Notas iniciais
Mais um, flws.

Acordei, eu estava nervoso. Falar com o tal Bob me dava medo. Tomei a ducha e vesti uma roupa. Peguei um ônibus para a casa do tal. Quem mandou esse sujeito morar tão longe?

Cheguei a casa do tal e vi um jovem na porta. Braços cruzados, parecia impaciente.

-

Bob? — Perguntei.

- É. Gerard, né? — Perguntou.

- É. Bom... — Tentei falar.

- Vamos entrar. — Ele disse. Entrou a casa e fez um gesto para que eu o seguisse. Fui andando junto com ele até que avistei a sala. Sentamos.

- O que quer saber? — Perguntou.

- O que pode me contar? — Perguntei.

- Não posso te contar nada. Mas se perguntar posso responder. — Falou.

- As agressões com o Frank? Como eram? — Perguntei.

- Vai repetir nesta mesma tecla? Como já te disseram e sei que disseram. Eram diárias, sempre iam pra cima do baixinho, às vezes eu conseguia esconde-lo, mas quando achavam ele, era pior. — Respondeu.

- E você sabe sobre o suicídio dele? — Perguntei.

- O quer saber sobre isso? — Perguntou.

- O que ele te contou? — Perguntei.

- Eu fui a unica pessoa na qual ele falou sobre isso. E foi bem pouco, eu consegui entender tudo. — Respondeu.

- E? — Perguntei.

- Ele estava com depressão desde do dia em que você se mudou. Ele disse que sem você por perto os dias dele perdiam a graça, a vida. Se lembra que o baixinho ia ao psicologo? Essas visitas aumentaram, mas ele parou de ir. Disse que sabia o motivo do problema dele. Não precisava de ninguém lhe dando conselhos. — Respondeu.

- Conte-me mais, por favor. — Implorei.

- Ele pediu pra mudar pra sua cidade. A mãe negou, disse que ele era muito jovem pra ficar por ai sozinho. Ele disse que ficaria com você, ai que ela negou mesmo. Gee... Pode até parecer que ela gostava de você, mas ela no fundo, pensava que você fazia mal ao filho dela. Depois do que aconteceu foi que ela percebeu que estava errada. — Ele comentou.

- Eu... Eu não sei o que dizer. — Falei.

- Posso continuar? — Perguntou.

- Claro. — Respondi.

- Ótimo. Depois que ela negou, eles brigaram, a depressão dele aumentou. Ele nem ligava pras agressões, o problema dele era ficar longe de você. Mas com o aumento da depressão ele começou a não suportar mais as agressões. Ele chegava a ter problemas de saúde, mas ninguém dava atenção. Claro que a gente, eu e alguns garotos, fazíamos o que podíamos, mas não era suficiente, a gente não tinha força o suficiente, mas tentamos. A depressão do garoto piorou então. Muito mais. Ele não suportou mais, e então ele veio me visitar, me entregou uma carta e disse que tudo ficaria bem. Eu não entendi de primeira, mas depois que li a carta percebi. A depressão e as agressões fizeram o baixinho se matar. E cara, pare de se culpar, a culpa não foi sua. E como eu sei disso? Cara, eu estava te vigiando o tempo todo, porque o Frank pediu. Mas agora já não posso mais. — Falou, se levantando.

- Cara... Eu, eu, sei lá, não sei o que dizer. — Falei, chorando.

- Diga que vai se cuidar cara, pelo baixinho. — Falou.

- Eu não prometo nada. — Falei.

- Tudo bem, quer uma bebida? — Perguntou.

- Não cara, vou indo, eu... Eu preciso de um ar. Um tempo. Sei lá. Obrigado por tudo, foi bom te conhecer. — Falei, me retirando da casa.

- Tudo bem cara, eu sei que é difícil. Fica firme. — Falou, ficando na porta da casa dele.

Peguei um ônibus, de volta a casa. Esse cara me vigiava o tempo todo? É, minha família não era a unica. Então a dona Iero pensava que eu fazia mal pro meu baixinho? Como assim? Isso é um absurdo enorme. Isso está parecendo um pesadelo enorme.

Mas eu sabia, sabia que a culpa era minha. Não adiantava dizer que não era. Era. Minha, toda minha e apenas minha. Eu nunca devia ter saído desse lugar. Nunca devia ter abandonado meu baixinho com depressão. Nunca devia ter feito nada disso.

E, mais uma vez. Me sentei um bar e me afoguei em lágrimas e bebidas. Voltei para a casa parecendo um bêbado. Que dia horrível esse. Meu irmão estava na cozinha, tudo o que eu consegui foi pedir um abraço e cair no choro outra vez. Eu disse que não estava pronto pra conversar agora. Iria conversar mais tarde. Deitei na cama e não consegui dormir. Fiquei chorando até a noite.

Quando anoiteceu, Mikey me chamou. Disse que precisávamos conversar sobre o que o Bob me disse. Ele também queria saber. Contei-lhe tudo. Tudinho, sem escapar nenhum detalhe. Ele ficou surpreso, triste, não dava pra entender muito bem a expressão em seu rosto. Mas depois ele me abraçou. Disse que ia ficar tudo bem. Eu apenas voltei ao choro. Minha vida tinha perco o sentido. E nada ia ficar bem, nada mesmo.

Voltei para o quarto, chorei mais um pouco e adormeci. Eu já sabia o que ia fazer no dia seguinte. Ia ser doloroso pra mim, mas minha vida já não havia sentido. Adormeci pensando nisso.

Notas finais
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