Anatomy
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Brian’s Pov
A aula do professor Zachary naquela quinta-feira havia se resumido apenas em apresentações, resultando na minha volta antecipada para casa. Se bem que se eu presumisse a cena que eu me depararia assim que pusesse meus pés no meu pseudo “lar doce lar”, eu certamente iria preferir ter passado o dia inteiro na faculdade.
A cena? Meu pai caído desacordado no chão.
E eu até poderia entrar em desespero se essa cena não fosse tão comum no meu cotidiano. Meu pai costumava beber até não aguentar mais e sempre desabava em algum canto qualquer de casa.
O que mais me doía era lembrar que antigamente não era assim...
Flashback
– Mãe? Cheguei. – disse, entrando em casa, jogando minha mochila num canto da sala e logo sendo recepcionado pelo abraço caloroso de minha mãe. Era a melhor recepção do mundo, embora não assumisse.
– Olá meu amor. – ela sorria, enquanto me segurava firme em seus braços, beijando-me no topo de minha cabeça. – Como foi seu dia de aula?
– Normal. – sorri, me desvencilhando do abraço gentilmente.
– Seu pai está de folga hoje... Vamos ao parque?
– Ao parque mãe? Eu tenho 17 anos sabia? Não 10... – rolei os olhos, arrancando risadas doces de sua parte.
– Para mim sempre será uma criança. – ela comentou.
– Quero ver você falar isso quando eu tiver cabelos grisalhos.
– Não importa, sempre será.
– Ora, ora, vejo que Brian já chegou. – meu pai apareceu no topo da escada, com cara de sono.
– Ele não quer ir ao parque...
– Eu te disse, querida. – meu pai riu. – Não vai querer aproveitar a folga do seu velho?
– Eu combinei de sair com Owen e Collins.
– Os chame para ir ao parque conosco. – minha mãe disse docilmente.
– Ah mãe, por favor, né?! – peguei minha mochila e fui até meu quarto.
– Então eu vou só com seu pai. – ela disse um pouco alto para que eu escutasse.
– Bom passeio e não me traga novos irmãos. – respondi no mesmo tom que o dela, fechando a porta do meu quarto em seguida.
/Flashback
Deitei em minha cama, acendendo um cigarro enquanto passava a encarar o teto.
Minha vida era boa e eu nunca soube dar valor. Aliás, eu passei a dar valor depois que eu perdi a pessoa que mais me amava nesse mundo. E apesar dos meus 22 anos, eu me sentia como uma criança desprotegida, sem ter o abraço caloroso de mãe que pudesse me envolver, esquentar e proteger. Sem ter alguém com quem eu pudesse deitar minha cabeça no colo e chorar por horas seguidas. Sem ter ninguém que brigasse comigo quando eu merecesse.
Eu me pegava pensando em como seria se eu tivesse aceitado ir ao parque com meus pais naquele dia. Talvez eu tivesse evitado o fim trágico de minha mãe ou então tivesse o mesmo fim que o dela. Pelo menos eu não sofreria como sofria desde quando ela se foi.
Eu sempre havia me dado bem com meu pai, quer dizer, eu me dei bem com ele até o dia que minha mãe faleceu, uma vez que ele passou a beber e a ficar extremamente agressivo. Ele se culpava pela morte de minha mãe assim como eu havia passado a me culpar. E após o dito cujo acidente, a policia resolveu afastá-lo de seu cargo, já que ele havia sido atingido na perna, o que dificultou o seu andar. Isso o tornou uma pessoa completamente infeliz.
E não só ele se tornou uma pessoa infeliz, como eu também acabei me tornando. Todos os dias eu me recordava do que Matthew Collins havia feito comigo. E com isso eu me sentia tão sujo, tão errado.
Eu paguei caro por me apaixonar pela pessoa errada.
Senti meu celular vibrar no bolso de trás da calça que eu vestia, fazendo-me despertar dos pensamentos que me atormentavam todo dia. Ao encarar o aparelho, percebi que era uma mensagem de texto de Owen Grant. Meu melhor amigo.
Jogue suas tranças, Rapunzel. Era o que dizia na mensagem.
Acabei rindo e me levantei, aparecendo na janela de meu quarto e me deparando com o próprio dando risada e olhando para mim.
– Vou jogar minhas tranças, aguarde um momento meu príncipe.
– Não demore minha donzela. – gargalhou, erguendo duas garrafas de cerveja.
Peguei minha carteira e celular e por fim pulei a janela de meu quarto. Não era tão alto até o chão e eu costumava pular essa janela desde os meus oito anos de idade.
– E aí futuro médico? Estava estudando? – Owen me abraçou assim que me aproximei dele. Entregando em seguida uma de suas cervejas.
– Olha bem para a minha cara de quem estuda na primeira semana de aula. – eu ri enquanto bebericava um pouco da cerveja e acendia outro cigarro.
– Bem típico de você. – riu. – Vim aqui para te convidar para darmos uma volta na orla...
– Convite aceito! Faz tempo que não vou para lá. – sorri e Owen também. Logo estávamos a caminhar rumo a orla, conversando sobre música e afins.
Owen sempre foi meu melhor amigo, desde quando me conheço por gente. Ele e Robert sempre estiveram ao meu lado, principalmente quando minha mãe morreu e ambos sempre me apoiavam em qualquer decisão que eu tomasse.
Mas Owen era completamente diferente de Robert.
Owen sequer terminou o ensino médio. Ele havia decidido largar tudo para viver de música. Ele gostava disso, gostava da forma de viver que ele havia escolhido para si, até porque música era a vida dele, e por conta disso, ele também sofria pelas suas opções. Talvez fosse por isso que nós sempre nos demos tão bem.
– E como está seu namoro com Amy? – perguntei assim que chegamos e nos sentávamos sobre a areia.
– Está tudo bem. Ela é especial, cara. – ele dizia radiante. – Acho que nunca gostei de alguém como estou gostando dela.
– Talvez seja pelo fato dela ser diferente das outras garotas que você conheceu. – ri enquanto ele concordava com a cabeça, risonho. Amy Noelle era atriz pornô, tinha por volta da nossa idade e era um amor de pessoa, e por incrível que pareça, era comportada e educada. Quebrando completamente o meu preconceito sobre atrizes pornô, uma vez que eu achava que todas eram promíscuas.
– Provavelmente... Yeah, definitivamente o fato é esse. – riu, colocando um cigarro na boca. – Mas e você?
– Eu o quê? – acendi seu cigarro.
– Sem nenhum pretendente na faculdade?
– Você sabe Owen... – suspirei. – Depois de Matthew, prefiro morrer sozinho.
– Mas nem todos os caras do mundo são como ele.
– Eu não quero mais me iludir por amor. – eu disse, desviando o olhar para a paisagem, aproveitando para encarar o pôr do sol.
– Sabe Brian... Talvez você ache uma grande baboseira o que vou te falar, mas... Eu sei que você vai encontrar alguém que te valorizará, te amará e fará você se recuperar de tudo o que passou...
Sorri e encostei minha cabeça em seu ombro.
– Espero que essa pessoa realmente exista. – comentei baixo.
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