Notas iniciais
Mais um pra vocês :3.

Acordei no meio da madrugada, chovia muito forte lá fora, esfreguei meus olhos e sentei na cama. Olhei pro chão procurando meus chinelos e vi uma foto minha e do Frank, nos beijando, no ano novo, com certeza.

- Feliz ano novo Gee... — Ele disse, enquanto colocava os braços em volta do meu pescoço. Era muito bom sentir seu toque.
- Feliz ano novo, Fran... — Eu disse, segurando sua cintura. Nós nos beijamos suavemente, seus lábios macios tinham um gosto incrível, nossos corpos colados, uma sensação indescritível, seu cheiro, tudo nele era perfeito.

Sorri com lágrimas nos olhos. As lembranças eram felizes, mas o momento acabava comigo. Tudo o que eu pensava era em descobrir o motivo dele ter feito aquilo. Meu pequeno. Meu Frank.

Enxuguei minhas lágrimas, peguei meu chinelo e fui pra cozinha. Me sentei numa cadeira e fiquei pensando, suspirando e me culpando. Eu tinha que me culpar mesmo, de certa forma, era culpa minha. Fui pro quintal, tomei um ar, e voltei pro quarto dos meus pais. Tentei dormir, mas não consegui, fiquei rolando na cama até a hora de acordar.

Eu fiquei lembrando dos nossos passeios, lembro de quando ele me pediu em namoro, em um parque.
- Ei Gee... eu estava pensando, nós estamos bem próximos... — Ele disse, claramente com vergonha.
- É, e eu to adorando isso — Eu disse.
- Então, sabe, o que ... o que você acha da gente ficar junto? — Ele perguntou, muito mais vermelho que o normal e extremamente fofo. Eu não disse nada, apenas o beijei. Deitamos na grama, ele deitou por cima de mim, ainda me beijando, finalmente nos separamos, fiquei acariciando seu belo rosto.
- Eu te amo Frank... você é a melhor coisa que já me aconteceu. — Eu disse.
- Eu também te amo Gee... — ele disse, me dando outro beijo.

E essas lembranças que invadiam minha mente, me faziam chorar mais e mais. E acabar me perguntando "Se eu tivesse ficado aqui, isso teria sido diferente?".O despertador tocou em vão. Eu já estava acordado, perdido em lembranças, mas acordado. Tomei a ducha e me arrumei. Eu precisa saber o que acontecia na escola do Frank antes dele se matar.

Fui andando até o local. Cheguei lá, passei pelo portão e me direcionei a diretoria. Precisa primeiro conversar com a diretora. Fui atendido por uma mulher alta, de cabelos vermelhos, que usava um óculos.

A mulher me convidou a sentar, me sentei e ela logo em seguida.

- Posso ajudar? — Perguntou ela.
- Bom, senhora... — Tentei falar o nome dela, mas agora me escapava a memória.
- Victorhy. Senhora Victorhy. Por favor. — Disse ela.
- Ah, Senhora Victorhy, sou um antigo aluno daqui, não sei se a senhora se lembra. Gerard Way. — Estendi minha mão para cumprimentá-lá.
- Sim, me lembro do senhor. No que posso ajudar? — Disse ela, me cumprimentando também.
- Eu queria saber sobre a vida escolar do aluno Frank Iero. Poderia me contar? — Disse eu.
- Claro. O Frank era um bom aluno, tirava notas boas, tinha suas vermelhas, mas era bom. Mas sempre se metia em confusão com um grupo de alunos mais velhos. Deveria falar com os outros alunos daqui. Eles sabem mais — Contou e sugeriu ela.
- Obrigado pela ajuda. — Disse eu e me retirei.

Eu acho que pareci meio seco com ela, mas isso está me estressando e muito. É difícil tentar parecer calmo quando você está passando por uma tempestade que está acabando com a sua vida.

Fui em direção a cantina da escola, se eu me lembrava, eu e o Frank costumávamos lanchar lá, tinha uma senhora muito boazinha, se bem me lembro o nome dela é Anne. Memória muito ruim a minha. Cheguei a cantina.

- Senhora Anne? — Perguntei.
- Gerard, filho, é você? Quanto tempo. Que boas novas lhe trazem de volta a sua antiga escola? — Ela perguntou. Acho que a memória dela estava melhor que a minha, me reconheceu rápido.
- Sou eu, senhora. Acredite, não são boas novas, queria eu que fosse. — Respondi.
- Ah, sim, filho, eu soube o que houve com seu namorado. — Ela disse com olhar de tristeza.
- Tia, você soube de alguma coisa que houve nessa escola? Alguma agressão? — Perguntei. Sim, eu tinha intimidade para chamá-lá de "tia".
- Filho, preciso contar. Depois que você mudou de escola as agressões com o menino aumentaram, e muito. — Respondeu ela.
- Aumentaram? E ninguém fez nada? — Perguntei.
- Filho, a gente fez o que pode. Mas eles não paravam. — Respondeu ela.
- Tia, você acha que poderia ser esse o motivo? — Perguntei.
- Filho, eu não sei. Depois que você se mudou, muita coisa aconteceu com ele, o baixinho já tinha até depressão. Filho, pode ter sido qualquer motivo. Acho que vai ter que falar com mais gente pra isso. — Respondeu ela.
- Obrigado, Tia, ajudou muito. — Falei e lhe dei um beijo na mão.
- De nada, filho, se cuide. — Disse ela.

Sai da cantina. Na verdade, sai daquela escola. Minha cabeça não estava tão confusa, mas continuava. Eu me sentia fraco, e sempre repetia pra mim mesmo "É culpa sua Gerard, culpa sua".

Fui ao um bar, comprei uma bebida e me sentei numa praça, olhei pra cima e suspirei. Tudo aquilo estava me matando. E se fosse esse o motivo? Eu nunca devia ter deixado ele sozinho, não naquela escola, não com aquela gente. Bebi um gole da bebida e comecei a chorar, normal, meus dias haviam sido apenas disso: choro. Choro, lembranças e culpa.

Eu iria voltar a escola algum dia desses, faltava conversar com os alunos. Mas agora? Agora eu queria era morrer por algumas horas, esquecer de tudo, de todos, esquecer que a culpa foi minha. Apenas esquecer.

Fiquei sentado no banco até o anoitecer, e a bebida já havia acabado. Eu não queria voltar pra casa, eu não queria ver as fotos do meu baixinho, eu não queria pensar que agora ele já não está mais aqui. Eu só queria ficar onde eu estava, evitando meus pensamentos, evitando meus pesadelos, evitando tudo.

E assim foi, passei a madrugada toda acordado, até que Mikey preocupado veio me buscar. Sabia onde me encontrar, ele me conhecia bem, muito bem.

- Gerard, vamos pra casa? — Perguntou ele, se aproximando.
- Não Mikes, quero ficar aqui. — Disse eu, contendo o choro.
- Gerard, você vai ficar doente nessa friagem. — Disse ele, preocupado.
- Tá Mikes, tá. ME DEIXA FICAR DOENTE, ME DEIXA. PRA VER SE EU FICO E MORRO LOGO. MORRO E LEVO ESSA MERDA DE CULPA COMIGO. — Gritei.
- Gerard, entenda que a culpa não foi sua. Seja pelo que ele se matou, não foi sua culpa. — Respondeu Mikey.
- Não Mikes, foi sim, eu nunca devia ter deixado ele sozinho. — Falei, chorando.
- Gerard, você não tinha escolha, nossos pais te obrigaram a se mudar. — Falou ele.
- E daí que eles obrigaram Mikes? Eu podia ir contra eles, era o Frank, Mikes, era a minha vida. Eu tinha que proteger ele. Eu tinha que cuidar dele — Falei.
- Gee... Não foi culpa sua, você não imaginava. Mas, agora, por favor, vamos embora. — Falou ele, com uma voz chorosa.
- Não Mikes, me deixa aqui, me deixa. — Falei, chorando.
- Tudo bem Gee, você sabe o caminho de casa. — Falou ele, indo embora.

Chorei, chorei muito, mais do que eu podia imaginar. Eu queria ter morrido naquela noite da ligação, pra nunca ter ouvido aquela notícia. Enfim. Acabei adormecendo no banco.

Notas finais
Reviews? Ganha um bolinho de arroz quem deixar :3