Anatomy
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Brian’s Pov
Após toda aquela minha confissão sobre meu passado, Zachary preparou um jantar simples para nós. De início, ele procurava conversar sobre outros assuntos, mas ao perceber que eu não queria conversar, ele respeitou minha vontade, fazendo o jantar se seguir silenciosamente.
Deitamos abraçados, com Zachary fazendo cafuné em mim até adormecer, porém eu, mesmo estando aconchegante e recebendo carinho e atenção de meu namorado, eu não consegui pregar os olhos.
Incomodava-me lembrar da conversa que tivemos sobre meu passado e Collins, a promessa de Zachary de encontra-lo e fazê-lo pagar pelo que ele tinha feito comigo.
Não que eu achasse que Collins não devesse pagar por o que ele tinha feito comigo, até porque – para mim – ele merecia tudo de ruim que pudesse acontecer na vida de alguém. Mas o que realmente me preocupava era o fato de que, se Zachary havia associado Collins ao cara que tentou mata-lo, isso quer dizer que ele me seguia até os dias de hoje. Pois não fazia um pingo de sentido, ele tentar mata-lo por causa de Charles. Ele sabia que eu estava com Zachary, ele sabia sobre Zachary o tempo todo e era isso que me deixava com medo. Pois eu havia chego a conclusão que se Zachary passou a procurar Collins, Collins já havia o encontrado. E o que mais estava me deixando aterrorizado era pensar que Collins poderia estar fazendo de tudo para me afetar e se ele falhou com Zachary uma vez, provavelmente não falharia da próxima.
Eu só gostaria de tentar entender o porquê de Collins querer me afetar tanto até os dias de hoje, divulgando aquela foto para os meus atuais colegas de faculdade. Será que ele queria que todos se afastassem de mim? Será que ele queria que Zachary me deixasse sozinho, assim como todos fizeram pela primeira vez que aquela maldita foto fora divulgada?
Todos esses pensamentos não permitiram que eu dormisse até o despertador soar na manhã seguinte, fazendo Zachary se levantar silenciosamente, como se não quisesse me acordar de imediato. Pouco sabia ele que eu sequer fechei os olhos durante a noite.
Ele desligou o aparelho e beijou-me no rosto. Nesse momento eu tinha resolvido fingir que dormia, pois não queria que me questionasse sobre meus motivos de insônia. Logo pude escutar o barulho de chuveiro sendo ligado, e eu me permiti reabrir meus olhos e sorrir para Icky que abanava o rabo, querendo subir na cama.
Meu corpo dava indícios de cansaço, mas minha mente não permitia que eu descansasse. Não naquele momento.
Suspirei alto e me virei na cama, permitindo-me abraçar o travesseiro de Zachary, sentindo seu perfume que se encontrava ali.
Não demorou muito para que ele saísse do banheiro já vestindo um jeans escuro, uma camisa branca que ele ainda não havia abotoado e com os cabelos molhados.
Ao me ver desperto, ele sorriu, veio em minha direção e selou nossos lábios rapidamente.
– Não vai para a aula hoje? – perguntou enquanto abotoava sua camisa.
– Talvez eu vá mais tarde... Para sua aula. – murmurei, brincando com os pelos de Icky que se acomodava na nossa cama. – Embora não saiba direito como encarar a minha realidade. Não sei como vou reagir com todos aqueles meus colegas me olhando, me julgando e rindo sem saberem o que realmente aconteceu quando aquela foto foi tirada.
Zachary sentou-se ao meu lado e acariciou meus cabelos.
– Eu te entendo... Mas você sabe, não pode fugir disso pra sempre.
– Eu sei, já fugi uma vez. – desviei meu olhar enquanto sentia sua mão acariciar a maçã de meu rosto. – Eu só preciso de um pouco de tempo.
Ele acenou positivamente com a cabeça e me beijou rapidamente nos lábios.
– E você terá esse tempo. – disse por fim.
Sorri sem vontade, segurando em sua mão.
– Você não sabe como é bom te ter ao meu lado.
Ele sorriu largamente e terminou de se arrumar.
– Bom, eu tenho que ir agora. – disse após verificar seu relógio de pulso. — Voltarei logo para você. – sorriu tímido antes de fechar a porta e se retirar.
Continuei a acariciar os pelos de Icky enquanto minha mente trabalhava em relembrar todo o motivo de minha tristeza e preocupação.
Brian’s Pov Off
O professor entrou na sala a passos firmes e confiantes. Em nenhum momento seu olhar cruzou com o de algum aluno, até porque naquele momento, o único aluno que ele gostaria de trocar olhares não estava presente.
Depositou seu material de aula em sua mesa e pigarreou alto, fazendo com que todos os alunos presentes se calassem.
– No dia de ontem, nós tivemos um caso... – começou, sua voz grossa saíra extremamente raivosa, e naquele momento, o professor estava com raiva de todos os alunos que estavam ali, por terem feito Brian, seu Brian, chorar. -... Onde eu espero que eu nunca mais tenha que lidar novamente. – Zachary sentou-se em sua carteira, cruzou seus braços e finalmente encarou todos os presentes, enquanto os mesmos passavam a encará-lo também. – Pois até o dia de ontem, eu achei que estava lidando com futuros médicos, pessoas adultas, maduras e formadoras de opinião. Mas então, eu concluí que eu ainda dou aula para meras crianças, que apontam para o seu coleguinha e riem, ao invés de estender a mão e perguntar se o mesmo está bem. Coisa que vocês, futuros médicos, deveriam ter a sensibilidade de fazer, mas não fizeram...
No mesmo instante, Brian adentrou a sala de aula e todos os olhares se direcionaram a ele, principalmente o de seu professor, que quis sorrir ao vê-lo ali.
Os olhares de seus colegas não eram mais os mesmos olhares do dia anterior, de desprezo, de gozação. Seus olhares naquele momento eram de duvida.
Porém Brian não os retribuiu, ele apenas sentou-se em seu lugar, procurando evitar até mesmo o “oi” inaudível de Ashley.
– Todos nós temos problemas pessoais, nossos dramas, nossos segredos. – continuou o professor. – E com a plena certeza, posso dizer que nenhum de nós gostaríamos que algo tão pessoal viesse a tona, para que os outros apontem para nós e ria de coisas que só nós sabemos o que realmente aconteceu. – nesse instante, seu olhar encontrou-se com o de Brian, que parecia surpreso com as palavras do mais velho. – E o que aconteceu com o colega de vocês, com a divulgação de algo íntimo, poderia ter acontecido com qualquer um de vocês. E então eu lhes pergunto, vocês ririam? Vocês achariam engraçado? Vocês iam gostar? RESPONDAM! – gritou, batendo os punhos cerrados na mesa, fazendo muitos alunos o encararem novamente.
Nenhuma resposta a não ser o silêncio.
– Vocês no cotidiano como médicos, não poderão rir de seus pacientes, independente de qual for sua especialidade. Casos e mais casos aparecerão, muitas relacionadas com homossexualidade, jovens estupradas, jovens grávidas, pessoas que sofreram com tentativa de assalto, pessoas praticamente mortas, e vocês rirão delas? Vocês rirão dessas pessoas?
Era evidente a raiva que o professor sentia daquelas pessoas – seus alunos — que debocharam de Brian no dia anterior. Ele queria que cada um sentisse remorso de seus próprios atos. E naquele momento, percebeu que antes de tudo ficar mais claro, ele julgou Brian, assim como os outros o julgaram até aquele momento. Mas a questão era que ele procurou ouvir Brian e depois de saber sobre o ocorrido, estava – mais do que nunca — do lado dele.
Sentiu o olhar de Brian sobre ele e não hesitou em retribuir. Ele percebia que o olhar de seu namorado, não era de raiva, ou de tristeza por ele estar o expondo – mais do que ele já estava exposto -, o olhar de Brian era de gratidão, era como se ele dissesse: “obrigado por estar ao meu lado, por mostrar a essas pessoas que eu não sou quem eles julgam que eu seja”. E Zachary já conseguia se sentir mais leve depois de dizer tudo aquilo aos seus alunos, principalmente ao reparar em como suas palavras haviam afetado a todos os presentes.
Era claro que se aquela exposição tivesse ocorrido com algum outro aluno, Zachary faria um discurso parecido, porém seria menos rude em suas palavras e ações.
Após minutos de silêncio de todas as partes, o professor decidiu então em iniciar sua aula.
Charles ’ Pov
Eu andava de um lado para outro pelo meu apartamento. Eu estava nervoso, pois havia acabado de ligar para Alicia, e ela concordou em passar em meu apartamento para buscar seus pertences que ainda estavam aqui, e eu certamente tentaria uma reaproximação com sua visita.
Eu devo confessar que entrei em contato com Alicia assim que Collins veio até meu apartamento para terminarmos o nosso relacionamento pessoal – por que o termo “amoroso” não se encaixa no que eu tive com ele — e aconselhar uma reaproximação com ela.
Flashback
– Depois daquela conversa que tivemos, eu estive pensando e... Eu acho melhor nós termos somente um relacionamento profissional.
– O que você quer dizer?
– Eu não acho justo essa coisa de transar por transar... Você é um homem atraente, Charles, mas entenda, eu não quero mais isso. – ele me encarou sério. – Eu gosto de você, mas existe outra pessoa em minha vida. Eu não o tenho mais, mas eu sei que vou recuperá-lo e não posso recuperá-lo se estiver com você. Bom, eu te quero apenas como meu advogado e amigo, nada mais do que isso.
– Então toda vez que você me telefonar ou vier me visitar, será para resolver seus problemas?
– Ou para conversar. Eu gosto de conversar com você. – ele sorriu e segurou minha mão. – Você deveria tentar uma reaproximação com sua ex noiva. – piscou e beijou meu rosto, retirando-se de meu apartamento em seguida.
/Flashback
Não demorou muito para a campainha soar depois de o porteiro anunciar a chegada de Alicia. Respirei fundo e contei até três antes de me encaminhar até a porta e abrir a mesma.
– Oi. – sorri fraco, logo dando espaço para ela entrar.
– Olá Charles. – ela não retribuiu meu sorriso.
– Você está diferente... – eu disse após passarmos um tempo nos olhando e nos estudando. – Está mais bonita.
– E você não mudou nada. – disse enquanto passava a encarar meu apartamento. – Onde estão as coisas que deixei?
– No nosso... Meu quarto.
Ela me olhou mais uma vez rapidamente e se encaminhou para o quarto, passando a olhar para detalhes do apartamento, detalhes que não foram mudados desde o ultimo dia que ela esteve aqui.
Suas coisas estavam devidamente arrumadas em duas malas, que naquele momento estavam em cima da cama. Cama que costumava ser nossa e nos últimos tempos resolvi dividir com Collins.
– Como tem passado? – perguntei após ela retornar para a sala, carregando aquelas duas malas.
– Acabei de voltar de Londres, estou morando com meus pais, permaneço no mesmo emprego, e estou bem, se é isso o que quer saber.
Eu concordei com a cabeça. Alicia evitava contato visual assim como evitava conversar comigo.
– Eu sinto muito como tudo aconteceu. – enterrei minhas mãos nos bolsos da calça, falando baixo quase num sussurro.
– Não sinta... Nós já superamos. – ela finalmente me encarou. – Eu só quero saber uma coisa, Charles... Você realmente dormiu com outra naquele dia?
Respirei fundo, mordendo meu lábio em seguida.
– Sim... – respondi baixo.
Como dizer a ela que eu havia dormido não com outra mulher, mas sim com outro homem?
– E você, ao menos, continua com ela até os dias de hoje?
– Alicia... Eu...
– Tudo bem, Charles. Nós não temos mais nada, não precisa me responder. – ela pegou sua bolsa e já estava prestes a pegar uma das malas.
– Alicia, eu não dormi com outra.
– Você acabou de assumir que tinha dormido com outra! – ela revirou os olhos.
– Eu dormi com outro homem. – conclui.
Alicia me encarou pasma, enquanto sua bolsa despencava no chão.
– O-Outro homem?
– Sim.
– Outro homem... – ela engoliu seco. – Charles, como você pôde sair com outro homem?
– Aconteceu. – eu a encarava nervoso, sentindo um tremor chato nas mãos. – Eu bebi demais e aconteceu.
Uma risada irônica ecoou pelo cômodo.
– Você sai com Zachary, bebe, transa com outro cara e diz simplesmente que ‘aconteceu’. – seus olhos marejados me encaravam com raiva. – Só faltava você culpar Zachary por isso...
– Ele não teve culpa. – a interrompi.
– E eu posso ao menos saber o motivo de vocês brigarem?
Eu fiquei quieto, passando a encarar o nada.
– Eu o culpava, mas agora vejo que a culpa sempre foi minha. – me pronunciei, após sentir seu olhar sobre mim. – Mas ele acabou fazendo umas coisas que eu não gostei e estamos sem nos falar até os dias de hoje. Ele é contra o meu relacionamento com Collins e acusa o mesmo de tentar mata-lo.
– Relacionamento com... Collins? Esse é o cara que você dormiu?
– É. – eu não sabia mais o que estava fazendo, contando sobre isso com Alicia. Eu deveria tentar voltar com ela e não falar sobre Collins. – Mas não estamos... Juntos. Ele não quer nada.
– E por isso você me contatou... Queria que eu voltasse de braços abertos pra você, Charles?
Fiquei quieto, por um instante eu realmente queria que ela voltasse pra mim, dizendo que havia me perdoado e pedindo para que nós voltássemos. Eu não suportava a ideia de ficar sozinho.
– Eu achava que eu te conhecia tão bem... Eu estava errada. – ela dizia indignada entre lágrimas que escorriam de seu rosto. – Eu tenho nojo de você Charles. NOJO.
E então ela saiu de meu apartamento, batendo a porta atrás de si com o máximo de força que seu frágil corpo poderia exercer.
Collins havia acabado com qualquer tipo de relacionamento pessoal que nós pudéssemos ter, e se eu tinha alguma chance de voltar com Alicia, ela agora estava mais do que descartada.
Charles’ Pov Off
Brian’s Pov
Após a aula acabar e todos os alunos saírem encarando-me nos mais diversos tipos de olhares, levantei-me e fui até Zachary que terminava algumas anotações.
– Zee... – eu murmurei e o abracei. – Você não precisava ter dito tudo aquilo, mas... Obrigado.
Ele apenas sorriu, beijando o topo de minha cabeça.
– Pensei que não viria hoje.
– Fiquei com saudades de você. – ri baixo e ele me acompanhou. – Na verdade, eu pensei mais e acho que não preciso de tempo, eu preciso encarar a minha realidade. E já te tendo ao meu lado, eu não preciso temer tanto...
– Que bom que você sabe que pode contar comigo. – disse baixo.
– Brian? – Ashley me chamou atrás de nós. Desvencilhei-me do abraço com Zachary e a olhei, me deparando com Joseph ao seu lado.
– Olá Ash e Joseph. – sorri para os dois.
– Brian, eu… — Ashley me abraçou e começou a chorar. – Eu não quero perder sua amizade, por favor, me perdoe, eu não sou uma boa amiga. Eu que mostrei a foto pro Zachary, eu pensei mil coisas sobre aquilo e não corri atrás de você, nem ofereci meu ombro pra você chorar. Me perdoe! – as ultimas palavras saíram num soluço, já que ela desabava em lágrimas.
– Hey, tá tudo bem. – retribui o abraço enquanto encarava Zachary, que sorria para nós. – Não precisa chorar.
– Não... Você sempre esteve ao meu lado, sempre me ajudou e o que eu fiz pra você? Absolutamente nada.
– Você vindo aqui, pedindo desculpas, já é muita coisa. – ri, secando sua lágrima.
– Brian... – Joseph me chamou. – Eu... Eu também peço perdão. – disse sem jeito.
– É sério gente, está tudo bem. – o abracei também.
– Por que vocês não saem pra conversar um pouco? – Zachary supôs. – Você deveria falar com eles, Brian. – ele se aproximou de mim. – É bom você conversar sobre isso com mais alguém. – sussurrou em meu ouvido.
– Eu combinei de me encontrar com Owen agora, mas... Eu ficaria contente se vocês viessem comigo.
– Nós iremos. – Ashley respondeu antes que Joseph recusasse, e me abraçou novamente.
– Você vem também? – perguntei para Zachary que negou com a cabeça.
– Eu vou para casa. – ele disse sorrindo para mim e para Ashley e Joseph. – Aproveite a sua saída, nos vemos em casa. – ele bagunçou brevemente meus cabelos e se retirou.
– Então... Vamos? – sorri para os dois que concordaram.
– Vamos com meu carro. – Joseph disse, encaminhando-se para o estacionamento onde seu carro se encontrava.
A lanchonete era próxima, e eu agradeci mentalmente por isso, já que o clima entre nós três não era o melhor possível e aquele silêncio era perturbador demais.
Owen que já estava me esperando na lanchonete onde marcamos nosso encontro, sorriu e me abraçou assim que me viu, em seguida sorriu e cumprimentou Ashley e Joseph.
– Como você está? – perguntou baixo para mim enquanto nos sentávamos.
– Não muito bem.
– Recebi sua mensagem falando sobre o ocorrido... Você deveria ter me falado quando aconteceu, eu iria ficar com você.
– Não Owen, eu já te aluguei demais com isso. – ri sem humor. – Bom, eu trouxe Ashley e Joseph comigo para conversar com eles sobre o que aconteceu naquela noite. – encarei meus outros dois amigos que nos ouvia em silêncio. – Zachary supôs, e cedo ou tarde, eu teria de conversar com eles também.
Sem muitas delongas, comecei a contar a eles o que aquela fotografia representava. Quando as palavras me faltavam, Owen continuava – já que ele era a pessoa que mais sabia sobre o ocorrido, depois de mim, claro -, Ashley me encarava aterrorizada enquanto Joseph se mostrava impassível, como se já soubesse dessa história.
O que mais me chamava atenção era o modo como ele me olhava quando nossos olhares se cruzavam. Era como se ele soubesse de algo e hesitava em me contar.
Ashley já tinha lágrimas nos olhos, quando se levantou de sua cadeira e veio até mim, me abraçando.
– Você deve ter sofrido tanto, Brian. Céus! Você é tão doce, não merecia passar por isso... Eu sinto tanto. – ela me envolvia em seus braços e soluçava. – Eu juro que se eu encontrar esse Matthew Collins, eu... Eu... Eu enfio meu salto no meio da cara dele.
Beijei sua testa, rindo fraco.
– Eu fico feliz com você estando do meu lado, assim como Owen e Zachary ficaram. Você não sabe o quanto eu precisei de alguém para conversar sobre isso. Alguém que confiasse em mim e não apontasse para aquela foto e risse, achando que era apenas a foto de um casal homossexual transando.
– Então aquele discurso de Zachary no inicio da aula, está relacionado com tudo isso. – Joseph finalmente se pronunciou. Em seguida, ele segurou na minha mão e me encarou nos olhos. – Apesar de eu não ter ido atrás de você quando aquela foto foi divulgada, eu fiquei preocupado com você e você pode contar comigo... Pra tudo.
– Obrigado, Joseph. – sorri um pouco intimidado com seu olhar.
Owen assistia a cena, encarando principalmente Joseph. Era nítido o seu incomodo com ele, desde a primeira vez que eles se viram. Não sei se era ciúme – aquela típica coisa de amigos -, ou se era alguma outra coisa que eu não tinha conhecimento.
Numa tentativa de quebrar aquele clima, eu e Ashley começamos a puxar outros assuntos, tentando envolver meus outros dois amigos na conversa. E logo, nós quatro estávamos descontraídos, rindo, fazendo brincadeiras uns com os outros. O Brian que chorou no dia anterior, naquele momento ria. Quando eu iria imaginar que isso aconteceria? Nunca achei que teria pessoas do meu lado, querendo o meu bem, me ajudando a superar aquilo, que eu sempre achei insuperável.
– Amy acabou de chegar da viagem que fez para o Texas. – depois de passarmos a tarde inteira na lanchonete, Owen se pronunciou, levantando-se da cadeira. – Tenho que ir agora. – sorriu para mim. – Que bom que você tem mais pessoas em quem confiar e contar sobre isso. – encarou Joseph brevemente e voltou a me olhar. – Fique bem, Bri. – deu um leve soco em meu braço e riu. – Qualquer coisa, me liga.
– Obrigado por estar comigo sempre. – agradeci com um largo sorriso e Owen apenas acenou com a cabeça, despedindo-se dos outros, retirando-se da lanchonete em seguida.
– Acho tão bacana a amizade de vocês dois. – Ashley disse assim que o carro de Owen passou pela lanchonete e ele brevemente buzinou para nós.
– E a nossa amizade? – perguntei risonho.
– Nossa amizade... É incrível. – ela sorriu. – Mesmo eu falhando às vezes e...
– Ah não venha com isso novamente. – rolei os olhos, enquanto ela se calava e ria.
– Ela vai falar que não é boa amiga por dias. – Joseph comentou. – Nós te conhecemos, Ash. – ele riu enquanto se esquivava do tapa que ela fez menção de dar-lhe.
– Iniciarei uma contagem de quantos “tudo bem” terei de falar para ela. – rimos, enquanto ela rolava os olhos.
– Vocês não entendem. – bufou em seguida.
– Estamos brincando com você, sua boba. – peguei em sua mão e pisquei. – Já vai escurecer, acho melhor eu voltar para casa de Zachary, pois logo ele começará a me ligar, dizendo que está preocupado comigo.
– Oh, o amor... – ironizou Ashley, rindo logo em seguida.
– Posso leva-los para suas respectivas casas. – Joseph disse enquanto levantava-se para pagar a conta. Fiz menção de me levantar também, mas ele me impediu. – Pagarei a conta. – piscou e foi ao caixa.
– E vocês dois, hein?! – perguntei para Ashley, enquanto ela seguia-o pelos olhos.
– Lá vem você com essa pergunta. – soltou um muxoxo e terminou de beber seu suco. – Acho que nunca mais voltaremos.
– E como foi sua viagem a Londres? Fiquei com saudades de você.
– Eu mentiria dizendo que foi ótima, porque em nenhum momento em consegui esquecê-lo. – apontou com a cabeça para Joseph. – Fiquei com outros caras, mas eu sempre acabava pensando nele. – disse desanimada, jogando seu corpo para trás. — E desculpe por não ter entrado em contato com você... Alicia me aconselhou a não falar com ninguém que me lembrasse da Califórnia durante a viagem. Embora eu tenha mandado uma mensagem para Joseph, que obviamente foi ignorada.
– Deveria ter aproveitado e me mandado uma mensagem para mim, eu certamente responderia. – ri.
– Você estava com Zachary, não queria atrapalhar.
– Como se você atrapalhasse... – rolei os olhos.
– Vamos? — Joseph reapareceu atrás de nós com a chave de seu carro em mãos.
Concordamos, levantamos e caminhamos em silêncio até o carro de Joseph. Ashley optou em sentar-se no banco do carona – e eu não a questionei por isso. — enquanto eu me sentava no banco de trás. Joseph logo deu a partida no carro enquanto Go Right Ahead do The Hives começava a tocar na rádio.
– Adoro essa música. – Ashley disse rindo, batendo palmas e se virando para mim.
Sorri enquanto ela começava a cantarolar desafinadamente, arrancando risos baixos de Joseph.
E por vezes, enquanto ele ria, nossos olhares se encontravam, uma vez que ele me encarava pelo retrovisor.
Por que ele me encarava tanto? Por que ele se mostrou impassível quando eu contei sobre Collins? Na primeira oportunidade que eu tivesse com ele, eu certamente o questionaria.
O resto do trajeto seguiu-se em silêncio. Ashley às vezes cantava desafinadamente outras canções que tocavam na rádio, como um modo de me fazer rir. E eu a adorava por isso.
– Brian, eu acho que sei como te ajudar a encontrar Collins e fazê-lo pagar. – Joseph disse assim que ele parou seu carro em frente à casa de Zachary.
Brian’s Pov Off
Zachary caminhava pela sua casa, não sabia como começar a procurar alguém.
Lembrou-se da única pessoa que poderia lhe ajudar: Charles.
Charles seria de uma grande ajuda, e provavelmente Collins estaria por lá. Pensou em ligar para a polícia e fazer uma denuncia anônima. Mas o que alegaria? Ele não tinha provas o suficiente para provar que o mesmo tentara mata-lo, assim como não tinha provas o suficiente para provar o que o mesmo tinha cometido contra Brian.
Zachary havia retornado ao hospital onde ficara internado para buscar o laudo que indicaria a substância que lhe envenenou, mas para a sua surpresa, o resultado dera inconclusivo, e agora não tinha nem como provar que havia sido envenenado.
Pensou em ir até a casa de Charles e esperar por Collins, pensou em formar diversas de agredi-lo, e até de mata-lo, mas isso logo saiu de sua mente. Não era um assassino, sempre fora uma pessoa que procurava pregar a paz, mesmo estando em volta de tanta violência.
E então percebeu que havia voltado a estaca zero.
Serviu-se de uísque, sentou-se na poltrona e quis chorar por achar-se tão inútil.
Gostaria de ajudar seu namorado, gostaria de vinga-lo, mas não sabia nem como agir.
– Diga Joseph... Como?
Escutou uma voz vinda de seu jardim, essa voz era a de Brian. Largou seu copo já vazio e encaminhou-se até a janela, deparando com Brian, Joseph e Ashley.
– Eu... – Joseph encarou a janela e o encontrou. — Vamos entrar, acho que Zachary também ficará interessado.
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