Notas iniciais
Amores, penultimo capítulo de Anel dos Seis.

Espero que não me matem no final. Afinal, é dia de celebração. Hey, sabe o que me faria chorar. Mais uma recomendação. Que tal, amores? Só pra ver o quanto você me amam e amam a Rocky e o Felipe.

Aproveitem. E desculpem os erros. Beijos.

Uma semana exata havia se passado desde que a notícia do casamento de minha mãe com Leonardo Glen tinha caído como uma bomba em casa. Hoje era a festa de noivado e todos estávamos correndo, como em uma maratona. Nunca tinha visto tantos empregados junto desde que tinha chego. Na verdade, eu nunca tinha visto um empregado nessa casa antes.

Eu estava irritada. Além de ser a noite de lua cheia e todos os Glen – incluindo Leonardo – me encararem apreensivos, como se esperassem que eu desse a minha decisão a qualquer segundo, meu anel estava mais bipolar que nunca. Se esquentava e esfriava toda hora. E não tinha nada a ver com Felipe. Eram os irmãos Glen, em geral, que estava fazendo aquilo.

Quando o sol estava abaixando e dando sua vez a lua, a casa ficou mais organizada. Eu e Demétria estávamos no quarto de minha mãe, a ajudando a se arrumar. Bem, Demétria estava ajudando. Eu estava sentada na cama, ainda em choque com essa coisa de casamento.

Mesmo minha mãe tendo falado que seria feliz, eu estava com medo. Afinal, tinha Felipe e essa história do anel. Eu não tinha contado a Demétria que o prazo da minha escolha acabava hoje. Caso contrário, ela piraria. Passei a mão por meu rosto e respirei fundo, tentando focar no momento atual. Na festa de noivado da minha mãe.

É, não tinha outra opção além da loucura.

“Você já escolheu sua roupa, querida?”

A pergunta de minha mãe me despertou.

“Hum, sim.”, eu assenti, sem quase nenhuma vontade. “Demi me ajudou”

Minha melhor amiga piscou para mim, enquanto ela terminava de ajeitar o cabelo de minha mãe. Fechei os olhos por um segundo. O meu relacionamento com Felipe estava estranho. Se é que poderia chamar aquilo de relacionamento. Eu e ele éramos... amantes? Namorados? Eu não sabia. Mas tinha certeza que no segundo que eu soubesse o futuro do meu anel, também saberia o nosso futuro.

As imagens da noite anterior invadiram a minha mente, então eu abri os olhos e balancei a cabeça com força. Minha mãe me deu um olhar interrogativo. Ela não estava muito satisfeita por eu e Felipe morarmos na mesma casa e ficarmos juntos. Mas era bom, porque ela poderia ficar de olho em nós. Ou assim ela pensava.

Olhei para a cama, onde estava a roupa de minha mãe. Ela usaria uma calça jeans escura, que marcava todas as suas curvas, uma blusa azul escuro com um tipo de babado na frente e um belo decote e um salto preto com algumas pedras prateadas. Hey, aquele salto era meu. A encarei, pronta para questionar o fato dela estar com meu salto, quando algo me impediu.

Suas lágrimas.

“Mãe, você está bem?”, me levantei andando até ela. Demétria deu um passo para trás. Assenti na direção dela. Demétria saiu do quarto. “Olha, se você não quiser casar, pode enrolar bastante, sabe? Tem muitas pessoas que ficam 10 anos noivos e nunca casam. Ou simplesmente diga a Leonardo que você não quer mais. Tenho certeza que ele vai entender.”

“Não é isso, Rocky.”, ela disse levantando os olhos escuros marejados para mim. “É só que...”, ela pausou, parecendo escolher as palavras. “é um pouco assustador recomeçar uma família. Não quero que você se senta substituída. É só que tem coisas que o Leo me dá e que você não pode.”

“Ok, mãe.”, continuei afagando as suas costas. “Não vamos entrar nesses papos agora.”, eu disse e suspirei, me ajoelhando na sua frente. “Você é uma mulher maravilhosa e uma mãe espetacular. Vai ser uma esposa incrível. E o Leonardo...”, eu pausei e pisquei, sentindo meus olhos ficando marejados também. “Ele será o marido perfeito. Porque ele te ama. E eu sei que você não está me substituindo. Eu estou feliz, sabe? Acho que não estava conformada com a sua separação com o papai, mas agora eu entendo que algumas coisas ruins tem que acontecer para coisas boas darem certo.”

“Own, querida.”

Minha mãe me abraçou forte e eu a senti chorando e soluçando. Eu respirei fundo. A última vez em que essa cena tinha se repetido, foi há 11 anos atrás, quando meu pai foi embora de casa. Eu chorei até o sol nascer e minha mãe continuou do meu lado, apenas me abraçando. Engoli em seco, sentindo a minha garganta irritada e me afastei. Passei os dedos no rosto de minha mãe, tirando os rastros de lágrimas.

“Agora, você vai terminar de se arrumar.”, eu disse e me levantei. “Daqui a pouco seu noivo vai subir atrás de você, Senhora Glen”

Minha mãe fez uma careta.

“Você sabe que eu nunca mudo meu nome de solteira.”, ela sorriu.

“É, eu sei.”, fui até a porta e lhe dei um último olhar. “Eu te amo.”

Seu sorriso aumentou.

“Também te amo, querida.”

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“Eu juro que se você me perguntar mais uma vez se o vestido está bom, vou rasgá-lo em tirar, Demétria.”

Demi fez uma careta para mim, enquanto se olhava no grande espelho do quarto de Sophie. Minha amiga estava com um vestido preto com algumas lantejoulas prateadas e um salto cor de rosa. O vestido tinha apenas uma alça e quase poderia ser confundido com uma blusa. Claro que eu não disse isso a Demi.

Sophie estava sentada na penteadeira terminando de alisar seu cabelo castanho. Seus olhos verdes, ora ou outra vinham na minha direção. Eu sabia que ela estava apreensiva, mas eu não poderia fazer nada. Sophie se levantou, exibindo seu belo vestido rosa choque e seu cabelo perfeitamente liso. Ela se sentou ao meu lado e deu um pequeno sorriso. Demi sentou na penteadeira e começou a se maquiar, mas eu sabia que seus ouvidos estavam de pé.

“É, hoje é o dia.”, ela disse ainda sorrindo. Não sei o porque, mas aquele simples comentário me fez ficar ainda mais apreensiva. “Não se senta forçada a nada. Tudo o que eu quero é que minha família seja feliz. Nossa família. E que a gente posso recomeçar.”

Não sei o porque, mas aquilo trouxe um sentimento estranho dentro de mim. Talvez culpa por ter evitado muito contato com os outros Glen, quando quem eu deveria manter distância, dividia uma cama comigo. Realmente deveria consultar uma terapeuta. Antes que eu pudesse responder Sophie, a porta se abriu e quarto irmãos Glen entraram.

“Hey, baby, te achei.”, Rafael disse dando um selinho em Demi. E sim, eles estavam juntos. Pelo que Demétria tinha me dito, ele era o cavalheiro dos sonhos de qualquer garota. “Pode me ajudar com a gravata?”

“Oh, claro.”, Demétria terminou de passar a sombra e foi ajudar seu namorado.

Aurora e Marie estavam sentadas no chão. A loira fazia uma bela e organizada trança na irmã mais nova, enquanto essa última brincava com o vestido azul claro. Aurora tinha o cabelo preso em um rabo de cavalo alto e estava com um vestido dourado. Era como se eu visse um halo, novamente. Será que esse era um dos efeitos do espírito?

Gustavo estava em um canto, de braços cruzados e a gravata desfeita. Eu quase poderia sentir a tensão entre nós dois. Putz, ele tinha que ficar com raiva mesmo porque eu tinha escolhido o irmão malvado? Ninguém naquela casa poderia me apoiar?

Olhei para Sophie, e de volta para Gustavo. Então, para os outros Glen. Ver aquilo tudo me rodeando me trouxe um sentimento estranho. Afinal, eu nunca tinha tido uma família tão grande. Tinha um medo do inferno de minha mãe engravidar. Mordi o lábio e me levantei até Gustavo. Seus olhos azuis se arregalaram, mas eu ignorei o ajudando a fazer a gravata.

“Somos uma família agora.”, eu disse terminando de ajeitar a gravata. “O que tiver que acontecer hoje, vai acontecer.”

Gustavo ficou me olhando e eu suspirei. Seus olhos tinham que ser tão azuis? Senti os olhos dos outros Glen em mim e respirei fundo. Minha mãos estavam pousadas nos ombros de Gustavo e ele deu um sorriso, pondo uma mão por cima da minha.

“Somos uma família.”, ele afirmou.

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Depois do momento em família, eu percebi que era a única que não estava arrumava. E que tinha pouco tempo. Mas estava feliz. Tinha tido um momento bem “família” com os Glen. Ajudei até a terminar de trançar o cabelo de Marie e ela me deu um beijinho na bochecha. Andei pelo corredor na ponta do pé, para que nem Rita, nem Leonardo me vissem.

Estava abrindo a porta, quando trombei com Felipe. Ele deu um passo para trás, também assustado, então, percebendo que era eu, deu um sorriso. Ele estava tão lindo que, por um segundo, perdi o ar. Mas, mantive minha expressão em branco. Antes que ele dissesse algo, ajeitei sua gravata.

“Vocês, Homens Glen, não sabem amarrar uma gravata?”, brinquei.

O sorriso de Felipe fez seus olhos verdes brilharem.

“Faz um bom tempo desde que usei uma gravata, meu bem.”, ele aproveitou que estávamos perto e passou um braço em volta da minha cintura, trazendo meu corpo para mais perto. “Por que ainda não está pronta?”

“Estava brincando com seus irmãos.”, disse, tentando colocar meus pensamentos em ordem. Vendo o efeito em mim, Felipe manteve o sorriso. “E se puder me soltar, eu poderei me arrumar.”

“Seu desejo é uma ordem.”

Mas, claro que não vinha com um preço. Os lábios de Felipe tocaram os meus levemente, mas fez com que todos os meus pelos se arrepiassem. Passei meus dedos por seus braços, com medo de bagunçar os seus cabelos. Ele sorriu por cima dos meus lábios e se afastou. Felipe riu e deu um tapa na minha bunda.

“Estou esperando a minha acompanhante lá embaixo.”, ele sussurrou e desceu.

Eu o acompanhei com os olhos descendo as escadas, então balancei a cabeça, assustada. Por dois motivos. O primeiro era pelo efeito que ele tinha sobre mim e o segundo era... Bem, o anel não tinha se esquentado dessa vez.

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Quando abri a porta do quarto, um bom tempo depois, já conseguia escutar as vozes dos conhecidos vindas do andar de baixo. Reclamei comigo mesma, só de imaginar todos os meus parentes presentes. E eu teria que falar com todos. Respirei fundo e me aproximei do topo da escada com cuidado para não cair do salto.

Demétria tinha escolhido para mim, uma blusa branca sem alças e uma calça preto de cintura alta e barra pantalona. Pensei que não ficaria bem, mas tinha ficado bem diferente. Ainda mais pelo jeito que meu cabelo estava ondulado. Sim, tinha tirado os cachos por hoje. Mas, as minhas inúmeras pulseiras e o meu colar com o anel permaneciam.

Me segurei para não pegar o anel e percebi a grande quantidade de olhares na minha direção. Droga, odiava ser o centro das atenções. Passei o olho pela sala e tive a certeza que eu mais odiava. Noventa por cento dos meus parentes estavam ali. Caramba, minha mãe não sabia ser discreta? Mas, pela cara de desconforto dela, pude jurar que foi ideia da minha avó, Zélia. Ela sim, adorava ser o centro das atenções.

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Cinco minutos com cada parente. Cinco minutos com cada parente.

Repetia aquele mantra a cada dois segundos em minha mente. Os irmãos Glen estavam espalhados pela casa, se fazendo conhecidos pela família Days. Minha mãe estava ao meu lado conversando com um primo vindo de onde o Judas perdeu a bota. Meu Deus, espero que tenha tanta pessoa assim quando eu precisar de um fígado.

Senti uma mão em meu ombro e me virei, pronta para revirar os olhos pro próximo parente. Meus olhos não se mexeram, pois estavam fixos em Felipe. Minha mãe também se virou e eu me senti desconfortável debaixo do olhar sério dela. Felipe nem se abalou e esticou a mão na minha direção.

“Será que eu posso ter a honra de dançar com a sua filha, Senhora Days?”, ele perguntou e deu seu meio sorriso galanteador.

Minha mãe apertou os lábios juntos, então suspirou. Ninguém conseguia resistir aquele sorriso. Felipe pegou a minha mão e me conduziu para o jardim. Não precisava nem dizer que, só no pequeno contato entre as nossas mãos, meu corpo todo se esquentou e o meu coração se acelerou.

Felipe parou na minha frente e colocou as mãos em minha cintura e nós começamos a nos balançar no ritmo da música. Pus minhas próprias mãos em seus ombros e sorri. Mas, tinha alguma coisa estranha nos olhos de Felipe, que estava fazendo o meu estômago revirar. Será que era algum efeito do dia D, nele?

Engoli em seco, pensando. Eu realmente gostava de Felipe. Queria dizer isso todos os dias. Eu estava pronta para dizer isso, mas depois do que ele disse a uma semana, eu recuei. Afinal, do que adianta eu ficar com alguém que não deseja um futuro? Que não deseja um futuro comigo? Mas, toda vez que eu o olhava, parecia que as palavras apenas queriam pular de minha boca. Talvez fosse uma boa hora...

“Rocky, preciso te perguntar uma coisa.”

Ou talvez não.

“Hum, pode falar, Felipe.”, eu disse apreensiva. E se ele perguntasse se eu gostava dele? E se ele dissesse que não podemos mais ficar juntos por causa disso? Merda. “Foi para isso que me trouxe aqui para fora, Glen? Não queria testemunhas para a minha morte?”, eu disse, tentando fazer uma piada.

Só que, pelo olhar dele, não tinha saído como o esperado.

“Se por algum motivo eu te matasse, o maldição do anel ia para o seu descendente.”, Felipe disse, ainda sério. Engoli em seco. Então, era por isso que eles não me matavam? “Mas, já como você não tem um filho, iria para a sua irmã. E eu tenho certeza que você não quer sua família mais envolvida nisso, quer?”

“Óbvio que não.”, eu bufei e revirei os olhos. As mãos de Felipe apertaram a minha cintura com força e eu quase recuei. Tinha esquecido da implicância dele com o meu hábito de revirar os olhos. Garoto implicante.

“Mas, não é disso que eu quero falar.”, ele disse parando de nos balançar. Seu olhar estava sombrio e novamente notei algo diferente ali. A tensão estava tocando cada fio de cabelo meu. “Você confia em mim, Rocky?”

Eu parei, tentando analisar a pergunta. Minha vontade foi de perguntar se ele tinha algum problema mental, mas me segurei. Então, pus a mão em seu rosto e sorri. Ele continuou com o rosto sério.

“Claro que confio, Felipe.”, eu disse, sem perder o sorriso. Será que ele estava pensando que eu fui influenciada pelos seus irmãos? Abri a boca para dizer que aquilo era uma bobagem, mas ele me interrompeu de novo. Merda, odeio quando fazer isso.

“Então, você se entrega totalmente a mim?”, ele destacou cada palavra com cuidado e percebi seus ombros ficando rígidos.

Caramba, aí sim, tinha ficado estranho. Afinal, eu já não tinha me entregado para ele? Quero dizer, eu entreguei meu corpo e meu coração. Não que ele soubesse desse último. Espera. Será que ele queria saber se eu entregava meu coração a ele? Ergui minha cabeça e disse as palavras com a maior convicção possível.

“Eu me entrego totalmente a você, Felipe Glen.”

Então, alguma coisa estranha aconteceu. Eu me senti tonta e tive que me apoiar em Felipe. Ele tinha os olhos arregalados, mas se mantinha sério. Então, consegui firmar as minhas pernas. Era isso o que acontecia quando se entregava a um bruxo? Felipe soltou-me, e engoliu em seco, parecendo nervoso. Antes que eu pudesse pensar, ele pôs a mão em meu colar e o puxou.

Meus olhos se arregalaram e minha respiração ficou rápida. O que tinha acontecido? Eu não entreguei meu... Droga. Filho de uma mãe. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, Felipe deu um passo para trás e um forte vento bateu em meu rosto, quase me derrubando. Quando tirei o cabelo totalmente do meu rosto, ele já havia sumido.

Levando o anel consigo.

Notas finais
Bem, último capítulo deve sair essa semana ainda.

Queridos, vou fazer propaganda da minha próxima história. Se chama A Guardiã. No último capítulo, eu trago a sinopse pronta.

Beijos e comentem.

Não esqueçam que eu pedi uma humilde recomendação.