And If I Love You?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Pov's Allyson
O sol nova-iorquino se fazia presente à cada passo que eu ousará em dar. Sentia todos os meus músculos implorarem em súplica para que eu desse um tempo, e descansasse.
A touca da jaqueta já me irritava e no momento a única coisa que realmente servia eram meus óculos escuros.
Continuei andando para qualquer lugar que fosse, eu apenas já estava desesperada o bastante para virar mendiga.
Passei por uma banca e pude ver meu rosto de longe, em inúmeras capas de revistas e jornais, um grande sorriso era formado em meu rosto, mal eles sabiam que era falso.
Suspirei não aguentando mais andar e me sentando em um banco de um parque qualquer.
Eles me pressionavam, me forçavam a fazer coisas que eu jamais ousaria em fazer, eles focavam somente no dinheiro e nada mais importava, eu não importava, muito menos a minha opinião. Toda paciência tem limite, a minha já extrapolava desse limite, eu me sentia presa, sufocada, eu parei porque eu sabia que aquela Ally Dawson estampada em revistas, redes sociais, televisores, shows, não era eu. Aquela era somente a Ally Dawson que eles queriam ver, não o meu verdadeiro eu.
Ser cantora sempre fora de longe o meu maior sonho, fazer shows, ter fãs, ah como eu amava isso, a sensação de estar em cima dos palcos sempre irá ser indescritível pra mim, mas todas as vezes que eu lembro que até mesmo os sonhos tem um outro lado meu corpo se remexia em nojo e desprezo.
Olhava ao redor sorrindo, as árvores adquiridas ao tom laranja de primavera que eu tanto amava, à anos eu não ia à um parque e ficava as observando até o pôr-do-sol. Mesmo sendo coisas tão simples e insignificantes, eu me surpreendia, uma árvore era mais livre que eu, pensava todas as vezes em que olhava para elas e suas majestosas folhas voando por aí.
Olhava preocupada para o pôr-do-sol como se em um piscar de olhos ele fosse resolver todos os meus problemas. Maldita hora em que meus pais resolveram tirar férias no Havai e me deixaram sem nenhuma chave da casa deles, Elliot deve estar em alguma coletiva importante em San Diego, nem sabendo que a própria irmã fugiu pra algum canto, eu provavelmente não poderia nem se quer pisar em algum hotel, ou descobririam que eu não fui sequestrada.
Eu já não sabia mais o que fazer, de repente sair com um óculos escuros e uma touca, com uma mochila nas costas não fora lá uma das minhas melhores idéias, pelo menos se eu se quer tivesse planejado antes, se eu voltasse agora seria pior, muito pior.
Eu tinha que me forçar a andar de alguma maneira pois hoje era dia de ação de graças, estavam tendo um baita desfile nas avenidas e ruas, os táxis desapareceram completamente.
Ouvi o toque repetitivo e irritante de meu celular reinar no silêncio e o peguei de dentro da mochila. 76 ligações perdidas, 21 de Lucy minha assistente, 12 de Baker meu empresário, 27 da Hollywood Records e 16 de meus Pais. Oh meu Pais! Preciso lembrar de ligar a eles e explicar a loucura que a filha deles acabou de cometer.
Olhava para as pessoas rindo, pulando junto com a música e desejando Feliz Dia De Ação De Graças para qualquer um que encontrasse, elas eram felizes, livres, pulavam como se fosse a última coisa que iriam fazer, abraçavam, demonstravam seu amor e afeto. Por que eu não poderia ser assim? Por que eu não tinha uma vida assim? Será que é tão terrível assim querer ser feliz por meros minutos da sua vida?
Continuei as observando até ver muitas correndo e ajudando outras a recolherem seus pertences, e outras correndo para suas casas e carros, franzi o senho confusa, até sentir os pingos frios se fazerem presentes em minha face.
A chuva cada vez mais foi se intensificando, o que me desesperava ainda mais, ninguém mais se encontrava na rua, eu estava sozinha.
Peguei rapidamente minha mochila e saí correndo me corroendo de frio pelas calçadas de Nova York, avistei uma casa majestosa, branco com uma mistura de cinza, com dois andares, não pensei duas vezes e já estava apertando a campainha, tirei meu casaco totalmente encharcado, e meus óculos escuros.
Tentava inutilmente desembaraçar os fios de meus cabelos até escutar um estondro e um raio cortar o céu, me abracei apertando a campainha novamente, as árvores do parque antes lindas e carregadas a folhas, se encontravam quase sem elas.
Estava com o dedo indicador levantado indo em direção à campainha quando a porta se abre e uma loira me encara espantada, ela tinha em mãos um pote de comida chinesa e estava com uma calça de moleton cinza junto de uma blusa de frio rosa clara escrito "PINK" no centro, ela me olhava como se eu fosse algo de outro mundo, me olhou de cima à baixo umas cinco vezes e sorrio tímida pra ela.
– AÍ. MEU. DEUS! — Ela gritou dando pulinhos de alegria e me abraçando em seguida sem se importar com minhas roupas molhadas. — Eu te amo, eu te amo, te amo muito! Caracas! Você não sabe o quanto eu chorei quando falaram que você simplesmente sumiu! Meu Deus! Ally Dawson está na minha frente! — Só agora lhe olhando melhor, percebi as grandes olheiras e olhos vermelhos, mas ela continuava com seus pulinhos alegres.
– Cassy é a piz... O que ela faz aqui? — Um outro loiro aparece, olhos lindos, cabelos sedosos, sem camisa, que corpo, meu Deus...
Balancei minha cabeça afastando os pensamentos e olhando fixamente para os dois loiros.
O homem tinha um olhar fixo nos meus, seu olhos eram extremamentes misteriosos, como se por trás de tudo aquilo houvesse algo muito maior. Já os olhos da loira brilhavam em alegria e expectativa.
– Eu... Só quero uma noite, está chovendo muito e... Eu não tenho aonde ficar. — Sussurrei me apertando ainda mais em meus braços de frio.
– Nã...
– Mas é claro que pode! Não é todo dia que sua cantora favorita aparece em sua porta! — Interrompeu a loira, me puxando para dentro da casa, olhei significativa para ela, agradecendo aos céus por ela gostar de mim.
Escutei o loiro resmungando atrás e olhei para ela culpada.
– Por mais que ele esteja reclamando agora, ele nunca deixaria alguém dormir na rua. Agora me conta! Por que fugiu? Foi sequestrada e te devolveram? Cansou da vida? Se arrependeu? Você não sabe o como eu pirei quando recebi a notícia ontem a noite. Eu fui no seu show, sabia? Aliás meu nome é Cassidy Turner. — Só de ouvi-lá falar minha cabeça já estava tonta, nunca vi alguém falar tão rápido em segundos.
– E o loiro? — Desviei de suas perguntas.
Sabia que devia muito a ela por me deixar ficar, mas não queria tocar no assunto, não agora. Minha cabeça já latejava pensando no que iria acontecer amanhã, provavelmente alguém me encontraria debaixo da ponte.
– Austin Moon.
Me arrepiei quando senti seu forte aroma sofisticado e fresco, atrás de mim. Seu cheiro era embriagante. Fechei os olhos aspirando seu aroma para dentro de minhas narinas, como aquilo era bom.
– Eu ainda nem acredito! Ally Dawson está na mi... Casa do professor Austin! — Abri os olhos na mesma hora, os arregalando em seguida.
Ele era professor e pelo modo em que ela usou, era professor dela! Minha cabeça martelava, então não eram irmãos, eram... Namorados. Mas isso não é errado?
– Não é nada disso do que está pensando! Eu e Austin só somos amigos, nada mais que isso. Ele me encontrou chorando na Waffle House, por conta de seu sumiço. — Balancei a cabeça em concordância, tentando assimilar as novidades.
Era muita coisa para só um dia. Estranhei o fato do loiro nem se quer negar que não tinha nada com Cassidy, desde que cheguei seus olhos me perturbam, mas não era porque eu iria passar uma noite na casa dele, em seus olhos eu via tristeza, mágoa e vi os sentimentos aumentarem mais ainda depois da explicação da Loira.
Alguma coisa eles tinham, mas eu não queria me intrometer, passar a noite ali já era demais, imagina querer saber de suas vidas.
– Se me derem licença, eu preciso ligar para meus Pais e dizer que eu não fui sequestrada por nenhum terrorista! — Disse preocupada e pensativa o que fez Cassy rir e Austin dar um mínimo sorriso.
Sorri também. Eu havia conseguido arrancar um sorriso do loiro rabugento! Já era um começo. Por que mesmo eu estou me importando com isso?
Fui até os fundos e disquei os números tão conhecidos por mim. No quarto toque escuto a voz doce de minha mãe, como eu sentia falta dela, de seus cabelos ruivos, de seus lindos olhos castanhos radiantes. Quando dei por mim já desabava em lágrimas.
– Ally?! Ally! Ei querida, não chore! Eu estou aqui, ok? Sempre vou estar pra te proteger e te amar, não importa em que distância nós estejamos! Eles te machucaram? Oh meu Deus! Você está bem? — Minha mãe soluçava repetidamente no telefone por conta do choro.
– Penny, está falando com Ally? Ela está bem? Ah me dê esse telefone! — Escutei uma voz no fundo se aproximando e percebi ser meu pai, o que me fez chorar ainda mais.
– Não... Mãe, e-eu estou bem... Mãe, eu fugi... Mas sabe, eu sinto muito! Mas eu não aguentava mais! Não ti...
– Allyson! Não importa em que circunstâncias que você estiver, nunca se esqueça que nós somos seus Pais! E que não importa a maneira que isso aconteça, nós iremos te entender, nós só queremos a sua felicidade, querida.
– Eu sei mãe... Eu sei, é por isso que eu amo vocês! Sinto tanto a sua falta e a do Papai, queria que estivessem aqui...
– Também queríamos muito! Mas ouve uma grande tempestade em Nova York, não ouve? Todos os vôos de volta foram cancelados.
– Não se preocupem, eu vou ficar bem! Pelos deuses que ainda existam boas pessoas no mundo! Aliás uma fã, você ia adorá-la, seu entusiasmo é tão encantador!
– Eu sei que sim querida, não sabe o quão bom ouvir que você está bem e a salvo eu e seu Pai tivemos muito preocupados nas últimas horas, indo e saindo de delegacias e os policiais irão ficar tão contentes que você está bem!
– Mãe... Eu quero um tempo, quero um tempo pra mim, pra minha vida. E se os policiais saberem que eu fui encontrada eles espalharam para os jornais, essa é a última coisa que eu quero, seria pior voltar agora, eu não quero isso. Será que você não poderia cancelar o caso? Só por ums meses mãe, mesmo que eu tenha fugido com uma mochila e provavelmente não tenha aonde dormir, me sinto mais livre como nunca me senti antes, mãe.
– Não diga isso! Olha, eu vou dar um jeito, ok? Na rua você não dorme, jamais! Tudo por você querida.
– Obrigada mãe, muito obrigada, eu te amo. Manda um beijo pro Papai e diga a ele que eu o amo também eu estou a morrer de saudades! Preciso desligar. Posso pedir uma coisa?
– Se estiver ao meu alcance.
– Se divirtam! E não se preocupem comigo! Eu estou bem, juro. Tchau mãe.
– Tem certeza que vai ficar bem? Me ligue amanhã! Iremos dar um jeito, não se preocupe querida, nós te amamos! Tchau Ally.
Quando desliguei me virei levando um susto, quando vi Austin encostado no batente da porta com uma xícara em mãos, ele estava radiante, e seu olhar duro o deixava ainda mais sexy.
Por mais que eu negasse, eu estava me corroendo em curiosidade, não sei nem mesmo o porque, eu apenas tinha uma enorme vontade em descobrir sobre ele e sua vida, sobre o que o deixou tão duro e fechado.
Essas sensações faziam uma eletricidade indescritível surgir em meu corpo me causando calafrios, nunca havia me sentido de tal maneira, eu só queria deitar e dormir, sonhar que nada disso havia realmente acontecido e que quando eu acordasse seria apenas uma mulher de 21 anos normal.
No próximo capítulo...
– Três meses?!
– Mas...
– Eu aceito.
– O quê?!
***
– Adeus Ally Dawson. Bem-vinda Hanna Monroe.
***
– Minha casa, minhas regras.
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