Notas iniciais
Amores, mais um capítulo. Todos queriam saber o que era a novidade. E alguns de vocês acertaram.

Ah, leitores fantasmas, apareçam. Tenho medo de assombração. Nem que seja um simples: Legal. Apareçam.

Aproveitem, acabei de escrever o capítulo, então perdoem os erros.

Me mexi na cama e percebi que estava sozinha. Abri os olhos e bufei. Não estava surpresa com o fato de Felipe ter me deixado sozinha. Ele fazia muito ultimamente. Me sentei, passando a mão por meu cabelo desordenado e tentei me localizar. Ainda estava no esconderijo de Felipe. A luminária deixava a sua luz precária iluminar meu corpo. E eu estava quase nua porque eu e Felipe tínhamos...

Oh, Deus.

Eu realmente tinha feito sexo com Felipe.

Balancei a cabeça e lamentei em silêncio. Oh, eu tinha que fazer isso logo com o vilão da história? Puxei o coberto que me cobria até o pescoço e olhei para o quarto mais uma vez. Então olhei para o coberto com estranheza. Tinha quase certeza que ele não estava em mim quando eu tinha ido dormir. Será que Felipe...?

Olhei para a escrivadinha e vi que tinha algumas coisas ali. Me levantei devagar, percebendo a dor de minhas pernas. Então era por isso que Demétria mancava em algumas aula? Eu iria rir disso mais tarde. Me aproximei e percebi que tinha uma bandeja. Nessa bandeja tinha uma pírula, um copo de água, meu celular e um bilhete. Confusa, peguei o bilhete.

Bom dia.

Antes que se pergunte, ontem não foi um sonho. Você deve estar com sede. Não sei se a água ainda está gelada, mas a intenção que vale. A pírula é para que você não se preocupe com o fato de engravidar. Sim, usamos camisinha, mas tem mulheres que querem se prevenir. Se você não sabe os efeitos, a pírula do dia seguinte é apenas para emergências. Ela vai atrasar sua menstruação e te deixar com os efeitos da Tpm.

Ah, não durma demais. Não esqueça que nossos pais voltam hoje. Ah, para sair do quarto é só acionar uma alavanca que tem ao lado direito da porta.

Beijos. F.G.

Levantei uma sobrancelha diante do bilhete. Ele estava falando comigo como se eu fosse uma criança de três anos. Torci os lábios com a parte dos “nossos pais”. Isso me fez ficar mais culpada. Ontem nem tinha pensado no que a minha mãe iria achar disso. Oh, ela iria ter um ataque. Tirando Leonardo. Ele iria querer esganar o filho.

Peguei o meu celular, sentando na cama. Eram seis e quinze da manhã. Putz, eu quase não tinha dormido. Joguei a coberta para o outro lado do quarto e fui em direção a porta. Respirei fundo, tateando o lado direito da estante, até que senti uma elevação sobre meu dedo e puxei. A estante tremeu um pouco, até que se abriu. Pisquei com força com a claridade nos meus olhos.

Voltei pegando a pírula e tomando rapidamente junto com a água. Peguei meu celular e saí. Olhei para a biblioteca e suspirei aliviada que estava tudo deserto. Comecei a andar devagar, com medo que alguma tabua rangesse. Nem fechei a porta e entrei no corredor levemente iluminado pela luz do nascer do sol.

Será que eu poderia acelerar? Corri na ponta do pé, olhando sempre para os lados e para trás. Estava vendo as escadas já, quando senti um corpo trombando com o meu. Fiquei tensa. Se fosse algum dos irmãos Glen, como eu iria explicar o fato de estar correndo pela casa semi-nua? Mas, quando eu encarei os olhos castanhos de Demétria, relaxei.

“O que você está fazendo correndo pela casa a essa hora?”, ela perguntou me olhando de cima a baixo com curiosidade.

“É que eu resolvi fazer maratona.”, cruzei os braços e me virei para a escada.

“Oh, Deus.”

Congelei, virando lentamente para a minha amiga. Ela tinha os olhos arregalados e as mãos na boca. Vi a conclusão sendo tirada em seus olhos. Então quando ela levantou uma mão na minha direção e abriu a boca para gritar, eu corri até ela e tapei a sua boca. Eu sabia que quando Demétria começava a gritar, não tinha Deus que a fizesse calar a boca. E isso era muito ruim em uma casa onde tinham pessoas com super audição.

“Eu juro que te conto tudo lá em cima”, eu disse. Demétria assentiu e eu a soltei.

Subimos com cuidado e sempre olhando para os lados para não sermos pegas de surpresa. A adrenalina fluía com tanta velocidade nas minhas veias que quase doía. Assim que abri a porta do meu quarto, fui ligar meu notbook e coloquei FF em um volume moderado para as horas da manhã. Então fui me sentar ao lado de Demétria na cama. Ela ainda tinha os olhos arregalados, mas se sentiu aliviada quando pode dizer as palavras que estavam presas em sua garganta.

“Você perdeu a sua virgindade com o Felipe Glen?”

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“Oh, querida. Que saudades”

Abracei minha emocionada mãe. Ela me apertou tanto que eu jurei que minha coluna estava sendo quebrada. Mas, e a abracei de volta. Estava sentindo falta dela e estava feliz por ela estar bem. Olhei para Leonardo por cima dos ombros de Rita e assenti, como um sinal de que estava tudo bem.

“Você está bem?”, ela perguntou olhando para mim e pondo as mãos em meu rosto. Me senti envergonhada. “E se comportou?”, ela levantou uma sobrancelha com um tom mais rígido.

“Estou ótima e fui quase uma lady”, respondi revirando os olhos.

“Que bom.”, ela me soltou e se virou para minha amiga. “Demétria, que bom que você veio fazer companhia a Rocky.”, ela abraçou a minha amiga, que retribuiu. Não ouvi mais o que elas disseram. Fui cumprimentar Leonardo.

Ver Leonardo depois de saber toda a verdade era estranho. Uma parte de mim tinha raiva. Ele tinha me posto nessa confusão com a minha mãe. Ele poderia ter pedido para que Gustavo se aproximasse de mim, certo? Olhei para o irmão Glen de cabelos negros. Gustavo manteve seus olhos azuis fixos em mim, sério. Respirei fundo e encarei os olhos azuis esverdeados de Leonardo.

“Me desculpe por te colocar nessa confusão, Rocky”, ele disse, enquanto me abraçava.

Fiquei tensa. Será que ele lia mentes? Ah, não. Só faltava isso. Mas, quando olhei novamente para ele, vi que só tinha arrependimento. Eu assenti. A outra parte de mim, a que não tinha raiva, sentia pena. Afinal, sua mulher tinha morrido por causa dessa maldição. Eu não queria que isso acontecesse novamente. Olhei para Felipe, que estava longe de nós, encostado na escada. Incrivelmente, ele me olhava de volta. Envergonhada, desviei o olhar.

“Bem.”, Leonardo disse se afastando um pouco de mim e indo falar com o restante da família. Parei ao lado de minha mãe e passei o braço por sua cintura. Ela passou o braço em meu ombro e sorriu. Tinha um brilho em seus olhos. “Temos uma novidade para contar.”

Eu revirei os olhos. Eles iriam comprar uma casa nova. Ou talvez um cachorro. Ou talvez os irmãos Glen fosse matriculados na minha escola. Ou talvez...

“Nós vamos nos casar.”, Leonardo anunciou.

PUTA MERDA.

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“Rocky, eu já cansei de repetir.”, minha mãe disse enquanto tirava os brincos em frente ao espelho de sua penteadeira. A vi fazendo uma careta e me olhando pelo espelho. Eu andava de um lado para o outro. “Eu tenho certeza. Vou me casar com Leonardo.”

“Mas, mãe.”, eu me sentei em sua cama e suspirei. Passei a mão por meu rosto até o meu cabelo, puxando alguns fios para trás. “Casar?”, eu perguntei. “Isso é um grande passo. E eu não quero que você se arrependa”

Rita se virou, para me encarar. Pensei que ela me daria uma bronca, dizendo que eu era muito criança e não sabia de nada. Mas, ela apenas se levantou e se sentou ao meu lado. Pegou em minha mão e suspirou.

“Querida.”, ela pausou, parecendo querer escolher bem as palavras. “Pode parecer clichês o que eu vou dizer, mas é a pura verdade. Estamos na vida para errar. Eu fui feliz com seu pai. Pode não ter durado o tempo que eu ou você queríamos, mas durou.”, ela deu um pequeno sorriso. “Leonardo me faz feliz. E eu quero que essa felicidade dure o máximo possível. Então, sim, eu tenho certeza. Eu quero me casar.”

Depois de tudo o que tinha acabado de escutar, eu não pude fazer outra coisa, a não ser, abraçar minha mãe o mais forte possível. Isso significava que eu tinha que dar logo um jeito nessa confusão da maldição. Segundo Leonardo e minha mãe, eles iriam dar uma festa de noivado daqui a uma semana. No dia exato da lua cheia. Não sei se ele fez isso por não saber esperar, ou para colocar mais pressão em mim.

Bem, funcionou.

“Então, me conte.”, minha mãe disse se afastando o suficiente para me encarar. “Como foi o tempo que você passou aqui?”, ela deu um meio sorriso, enquanto eu ficava tensa. “Você e os Glen se deram bem?”

Por um segundo, pensei em apenas assentir e dizer que foi ótimo. Que tínhamos ido para a piscina e que eu era quase irmã deles. Mas, eu não consegui. Já era difícil o suficiente esconder dela que ela estava decidida a se casar com um bruxo, quem dirá esconder o que aconteceu entre eu e Felipe. Mas, eu tinha medo de contar que eu e ele tínhamos... feito. Então, resolvi contar algo mais leve, para ver a sua reação.

“Mãe, eu e Felipe nos beijamos.”, disse de súbito.

“O QUÊ?”, ela gritou.

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“Ela pirou.”, eu disse para Felipe enquanto olhávamos para o teto azulado do quarto secreto. “Acho que se pudesse, me daria uma surra. Disse que éramos quase irmãos. Só que eu a lembrei que ela e Leonardo não tinham se casado e que eu não sabia que o romance deles iria tanto para frente.”

Felipe riu. Eu me aconcheguei mais no corpo nu dele, colocando meu rosto na curva de seu pescoço e sentindo seu cheiro. Era algo cítrico, bem marcante. Eu suspirei. Eu sabia que era arriscado estar ali com Felipe. O anel esquentado em meu peito era um ótimo lembrete disso, mas eu não conseguia me livrar daquele sentimento. As mãos de Felipe estavam atrás da cabeça, enquanto ele olhava para o teto, pensativo.

“No que você está pensando?”, perguntei. Felipe me encarou pelo canto dos olhos. Mas não disse nada. “Está com medo do casamento dos nossos pais nos atrapalhar?”, perguntei, tensa. “Não se preocupe. Foi um choque para minha mãe, mas logo ela vai aceitar e ...”

“Rocky”, ele me cortou. Sua voz tão fria, que fez os pelos do meu braço se arrepiarem. “Você sabe que isso o que está acontecendo entre nós dois, não muda a minha decisão sobre o anel, não é?”

Minha boca pendeu aberta. Ontem ele disse que estava reconsiderando e hoje ele diz isso? Pisquei algumas vezes, surpresa. Essas mudanças de humor estavam me matando. Abaixei os olhos e suspirei. Algo dentro de mim se apertou, mas eu ignorei.

“Eu já sabia.”, suspirei.

Notas finais
Amores, estava pensando com os meus botões.

Que tal uma história paralela, contando sobre era a vida dos Glen antes da chegada de Rocky e Rita? Tudo, no ponto de vista de Felipe? Desde a morte da mãe deles, até o primeiro enconrtro deles?

Deixem seus comentários. Ah, devo finalizar Anel dos Seis esse mês ainda. Faltam dois capítulos.

Lágrimas.

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