And In This Pool Of Blood
20 Na casa de Gerard Way
Notas iniciais
Suspense até quando eu dizer que chega...
Comecei a me sentir estranha por caminhar sozinha com o Way. Fizera isso apenas uma vez, porém, Frankie e os outros garotos também estavam conosco.
- Minha casa não é muito longe — disse ele, subitamente, quando saímos da minha casa. Nevava preguiçosamente. Mas não me importava com o frio do final de Outubro.
Ficamos calados, como eu e Frankie de vez em quando. Sentia-o distante, apesar de me convencer que isso não era da minha conta.
"Porque, senão, a Jessica me coloca num hospício."
Mas embora eu não gostasse de neve, observava, quase que hipnotizada, o efeito magnífico que ela produzia nas diversas casas de Beleville. Várias crianças corriam fantasiadas pela rua.
Continuamos calados. Tentava planejar o que diria a ele, a ponto de convencê-lo que não poderia mais continuar com seu plano Nestor.
"Pelo Frankie..."
O que poderia fazer?
"- Você precisa me ajudar a não deixar mais o Gerard continuar com o plano dele.
- E que garante que ele vai me ouvir?
Frankie sorriu sem querer. Parecia que tinha se lembrado de algo.
- Bem... ele vai ouvir. Eu sei que vai — respondeu, sem outros comentários.
- Tá, o risco é seu..."
Suspirei. Teria que tentar, já que havia prometido a Frankie.
Pensava, distraida, no que fazer. Até sentir Way puxar meu braço.
- No mundo da Lua? — perguntou, sorrindo — A gente já chegou, Natallie.
Era uma casa muito bonita, dois andares, parecendo um replica de tamanho menor do Colégio de Beleville. Só que tinha um estilo meio gotico, e então entendi o por que da festa ser ali. Tinha o ar perfeito de Dia das Bruxas.
Se não estivesse tão distraída, ele nem precisaria ter me falado. Havia um evidente barulho de festa lá dentro.
- Vem — disse ele, me puxando novamente pela mão. Era realmente muito fria a pele dele. Mas ele soltou-me quase que imediatamente.
O barulho da música ia aumentado a cada passo meu. Andamos por um gramado muito bem cuidado, até bem mais que o do colégio.
Way abriu a porta. Sem querer, seus desviaram-se para o embrulho na minha mão. Ele riu e abriu a porta.
A iluminação vinha de um lustre no alto do saguão da casa, que emitia fortes luzes. Várias pessoas pulavam, dançavam, se divertiam. Todas com as mais diversas fantasias.
- Vem, Natallie — disse Way novamente, no meu ouvido dessa vez, por que a música estava muito alta. Senti arrepios no meu pescoço — Te levo até o Frankie.
Ele deveria saber onde, pois era quase impossivel encontrá-lo no meio daquela multidão. Pela terceira vez, sua pele entrou em contato com a minha. Mas não protestei, apenas tinha em mente que aquilo era pelo Frankie.
Dobramos por um corredor à esquerda do saguão. Muitas das pessoas que estavam ali cumprimentaram Way e olhavam com curiosidade para mim. Deviam ser amigos dele, apesar de não terem cara de estudantes de ensino médio. Nos distanciamos do barulho e no fim do corredor havia uma porta de vidro verde.
Ele abriu a porta. Logo ficou claro que não devia ter feito isso. Era uma sacada. E lá estava Frankie... se beijando com a Jamia. Way soltara minha mão mais uma vez.
Se não me desse uma enorme vontade de rir, teria dado meia volta e ido embora. Way parecia também surpreso com a cena, talvez até mais do que eu. Mas quem parecia mais embaraçado com a situação era Frankie. Se não fosse pela minha presença, tenho certeza de que Jamia também teria se sentido envergonhada. Mas meramente tentou disfarçar seu descontentamento por eu estar lá.
- Ah... oi, Frankie... — disse Way, ainda espantado com aquilo. Jamia disse algo para ele que soou com "O que ela está fazendo aqui?".
- Ela veio com o Gerard — respondera Frankie, se afastando da garota. Jamia olhara-me com desconfiança, mas não falara nada — Eh, oi. Que bom que você veio, Natallie.
Jamia não gostou dele ter feito tão comentário. Mas continuou calada. Usava uma fantasia que parecia ser de fada ou coisa parecida, porém, evitava olha-la direito.
Frankie dissera algo bem baixo para ela, pois ela se retirou em seguida. Ele suspirou, aliviado por menos confusão.
Terminado este momento claramente desconfortavel, Frankie recuperara sua habitual expressão de "inocência".
- Você se enganou, Natallie — disse meu amigo, passando a mão pelo meu ombro — Eu vim de Dracula!!!
Sem duvida, ele usava aquelas capas de vampiros de cinema, exibindo um ar vampiresco, se bem que, na minha opinião, o morto-vivo era o Way.
- Algum problema com ela, cara? — perguntou ao Way.
Ele fez que não, se distanciando de nós e andando até o lugar onde Frankie e Jamia haviam estado.
- E do que você veio? Tá bonita pra caramba...
- Até agora não sei — respondi, rindo. Depois acrescentei baixinho — Peguei você numa hora ruim?
- Ah... eu acho. E aí, você já... falou com ele? — perguntou, apontando para onde Way estava. Ele puxara um isqueiro do bolso e acendera um cigarro, olhando para o jardim.
- Não — respondi, sinceramente — E desde quando o Way fuma?
Frankie estalou os dedos indicando que há muito tempo Way fazia isso.
- Ah, Frankie, toma — disse, entregando-lhe o livro.
Como previra, ele lutava pra não sair pulando e plantando bananeiras.
- Não acredito! Ah!!!!! Harry Potter!!! HARRYYY POTTERRRR!!! — E em seguida me deu um abraço que quase me erguera do chão — EU TE AMOOO, NATALLIE!!!
Way virou para trás, olhando a cena.
- E melhor você me soltar antes que a Jamia te ouça — preveni-o, quase sufocando.
Frankie me soltou imediatamente, contemplando seu tesouro. Way riu e voltou a fumar.
- Preciso falar com você — sussurrei, de repente, ao olhar Way.
- O que foi?
- Você... tem, sabe... uma idéia de quando ele pretende acabar com essa farsa? — perguntei, temendo que o outro nos ouvisse — Entre você e Jamia?
Frankie ficou mais sério.
- Hoje à noite — respondeu simplesmente.
- Quando exatamente?
- Meia-noite — respondeu ele, nervoso com isso — Ele quer que eu, sabe, faça uma espécie de discurso e nessa hora... fale na frente de todo mundo que tudo era armação...
As coisas começavam a ficar difícil. Maldito Gerard Way...
- Ainda não consigo acreditar que você concordou com isso, Frankie — disse, cruzando os braços — Ele é um idiota.
- Você não vai andar pra trás agora, vai?
Fiquei em silêncio por um instante. Eu podia fazer isso se quisesse, afinal, Frankie concordara com isso por conta própria. Mas... é, eu não vou fazer isso.
- Sabe que não — murmurei.
- Obrigado — disse ele, tornando a me abraçar — Mas, lembre-se: Você ainda é minha favorita!
- Sei... você também é — disse, rindo — Feliz aniversário, pigmeu. Tomara que você tome mais juízo de hoje em diante.
- Que batalha perdida... eu nunca vou ter juízo.
Notas finais
Mas ninguém vai morrer! Ainda...
(sua maluca, já tá contando a história! - reclamou Gerard, calando minha boca/ah.. desse jeito, eu vou chamar meu advogado! - disse Frankie - que droga! vou voltar pro Harry Potter../vc tem ideia de quanto isso soou estranho, Frankie?/Fica depremido e volta pra debaixo da mesa.- será que eu sou o único normal? - perguntou Gerard em voz alta/Onde? no branco dos olhos???-exclamei, rindo/Gee tbm vai pra debaixo da mesa/- amigooo!!!- gritou Frankie/nossa.. que kawaii...*chora*
- eu mereço - diz Gee bem baixinho)
Fui! No próximo vcs descobrem mais um coisa!
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