Anel Dos Seis
3 Capítulo 2
Notas iniciais
E leitores fantasmas, por favor, apareçam *--*
Quatro horas depois, finalmente chegamos ao destino. A casa de verão de família Glen. Não iria ser hipócrita e dizer que a casa não me surpreendeu. A casa realmente me surpreendeu. Ela parecia um castelo medieval dos tipos que víamos apenas em filmes. Um grande quintal cercada a casa e , talvez eu estivesse louca, mas estava escutando barulhos de piscina. Meus olhos brilharam de espectativa. O carro estava parado em frente a grandes portões de ferro, que lentamente se abriram, permitindo a passagem do carro.
Ele seguia com cuidado pela estradinha até a porta de casa. Ao redor das casa e dos lados da estrada, existiam árvores que seguiam até a varanda e faziam a volta pela casa. Aquilo era lindo. O Senhor Perfeição estava subindo no meu conceito. Esse sim, era o jeito de uma garota passar as férias em grande estilo. Ele parou o carro na entrada e deu a volta começando a tirar as malas.
Fiquei parada na porta, deslumbrada com a visão da casa de perto. Era ainda mais bonita. Toquei levemente a porta e me assustei quando ela rangeu, se abrindo. Com passos lentos, entrei na casa olhando o meu redor. A sala de entrada consistia em um grande espaço , ocupado por uma escada a alguns passos da porta. Aos lados, tinham batentes que pareciam levar para outro lugar. Fiquei tentada a olhar o restante da casa, mas fui detida pela voz da minha mãe.
“Rocky Days, se você não me ajudar com essas malar, eu juro que taco tudo na piscina.”, ela gritou do lado de fora.
Dei meia volta com uma careta, mas parei olhando para o tapete e os desenhos embutidos nele. Pareciam formas abstratas e símbolos. Cores vibrantes e hipnotizantes. Acordei dos meus devaneios com mais uma ameaça de minha mãe e fui pegar minha mala. A arrastei pelo chão e pelas escadas da varanda até a entrada da casa e soltei o ar, de alívio, quando a larguei no chão. Leonardo sorriu ao ver a cena e passou o braço em torno dos ombros de minha mãe.
“Quero que conheçam meus filhos.”, ele anunciou.
Fiquei confusa. Não tinha mais ninguém naquela sala e, pelo silêncio, na casa. Então, comecei a escutar barulhos de passos. Olhei da escada para o andar de cima a tempo de ver uma garota descendo a escada. Me virei para uma das passagens e vi mais duas garotas menores vindo. Nem precisei olhar para o outro lado para saber que o restante estava chegando.
Todos se enfileiraram na nossa frente, como soldados para seu tenentes. Minha boca pendia escancarada. Os desgraçados não eram nerd e feios. Eles eram lindos. Eles colocavam qualquer mauricinho e patricinha da minha escola no chão. Me sentia até um pouco desconfortável pelo jeito que me olhavam. Como se eu fosse fascinante.
Observei a mistura de expressões. Iam de estudo até alegria exagerada. Passando para o interesse e para a indiferença. Até um pouco de vergonha. Tentei manter a minha expressão habitual no rosto. Leonardo deu um sorriso e começou as apresentações, acabando com aquele silêncio constrangedor.
“Esse é o meu filho mais velho, Rafael.”
Rafael era alto e tinha pele clara, mas sem aquele pálido assustador de seu pai. Seus cabelos loiros tinham um corte diferente, mas se não estivesse molhados, eu diria que eram um moicano. Os olhos verdes brilharam enquanto ele sorria e assentia para mim. Imitei o seu movimento, tentando não olhar para o seu abdômen exposto. Então era ele que eu tinha escutado na piscina. Pelo estado semelhante do garoto ao seu lado, diria que não estava sozinho.
“Ao lado dele, Gustavo.”, Leonardo continuou a apresentação.
Olhei para o moreno parado ao lado de Rafael e sorri. Mas não um sorriso normal, um sorriso quente. Ele retribuiu no mesmo instante. Os cabelos dele também estavam molhados, mas não escondiam os inúmeros cachos. Os olhos azuis em contraste com a pele clara idêntica a do irmão mais velho. Não me impedi meu olhar de estudar seu corpo bem feito e eu gostei muito do que vi. Essa viagem não seria de todo o mal. Gustavo piscou para mim e meu sorriso aumentou.
“Essa é Sophie.”
Ela sorriu animada para mim e , me surpreendendo, veio me dar um abraço. Minha mãe fez um barulho de que estava gostando e eu reclamei um pouco do seu aperto. Ela parecia estar pegando fogo de tão quente. Será que estava doente. Ela se afastou um pouco, para poder olhar para mim. Os olhos verdes brilhavam. Eu sorri ao notar que ela tinha o cabelo quase tão cacheado quanto o meu e escuro.
“Vamos ser ótimas amigas.”, ela disse com a voz cantante antes de voltar ao seu lugar na fila dos Glen. Leonardo riu um pouco da cena e da minha confusão, antes de continuar.
“A próxima é Aurora. Ela não é de falar muito.”, ele comentou e apontou para a loira com cara de poucos amigos.
Seus olhos azuis eram frios e me olhavam como se eu não fosse nada tão importante que precisasse de apresentação. Torci minha boca, não gostando daquilo. Ela deveria ter só uns 13 anos. Isso não me impedia de dar uns cascudos nela. Retribuí o olhar, ao mesmo tempo que ela colocava seu cabelo loiro liso atrás da orelha.
Sua pele, diferente das do seus irmãos, tinha um tom de pálido assustador que quase não se destacava no seu vestido branco. A observei estreitando os olhos e fiquei tentada a pegá-la no colo e virá-la de cabeça para baixo. Me contive. Eu não iria me rebaixar a assusta uma garota três anos mais nova que eu. Não iria mesmo.
Meu olhar deslizou para a pequena figura escondida atrás do vestido branco de Aurora. Ela mostrou seu rosto o suficiente para que eu pudesse ver seus olhos azuis. Os cabelos escuros deslizaram por seu rosto levemente corado. Isso me fez sorri. Aurora olhou para a sua irmã e pegou em sua mão a puxando para fora de seu abrigo.
“Venha, ela não irá te machucar.”, Aurora sussurrou para a garota. Um pouco relutante ela levantou os olhos para mim e eu sorri, tentando ser simpática. Ela afundou o rosto no vestido de Aurora mais uma vez, então lentamento levantou os olhos para mim. Ela era tão fofa.
“Essa é Marie, minha filha mais nova.”, Leonardo disse. “Não se preocupe. Logo ela se acostuma com você.”
Mordi o lábio me contendo para não ir até ela. Então, alguma coisa estalou na minha mente. Olhei para os Glen e os contei. Uma, duas, três vezes. Até que tive certeza do meu pensamento. Pelo olhar questionador na minha mãe, ela estava pensando a mesma coisa que eu. Leonardo olhou para nós duas e parecendo ler os nossos pensamentos, disse:
“Está faltando meu filho do meio, Felipe.”, ele esclareceu, nos vendo confusa.
Levantei uma sobrancelha. Então tinha mais um. Esse, tinha que ser feio. Quero dizer, não era possível que todos fossem incrivelmente lindos. Se Demétria estivesse aqui, já estaria atacando um dos Garotos Glen, sem pensar duas vezes. Era como um banquete que andava. Para encerrar as apresentações em família, Leonardo passou o braço por meu ombro, mesmo eu recuando um pouco.
“Essas são Rita e Rocky Days.”, ele indicou para minha mãe e para mim enquanto dizia nossos nomes.
Sem mais essas formalidades das apresentações, me soltei de Leonardo e fui em direção a minha mala. Nem tive a chance de pegar nelas, antes que Gustavo a tirasse do chão, sem nenhuma dificuldade. Era como se minha mala pesasse menos que minha bolsa. Ele deu um sorriso quente e começou a subir as escadas.
“Venha, vamos mostrar o seu quarto.”, Sophie entrelaçou nossos braços e me puxou escada a cima. Olhei para trás, ainda um pouco confusa com tanta atenção e vi minha mãe sorrindo para mim. Ela se aconchegou mais em Leonardo e suspirou.
Vi os outros irmãos nos seguindo. Me surpreendi que até Aurora estava vindo conosco. Marie grudada em seu vestido, mas seus olhos azuis sempre observando cada movimento meu. Rafael mantinha seu olhar estudioso em mim. Se ele não fosse tão bonito, já teria mandado uma resposta sarcástica para ele.
Os Glen me levaram até um dos quarto no final do corredor. Eles abriram a porta e um jato de vento atingiu o meu rosto. Eu recuei e um tipo de eletricidade tocou minha pele, fazendo os pelos do meu braço se arrepiarem. O aperto de Sophie frouxou um pouco e ela me encarou, franzindo as sobrancelhas.
“Aqui é frio, não é?”, eu disse sentindo um enjoou.
“É o quarto de Felipe.”, Rafael disse como se explicasse tudo. “O quarto ainda está terminando de ser arrumado. Como o Felipe só irá chegar amanhã, pensamos em colocá-la aqui mesmo.”
“Por que ele ainda não está aqui?”, perguntei entrando no quarto e olhando ao redor. As paredes pintadas de um verde claro, uma cama de solteiro encostado na parede, uma janela ao lado com a cortina, também azul. Do outro lado do quarto, vi uma porta, que deveria ser o banheiro. Na parede da porta, estava o guarda roupa. Ao lado da janela , uma penteadeira vazia.
Cheguei perto da penteadeira e me olhei no espelho. Sorri para mim mesma e olhei para as cinco formas perfeitamente paradas atrás de mim. Tinha alguma coisa que irradiava, não só do quarto, mas deles também, que era um pouco perturbador. Tão parecido com o que irradiava do pai deles. Minha mão aperto o meu anel , e os vi recuando um pouco como se sentisse dor.
“Aqui está mesmo frio.”, Rafael disse , respirando um pouco forte. Marie se encolheu mais perto de Aurora. Sophie caminhou rapidamente até a porta. Os únicos que se mantinham firmes dentro do quarto eram Gustavo e Rafael.
“Vou tocar piano.”, Aurora disse saindo rapidamente do corredor, escada a baixo. Marie no seu encalço.
“Irei ver se tem alguma novidade nas redes sociais.”, Sophie também saiu do quarto.
Soltei o anel e me virei para os dois garotos, desconfiada. Gustavo colocou a mala num canto, perto do armário, enquanto Rafael respirava devagar e se sentava na cama. Gustava fez o mesmo percusso que seu irmão e se sentou ao seu lado. Fiquei em pé em frente a eles e coloquei a mão na cintura, esperando que eles me dissessem algo. Ou que saíssem do meu quarto provisório.
“Então, vocês fazem o que?”, puxei assunto. Sentei na cadeira da penteadeira e cruzei as pernas. Gustavo seguiu meus movimentos com os olhos felinos.
“Faço faculdade.”, Rafael respondeu, mal notando os olhares entre mim e Gustavo. “Estou no segundo ano.”
Então isso quer dizer que ele deveria ter uns 19 anos. Interessante. Percebi que, seus shorts já estavam secos. Ainda bem. Se não teriam molhado a minha cama. E eu teria dado um ataque com ele. Tirei a bolsa e a joguei junto com minha mala. Olhei para a janela, vendo o céu se pintando se laranja, anunciando o final do dia. Estiquei meus braços, escutando os ossos estalarem.
“E você, Gustavo?”, pisquei meus olhos de modo exagerado para ele.
“Faculdade.”, ele concordou com o irmão. “Primeiro ano.”
Um sorriso saliente cresceu em meus lábios. Um universitário. Isso seria bastante interessante. Ainda mais um bonito desse jeito. Finalmente notando o clima ali do quarto, Rafael se levantou da cadeira. Agora ficaria interessante, pensei comigo mesma o assistindo caminhar até a porta. Então, ele se virou para Gustavo.
“Vamos.”, ele disse. Gustavo deu um olhar suplicante para ele, mas Rafael apenas balançou a cabeça. “Deixe Rocky descansar. Amanhã será um longe dia com Felipe aqui.”
Então ele suspirou e saiu do quarto. Gustavo me deu um olhar de desculpa e saiu logo atrás do irmão. Nem sequer me deram uma boa noite. Cretinos. Me levantei e peguei um blusão branco para poder dormir. Realmente estava cansada. Graças ao céus que minha mãe estava distraída com o novo namorado, senão ela iria me obrigar a ficar acordada até altas horas conversando com os irmãos e fazendo amizade.
Pela expressão de cansado de Rafael quando falou de Felipe, calculei que ele era encrenca. Então, ficaria o mais longe possível dele. Deitei na cama, me ajeitando até ficar o mais confortável possível. Pensei que demoraria a pegar em um sono, mas quando percebi, já tinha caído na inconsciência.
Acordei horas depois com um barulho vindo do andar de baixo. Me sentei passando a mão por meu cabelo emaranhado e aguçando meus ouvidos. Esperava que eu estivesse maluca. Iria ser muita falta de sorte se a casa fosse assaltada no meu primeiro dia nela. Engoli a seco, colocando meus chinelo e prendendo o meu cabelo em um coque. O ladrão iria ter um ataque cardíaco se visse meu cabelo recém acordado.
Abri a porta, me encolhendo conforme ela rangia. Me sentia em um filme de terror conforme descia as escadas devagar. Meus olhos captaram uma luz vindo da frente. Talvez alguém tenha escutado o mesmo barulho que eu e tenha vindo ver o que era. Mas, a sombra entrando dentro de casa disse o contrário.
Continuei descendo as escadas com cuidado, parando para encarar o meu oponente. Ele estava de costas para mim, pegando as malas do lado de fora, mas a luz do lado de fora foi o suficiente para ver seu cabelo loiro liso caindo por seu rosto. A blusa social azul com as mangas dobradas, destacando seus bíceps acentuados e sua pele clara. Ele jogou a mala no chão e notou que eu estava parada ali, o encarando.
Lentamente seus olhar subiu por meu corpo, até que ele encarou meus olhos. Os dele eram verdes brilhantes. Meu corpo se aqueceu de baixo do seu olhar e eu paralisei. Estava pensando em gritar, ou algo parecido se fosse um assaltante, mas estava congelado. Minhas cordas vocais travaram debaixo daquele olhar. Um meio sorriso cresceu lentamente por seu rosto. Ele ficou reto e deu um passo para dentro de casa.
“Que bom que você apareceu.”, ele disse se aproximando de mim. “Pensei que teria que carregar tudo isso sozinho.”,continuei em silêncio o encarando. “Está tudo bem com você?”, ele balançou sua mão na minha frente.
“Sim.”, balancei a cabeça, despertando. “Ótima.”
“Que bom.”, ele sorriu. “Pensei que meu pai tinha contratado outra empregada idiota.”, ele riu.
Então, eu peguei a dica. Meus olhos se estreitaram com raiva e eu dei um passo a frente, ameaçadora. Ele parou de rir, me encarou tentando descobrir o motivo da minha súbita raiva. Eu tinha um bom motivo.
“Quem é você?”, eu perguntei quase cuspindo as palavras.
“Felipe.”, ele disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E talvez fosse mesmo. “Felipe Glen.”, resolveu esclarecer. Seu olhar foi de sedutor para questionador. Na verdade, ele me olhava como se eu fosse burra. Ele que era o burro ali.
“Então, Felipe, vamos deixar uma coisa clara.”, cruzei meus braços e levantei minha cabeça. O fato dele ser um pouco mais alto que eu e tão bonito, ainda era um pouco desconcertante. Era raro o fato de me sentir pequena, como estava me sentindo ali. “Eu não sou a sua empregada.”
“Claro que não. É a empregada do meu pai.”, novamente estava lá, o tom de voz irônico, acompanhado por um rolar de olhos.
“Escute amigo, vou dizer de um jeito que você realmente entenda. Eu não sou a empregada. Nem sua, nem do seu pai, nem de ninguém.”, minha voz se elevou dois oitavos. Parecendo que a ficha caiu, Felipe estreitou os olhos para mim, desconfiado.
“Então, quem é você?”
“Rocky.”, suspirei. Finalmente a conversa estava indo para um rumo que eu poderia controlar. Felipe continuou me olhando como se eu fosse maluca. Caramba. Será que todos dessa família eram idiotas movidos a sobrenomes? “Rocky Days”, disse cansada.
“Ah”, ele lembrou. Então balançou o dedo na minha direção com um sorriso esperto. Como se me conhecesse a anos e me reencontrasse. “A filha da namorada do meu pai.”
“Sim”
“Dessa vez ele escolheu certo.”, ele me olhou de cima a baixo de novo. Me senti um pouco exposta por seu olhar. “Esperava que você fosse diferente.”
“O quê? Loira com olhos azuis?”
“Não, gosto de morenas.”, ele mexeu a mão como se esse ponto não fosse importante e continuou me analisando. Estava começando a me incomodar. Mesmo ele sendo bonito, contrariando minhas expectativas. “Esperava que fosse menos... dark”
“Não gostou?”, levantei uma sobrancelha. Não seria o primeiro.
“Não, adorei.”, ele olhou para o meu pescoço e eu dei um passo para trás. Notando o meu movimento, ele voltou a prestar atenção na sua ação inicial. “Pode me ajudar com as malas?”
“Já não falei que não sou a empregada?”, o lembrei. Garoto insistente. Ele levantou os olhos para mim, sério.
“Mas achei que fosse educada.”
Essa doeu.
Andei até onde ele tinha largado alguma de suas malas e peguei a menor. Já estava sendo boa o suficiente em carregar as malas, ele que se virasse com as maiores. Puxei a menor, tomando um susto com o peso. Ela me puxou de volta para o chão e minhas costas estalaram. Soltei um grito baixo e Felipe parou para me olhar.
“Arg!”, reclamei. “O que você trás aqui? Metade da escola?”
“Não, proibiram isso ano passado.”, ele se virou e pegou as outras malas como se pesassem nada.
“Você não ia chegar só amanhã?”, comecei a puxar a mala pelo chão até a escada.
“São mais de meia noite, querida.”, ele retrucou.
Então ele era um espertinho que tinha uma resposta sempre na ponta da língua? Agora eu entendia seu irmão, por dizer que o dia seria cheio. Era como ter uma versão masculina de mim. Com dificuldade, puxei a mala, degraus a cima, passando por Felipe. O escutei puxando o ar, quando eu já estava no meio da escada espiral. Lembrei que estava apenas com um blusão e que do lugar onde ele estava dava uma boa visão minha.
“Vê alguma coisa que gosta?”, provoquei.
“Oh, sim, maninha.”, ele riu. “E como.”
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