Anel Dos Seis
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Amei a recomendação. E espero que vocês gostem do final. Não esqueçam de comentar. E leiam as notas finais. São importantes. Beijos.
Aproveitem e desculpem os erros.
Não fiquei nem dois minutos olhando para o nada. Juro que me segurei para não chorar. Tinha que fazer alguma coisa, afinal, aquilo era culpa minha. Mas, minhas pernas pareciam ter virado pedra. Eu não sabia se era o choque do que tinha acabado de acontecer ou se era medo do que aconteceria dali em diante. Perguntas ficavam martelando em minha cabeça. Como Felipe tinha feito aquilo? Porque ele tinha feito aquilo? Merda, o que eu faria?
O vento bateu em meu rosto, como se me desse um tapa para eu despertar. Pisquei algumas vezes e me levantei. Eu tinha que fazer alguma coisa. Corri na direção da festa, o mais rápido possível. Sabe se lá quanto tempo eu tinha. Então, eu percebi. Eu não iria dar o anel a Felipe. Nunca realmente tinha cogitado essa possibilidade. Estava mentindo para todos e para mim mesma.
Quando cheguei na porta principal, me acalmei e passei a mão pelos meus cabelos. Não poderia estragar a festa de minha mãe e Leonardo. Entrei, sorrindo para todos, enquanto meus olhos estudavam cada canto da sala. Eu jurava que os irmãos Glen estavam se socializando a dez minutos atrás. Onde eles estavam agora?
Estava tão distraída em meu desespero que foi fácil trombar em muitas pessoas. Me desculpava, mas nem dava um segundo olhar para saber quem era. Jurava que uma dessas pessoas era a minha avó, mas também não disse nada. Continuei vagando pela sala, até que trombei em mais alguém e esse alguém segurou o meu braço.
“Rocky”
Levantei os meus olhos assustados na direção do olhar frio de Rafael. Putz, eu estava muito ferrada. Demétria estava ao lado dele, nos olhando sem entender nada. Antes que ele me desse um sermão – porque com certeza ele já tinha sentido que alguma coisa estava errada – as palavras saíram de minha boca.
“Rafael, eu não sei o que aconteceu.”, disse deixando o desespero me abater. “Eu e Felipe estávamos dançando no quintal e de repente, eles me fez umas perguntas estranhas e levou o meu anel.”, minha mão foi para o meu pescoço automaticamente, assim como os olhos de Rafael. “E ele sumiu. Meu Deus, que merda que eu fiz?”
Rafael continuou impassivo, apenas olhando para o meu pescoço e esperando. Acho que ele estava tão desesperado quanto eu. Mas, isso não seria bom para ele? Afinal, de qualquer modo, eles ficariam sem a maldição recaindo neles. Apenas em Felipe. Mas, então, eu percebi. O motivo do soco de Gustavo, o motivo deles terem chamado Felipe de traidor. Não era por causa dos poderes e sim, da maldição. Eles não queriam que Felipe carregasse isso sozinho.
“Vamos reunir os outros e nos encontramos na biblioteca em cinco minutos.”, Rafael disse, sumindo por entre a multidão e levando Demétria com ele.
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“Rocky, por favor”, Rafael repetiu. Levantei os olhos devagar, com vergonha e medo de encarar os cinco irmãos. Demétria estava ao meu lado com a mão no meu ombro. “Precisamos saber o que Felipe te perguntou.”
“Eu já disse, Rafael”, eu suspirei cruzando minhas pernas. Estava sentada no banquinho do piano. “Ele me perguntou se eu confiava nele e eu respondi que sim. Depois me perguntou se eu me entregava totalmente a ele.”
“Merda!”, Gustavo rosnou. A gravata de todos os homens Glen já estava desfeita. “Foi nisso que ele pegou ela.”
“Temos que admitir que foi uma jogada de mestre”, Sophie disse de braços cruzados. Vendo o meu olhar – e com certeza o de Demétria – confuso, Sophie resolveu explicar. “Desde o momento em que você é escolhida para ser a guardiã do anel, ele faz parte de você...”
“E ao dizer que você se entregava totalmente...”, Aurora continuou.
E a verdade me abateu.
“Eu entreguei o anel a ele.”, completei, assustada com o tremor de minha voz. “MAS QUE MERDA!”, gritei. Então, me levantei, sentindo a raiva tomando conta de mim. “O que nós fazemos agora? Não podemos simplesmente sumir da festa de noivado dos nossos pais.”
“Ah, podemos sim.”, Rafael disse, assumindo o controle daquela situação. Ele se virou para Gustavo. “Vá até o meu pai e conte o que aconteceu, mas o avise que eu, Demétria e Rocky fomos cuidar disso.”, Gustavo assentiu e saiu da biblioteca. “Sophie e Aurora distraiam os convidados com o piano e o canto.”, elas assentiram, mas não se mexeram. Rafael se ajoelhou do lado de Marie e acariciou seus cabelos escuros. “Fique calma, meu amor.”, ele deu um beijo na testa da irmã mais nova.
“Por que Demétria tem que ir?”, eu perguntei acabando com o momento fraternal. Minha amiga me encarou como se a resposta fosse a mais óbvia do mundo. Então, eu entendi. Mesmo naquela situação, um pequeno sorriso brotou em meus lábios. “Você não vai deixar nem eu, nem Rafael sair sem você, não é?”
“Sua inteligência nunca falha, Rocky.”, Demétria também sorriu. Então se virou para o namorado. “Então, vamos?”
“Vamos.”, Rafael se levantou, tirando o paletó.
Estávamos saindo da biblioteca, quando a voz de Aurora nos parou.
“Não se esqueçam que vocês só tem até a meia noite.”, ela olhou para o grande relógio no fundo da biblioteca e suspirou. “Isso dá pra vocês 45 minutos.”
“Por que vocês nunca me dão os detalhes dessa maldição?”, eu reclamei e revirei os olhos, enquanto corríamos até a garagem.
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Estávamos em frente ao cemitério que Felipe tinha me trago a um tempo atrás, quando quis me explicar sobre a maldição. Não sabia o motivo ao certo, mas minha intuição me dizia que ele tinha ido para ali. Talvez pelo fato da única pessoa que ele realmente confiava, estava enterrada sobre sete palmos de terra. Rafael desligou o carro na entrada e suspirou. Eu sabia que ele estava ficando fraco a cada segundo. Humano a cada segundo. Tínhamos que correr.
“Vamos nos separar.”, eu disse já saindo do carro. Demétria me seguiu. Rafael saiu por último. “Temos pouco tempo e o lugar é muito grande.”, olhei para a escuridão e Rafael me ofereceu uma lanterna. “Obrigada.”
“Boa sorte.”, ele disse e olhou para Demi. “Quer vir comigo?”
Primeiro, não entendi o porque de Rafael fazer aquela pergunta já que eu tinha acabado de falar pra gente se separar. Então, quando meus olhos pousaram em minha amiga, eu entendi. Demétria estava pálida. Eu e Rafael nos entreolhamos. Me senti culpada. Demétria estava acostumada a vida normal de festas e homens, mas nada de bruxos.
“Não se preocupe.”, eu pus a mão nos ombros dela. “Vai dar tudo certo”
“Você está me dizendo isso, sem realmente saber se é verdade.”, Demétria sorriu e respirou fundo. “Mas só por você ter mentido para me acalmar, já prova o quão amiga você é”
“Sem melação agora, Demi.”, eu disse, também sorrindo. “Temos um bruxo para encontrar.”
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Eu sabia para onde ir. Só não sabia que minhas pernas seriam minhas piores inimigas. Eu tremia, tanto de frio, quanto de medo. Ao mesmo tempo que eu queria encontrá-lo, a raiva queimava contra a minha pele. Será que ele não poderia ficar com a chance que estava sendo dada a ele? Uma família feliz, uma garota fantástica – modéstia parte – que gostava dele.
Se ele tivesse me escutado. Se ele tivesse conversado comigo. A essa hora, ele poderia estar longe. Ele poderia estar viciado em poder. Ele nem poderia mais ser o meu Felipe. Lembranças dos nossos momentos me abateram. Quando nos conhecemos. Quando fomos ao parque. Tudo queimava em minha mente. A primeira vez...
Comecei a escutar murmúrios e fiquei esperançosa. Afinal, tínhamos 5 minutos. Eu queria poder conversar com ele. Fazê-lo ver que ele tinha que se dar uma chance. Que seu avô não iria querer uma vida solitária. Ninguém quis. Mesmo colocando as pessoas que amavam em perigo, ninguém nunca escolheu ficar sozinho.
Comecei a passar a lanterna pelos túmulos, sentindo que estava ficando mais perto. Os múrmuros pareciam ficar mais alto, mesmo tendo a consciência de que eles apenas existiam na minha cabeça. Era como se o anel estivesse falando comigo e quisesse que o achasse o mais rápido possível. Finalmente, pousei a luz em um par de olhos verdes.
“Felipe”, gritei, correndo em sua direção.
Ele se levantou rapidamente do túmulo do avô e deu um salto para trás, se afastando de mim. Freei, querendo saber o motivo dessa distância. Então, notei seus olhos vermelhos e arfei. Tinham veias pulsando em seu rosto. E sua pele estava pálida como neve. Nunca tinha visto uma pessoa naquele estado em toda a minha vida.
“Não se aproxime, Rocky”, ele disse e percebi que sua voz estava mais grossa, mais arrastada. Oh, Deus. O que tinha acontecido? “Esse poder... é destrutível demais. Como você aguentou carregá-lo por tanto tempo?”
“Felipe, me escute.”, eu dei um passo a frente. Meus olhos estavam se enchendo de água. O que tinha acontecido com ele? “Eu não ligo se você vá me machucar. Eu só quero que você fique bem, escutou? Esqueça essa história de poderes. Olhe o que eles fizeram com você.”
“EU JÁ TOMEI A MINHA DECISÃO”, ele gritou, me fazendo recuar. Percebendo o brilho de medo em meu olhar, Felipe abaixou a voz. “Me desculpe. Eu não sei o que está acontecendo comigo. Eu não quero te ferir, Rocky. Não mais.”
Isso me deu coragem novamente. Minhas pernas criaram vida e eu dei um passo a frente. Felipe tinha os olhos abaixados e seus ombros tremiam, eu não conseguia ver tanta dor. Segui com passos cautelosos, até que parei a sua frente. Coloquei uma mão em seu rosto e levantei-o para mim. Felipe tinha lágrimas de sangue escorrendo por seu rosto. Era a maldição em seu pior estágio.
“Não importa o que aconteça, eu te amo.”, eu disse, tentando limpar as lágrimas e manchando suas bochechas de vermelho. “Não ligo para o que os poderes fizeram com você, mas se dê uma chance. Dê uma chance para nós dois. Se não me ama, tudo bem. Mas eu sei que tem alguém, nesse mundo que vai amá-lo e te fazer o homem mais feliz do mundo.”
Quando percebi, tinha lágrimas em meus olhos e eu estava soluçando. Não com a ideia de , por algum surto, tanto de Felipe, quanto dos poderes, eu acabar morta. Mas, por abrir mão dele. De apresentar uma opção com outra pessoa depois de ter me ligado tanto a ele. Isso era o certo, não é? Libertar e esperar que seja feliz.
“Rocky, olhe para mim.”, Felipe pediu. Levantei minha cabeça e ele tinha os olhos tristonhos, mas sérios. “Eu não quero que alguém nesse mundo me faça feliz. Eu quero que só você me faça feliz. Por isso tomei essa decisão.”
Ele abriu a mão, e nós encaramos o anel. Antes que eu me desse conta, meu relógio apitou, avisando a chegada da meia noite. Era a hora da decisão. O anel brilhava em vermelho e eu sabia que ele estava queimando a palma da mão de Felipe, mas ele não o largava. Quando dei uma espiada nele, tinha um meio sorriso no rosto.
“Além disso, eu também te amo.”
E antes que eu pudesse responder, ou fazer um pequeno movimento, Felipe fechou os olhos e gritou. Meus olhos se arregalaram e o vento ao nosso redor formou um pequeno redemoinho. Meus cabelos voaram ao nosso redor e meus pelos se arrepiaram. Me mantive calma, mas por dentro estava transtornada com tudo que estava acontecendo na minha frente. Felipe olhou para o túmulo do avô.
“Sinto muito.”, ele sussurrou.
Então, jogou o anel para o centro do redemoinho. E eu vi a prata se partindo em milhares de pedaços. Por um segundo, jurei ter ouvido alguém gritando, mas não pude me concentrar nisso. O redemoinho parou e o corpo de Felipe caiu em cima de mim. O peso dele me fez cair ajoelhando no chão.
Meu coração se acelerou, e eu tentei acalmar a minha respiração. Então, tinha acabado? Todo aquele pesadelo se esgotou? Olhei para os lados, rezando para que Rafael não demorasse a chegar. Abaixei meus olhos para o rosto de Felipe e vi, pouco a pouco, ele voltando ao normal. Acariciei sua bochecha e seus olhos tremeram, antes de se abrir. Ver aquelas esmeraldas me encarando mais uma vez, fez com meus olhos se enchessem de água mais uma vez.
“Hey, nada de chorar, Rocky.”, ele passou os dedos por meu rosto e deu um meio sorriso. “Eu não iria conseguir viver uma vida sem você nos meus braços.”
“FELIPE. ROCKY.”
A voz de Rafael me fez acordar para o mundo e respirar novamente. Sim, aquilo tinha acabado. Demétria e Rafael correram até onde nós estávamos e eu agradeci mentalmente por não estar sozinha. Rafael esticou a mão ajudando Felipe a se levantar. Então, me surpreendendo, o puxou para um abraço apertado.
“Obrigado, irmão.”, Rafael disse, ainda abraçando Felipe. “Obrigado por nos salvar.”
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“Eu quero agradecer a todos os presentes pela honra de vir prestigiar a minha união com Rita Days.”, Leonardo disse olhando diretamente para minha mãe. Eu me aconcheguei nos braços de Felipe e senti seus lábios em minha testa. “Quero agradecer aos meus filhos, por serem crianças tão especiais e que me deram tanto apoio em minha época difícil.”, ele olhou na nossa direção e sorriu. “E agradecer a Rocky, por ser uma enteada tão... diferente.”
“Isso mesmo, Leonardo.”, gritei e sorri.
Ele sorriu de volta.
“Quando eu perdi minha mulher, Claire, fiquei muito triste a amargurado.”, Leonardo abaixou seus olhos azuis e suspirou. “Meu filho, Felipe, foi prova disso, já que ele estava comigo quando recebi a notícia que sua mãe tinha falecido. Eu devo desculpas aos meus filhos. Fiquei tanto tempo fechado em um mundo que não tinha nada a ver com a nossa família, que quase não prestei atenção as suas vidas. E então, Rita entrou em minha vida, iluminando tudo ao meu redor. E junto, trouxe uma excêntrica filha, que animou a nossa vida monótona. Por isso, eu peço um brinde a Rita e Rocky, que tragam muitas alegrias para nós.”
Todos brindaram e sorriram. Eu, Felipe, Sophie, Marie e Aurora, brindamos com suco de laranja, já que éramos menores de idade. Felipe sorriu para mim e me beijou. Escutei todos se alvoroçando e ri. Meu coração acelerou e minha respiração ficou descompassada. Era incrível que esse efeito nunca passava.
“Agora sim, podemos recomeçar como pessoas normas.”, ele disse, enquanto eu revirava os meus olhos. Felipe rosnou, mas não reclamou de nada. “Vamos dançar?”
“Só se você me prometer que não vai roubar nada.”, eu retruqui.
Felipe fez uma careta, mas assentiu. Eu me sentia estranha, afinal, era tudo novo para mim. Uma família grande. Um namorado que tinha o humor tão negro quanto o meu. E o amor. O que eu poderia dizer sobre isso? Ah, não iria dizer nada, até porque não sou melosa e ainda sou iniciante. Peguei Felipe pela mão e me levantei. Mas fui andando na frente. Senti o olhar de Felipe me analisando de cima a baixo. Parei, me virando.
“Vê alguma coisa que gosta?”, provoquei.
“Oh, sim, maninha.”, ele riu. “E como.”
Notas finais
Catherine Hathaway é uma policial de Seattle amargurada depois de ter sido abandonada pelo noivo, Caleb Kepler. Em um bar, conhece um homem sedutor e misterioso e passa a noite com ele.
No dia seguinte, o reconhece como Vincent Pietro, um famoso ator. Ela some, sem deixar vestígios. Uma semana depois, após um atentado ao ator Vincente, Cat é escalada para ser sua guardiã. E isso levará a muitas confusões.
E o que acharam do último capítulo, amores? Ah, a história do ponto de vista de Felipe deve sair em Junho. Se chama, também, A Guardiã. Mas, se quiserem, posso avisar quando começar a postar.
Bem, espero que tenham gostado do final. Beijos. Até.
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