, pode ver centenas de pessoas, todas de olhos verdes, mas só isso era possível se ver de coloração, e bem em sua frente segurando sua mão estava o membro da realeza que morreu o protegendo. Sorrindo. Ela tinha um nome afinal.
Aos poucos ela ia soltando sua mão e ia se afastando, assim como todos os outros. Era uma paz que Yamazaki teve certeza que nunca sentiu em sua vida. Viu tudo se transformar em uma neblina verde e aos poucos a joia voltar a ter cor, mas diferente de antes, estava mais verde do que nunca. A raposa voltou ao seu campo de visão parecendo feliz e continuou a correr o levando para fora daquele lugar.
- Bem... Eu disse que ficaria com ela... Então acho que você terá que me levar junto, meu novo mestre...
- e o que acontece agora?
Sabia que não estava falando, sua boca não se movia, e um sono pesado lhe abatia, o forçando a esconder os olhos multicoloridos que possuía.
- Não há mais membros da realeza, aqueles na qual a Duquesa fez um contrato vieram cobrar a divida... Bem, eles não vão mais ver nada a não ser Kadlu no meio do nada...
- antes da rocha falante?
- sim... Não sei como ele te deixou entrar, apenas eu consigo o ultrapassar.
- e aquelas vozes...?
- São os espíritos renegados, se não tivessem aberto o portão para você, teria virado um espirito daqueles, uma sombra... Sem nunca poder sair do lugar, e lá ficarão a Duquesa e quem entrar no lugar... Mas nada os impede de entrar em um portal que se abra diretamente dentro do país
- o que faço...?
- Feche os portais... Eles nunca deveriam existir, a um motivo para os mundos serem separados meu caro... Alguém sabe o que faz ao fazer isso
E ao pouco somente uma luz e uma rapidez severa se fazia presente.
- e as pessoas?
- Esta na hora deles saírem da monarquia... Eles sabem se virar sozinhos, acredite... Eles passaram por tempos bem piores que estar sem um rei
- mesmo sem você?
- sou um espirito velho, se não encontrar um lugar para dormir eu sumiria em breve... É muito cansativo uma divindade ter um corpo físico... Por isso, sempre estaremos ao seu lado.
Foi a ultima coisa a ser ouvida, antes do corpo repousar com calma na fofa grama da escola que se encontrava molhada pela chuva recente. Ainda apertava a joia em sua mão, mas o sono o fez soltar mostrando uma queimadura com a forma da mesma na palma da mão.
Um pequeno preço a pagar em troca de um poder tão grande, a ponto de controlar os trovões.
OoOoOoOoOoO
Aparência do Ryuji: Toma de ‘Amnesia’’
(1) Kita é um bairro que se localiza em Tóquio
(2)Na mitologia inuit, Kadlu refere-se à deusa ou às três irmãs que controlam o trovão. (fonte: Wikipédia)
Não atirem pedras! Tarda mais não falha =D cá estou eu com outro capitulo, bem grandinho não acham? Antes que reclamem que eu dei enfoque no guardião do trovão, vou lembra-los de um dos avisos do primeiro capitulo, a partir de agora, cada capitulo terá um personagem de enfoque. Logo, o próximo será outro e assim por diante até acabar~~
Espero realmente que tenham gostado, deu um trabalhão D: não sei porque, mas não saia, eu pensei esse capítulo a mil anos atrás e muita, muita coisa mudou do que estava planejado asuhasahu mas como eu li uma vez "as historias estão por ai esperando para serem escritas" ou seja, a gente não cria nada, só escreve o que o destino já planejou. suahsuahsuhusahus ai ai comparar esse minha escrita fuleira com o destino é fogo viu? Humildade por favor UAHSUASHAUSH Mas sei ser tão traiçoeira quanto ele ;X
Realmente me perdões pela demora D: realmente não saia, mas gente quando eu peguei o ritmo foi da 12 até a 21 num fôlego só aushausah as 4 primeira paginas foram sofridas viu, eu comemorava com alguns leitoras no face para avisar que a Fic. não morreu xDDD mas cá estou eu, pedindo perdão pela demora.
Vou tentar não demorar tanto na próxima, ok? =33 mamãe vai tentar, vai tentar.
Espero realmente que tenham gostado
Até a próxima pessoal \o
Bjs
Sz
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