Anel Dos Seis
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Vamos ver a sua reação e um pouco mais do encontro dela com Felipe.
“Então, senhorita Days, onde gostaria de ir primeiro?”
Olhei para o parque a minha volta e sorri. As luzes me atraíam como um imã e a ansiedade era como um veneno que deslizava por minha pele lentamente. Me lembrei de quando tinha apenas 10 anos e fui a um parque de diversão com a minha avó. Minha mãe era medrosa demais para ir nos brinquedos comigo, mas minha avó nunca hesitava. Todos diziam que em personalidade, eu era quase um espelho de minha avó.
No mesmo segundo em que as minha raras memórias boas passaram por minha mente, meu olhar se direcionou para a roda gigante. Um riso baixo saiu dos meus lábios, enquanto eu lembrava do terror de minha mãe só de olhar para o brinquedo. Encarei Felipe e apontei. Ele sorriu, puxando a carteira do bolso de trás da calça.
“Boa escolha.”, ele foi até a bilheteria e voltou alguns segundos depois. Parou, assim que viu a minha careta. Seu olhar ficou hesitante. “O que houve?”
Minha careta ficou pior.
“Não gosto que garotos paguem coisas para mim.”, abaixei meus olhos por um segundo, envergonhada. Então peguei algumas notas amassadas da minha bolsa e estiquei em sua direção, levantando meus olhos com determinação logo em seguida. “Tome. Se faltar, te pago depois.”
“Hey, Rocky, relaxe.”, Felipe empurrou o dinheiro de volta para mim e passou um dos braços por meus ombros. Me arrepiei, mas como estava ventando bastante, deixei que ele pensasse que era apenas por causa do frio. “Eu te chamei para sair, então o mais natural é eu pagar. E não faça essa careta para mim”
Estalei minha língua.
“Não posso revirar os olhos. Não posso fazer careta. Alguma coisa que eu possa fazer hoje?”, perguntei.
Paramos na fila e eu cruzei os braços. Como já era bastante tarde, não ficamos muito tempo na fila. Entramos em uma cabine e logo estávamos subindo. Pus as mãos nos vidros, com cuidado para não me machucar na trava de segurança. Escutei o riso de Felipe e voltei a ficar normal. Ele deveria achar que eu era uma criança.
“Não precisa ficar séria sempre.”, ele disse como se lesse os meus pensamentos. “E sim. Tem uma coisa que você pode fazer hoje.”, ele se inclinou e pegou minha mão. “Se divirta.”
******************************
Fiz exatamente o que Felipe disse e deixei que o espírito infantil entrasse em mim, sem hora para ir embora. Fomos em quase todos os brinquedos e rimos bastante. Na verdade, não me lembrava de ter rido tanto em toda a minha vida. Geralmente, eu sempre era a estressada, anti social e mal humorada. Mas, hoje eu não conseguia voltar a ser essa Rocky.
Felipe e eu estávamos indo mais uma vez na roda gigante, depois da catástrofe no carrinho bate-bate. Eu sempre tinha sido péssima naquilo, mas Felipe tinha insistido tanto que eu simplesmente não pude deixar de aceitar. Deveria estar despenteada, é claro, então abri a minha bolsa e peguei um prendedor. Catei todos os meus cachos e os uni. A mão de Felipe me impediu de continuar.
“Você está linda.”, ele deu um meio sorriso. “E eu gosto do seu cabelo solto.”
“Hum, ok”, eu soltei meu cabelo novamente. Me inclinei na sua direção. “Então, me diga. Qual foi o verdadeiro motivo de você ter me chamado para sair? Quer um beijo? Era só falar. Não precisava desse carnaval inteiro.”, gesticulei para o parque a nossa volta. Estávamos quase no topo. O olhei de cima a baixo. “E essas roupas? Quando te conheci parecia bastante sério. Até abrir a boca e me chamar de empregada, claro.”, revirei os olhos e ele riu.
Felipe se inclinou mais para frente, e eu não pude deixar de encarar aqueles olhos verdes tão brilhantes. Uma leve brisa tocou o meu cabelo e eu sorri. Era como se o vento estivesse me acariciando. Felipe sorriu mais ainda e pegou minha mão. Uma corrente elétrica pareceu passar por minha pele. Eu arfei. Ele ficou sério.
“Meu pai me trazia aqui no meu aniversário.”, ele olhou pela janela para o parque abaixo de nós e suspirou. “Eu não sei se vou poder responder todas as suas perguntas agora, mas eu prometo ser sincero com você, Rocky.”, ele respirou fundo e voltou a me olhar com um sorriso. “E as roupas...”, ele sorriu mais ainda. “É assim que eu me visto quando venho a lugares... simples.”
“Está me chamando pobre?”, eu perguntei, mas tinha um sorriso nos lábios.
“Oh, claro.”, ele riu. “Te chamei de empregada, indigente e pobre.”
“Eu deveria te derrubar daqui, garoto metido.”, eu ri. Então, senti um tranco e nossos corpos foram impulsionados para frente. “Merda.”, eu gritei. Então olhei pela janela e vi que estávamos no pico no brinquedo. “Ah, fala sério.”
“O que houve?”, Felipe olhou para baixo e soltou um riso irônico. “Tem medo de altura?”
Revirei os olhos.
“Eu ainda estou com vontade de te jogar lá embaixo.”, engoli em seco e o escutei rindo pela centésima ou milésima vez. Fiquei séria. Ele viu isso e ficou tenso. Tinha que tirar uma coisa da minha mente e tinha que ser naquele momento. “Por que me chamou de guardiã?”
Os olhos verde dele desceram de meu rosto para a frente da minha blusa. Ou, para os meus seios. Mas, eu sabia que ele não estava olhando isso. Abaixei o meu olhar e o vi encarando meu colar e meu anel. Movida pelo impulso, o peguei e apertei contra o meu peito. Felipe recuou quase que automaticamente. Como se sentisse dor.
“Todos guardamos alguma coisa importante na vida, Rocky. Você sabendo ou não.”, seus dedos se moveram para os meus e soltaram lentamente o meu anel. Meu olhos estavam fixos no seu rosto. Uma ventania descontrolada começou a fazer nossa cabine balançar. A carranca de Felipe ficou pior e ele me olhou com raiva. “Pode largar essa porcaria de anel, por favor.”, ele sussurrou. “Prometo que não irei pegá-lo sem a sua permissão.”
“Por que você quer tanto meu anel?”, soltei essa pergunta sem perceber. “É só uma bugiganga que comprei no meu aniversário de 16 anos.”, geralmente nesses momentos, eu revirava os olhos. Mas eu estava presa na dor de Felipe. Eu soltei e ele respirou fundo. “Acho que você me deve algumas explicações.”
Ele pareceu irritado por ter sido confrontado.
“Eu não te devo nada.”, ele olhou para o anel e voltou a me olhar. “Eu só o achei bonito, será que posso? Normalmente, quando acho algo bonito, as meninas nunca hesitam em me dar. Mas você é dura na queda, Rocky Days.”
Ignorei seu elogio. Felipe estava dando o seu meio sorriso de novo, mas dessa vez parecia forçado. Não sorri de volta. Pensamentos passavam por minha mente com tanta velocidade que era difícil acompanhar. Sophie tinha me avisado que Felipe era um pouco invasivo. Mas será que ele era invasivo ao ponto de pegar meu anel enquanto eu estivesse dormindo?
“Você é um vampiro?”, perguntei sem pensar.
E imediatamente me arrependi com o som de seu riso.
“Eu acho que você está assistindo bastante Diários de Um Vampiro, hem”, ele disse e tocou minha perna que balançava inquieta. “Você está bastante ansiosa. E não. Eu não sou um vampiro. Não preciso desse anel para andar na luz do sol. Você me viu hoje mais cedo.”
Limpei a garganta, constrangida e preferi não dizer mais nada. Logo a roda gigante voltou a andar e fomos liberados. Peguei o meu celular e vi a hora. Quase dei um salto para trás. Eram quase quatro da manhã. Olhei para os funcionários que bocejavam e coçavam os olhos vermelhos. Me senti envergonhada.
“Melhor irmos para casa”, Felipe disse vendo a mesma coisa que eu.
Eu não disse nada. Apenas assenti. Caminhamos em silêncio até o carro e mais silêncio até em casa. Eu queria saber o porque dele me chamar de guardiã. E queria saber o porque daquela fascinação com o meu anel. Mas pelo jeito que Felipe sempre desconversava, parecia que eu não teria a resposta tão cedo. A adrenalina estava correndo em minhas veias com tanta intensidade, que bloqueava o sono. Talvez quando chegássemos em casa, o sono viesse.
Entramos em silêncio total. Felipe estacionou a caminhonete e nós saímos. Ainda sem trocar nenhuma palavra. Aquele silêncio estava me incomodando. Eu deveria pelo menos agradecer pelo dia que tivemos, certo? Quero dizer, a noite, ou a madrugada. Eu não sabia mais. Felipe abriu a porta e entrou. Sua mente parecia estar longe também. Tanto que nem reparou nas luzes da sala de jantar acesas.
Segurei em sua mão e ele freou. Me encarou e eu sinalizei para as luzes acesas. Vi o rosto de Felipe empalidecer sob a penumbra. Era óbvio que alguém iria notar a nossa ausência. Se tivéssemos sorte, talvez fosse algum empregado preocupado. Mas pelo olhar de Felipe, a sorte não estava batendo em nossa porta naquele dia.
Ele me puxou para a sala e com um suspiro derrotado, eu o segui. Se minha mãe soubesse, iria querer me matar. Oh, Deus. Ela iria querer matar Felipe. Apertei minha mão envolta da dele, enquanto nos aproximávamos. E logo fomos abordados pelos cinco irmãos Glen. Sophie me puxou com tanta força para longe de Felipe que eu não pude impedí-la.
Aurora e Marie estavam em pé perto da parede olhando tudo. Marie, como sempre, escondida atrás de Aurora. Gustavo tinha os punhos fechados e os olhos azuis estreitos na direção do irmão mais novo. O moreno me olhou de cima a baixo e suspirou, aliviado. Seu olhar se fixou em meu cordão e seu corpo relaxou por um segundo. Mas foi só voltar a olhar Felipe que ficou tenso novamente.
Mas, o pior era Rafael.
Seus olhos verdes estavam tão escuros que fizeram minha pele se arrepiar. Engoli em seco e me vi tensa. Sophie estava parada ao meu lado e eu me soltei dela rapidamente. Felipe olhava para todos os irmãos com... medo? Eu também fiquei com medo. No fundo sabia que tinha alguma coisa além de levar broncas e contar para os nossos pais. Tinha algo perigo naquela família.
“Eu deveria te matar, moleque”, Gustavo disse, quebrando o silêncio. E antes que qualquer um de nós pudesse impedir, ele acertou um soco no rosto de Felipe.
Eu gritei e corri até ele.
“Rocky, saia de perto dele.”, Sophie gritou e tentou me puxar de volta.
“Me solte, droga”, eu gritei tocando o rosto de Felipe. Tinha sangue saindo de seu lábio. Sophie deu um passo para trás e engoliu em seco. “Vocês todos são loucos?”, encarei Gustavo. “Porque bateu no seu próprio irmão? Ele só me levou no parque de diversão. Foi o único que me apoiou e não fez a linha de filho perfeito.”
“Ele é um traidor.”, Gustavo berrou e bufou.
“Ele tem razão.”, Aurora disse. Então olhou para Felipe, balançando a cabeça. “Como você pode pensar em uma coisa tão suja.”
“Trapacear para ficar com todos os poderes”, Sophie parecia que iria chorar.
Eu não estava entendendo nada. Poderes? Traidor? Olhei para Felipe que já havia se sentado e estava tocando no lugar onde seu irmão tinha batido. Movida pelo impulso, me levantei e me afastei de todos, assustada. Eu sabia que tinha algo perigoso ali. Era como se toda a eletricidade do mundo estivesse estalada ali.
“Silêncio.”, Rafael disse, falando pela primeira vez. Todos os irmãos calaram as próximas acusações. Até eu fiquei impressionada com a potência de sua voz, quando estava irritado. “Vejam. Ela ainda está com o anel. Não importa o que Felipe planejou, não deu certo”
Peguei me anel com força e dei um passo para trás. Todos os irmãos Glen recuaram também e gemeram de dor. Felipe pôs a mão na cabeça, como se fosse explodir. Meus olhos estavam arregalados. Minha respiração estava rápida demais. Merda. Onde eu tinha me enfiado? Onde minha mãe tinha me enfiado? Quando meu pensamento tocou em minha mãe, congelei. A essa hora ela estava a milhas de distância com um maluco. E se ele a usasse como isca?
“O que está acontecendo?”
Surpreendi a todos e a mim mesma falando alguma coisa. Minha voz saiu como um sussurro. Nenhum dos Glen pareceu prestar atenção, por conta da dor que o anel estava causando a eles. Ou era o que eu tinha deduzido.
“Droga, Rocky”, Felipe gemeu. “Solte a merda do anel”
“Eu quero saber o que está acontecendo.”, eu exigi.
“Solte o anel que eu conto”, ele garantiu.
Pensei que ele estava blefando, mas quando nossos olhares se cruzaram, algo dentro de mim disse que ele estava falando a verdade. Então, lentamente, soltei o anel. Dedo por dedo. Vi todos os irmãos Glen respirando aliviados. Felipe se levantou e deu um passo na minha direção. Eu recuei, instintivamente.
“Felipe, não ouse.”, Gustavo disse, ameaçador.
“Ela tem que saber.”, Felipe disse dando outro passo na minha direção. Nossos olhos não desviavam um do outro em nenhum momento. “Eu não vou te machucar, ok? Se eu quisesse te ferir, teria feito a muito tempo. Mas você está bem. E eu prometi que não pegaria o anel, a não ser que você me desse.”
Eu pisquei, como se acordasse de um sonho ruim. Mas não relaxei e nem o deixei se aproximar. Felipe suspirou, desistindo e resolveu ficar parado, estudando cada reação minha. Algo dentro de mim, me alertou que eu não iria gostar do final daquela história. Mas eu não pude impedir a pergunta de sair.
“O que está acontecendo?”
Felipe olhou para os irmãos, talvez buscando aprovação. Rafael assentiu, também me estudando. Na verdade, todos os irmãos Glen estavam estudando cada passo que eu dava.
“Você é a guardiã desse anel mágico.”, Felipe apontou para o meu peito. Eu mexi minha mão para pegar o anel, mas ele levantou as mãos. “Por favor, não toque nele. Toda vez que faz isso nos machuca. Eu e meus irmãos, somos elementares. Cada um representante de seu elemento. E esse anel guarda todos os nossos poderes. Se for destruído, ficamos sem poderes. E se der para um de nós, o escolhido fica com todos os poderes.”, ele deu um passo a frente. “Mas, isso só depende de você e do seu livre arbítrio.”
Notas finais
Comentem, estou sentindo falta dos meus leitores que se prometeram fieis, hem
Fale com o autor