Anatomy

39 Capítulo 39


Notas iniciais
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLÁ! ~correndo das pedradas e das vaias~ Por onde começar? Bem, vamos começar com as desculpas... Desculpem a tia Iero aqui por demorar mais de um mês para atualizar... Estou com um bloqueio sério de criatividade e escrever este pequeno capítulo foi quase uma tortura chinesa para o meu cérebro que já não funciona bem e etc. Agora vamos aos agradecimentos... Obrigada a todas pelas reviews do capítulo anterior, obrigada a todas que favoritaram, obrigada a vadia da FeerHaner por ter betado o capítulo (acreditem, quando eu escrevi estava uma catástrofe de ideias desorganizadas e mais perdidas que cego em tiroteio) e um MEGA OBRIGADA para Joe Styles e MadreGates por terem recomendado Anatomy ~lê-se tia Iero parindo vinte filhinhos de tamanha alegria~ e agora vamos ao capítulo... Boa leitura, minhas queridas :***

- Se eu soubesse que essa bela fotografia ainda existia, eu teria posto meu plano em prática bem antes. Mas tudo bem, eu soube ser paciente e cá estou eu realizando o que mais desejo; desfazer a imagem de bom moço que Brian ostentou no primeiro ano. – Com as mãos apoiadas na escrivaninha, puxou o mouse, deixando a cabeça tombar sobre a mão esquerda. Em seus olhos claros- azuis- refletia-se o brilho soberbo. O sorriso inundou sua face contemporânea ao tempo que tanto o irritava. Se aquela imagem estivesse ao seu alcance antes, antes de todas aquelas discussões e ódio, tudo teria sido mais facil, tudo teria sido da sua maneira.

Abafar o suposto espancamento não iria resolver as rixas, muito menos os problemas. Passar tantas horas pensando em uma maneira de liquidar com aquilo que o irritava era tão inútil quanto gastar aquilo que não tinha para os mesmos meios e fins. Brincar seria mais divertido, lento e doloroso para Brian. Em sua mente, Brian merecia tudo o que havia de pior e triste.

Seus orbes passeavam pelas duas páginas de seu caderno, onde havia e-mails manuscritos, desde os mais conhecidos até os mais anônimos.

Após anexar o arquivo, selecionar remetentes relevantes e outros não, observou a opção enviar. Em apenas um clique tudo o que almejou presenciar e inclusive aplaudir, se realizaria; as risadas, os cochichos. Seria uma pena não estar presente.

- Ah Brian, agora sim eu serei seu pesadelo. – murmurou.

Afastou a cadeira, se levantando e clicando na opção “enviar”. Dar as costas seria a saida triunfal para seu melhor dia. Ele apenas tinha vencido a primeira etapa, a segunda ainda estava por vir.

Ashley’s Pov

As férias passaram em um piscar de olhos. Eu havia viajado para Londres com Alicia e nossos pais na intenção de esquecer todos os meus problemas – incluindo Joseph -, mas era impossível esquecer, principalmente quando se tem a mais plena certeza de que algo está digerindo nosso racíocinio, de que aquilo está corrompendo nossas certezas; que isso é amor. Nos fazendo bobos, incapazes de controlar os sentimentos e as próprias ações, nos tornando reféns da própria incapacidade.Eu nunca seria correspondida , Joseph não seria capaz de retribuir, e eu não iria insistir, não mais.

Procurei em outros lábios um refúgio, mas de nada adiantava. Quando eu abria os olhos a imagem de Joseph me dominava, se esvaindo em meros borrões.

Estava mais que provável que eu não conseguiria abrir mão dele, mesmo ele me evitando ao máximo. E talvez eu devesse sofrer calada por um amor não correspondido, mas era aquele amor que me movia e que me acompanhava durante todos os segundos do dia; desde quando eu levantava até o momento em que eu pousava a cabeça no travesseiro, torcendo para ser capaz de esquecer o mundo.

Então, finalmente o primeiro dia de aula do segundo ano havia chego e como de praxe, eu havia acordado mais cedo para poder me arrumar com calma, sem ninguém para gritar avisando que eu estava atrasada – fato que sempre ocorria comigo -.

Ao terminar de me arrumar e notar que ainda estava adiantada, resolvi checar meus e-mails e um em especial me chamou a atenção. O destinatário era desconhecido, mas o assunto me deixou intrigada.

“Flagrante do nosso colega”

Embora hesitasse, abri o e-mail e cliquei no link anexado, quase tropeçando nos meus próprios pés ao perceber do que se tratava.

- Meu Deus! – murmurei, como se em um impasse eu me esquecesse do nome daquele que tanto me atormentava. Peguei meus pertences e entrei em meu carro, procurando acelerar minha ida a faculdade. Eu precisava entender o que havia acontecido, e seria Brian a me falar.

Caminhei apressadamente até o mural da faculdade, onde havia listas dos alunos e suas devidas salas. Ao ver a numeração da minha sala e novamente olhar ao redor para tentar localizá-lo, fui até o bloco indicado.

As pessoas ali presentes certamente me encaravam por saber que eu era sua amiga, que provavelmente eu sabia sobre a foto e seus devidos detalhes. Mas a questão era: eu estava absolutamente surpresa e de nada sabia. Eu nem mesmo sabia o quê pensar de Brian naquele momento tão intimidador, como estava representado na foto.

Eu pouco sabia sobre o que havia acontecido em suas férias, perdemos contato, totalmente. Quer dizer, eu procurei evitar tudo o que me lembrava a Califórnia, logo eu não sabia se ele ainda estava com Zachary, sequer sabia como ele estava.

Após fitar a todos – com uma cara nada amigável — eles decidiram me esquecer. E então abri meu e-mail pelo celular novamente, para que eu pudesse ver a imagem mais uma vez.

Eu não conseguia entender, como Brian pôde deixar algo daquele tipo vazar pela internet? Ele era cuidadoso, ele nunca seria capaz de se colocar a mostra daquela forma.

E para a minha surpresa, Brian entrou na sala logo em seguida, e todos que já se encontravam presentes, viraram seus rostos para encará-lo diretamente. Alguns cochichavam, outros soltavam risinhos, e a maioria o enfrentava com sorrisos maldosos. Eu procurei não demonstrar sentimento algum, até porque eu não havia entendido nada.

Brian olhou para todos com uma sobrancelha arqueada e por fim me encarou, sentando-se a minha frente.

- Oi... – sorriu desconcertado. – O que deu em todo mundo? Estão todos me encarando... Estou mal vestido?

Eu respirei fundo. Brian não sabia de nada, ou então estava se fazendo de desentendido.

- Ash? Está tudo bem?

Mordi meu lábio.

- Brian, o que é isso? – estendi meu celular até ele, mostrando o e-mail com a tal foto.

Ele engoliu em seco, me olhou assustado e eu pude ver seus olhos começarem a ficar marejados.

- QUE-QUEM TE MANDOU ISSO? COMO VOCÊ CONSEGUIU, ASHLEY? – ele se exaltou e se todos já o encaravam, depois disso ele já era totalmente o centro das atenções. – ME FALA!

Muitos ainda cochichavam, riam, mostravam a foto para quem ainda não havia visto.

Eu não conseguia falar nada, mas acho que minha feição assustada já era notável.

- Brian... – murmurei instantes depois, após seus olhos se desviarem de mim.

Ele passou a encarar todos de volta.

- Todos receberam isso? – disse trêmulo recebendo algumas risadas como resposta.

Ele me olhou mais uma vez com lágrimas escorrendo de seu rosto. Pegou sua mochila e se retirou da sala, empurrando um cara que estava na porta.

- Brian? Brian? Me espera! – praticamente gritei, mas fora em vão.

- O que deu nele? –eu estava disposta a correr atrás de Brian, mesmo com meu salto alto, até que fui surpreendida ao ouvir a voz de Joseph soar atrás de mim.

- Você não recebeu? – perguntei após tomar coragem e me virar para ele.

- Recebi o quê? – desviou o olhar, enquanto adentrava na sala e deixava sua mochila em cima da mesa.

- Um e-mail com uma foto. – respondi enquanto seguia-o.

Ele voltou a me encarar, enquanto negava com a cabeça.

- Faz tempo que não checo minha caixa de mensagens... – disse em seguida.

- Então acho melhor você começar a checar. – comentei sem graça. – Olhe. – apontei para a tela do meu celular.

Era patético todas as minhas tentativas de puxar e manter um assunto com Joseph. Nós estávamos tão indiferentes um com o outro, como dois desconhecidos.

E aquilo no fundo estava me machucando mais e mais a cada instante.

Eu não fazia outra coisa a não ser pensar nele. Inclusive, eu já havia dito isso por torpedo, mas o silêncio era a resposta que eu ganhava.

Joseph sem demonstrar muito interesse encarou meu celular e praticamente esboçou a mesma reação que eu ao ver a foto.

- O quê é isso? – arqueou a sobrancelha. – Esse é o Brian? E ele está com o... – por uns instantes eu podia jurar que seu rosto havia perdido toda a coloração, sua boca formou um perfeito “o” e seu olhar atormentado finalmente me encarou novamente. — Puta que pariu! Preciso ir.

- Mas por quê? Você vai atrás do Brian? – perguntei, sem entender absolutamente nada de sua reação.

Mas Joseph não me respondeu, apenas pegou sua mochila e se retirou as pressas, deixando-me mais perdida ainda.

Nada mais me restou a não sentar em meu lugar e começar mais um ano de estudos.

Ashley’s Pov Off

Zachary’s Pov

Estava no corredor caminhando rumo à sala que eu daria aula, até que decidi passar na sala de Brian para vê-lo. Eu havia me acostumado tanto ao tê-lo praticamente 24 horas ao meu lado, que voltar a rotina de aulas e não vê-lo se tornaria dificil.

Era engraçado reparar que ele havia me transformado em um dependente total; eu precisava dele.

Encostei-me à porta da sala de Brian, cumprimentando alguns alunos e estranhando o fato de não encontrá-lo ali e estranhei ainda mais o olhar de Ashley sobre mim.

- Brian não chegou ainda? – perguntei a ela assim que se aproximou.

- Ele chegou, mas saiu correndo. – disse apreensiva — Você não viu ainda?

- Vi o quê? – arqueei uma sobrancelha.

- Uma foto dele fazen... – ela automaticamente se calou e me encarou assustada. – Esquece Zachary, eu não disse nada pra você.

- Que foto? O que ele estava fazendo? – insisti, embora estivesse completamente confuso.

- Não é nada...

- Ashley, que foto? – perguntei mais rudemente.

- Língua maldita essa minha, você é a terceira pessoa que eu estou mostrando, eu juro que não sou fofoqueira...

- Por Deus Ashley, que foto?

— Tudo bem, Brian vai me matar, mas mais cedo ou tarde você vai ver mesmo... – ela me olhou e estendeu seu celular para mim em seguida.

Peguei o celular de sua mão e quase soltei o aparelho ao me deparar com a imagem.

- Que porra é essa? – meu olhar abismado revezava entre Ashley, que me olhava assustada, e seu aparelho. – Que brincadeira é essa, Ashley? – a encarei nervoso.

- Eu não sei, Zachary... Abri meu e-mail pela manhã e me deparei com isso. Eu tentei conversar com Brian, mas ele começou a chorar e saiu correndo.

- E pra onde ele foi?

- Eu não sei.

- Ah, ótimo! – bufei. — Ao menos sabe para qual direção ele seguiu?

- Pra lá. – indicou com a cabeça um dos corredores.

Eu apenas acenei.

- Zachary?

Ouvi Ashley me chamar várias vezes, mas eu já estava caminhando – para não dizer correndo — desesperadamente pelos corredores do campus atrás de Brian. Eu estava atordoado com a imagem que ela havia me mostrado. E não só atordoado, mas também irritado e confuso. Confuso pelo modo que Ashley havia me descrito como ele havia se retirado da sala – aos prantos — ao saber da tal foto. E das duas uma: ou ele havia saído com outro cara e foi descoberto ou... Bem, eu não sabia mais o que supor. Minha mente começara a criar suposições que eu jamais gostaria de sequer imaginar.

Eu apenas sabia que eu estava a ponto de explodir. Principalmente se eu não encontrasse Brian, para que eu finalmente pudesse ouvir suas explicações.

Parei e encarei os dois lados que eu poderia seguir diante dos vários corredores. Mordi meu lábio e quando estava decidido a seguir para o lado direito, ouvi um soluço vir do lado esquerdo. Virei meu rosto e logo me deparei com Brian, no fim do corredor, encolhido no chão e com as mãos sobre o rosto.

Aquela imagem me atormentou ainda mais, pois ver Brian daquele jeito me fez lembrar o porquê de eu ter me aproximado– afetivamente falando. Seu jeito tímido de olhar, que escondia tristezas do passado, havia mexido comigo.

Eu o via como um garoto indefeso que clamava por carinho e atenção. E naquela circunstância, vê-lo daquele modo, eu me questionava se o quê estava supondo seria mesmo do feitio de Brian. Não, eu não acreditava naquilo; não totalmente.

Eu apenas queria entender aquela imagem para então poder esquecer o que minha mente gritava até então.

Caminhei até sua direção, procurando não fazer muito barulho, uma vez que ele não havia notado a minha presença naquele corredor vazio e não tão iluminado.

- Brian... – eu o chamei com um tom de voz mais rude, muito mais rude do que eu gostaria que soasse.

Ele levantou a cabeça e me encarou, seus olhos inchados e vermelhos me encararam por instantes e ao me notar, ele desviou seu olhar para a parede.

- Me deixe em paz, por favor. – disse entre soluços, sem voltar a me encarar. – Já não me basta toda a humilhação que sofri anos atrás por causa dessa maldita foto... Isso tinha de voltar a tona novamente? – perguntou ao perceber que eu não sairia de sua frente tão cedo.

Porém minha expressão suavizou. Eu não estava mais com raiva dele... Eu estava apenas confuso.

- O que você quer dizer com isso?

Mas ele não disse mais nada, apenas soluços podiam ser ouvidos.

Eu respirei fundo, procurando ser o mais paciente possível. Olhei para os lados para certifica-me que não havia mais ninguém pelos corredores nos vendo e/ou nos ouvindo.

- Por que não me contou sobre a existência de uma foto sua tão... Íntima? – perguntei em seguida, agachando-me a sua frente.

- É uma história muito longa... E eu nem sei se você vai acreditar.

- Eu acredito e confio em você. – eu disse baixo, tocando em seu rosto. Minha confiança em Brian estava abalada, mas eu procurava não demonstrar. — Eu estou disposto a ouvir. – sorri fraco. – Mas não temos tempo agora, volte para sua sala. E em casa você me conta tudo, okay?

- Eu não quero voltar para a sala. Você não viu como todos me olharam, e até Ashley, que é minha amiga me encarou de um jeito diferente. Eu quero ir embora. – murmurou.

- Ela está preocupada com você, assim como eu. Ela quer saber o que você tem a dizer sobre aquilo.

- Eu quero sumir... – murmurou.

Eu o encarei, sem saber o que falar e o que fazer.

Peguei a chave do meu carro que se encontrava no bolso da minha calça e entreguei a ele.

- Vá para o carro. – o encarei. – Não dá para te levar para casa agora, então me aguarde até a hora do intervalo, está bem?

- Tudo bem. – se levantou, finalmente me encarando nos olhos. Porém não durou muito tempo, logo ele havia quebrado nossa troca de olhares para pegar sua mochila que se encontrava no chão. Passou por mim sem deixar transparecer qualquer emoção além do remorso, fazendo com que eu percebesse o quanto evitava o contato, por mais simples e pequeno que fosse.

- Não vá embora, me prometa. – segurei-o pelo braço, para que me olhasse mais uma vez.

- Eu vou para o carro. Vou te esperar lá... Eu prometo.

- Brian? – o chamei mais uma vez.

- Hm. – ele olhou para trás, secando suas lágrimas com a manga do moletom cinza que vestia.

- Não gosto de te ver chorando. – eu o encarava. – E eu não quero te ver chorando. – sorri fraco, encorajando-o a sorrir também.

Ele por fim sorriu sem jeito e passou a caminhar rumo a saída.

- Eu te espero no carro. – disse quando estava prestes a entrar em outro corredor.

Forcei um sorriso embora tenha recebido o silêncio em resposta.

Esperei Brian sumir do campo de minha visão, para finalmente entrar na sala que eu daria aula naquele dia.

Zachary’s Pov Off

Brian’s Pov

E quando eu achava que nada de ruim poderia me acontecer, eis que uma bomba explode. Justamente a bomba que eu gostaria de esquecer.

Eu não conseguia entender como conseguiram aquela foto. Com certeza foi Collins, aquele desgraçado quer repetir tudo o que aconteceu anos atrás, ele quer fazer com que eu passe pelo mesmo constrangimento. Só não entendo o que aquele filho da puta ainda quer comigo, mas eu odeio admitir que ele conseguiu, conseguiu fazer com que eu me sentisse completamente sujo e nojento.

Meus passos rápidos seguiam rumo ao estacionamento dos professores. Eu os apressava certo de que não cruzararia com nenhum “colega”. Eu não queria mais ninguém apontando o dedo na minha cara e rindo de mim.

O pior de tudo era ver o olhar de raiva, a voz irritadiça e a fúria nos gestos de Zachary. Ele estava ciente de tudo e sua atitude denunciava o que sentia naquele momento. E mesmo amenizando suas feições e no fim dizendo que não gostaria de me ver chorar, eu sabia que ele estava completamente atordoado com o que tinha visto. E eu não o culpava.

Voltar para casa, passar horas chorando e contando para Owen tudo o que ele já sabia, como no passado, estava fora de cogitação. O próprio não aguentava mais me ouvir contar as mesmas ladainhas e as mesmas lamentações, e o que me restava era entrar no carro de Zachary para esperá-lo. Talvez ele fosse o único que me entenderia, mas eu tinha medo de que isso não acontecesse. Tinha receio de ele reagir igual meu pai há anos atrás, quando o próprio recebeu a mesma foto, me evitando e me tratando como se eu fosse um nada.

Apenas sabia que Zachary não teria reações homofóbicas – obviamente por ele estar comigo -, mas e se ele interpretasse aquilo errado? Ou pior, ele já teria interpretado aquilo errado. Ele já havia visto.

Eu estava com tanto medo e não tinha alguém para me socorrer naquele instante. Até Ashley que era minha amiga me encarava de um jeito... O mesmo jeito que Owen me encarou quando viu a foto pela primeira vez – um olhar assustado, acusador e de compreensão ao mesmo tempo -, a única diferença era que Owen me conhecia há mais tempo e logo ele entendeu e ficou ao meu lado, mas e Ashley? Ela reagiria da mesma forma? Assim que eu tivesse oportunidade de conversar com ela, eu certamente contaria tudo e bem, aguardaria sua reação.

Encostei minha cabeça no banco e deixei que mais lágrimas escorressem de meu rosto.

Eu queria que aquilo tudo não passasse de um pesadelo e não via a hora de acordar. Mas eu sabia que aquilo tudo era real, muito real.

Fechei meus olhos e por um momento, a cena que originou aquela foto me veio à mente. O mesmo desespero que senti naquele dia me dominava naquele instante. Suei frio, minha respiração ficou descompassada.

Só eu sabia o sufoco que eu havia passado. Apenas gostaria que alguém entendesse o meu lado, apenas gostaria que alguém me defendesse e dissesse que eu não havia tido culpa. Porque eu sabia que eu não tive culpa... Mas ninguém acreditava.

O momento em que eu tinha de dizer mais sobre meu passado estava chegando.

E eu estava desesperado.

Não havia mais como adiar aquele momento.

Não se eu quisesse continuar com Zachary.

Brian’s Pov Off

Zachary’s Pov

- Ashley? – a chamei assim que a vi andando nos corredores com mais duas colegas de sua turma. – Posso falar com você? – perguntei quando ela se virou para mim.

- Uh, claro! – ela sorriu para as duas que a acompanhavam enquanto passara a me acompanhar, no sentido oposto do corredor. – Encontrou Brian?

- Sim. Consegui conversar com ele e convencê-lo a ir para o meu carro e me esperar.

- Ótimo. –sorriu contida. – Eu gostaria de conversar com ele...

- Acredito que terá tempo para isso. – forcei um sorriso. – Posso te pedir um favor?

- Sim.

- Me mostre a foto novamente.

- Zachary... Não é bom você ficar vendo essas coisas.

- Por favor... – eu a encarei. – Eu vi a foto muito rápido e fui sugado por uma fúria momentânea, sem me importar com a verdade exposta nela. Eu preciso ver novamente, agora se for possível, já que estou mais calmo após de ter conversado com ele.

Ela sacou seu celular e hesitou algumas vezes.

- Brian está tão diferente...

- Eu não sei direito o que pensar sobre isso, mas ele falou algo de ser humilhado há tempos atrás.

- Concluímos então que essa foto não é recente... – disse entregando seu celular para mim. E eu tentando não me sentir incomodado ao ver a imagem de Brian supostamente transando com outro cara, procurei entender melhor aquela fotografia.

E então eu pude ver. Ou melhor, reconhecer o rosto de quem estava com Brian na foto.

Tive a sensação que o chão abaixo de mim havia desmoronado, assim como meu coração parecia ter parado de pulsar por instantes e minha respiração se esvair totalmente.

Eu peguei meu celular e rapidamente mandei a foto para o meu aparelho.

- Obrigado Ashley.

- Você não vai brigar com Brian, né?!

Neguei com a cabeça.

- Eu só preciso entender uma coisa.

- O quê?

Nada respondi, apenas acenei em despedida.

- Zachary? Você e Brian estão oficialmente... Namorando? – perguntou praticamente sussurrando a ultima palavra. Fazendo menção a aliança prateada que eu ostentava em meu dedo.

Sorri fracamente.

- O que você acha?

E assim me retirei às pressas, procurando chegar o mais rápido possível no estacionamento onde meu carro se encontrava.

Em uma fração de segundos tudo pareceu fazer sentido para mim. O cara que estava com Brian na tal foto era o cara que tentou me matar. O cara na foto era Matthew Collins, só que mais jovem.

“Eu disse que conhecia Matthew Collins e realmente eu o conheço, ele foi meu namorado quando eu tinha de uns 16 para 17 anos”

A voz de Brian martelava em minha mente, enquanto eu caminhava às cegas até o estacionamento que parecia ter ficado tão longe naquele dia.

“É só que esse nome me causa repulsas, e bem, eu não tenho boas lembranças dele.”

Minha respiração já estava descompassada e eu finalmente conseguira me aproximar da maldita vaga.

“Bom, eu tenho certo ódio por ele.”

Eu já me aproximava de meu carro e já podia ver Brian lá dentro, seus olhos estavam fixos no parabrisa. Parecia que o dia em que me contaria sobre Matthew Collins havia chego, e eu não sabia se estava preparado para ouvir.

Notas finais
Gostaram? Peço que me perdoem mais uma vez pela demora, e peço que tenham paciência... Pois está muito difícil de escrever e atualizar ): Beijão e obrigada mais uma vez ♥