Anatomia de um Corretor de Merda
6 Capítulo 6: O Mistério da Anatomia (e da Vergonha)
A manhã de domingo em Konoha começou com um céu limpo, mas para Shikadai Nara, o clima estava carregado. Ele entrou no pavilhão de Anatomia da Universidade de Medicina de Konoha sentindo-se como um fugitivo. A mensagem sobre o "ralo" e o "exame" havia sido a última coisa que Hilana leu antes de dormir, e ele não teve coragem de checar o celular desde então.
— Que saco... eu devia ter escolhido veterinária. Pelo menos os cães não usam redes sociais — resmungou ele, ajeitando o jaleco branco.
O laboratório estava silencioso, exceto pelo zumbido dos sistemas de refrigeração. Naquela manhã, a aula era uma monitoria livre para revisar o sistema nervoso e os canais de chakra. Para sua surpresa (e pavor), Hilana já estava lá. Ela estava inclinada sobre um modelo de plexo braquial, com o cabelo preso em um coque apressado e uma caneta atrás da orelha.
Shikadai tentou passar despercebido por trás de uma estante de atlas, mas seu celular, que ele havia jurado manter no "modo avião", decidiu que era o momento perfeito para uma "Otimização de Voz e Reconhecimento de Ambiente".
Ao detectar a presença de Hilana a menos de dois metros de distância, o aparelho — que agora parecia ter desenvolvido um senso de humor sádico — ativou o alto-falante para ler uma "notificação importante de saúde" que ele mesmo gerou com base na conversa da noite anterior.
— "USUÁRIO NARA: Lembrete de Saúde. A pulsação de Hilana foi registrada como 'irresistível'. Recomenda-se exame físico imediato para tratar a falta de ar do proprietário" — a voz robótica ecoou por todo o laboratório vazio.
O silêncio que se seguiu foi tão pesado que Shikadai jurou que poderia ser usado como arma ninja. Hilana lentamente se virou. Ela não estava rindo. Ela estava com uma sobrancelha erguida, segurando um fórceps de metal.
— "Irresistível", Shikadai? — ela perguntou, a voz calma demais. — E "falta de ar"? Achei que o seu diagnóstico fosse apenas timidez crônica.
— Hilana! Eu... eu não... — Shikadai gaguejou, lutando para tirar o celular do bolso e silenciá-lo, mas o aparelho escorregou de seus dedos suados e caiu direto dentro de um balde de solução fisiológica que estava sobre a bancada.
Houve um splash. O celular afundou, enviando uma última bolha de ar para a superfície.
— Graças as nuvens! — suspirou Shikadai, sentindo um alívio genuíno. — Ele morreu. Finalmente, o monstro morreu afogado.
Hilana caminhou até ele, parando a poucos centímetros. O cheiro dela era uma mistura de antisséptico e hortelã.
— Você sabe que esses aparelhos novos são à prova d'água, não sabe, gênio da estratégia?
Como se estivesse respondendo ao desafio, o celular começou a brilhar debaixo da água, iluminando o balde como uma lanterna de mergulho. Pior: ele começou a reproduzir a música tema de um filme romântico que Shikadai nunca tinha ouvido na vida.
— Ele não desiste — Shikadai lamentou, cobrindo o rosto com as mãos.
Hilana deu um passo à frente e, em vez de zombar dele, colocou a mão no ombro do rapaz.
— Sabe o que eu acho, Nara? Eu acho que você usa esse corretor de merda como um escudo. Você deixa ele dizer as coisas absurdas porque tem medo de dizer as coisas simples.
Shikadai abaixou as mãos, encontrando os olhos dela.
— Eu sou um estrategista, Hilana. Eu calculo riscos. E dizer que eu... que eu realmente gostei da nossa noite no Ichiraku é um risco de 95% de eu parecer um idiota completo.
— E os outros 5%? — ela perguntou, inclinando a cabeça.
— Os outros 5% são a chance de você dizer que também gostou.
Hilana sorriu. Ela se aproximou um pouco mais, ignorando a música brega que vinha do fundo do balde.
— Suas chances acabaram de subir para 100%, Shikadai. Mas você vai ter que provar isso sem usar nenhum algoritmo.
Ela pegou o braço dele e o puxou para a mesa de estudos. Durante as duas horas seguintes, eles não falaram de mensagens, lembretes ou corretores. Eles falaram de medula espinhal, de nervos cranianos e da vida.
No entanto, o destino em Konoha nunca é simples. Ao final da monitoria, Inoojin e outros alunos entraram no laboratório. Shikadai, distraído, esqueceu o celular "afogado" no balde.
Quando Inoojin foi usar o balde para limpar uma lâmina, ele viu o aparelho brilhando.
— Ei, de quem é esse celular? — Ele o pescou da água.
O aparelho, ao sentir o toque de uma digital desconhecida, ativou o protocolo de "Segurança de Emergência: Enviar Localização para Contatos de Confiança".
Em segundos, o pai de Shikadai, Shikamaru Nara, recebeu uma mensagem no escritório do Hokage:
"SOCORRO. ESTOU MERGULHADO EM LÍQUIDO COM HILANA. O EXAME FOI LONGE DEMAIS. QUE SACO."
Longe dali, Shikamaru olhou para a tela e suspirou, fechando os olhos.
— Temari vai matar esse menino... e eu vou ter que ajudar a esconder o corpo. Que problemático.
Enquanto isso, no laboratório, Shikadai e Hilana trocavam olhares, sem saber que a verdadeira tempestade estava apenas começando a ser enviada via satélite.
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