Anel Dos Seis
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Primeiro, quero agradecer pela linda recomendação que eu recebi. E espero que seja a primeiro de muitas *---*
Bem, aproveitem o capítulo e me desculpem pelos erros.
“Você são loucos”
As palavras saíram arrastadas de meus lábios e quase não pareciam vir de mim. Meus membros congelaram, assim como a minha respiração. Meu coração era o único que reagia. Batia tão forte contra os meus ossos, que pensei que quebrariam. Os seis irmãos Glen me encaravam com seus olhos multicoloridos, esperando uma reação de mim.
Engoli em seco e dei um passo em direção a escada. Felipe se aproximou de mim, mas Rafael o alcançou e segurou o seu braço. Minha mente estava tão confusa que me surpreendi por ainda estar de pé. Eu não poderia ficar ali. Eu não poderia entregar o anel. Eu não poderia acreditar no que eles falavam. Eu tinha que sair dali e ligar para a polícia. Tinha que ligar para minha mãe.
“Rocky, me escute.”, Gustavo tentou tocar em meu ombro.
Eu gritei, recuando. Eu sabia que tinha alguma coisa estranha com eles. E agora minha mãe estava em perigo. Fechei os olhos e corri em direção a escada. Tinha que ir embora. Iria para a casa de Demétria e ela me ajudaria. Se ela não me chamasse de maluca, claro. Fechei a porta atrás de mim com força e corri para as malas, jogando todas as roupas dentro.
Não podia acreditar que eles só haviam se aproximado de mim e de minha mãe por uma coisa tão louca como aquilo. Era impossível que eles tivessem poderes. Era impossível. Mas, enquanto eu ficava repetindo aquilo, parecia que eu estava dizendo mais para mim mesma do que afirmando realmente.
Bateram na porta e eu congelei. Será que eles iriam me matar? Ah, Deus. Como eu queria saber o que eles fizeram com a minha mãe. Peguei o meu celular. Será que eu teria tempo de ligar para o polícia? Bateram novamente na porta. A ligação não estava completando. Olhei para a tela e vi que estava sem sinal. Xinguei.
“Rocky, se você não abrir essa porta, eu juro que derrubo.”, Felipe gritou do outro lado. Ele parecia raivosos, mas frustrado. Talvez com medo. “Pode, pelo menos terminar de me escutar?”
“Vocês são todos loucos”, eu gritei de volta.
“Sim, mas dá para você nos escutar”, escutei um baque surdo e fiquei alerta de novo. “Não podemos pegar o anel, sem que você deixe, ok? E eu não te levei no parque para roubá-lo. Nem te seduzir. Eu te levei porque quis. Gosto do seu jeito. Pensei que seria mais corajosa quando soubesse verdade.”
Não sei realmente o que aconteceu. Talvez tivesse sido as suas palavras, ou talvez o seu riso irônico, mas quando dei por mim, abri a porta de supetão e o vi caindo para trás. Murmúrios eram escutados vindo do andar de baixo se cessaram e eu sabia que cada palavra que eu sussurrasse, seria escutada.
Felipe se levantou e me encarou com os olhos verdes sérios. Uma leve brisa tocou o meu cabelo e eu respirei fundo. Novamente, foi como se ela acariciasse o meu rosto. O sorriso de Felipe aumentou e ele levantou a mão, botando um pedaço do meu cabelo atrás da minha orelha. Eu suspirei com o pequeno contato de seus dedos em minha pele, mas logo me afastei.
“Eu sou corajosa.”, eu o encarando de cima a baixo. “E quero provas.”
Felipe sorriu e deu um passo para frente, deixando nossos rosto juntos.
“Essa é a Rocky que eu conheço.”
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Todos os irmãos Glen estavam posicionados no quintal em um círculo e eu estava parado no centro. Olhava para todos, vendo como estavam tensos e preocupados. Todos, menos Felipe, que me olhava com o mesmo sorriso idiota de sempre. Revirei os olhos para ele e ele me apontou um dedo como aviso. Tive que segurar o riso.
“Então, vamos começar.”, Rafael disse dando um passo a frente. “Eu e Gustavo”, ele apontou para o irmão moreno dos olhos azuis que me olhava com preocupação. “somos elementares da água. Você já deve ter percebido nossa habilidade de respirar em baixo da água.”
Assenti, repassando as minha memórias de... ontem? Parecia ter se passado milênios desde que aquela lembrança surgiu em minha mente. Respirei fundo e esperei que eles fossem equilibrar a água no ar, ou algo parecido.
Mas, eles entraram na piscina. Levada pelo impulso, eu corri até a beirada e analisei seus corpos iluminados pela fraca luz do luar. Eles estavam quase no fundo, nadando um do lado do outro. Se Demétria estivesse ali, talvez achasse aquilo tão sexy quanto eu achava um pouco gay. Pelo meio sorriso que Felipe tinha nos lábios, ele deveria achar a mesma coisa que eu.
“Eles só vão sair quando você quiser que eles saiam”, Sophie disse e sorriu. Eu olhei para ela e voltei meu olhar para a piscina. “Estou falando sério.”
Me desesperei.
“Oh, Droga!”, eu disse e olhei para a piscina. Fiquei de joelhos na beirada e passei a mão pela água com urgência. “Hey, podem sair. Não quero que ninguém morra por minha causa. Saiam. Saiam”
Os irmãos Glen riram, enquanto Rafael e Gustavo saiam da água com um sorriso no rosto. Eles nem ofegavam. E devem ter ficado uns bons cinco minutos embaixo da água. Gustavo manteve os olhos azuis em mim por um minuto e deu um meio sorriso, que eu retribuí sem pensar duas vezes. Os cabelos pretos e cacheados estavam molhados, o que me fez lembrar novamente de um filhote.
Rafael estava sério. Seu moicano estava caído também, mas seus olhos verdes não desviaram dos meus por nenhum segundo. Eu em senti desconfortável e encarei os outros Glen. No fundo, toda aquela loucura parecia estar entrando nos eixos. Rafael e Gustavo pegaram algumas toalhas e se secaram, enquanto Sophie dava um passo a frente.
“Você deve ser do fogo.”, eu disse lembrando de todas as vezes em que toquei nela e parecia estar com febre. Sophie sorriu e pôs uma mexa de seu cabelo cacheado atrás da orelha. “Por favor não coloque fogo em mim, ou em si mesma.”, pedi.
Ela soltou um riso.
“Não se preocupe.”, Gustavo disse. “Ela sempre foi exibida. Além disso, estou aqui para apagar qualquer fogo.”
Fiquei tentada a fazer uma leve piada sobre aquilo, mas fui interrompida por duas coisas. Primeiro pelo rosnado de Felipe. O encarei e vi seus olhos verdes se estreitando. Aquela dúvida ainda pairava em minha mente. O porque deles o chamarem de traidor. Afinal, ele não tinha tentado nada que me fizesse dar o anel. Nada mesmo.
E a outra coisa, foi Sophie colocando fogo nas próprias mãos e fazendo malabares com as labaredas. Eu fiquei impressionada vendo como o fogo ia de um lado para o outro, até que começou a circular cada um dos irmãos Glen, demorando um pouco em Felipe. Ele fez uma careta e estreitou os olhos. Como se o fogo fosse empurrado por algum tipo de brisa, a labareda se afastou do rosto de Felipe e veio na minha direção. Desviei no último segundo.
“Me desculpe.”, Sophie disse encarando Felipe, que mantinha seu olhar fixo na irmã mais nova. “Quase a machucou.”
“Você sabe que eu nunca machucaria.”, Felipe retrucou.
Antes que a discussão recomeçasse, Aurora deu um passo a frente e todos pararam. Ela tocou no rosto de Felipe, onde tinha o machucado do soco que Gustavo, então fechou os olhos. Demorou alguns segundos, mas quando ela tirou a mão, não havia mais machucado nenhum. Ela levantou os olhos azuis frios para mim e esperou, sem dizer nada.
“Você é uma elementar do que? Cura?”, perguntei inútil, sabendo que não havia cura nos elementos. O mais perto da cura, era... “Ah, você é uma elementar do espírito. Por isso está sempre de mal humor?”
Alguns dos irmãos Glen não conseguiram segurar a risada. Aurora me fuzilou.
“Não. É porque eu não gosto de você”, ela retruquiu e voltou para o seu lugar.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ou voar no pescoço daquela pirralha, Marie deu um passo a frente e puxou a minha blusa. Abaixei os meus olhos castanhos e foquei nos olhos azuis dela. Seus cabelos estavam trançados, como da primeira vez que eu vi. Ela tinha um pequena rosa nas mãos e me entregou. Assim que eu a peguei, ela se afastou, voltando para trás do vestido de Aurora.
“Que linda”, eu disse, cheirando. “Então a pequena é elementar da terra?”
Marie assentiu e eu senti vontade de abraçá-la novamente. Então, para fechar a noite, ou quase dia, já que alguns raios do amanhecer já começavam a pintar o céu de laranja, Felipe deu um passo a frente. Eu não precisei pensar para saber o que ele era. Antes de todos se mostrarem, eu já sabia.
Felipe deu um passo na minha direção e tocou meu rosto. Eu deveria evitar, mas não conseguia. Uma leve brisa acariciou os meus cabelos e o meu rosto, como se me beijasse. Nem percebi que fechei os olhos, apenas quando os abri. Então, percebi o quão perto ele estava de mim e dei um passo para trás, assustada com a intensidade de seu olhar.
“Mas você já sabia”, Felipe disse, também se afastando com um olhar tristonho. “Está satisfeita com essas demonstrações?”
“Chegou nem na metade do que eu quero”, cruzei os braços e fiz uma careta, encarando cada um dos seis. “Quero explicações. Começando com: o que a minha mãe tem haver com essa história do anel? Ela sabe?”
“Não.”, Rafael parou ao lado de Felipe, mas o ignorou. “Sua mãe foi apenas um modo de chegar até você, Rocky. Pensamos em entrar na sua escola, mas você entrou de férias e não poderíamos esperar até que ela acabassem.”, ele continuava sério. “Precisamos do anel, Rocky. Mas se você não permitir que o tenhamos, não o teremos. É uma maldição que nossa família carrega.”
“Maldição? Ter poderes legais?”, eu perguntei espantada.
“Para nós, sim”, Gustavo deu um passo a frente, parando ao lado de Rafael e me encarando com tanto desejo, que quando me senti nua. “Queremos ser pessoas normais, Rocky. Convivemos com esses poderes tempo o suficiente para odiá-los.” , ele suspirou e olhou para suas irmãs mais novas. “Principalmente para as mais novas.”
“Então, se eu lhes der o anel... essa maldição acaba.”, eu disse lentamente.
“Não”, Felipe deu um passo a frente. Gustavo rosnou. “Se você der o anel, temos que combinar os nossos poderes na próxima noite de lua cheia. Então, eles se acabam.”
Eu analisei a expressão de cada um dos irmãos. Cinco deles estavam ansiosos. Os olhos fixos no meu anel que pendia acima do meu peito. Mas, um deles tinha os olhos fixos nos meus. Eu sabia que não era isso que ele queria. Mantive meus olhar nele e falei diretamente.
“Mas, você não quer isso, não é?”, eu perguntei a Felipe.
Ele me encarou por alguns segundos, até que balançou a cabeça.
“Felipe quer todos os poderes para ele.”, Gustavo acusou o irmão, sem que deixasse ele se defender. “Por isso ele parece tão carinhoso e atencioso. Ele só quer que você abra mão do anel para que ele possa ter todos os poderes para ele. Não caia nesse truque, Rocky”
Mantive a atenção em Felipe.
“Isso é verdade?”, perguntei.
Mas, tudo o que ele fez foi virar as costas e entrar na casa.
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O dia amanheceu e eu não consegui dormir. E não, não dormi com Felipe. Fiquei no sofá na sala, mesmo Sophie tendo me oferecido para dormi em seu quarto. Tudo o que tinha acontecido vinha e ia, na minha mente. Rafael me garantiu que minha mãe estava bem, mas eu esperaria para ter certeza e ligaria.
Quando o relógio soou dez da manhã, escutei passos na escadas e deixei meus olhos em frestas para poder ver quem era. Quando vi a calça que Felipe tinha usado na noite passada, segurei a respiração. Ele ficou um tempo me olhando de longe, até que suspirou e se afastou. Me levantei, aproveitando quando escutei o rugido do motor de sua caminhonete e subi para tomar banho.
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“Eu já disse que estou bem, Rocky”, minha mãe disse frustrada do outro lado da linha.
Eu estava sentada na cama, ainda enrolada na toalha e com os cabelos despenteados. Sim, eu tinha engolido o meu orgulho e ligado para minha mãe. Claro que isso incluiu pedir desculpas a ela pela cena (desnecessária nas palavras dela). Não hesitei e pedi. Então ela me garantiu que estava se divertindo e que estava tudo bem. Eu estava aliviada.
“Então, me passe para o Leonardo.”, eu disse forçando um sorriso na voz. “Quero me desculpar com ele também.”
“Oh, claro, querida.”, minha mãe disse mais feliz. “Espero que esteja se divertindo. Os filhos de Leonardo são uns amores.”, revirei os olhos, mas não disse nada que a contrariasse. Ela afastou o telefone e gritou. “Leo”. Nossa já tinha essa intimidade? “Querida, ele já está vindo. Então, vou deixá-los falando sozinhos. Beijos.”
“Claro, até”, eu respondi e escutei minha mãe dando o telefone para ele. Antes que ele pudesse me cumprimentar, o cortei. “Se afaste de minha mãe que eu quero conversar com o senhor a sós, elementar.”
Ele soltou o ar, um pouco surpreso, então escutei-o dando alguma desculpa a minha mãe e se afastando dela. Sorri satisfeita. Me levantei e inclinei-me no batente da janela. Os irmãos Glen, mais uma vez estavam na piscina, mas eu sabia que tinha uma leve diferença do dia anterior com hoje. Tinha uma tensão presa no ar.
“Estou escutando”, Leonardo disse.
“Se alguma coisa acontecer com a minha mãe e ela voltar com qualquer arranhão que não estava antes, eu juro que sumo com esse anel para os confins do inferno, escutou?”, ameacei.
Silêncio.
“Escutou?”, eu gritei.
“Rocky, eu sei que se disser isso, você vai achar que estou mentindo ou tentando te amolecer, mas eu realmente gosto da sua mãe.”, ele pausou e suspirou. “Não irei fazer nada contra ela, prometo.”
E mesmo estando pelo telefone, eu sentia que ele estava dizendo a verdade.
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Fiquei o dia presa no quarto, evitando a todos os elementares, incluindo Felipe. Ele tinha voltado a poucas horas, mas não tinha ido ao quarto. Eu estava deitada na cama, com os fones de ouvido, escutando FF. Então, meu estômago roncou e eu não pude mais ignorar a fome. Tirei os fones e me levantei, indo na ponta do pé até a escada. Mas se eu vivesse como espiã, iria morrer de fome.
Trombei com alguém na escada, enquanto olhava por cima dos ombros. Estava pronta para me desculpar, quando encarei os olhos verdes que eu tanto fiz questão de ignorar o dia inteiro. Antes que ele dissesse alguma coisa, tentei passar por ele na escada. Mas, como um filme clichê de classificação B, ele me segurou pelo ante braço e me fez ficar.
“Olha, eu não vou me fazer de santo para você assim como os meus irmãos, ok?”, Felipe disse e suspirou. “Te levei para o parque porque você precisa pensar e eu também. Sim, eu fiquei interessada no seu anel. E sim, usarei isso ao meu favor para você me dá-lo, mas não farei nada que você não queira.”, ele me analisou da cabeça aos pés quando disse isso e agradeci por não corar. “Eu te prometi que não te faria nenhum mal, mas vou fazer o máximo para ter o anel”
Nos encaramos, a tensão queimando em nossa pele. Assim como o desejo queimava em nosso olhos.
Notas finais
Até o próximo, amores
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