Andarilho dos Sonhos
2 Uma queda no Vazio.
Notas iniciais
Uma queda no vazio,
O vazio, não se escuta nenhum som, somente os batimentos cardíacos acelerados do rapaz, sua respiração arfada.
Ele sente o vento da queda livre, o ar gélido passando e lhe causando arrepios na pele exposta, na barriga à mostra enquanto a blusa chacoalha, em seu rosto juvenil, preso tristemente naquela mesma expressão de desespero e medo, em suas mãos abertas em frente ao corpo tentando se segurar ou amparar a queda e em seus pés descalços.
Naquele momento ele já havia desistido de gritar, não tinha mais forças, não tinha mais folego, mantinha os dentes rígidos e os olhos assustadoramente arregalados tentando ver o fundo, entre o breu do vazio, quando enfim chegaria ao fundo eminente.
Podre alma apagada pela dor, tão jovem, tão belo, tão astuto, mas sem luz alguma dentro de si. Nossas almas dita quem somos, nosso ser, nossas metas e é claro refletem em nossos sonhos e, infelizmente, a alma daquele pobre, rico, rapaz estava apagada já havia anos. Se apagara pela culpa, pela raiva, pela ira.
Tudo começara anos antes, durante o acidente de carro, não, não digo do fim triste do baile, digo o primeiro acidente de carro, aquele que ceifará a vida do seu pai.
Peço sua licença para abrir uns parênteses nesse momento só para eloquar o homem maravilhoso que era e que rapaz extraordinário seria se o Brenno mantivesse o exemplo de seu progenitor. Este construíra uma fortuna sem pisar, humilhar ou trapacear ninguém ao seu redor, somente com esforço e dedicação, e muito estudo, sempre fora um Ás nas exatas e dominava a gramatica de forma linda de se ver, mesmo com uma grande empresa para gerir conseguia ainda se desdobrar fazendo 24horas parecerem 100, sendo um marido amoroso e um pai extraordinariamente amoroso e brincalhão, principalmente lembrando do cansaço.
Ele com certeza foi uma grande perda para a humanidade. O fatídico dia em que ocorreu o primeiro acidente se sucedeu da seguinte forma, ele levava no carro o filho, Brenno a quem já conhecem, iam para a maternidade onde sua esposa dava à luz prematuramente ao segundo filho, uma pequena menina, batizada de Luz.
Como criança Brenno estava com ciúmes e se sentia contrariado, não compreendia o porquê devia amar a outra criança ou porque não mais lhe mimavam como antes. Algo totalmente comum em crianças na sua idade, cerca de cinco ou seis anos, e sem as devidas explicações por parte da mãe, volte meia fazia coisas para chamar a atenção para si novamente. Naquele dia ele decidiu soltar-se da cadeirinha, sim cadeirinha dessas para veículos, para segurança das crianças no mesmo, fazendo graça para que o pai lhe dedicasse atenção.
E novamente como um dominó cuja a primeira peça foi ele se soltar, seu pai se voltou para repreendê-lo e um bêbado furou o sinal, batendo exatamente na porta do motorista. Sim, sintam a ironia, um acidente por culpa de um bebado ceifara seu pai da vida, e ele bêbado, enfim...
Nosso jovem rapaz saiu ileso do primeiro acidente, digo fisicamente, pois sua psique se quebrou em tantos pedaços, pobre criança.
As coisas que vieram acontecer na sequência da vida de Brenno, parece até um capitulo de desventuras em série, seu pai falecera na mesma hora durante o acidente, a criança recém-nascida prematuramente, apesar de lutar com a vida no hospital, falecera quatro dias depois por falência renal e sua mãe, pobre mulher, se tornará amarga e depressiva, vivia em vinhos caros e remédios tarja preta, culpava-o, chegou a dizer que preferiria que ele também tivesse morrido, certa vez mencionou o desejo da menina ter se mantido viva e ele ido junto ao pai. Não se importava com os gritos de desespero do menino que todas as noites sonhava que caia num abismo.
Anos depois sua mãe se casal novamente, com um ser arrogante e que, sinceramente, so se importava com dinheiro.
Brenno cresceu sem base, tornando-se arrogante, grosseiro e boçal, deveria ter concluído o ensino médio com 17 anos, como a maioria, mas por causa das expulsões e repetências, no fatídico dia tinha acabo de completar 19 anos. Tanta jovialidade perdida.
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