Aneda Trean: Gloren
1 Capítulo 1 - Lembranças
Notas iniciais
Aneda estava perdida em pensamentos, se lembrava das Guerras Clônicas onde se envolvia em batalhas com Kohr-Ann que se tornavam divertidas pois sempre inventavam alguma coisa para que não ficasse tão maçante, se perguntava por onde o seu amigo andava. Será que ainda estava exilado com Hetro? Se recordava que ele havia voltado para o planeta natal de seu marido após descobrirem que Kaylor estava envolvida na tentativa de assassinato contra Padmé.
A Guardiã se recordava que quando Kohr-Ann desistiu da Ordem Jedi, ela ainda estava afastada de seus deveres como Guardiã por causa da acusação do Chanceler Palpatine na qual ele alegou que Aneda havia tentado lhe assassinar por causa da Besta Trean e havia sido decidido entre o Conselho Jedi e Guardião de forma consensual que ela fosse afastada de seu dever.
— Mestre, está prestando atenção? — ouviu uma voz conhecida lhe perguntar, o que a tirou de seus devaneios e percebeu que estava em seu quarto na casa de Anakin e Padmé em Naboo conversando com Kayrinn, que lhe encarava com um olhar zangado — Você escutou alguma coisa que eu falei?
— Claro que sim! — mentiu Aneda engolindo em seco e um pouco nervosa, não havia escutado nem mesmo uma palavra dita pela sua amiga — Ouvi todas as palavras.
— Então o que eu falei? — perguntou Kayrinn cruzando os braços com uma carranca que poderia até ser engraçada se não fosse trágica.
— Vamos passear por Naboo? — questionou Aneda com um pouco de medo.
— Não Aneda, estava falando do Zee! — disse Kayrinn bufando e revirando os olhos.
— Desculpe, é que dissociei um pouco... — disse Aneda — Estava me recordando da época das Guerras Clônicas.
— Que horror, não haviam ocasiões mais decentes para lembrar? — perguntou Kayrinn — Como o seu reencontro com Kohr-Ann depois de anos?
— Kayrinn, faz quatro anos que eu não vejo o Kohr-Ann... — disse Aneda — E você fala como se o nosso reencontro tivesse sido em uma circunstância maravilhosa.
— Na verdade, eu tento descartar o fato de que tinha um Sith caçando a Padmé naquela época... — disse Kayrinn — E também não queria lembrar que sua mãe estava...
— Ela não é a minha mãe! — Aneda interrompe com a voz ríspida demonstrando irritação — Minha mãe é a Força e nada mais!
— Sinto muito... — disse Kayrinn baixando a cabeça.
Um silêncio se instaurou no local, até que a porta do quarto se abre, Zee coloca apenas parte de seu corpo para dentro do aposento, as duas viram para ele, pelo visto bater na porta deixou de ser o forte do robô humanoide, mas seu rosto demonstrava preocupação.
— Mestre Trean, o senhor Skywalker quer conversar com você... — disse Zee — E parece sério!
Aneda revira os olhos, ela se levanta, saindo do quarto e caminhando na direção do pátio, ela sabia exatamente onde ele estava, uma das vantagens de ser uma Guardiã era saber exatamente onde seu Protegido estava apenas usando a Força, como estavam perto, isso se tornava cada vez mais fácil.
Ao chegar no local, Leia estava ao lado de Anakin com a cabeça baixa, o loiro estava de pé com os braços cruzados encarando Aneda, enquanto Obi-Wan estava sentado em uma cadeira em um canto como se estivesse prestes a ver um filme.
— O que está acontecendo? — perguntou Aneda.
— O que eu falei sobre ensinar Leia a falar palavras feias? — perguntou Anakin sério.
— Não ensinei... — disse Aneda.
— Então com quem ela aprendeu a falar palavras feias? — perguntou Anakin.
— E eu sei lá, porra? — disse Aneda, recebendo um olhar reprovador de seu Protegido enquanto o Jedi no canto tentava não rir.
— Aneda, você não pode falar palavras feias, você deveria dar o exemplo para as crianças... — disse Anakin — Você deve ensinar que falar expressões ofensivas e de baixo calão não é de bom tom.
— Mas isso é fácil! — disse Aneda, em seguida se ajoelhando em frente a Leia, encara os olhos da menina, falando — Leia, ouve a tia por um segundo: Não pode falar palavras feias nessa merda!
— Aneda! — disse Anakin chamando atenção da Guardiã — Você não tem jeito mesmo, parece que estou falando com as paredes!
— Tenho coisas mais importantes para pensar... — disse Aneda se sentando em uma cadeira próxima de Obi-Wan — Estava pensando no Kohr-Ann.
— Faz tempo que não sabemos notícias dele... — disse Obi-Wan — Fico me perguntando se ele está bem.
— Kohr-Ann é aquele tio de barba que tinha um namorado? — perguntou Leia.
— Ele mesmo... — disse Anakin.
De repente, um comunicador toca dentro do bolso de Aneda, ela pega o objeto em mãos, em seguida, atendendo a chamada, uma imagem em holograma de Kohr-Ann aparece, o que choca a todos, estavam falando dele há poucos segundos.
— Quem é vivo sempre aparece... — disse Aneda — Você não morre mais esse ano.
— Eu não contaria com isso! — disse Kohr-Ann — Preciso de ajuda urgente, estamos sofrendo um ataque em Vensodred!
— Como assim? — perguntou Aneda.
— Algumas naves estavam sobrevoando os céus do planeta, mas achamos que era a Aliança Rebelde... — disse Kohr-Ann — Porém, essas naves pousaram, tem um símbolo diferente, não parece ser conhecido, mas são pessoas com más intenções.
— Tudo bem, tentem evitar que eles avancem até chegarmos... — disse Aneda — Vou com a minha nave, deduzo que não vou demorar muito.
Kohr-Ann se despede, Aneda coloca o comunicador no bolso e encara os dois Jedi a sua frente esperando para que eles falassem alguma coisa, mas apenas ficavam quietos, pensativos.
— Vocês vão ficar parados como duas moscas mortas ou vão me ajudar? — perguntou Aneda — Vocês não acham que é o mínimo que deveríamos fazer após Kohr-Ann ter arriscado a vida do próprio marido e dos cidadãos de Vensodred contra o Aurora Escarlate aquela vez?
— Em nenhum momento falamos que não ajudaríamos, é óbvio que vamos ajudar... — disse Obi-Wan — Mas estou tentando entender quem se atreveria a fazer isso após tantos anos de paz.
— Que paz? — perguntou Aneda — Quando foi que nós começamos a ter algum minuto de paz nessa Galáxia?
— Nós passamos alguns anos sem guerras graves... — disse Leia — Apenas desentendimentos políticos, mas foram resolvidos com base no debate e na conversa.
— Ouçam, agora não é o momento de discutir com vocês, vamos ajudar o Kohr-Ann em nome dos velhos tempos! — disse Aneda.
— Tudo bem, Leia, você fique aqui com a sua mãe e o seu irmão... — disse Anakin — Nada de se esconder na nave para ir junto, espero que estejamos entendidos.
Leia balança a cabeça concordando com um olhar tedioso em seu rosto, porém, decidiu não discutir com o próprio pai, Anakin, Aneda e Obi-Wan caminhavam rapidamente em direção ao local onde guardavam as naves, a Guardiã estava chamando Kayrinn e Zee através do comunicador para que os acompanhassem naquela missão.
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