Ancorado

10 Versos Dúbios - Acervo Final


Notas iniciais
Primeiramente, esse será o último episódio desse conjunto de poesias. Eu não queria que acabasse tão rápido, mas vai acabar. Os motivos eu explico nas notas finais. Para simbolizar a frase deste episódio, trago uma frase que, pela primeira vez, não é minha, portanto, vai os créditos: "As trevas me iluminaram..." (Zed - League of Legends)

Tudo que eu lembro foi que o ódio sumiu. No meio da caminhada... Talvez fosse falta de encontro cara a cara com o grande inimigo, mas a vida colocou na minha cabeça que aquilo nunca iria acontecer; e, apesar de não acreditar em nuncas, eu acreditei naquele. Apesar da caminhada... Apesar de nem ter olhado para trás, percebi que vim a lugar nenhum. Cego por um tormento sem sentido.

Se eu não morri, o propósito não é ir atrás da morte. Se a morte me quisesse, ela teria me raptado na primeira (das muitas) oportunidade que teve. O ódio foi embora, a negatividade nem tanto; as trevas muito menos. Mas eu vi que era bom, assim como Deus criou o mundo e viu que era bom. Assim como ele criou luz no meio das trevas e viu que era bom. Assim como eu via que era bom.

Era bom.

Todos os perdões foram à lixeira

Varridos despreocupadamente

O outono veio, espalhou cegueira

Harmoniosamente

Perdi meu braço direito

Não literalmente

Não enxerguei além do perfeito

Lamentavelmente

E a lua acinzentada do décimo dia se repete

O terceiro ciclo de maldições

Por antes ter conhecido

Por entre sentir o afável

Por pós dissoluções

A amarga decisão gerou demais decisões

Marcou-se um eterno que durou

Durou mais que qualquer promessa

E continua durando, trazendo remessa

De vínculos que não se quebram

Em qualquer lugar lá estará

Em qualquer situação o coração parou

Vesti-me falsamente

Esperei agradar

Pôs-me a continuar

Era difícil

Eu sempre soube desde o início

Dói

A ventania joga tudo fora

Às vezes traz conforto por meia hora

E não é a pessoa

É o sentimento

Perdido porque a criança se empolgou demais

Perdido porque na manga não tinha um ás

Conheço todas as invisíveis dores

Lamento por não tê-las conhecido antes

Lamento pelo cantar não ouvido

Que queria tanto...

Cresce

Ninguém quer que as paredes caiam

Ninguém deseja o cair da ponte

Porque nutrir-se da fonte

É essencial ao ver humano

Imprescindível contra o insano

Não há luz nem há plano

Tudo se resumiu ao plano final

O faz de conta do último encontro

Por tudo...

A poça que me afogou em tanta escuridão

O iluminar que as trevas me deram

O desfazer do que não foi feito

Eu agradeço

Até ironizo

Achei que passaria por diversos obstáculos

Que a caminhada seria maior

Que eu veria ainda mais do pior

Mais do que já tinha visto

O pior sempre esteve dentro de mim mesmo

Antes gélido

Hoje sombrio

E são trevas boas

Não é assim que soa

Cada gota de ódio anulou-se numa cura

Impediu-me de uma suposta loucura

Enferrujou a tentativa de fechadura

Colocou-se em ordem de amargura

Lamentarei todos os dias como se estivesse queimando eternamente no inferno

Mas sem culpa

O que eu quero já não está mais em você

Nem em mim

Nem em nós

Nunca esteve.

Boa sorte.

Vai precisar.

Notas finais
Agora eu venho explicar porque estou finalizando isso no 10º episódio sendo que eu falei que teria cerca de 30. Então, é estranho falar, mas essa coletânea é movida por ódio no coração. Quanto mais ódio no coração esse autor tiver, mais episódios ele fará. Entretanto, faz muito tempo que não sinto nada a respeito e acabei percebendo que virou algo permanente (tanto que é sobre isso que o episódio final fala), os rumos mudaram e pode ser um tanto decepcionante, mas, pelo menos, é um final feliz, isso eu sempre garanti que seria. Só foi menos sombrio que o planejado, porém foi mais profundo do que eu imaginei de primeira, então isso me alegrou. Estava aguardando para postar neste dia em específico também, por isso demorei mais um pouco. E é isso, agradeço muito a todos que acompanharam até aqui. Aceito bate-papo via MP porque amo isso
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!