Anata No Tame Ni
15 Capítulo 15 - A Incrível Força das Magnólias
Na manhã seguinte, Nadeshiko acordou bem cedo. Ou melhor, ela foi acordada bem cedo. Estava tendo um pesadelo horrível sobre o que acontecera em Okinawa, quando foi despertada delicadamente com tapinhas de leve no rosto. Quando abriu os olhos e sua mente processou o fato de que estava apenas tendo um sonho ruim, levou um choque ao ver a situação em que realmente se encontrava: Estava deitada em uma cama que não era sua, num quarto em que não era seu. Mais precisamente, no quarto e na cama de Hotori Tadase, e com o próprio bem em cima dela, com o rosto a pouquíssimos milímetros do seu. Agora sim estava explicado o peso que sentia sob seu corpo. Tentou mexer as pernas para fugir dessa situação, mas elas estavam presas, embaralhadas entre as pernas do Rei. Nadeshiko teve o impulso de gritar, mas antes que o fizesse, Tadase tampou sua boca com uma das mãos.
– G-Gomen ne Fujisaki-san... mas se você gritar agora, meus pais virão aqui saber o que houve, e... b-bem, isso seria realmente péssimo pra nós dois — sussurrou o Rei um tanto embaraçado — Vou te soltar agora... mas não grite, está bem??
– S-Será que pode sair de cima mim, Hotori-kun?? — pediu Nadeshiko sem jeito quando o garoto destampou sua boca
– Adoraria fazer isso, mas... você precisaria me soltar primeiro, senão eu não consigo levantar.
Só então Nadeshiko percebeu que estava com os braços jogados ao redor do pescoço do rapaz, apertando-o com tanta força que ela ficou surpresa por não ter enforcado Tadase. Quando parou pra pensar em como se metera nessa situação, a Rainha lembrou de que, quando começara a ter pesadelos no meio da noite, ela agarrou "alguma coisa" que ela pensava ser um travesseiro e abraçou com todas as suas forças, na esperança de que o medo passasse. Então a "coisa" que ela abraçou era Tadase, e não um travesseiro, afinal.
Nadeshiko desculpou-se e recolheu os braços, deixando Tadase finalmente se levantar. Depois disso, eles repetiram o mesmo esquema da noite anterior: Nadeshiko foi se trocar no banheiro enquanto Tadase se trocava no quarto. Depois de trocarem os pijamas por roupas comuns, se pentearem e escovarem os dentes, Tadase a guiou até a cozinha, onde a mãe e o tio do garoto já estavam tomando café.
– Bom dia Tadase, Nadeshiko-chan — cumprimentou Tsukasa sorridente — Sente-se melhor, minha cara?
– Sim... um pouco — mentiu a garota — Bom dia Tsukasa-san
– Vocês demoraram muito pra levantar, desse jeito vão acabar se atrasando — falou a mãe de Tadase um tanto irritada — Vamos, vocês precisam tomar café antes de irem para a escola.
Os dois se sentaram à mesa e começaram o desejum. Ou melhor, apenas Tadase estava comendo, Nadeshiko mal tomava um gole ou outro de suco, e nem tocara na comida.
– Mãe, onde está o papai? — perguntou Tadase
– Ele já foi, tinha que pegar mais cedo no trabalho hoje — respondeu ela — Nadeshiko-chan, você não está comendo
– Hã? Ah, é que... eu estou sem fome... na verdade, me sinto meio enjoada — respondeu a garota, aproveitando a deixa para não ter que se forçar a comer
– Enjoada, é...? — repetiu a mãe de Tadase fazendo uma careta — Ahh céus... se vocês não fossem tão jovens, eu poderia jurar que...
– O que? Do que está falando mãe? — perguntou Tadase confuso
– Nee-san, eles ainda são muito novos pra isso, não pense besteiras — repreendeu Tsukasa
– Bom... eu queria falar isso quando o papai também estivesse aqui, mas acho que vou contar de uma vez — começou a falar Tadase, sentindo-se cada vez mais nervoso
– Hein? Hotori-kun... e-espera aí, o que você está pretendendo dizer à eles?? — indagou Nadeshiko alarmada
– Você sabe o que é — Tadase sorriu para ela — Já está na hora de contar, não acha?
– Bem, sim, mas... agora???– exclamou Nadeshiko, o medo e a tristeza que sentia sendo rapidamente substituídos por um nervosismo que ela jamais sentira antes
– Sim, agora — Tadase alargou seu sorriso e segurou a mão dela, e em seguida, olhou sério para a mãe — Mamãe, Tsukasa-san... eu queria dizer que... q-que eu e a Fujisaki-san estamos namorando.
Tsukasa alargou seu costumeiro sorriso, e parecia realmente feliz com a notícia, provavelmente já desconfiava ou já sabia sobre o namoro, mas a mãe de Tadase não reagiu tão bem assim: Seus olhos se arregalaram e a boca estava totalmente aberta. Seu queixo teria despencado ali mesmo e rolado pelo chão se isso fosse possível, ela estava totalmente sem fala.
– Mas que boa notícia! Meus parabéns vocês dois! — exclamou Tsukasa alegremente
– Humm... obrigado, Tsukasa-san — murmurou Tadase, que ainda encarava a mãe bastante apreensivo
– Nee-san, diga alguma coisa, está deixando os meninos preocupados. Não é uma notícia maravilhosa a que o Tadase acabou de dar?
Tsukasa deu uma cutucada na irmã, enquanto tentava conter o riso. Aparentemente estava se divertindo bastante com a situação.
Depois de vários segundos, a cara de espanto da mulher se desfez e ela disse:
– Ahh céus... então o Tadase já está nessa fase, né...? — resmungou a mulher para si mesma — Bom... você sempre foi tão apegado à essa garota que eu imaginei que isso iria acabar acontecendo um dia, mas... não esperava que fosse tão cedo. Tadase, você ainda é só um menino... tem certeza de que não está apressando as coisas??
– Não estou não, mãe. Sei que ainda posso ser jovem, mas... mas eu amo a Fujisaki-san. Sempre amei, e vou continuar a amá-la sempre — Tadase se virou para Nadeshiko e, segurando as mãos dela, continuou — Eu te amo, Fujisaki-san... quero ficar ao seu lado pra sempre
– Também te amo, Hotori-kun... não consigo imaginar minha vida sem você — murmurou ela em resposta, vermelha até as orelhas
– Ah bem, que seja... pelo menos não é um amor não-correspondido — conformou-se a mulher — Fico feliz que o Tadase tenha escolhido você, Nadeshiko-chan... te conheço há muitos anos, sei que é uma boa menina. Cuide bem do meu filho, ouviu?!
– H-Hai! Obrigada! — gaguejou a menina, mal acreditando que tenha sido tão fácil
– Hai, hai! Isso merece uma comemoração, vamos festejar! — sugeriu Tsukasa animado
– Que comemorar o que Tsukasa, não força a barra! — resmungou sua irmã — Além do mais, eles precisam ir pra escola, já estão atrasados!
– Você também está atrasada, Neesan — falou Tsukasa apontando para o relógio
– O que? OMG já são 07:45?! Estou atrasada!!! — desesperou-se a mulher — Tenho que sair daqui correndo, então até logo, crianças! E juízo vocês dois, ouviram?!
Em menos de 10 segundos, a mulher já entrara no carro e partiu à toda velocidade para o trabalho.
– Bom... eu também preciso me apressar se quiser chegar na hora. Querem uma carona até a escola, crianças? — ofereceu Tsukasa
– Obrigado Tsukasa-san, mas nós vamos depois — respondeu seu sobrinho
– Como quiserem. Então até mais tarde.
Tsukasa também se despediu e saiu em direção à escola. Ele mal tinha saído, e Nadeshiko disse:
– Né Hotori-kun... nós não temos mesmo que ir pra escola, temos?
– Hein? Você não quer ir?
– Ah... n-não é que eu queira matar aula nem nada assim! — apressou-se a dizer Nadeshiko — É só que... não estou com ânimo pra ir pra escola hoje... a-além do mais, não trouxe meu uniforme, então...
– Tudo bem — interrompeu ele — Não precisamos ir. Na verdade eu estava com vontade de matar aula hoje
– S-Sério?! — interrogou ela abobada — É muita irresponsabilidade de sua parte como Rei dos Guardiões ficar matando aula...
– Hahahaha... até o Rei precisa de uma folga de vez em quando, certo? — respondeu ele na maior tranquilidade — Além do mais, estava pensando em passar o dia com você. Quer dar uma volta pelo jardim?
– Ah... claro.
Eles caminharam pelo jardim surpreendentemente grande em silêncio até que, quando deram uma volta completa, sentaram-se na entrada da casa em frente a um lago com vários peixinhos multicoloridos.
– Não me lembrava de ter peixes nesse lago — comentou a Rainha
– Meu pai os comprou faz pouco tempo — contou Tadase — E também tem uma coisa nova, olha — completou ele, apontando para um pé de magnólia, com algumas poucas flores remanescentes
– É... lindo... deve ser ainda mais belo na primavera — disse Nadeshiko admirando as poucas flores que sobreviveram ao inverno
– Sei que você prefere cerejeiras, mas... acho que essa flor também combina com você
– Sério? Por que?
– Porque, ainda que enfrente dias difíceis, sofra diante do frio e maus-tratos do clima rigoroso... ainda assim consegue encontrar forças para superar os obstáculos e florescer novamente, deixando todos ao redor felizes de novo — explicou Tadase sonhador.
Nadeshiko não sabia se ele estava falando dela ou das magnólias, mas achou aquilo tão bonito que fez seu coração bater mais forte. E antes que percebesse, Tadase havia colhido uma flor do pé de magnólia e a prendeu em seus cabelos.
– Ahn... o-obrigada... — murmurou ela sem jeito
– A flor te deixou feliz?
– S-Sim, claro — respondeu ela sem entender onde ele queria chegar
– Então sorria pra mim — pediu ele — Sinto falta dos eu sorriso, Fujisaki-san... você não é a mesma sem ele. Me diga o que eu posso fazer para animá-la que eu farei, então... por favor, volte a sorrir pra mim.
Aquilo não trouxe o sorriso de Nadeshiko de volta, mas fez com que a garota corasse, e muito. Ela podia sentir seu coração dando cambalhotas dentro de seu peito, e estava tentando pensar em algo legal pra dizer, quando Tadase a derrubou no chão e literalmente se jogou em cima dela. Seus rostos estavam a poucos centímetros um do outro, seus narizes estavam quase se encostando, e Tadase cismava em olhá-la fixamente, o que a deixava ainda mais nervosa.
– Err... H-Hotori-kun, o que está...
– Vou fazer você sorrir de novo, por bem ou por mal! — declarou ele.
E sem aviso, Tadase começou a fazer cócegas nela. No começo ela tentou se desvencilhar e se levantar, mas no fim acabou se rendendo em uma explosão de risos, que logo transformaram-se em gargalhadas. A garota ria tanto que seus olhos já estavam lacrimejando, e seus músculos doloridos de tanto se contorcer e gargalhar. Quando começou a ficar cansado, Tadase interrompeu as cócegas e saiu de cima dela.
– Não... acredito... que fez... isso... o que estava... pensando?! — murmurou Nadeshiko, cansada de tanto rir e se contorcer
– Estava pensando em te fazer sorrir de novo, é claro — respondeu ele — Você fica muito mais bonita com um sorriso no rosto, Fujisaki-san. Não faça mais aquela cara triste, por favor... não quero perder o seu sorriso de novo.
Nadeshiko levantou do chão e voltou a se sentar ao lado de Tadase.
– Eu... vou tentar — disse ela por fim — Mas só se você me prometer que vai ficar sempre ao meu lado. Nunca me deixe sozinha, entendeu?!
– É claro. Eu prometo! — Tadase alargou seu sorriso, e finalmente conseguiu arrancar um pequeno e tímido sorriso da Rainha.
Nadeshiko segurou a mão dele entre as suas, ainda um tanto hesitante. Mesmo com a promessa que Tadase fizera de nunca deixá-la sozinha, ela ainda se sentia insegura, como se tivesse medo que ele virasse fumaça e desaparecesse diante dela. Tadase retribuiu o toque e começou a aproximar seu rosto do dela devagar. Ao perceber isso, ela foi tomada pela hesitação. Claro que Nadeshiko sabia que o Rei jamais lhe faria mal algum, mas por algum motivo, se sentia insegura quanto a isso.
Então ela percebeu que o que sentia não era medo, como havia pensado, e sim culpa. Sentia-se incomodada e desconfortável em beijar Tadase porque ainda se achava culpada por ter beijado Koji, era como se ela não merecesse mais estar ao lado do Rei. Ela afastou seu rosto do dele e disse:
– Desculpe. Não posso fazer isso agora. É que... daquela vez, Koji-kun me beijou, então... n-não acho que você iria querer me beijar depois disso, não seria legal pra você. Então... melhor não fazermos isso
– É verdade, ele te beijou. Você ainda está "infectada" com os germes daquele patife né? — confirmou Tadase, causando um nó na garganta da Rainha — Bom, nesse caso... acho que temos que desinfectar seus lábios.
Antes que se desse conta, Tadase a estava beijando. Um beijo doce e suave, sem pressa, como se ele estivesse querendo confortá-la. Claro, a coisa que Tadase menos queria agora era assustá-la ainda mais. Ele a envolveu em seus braços, transmitindo uma sensação de proteção e afeto. Aos poucos, Nadeshiko retribuiu o abraço, segurando a camisa dele com força como se temesse que ele fugisse.
Alguns segundos sepois, eles se separaram, um fio fino de saliva ainda ligado as bocas de ambos.
– Prontinho, já suguei todo o veneno. Eu lhe recomendo bastante repouso, uma boa alimentação, e dar muitos sorrisos todos os dias. Ah, e talvez fazer compras com as amigas, dizem que isso alegra as garotas — falou Tadase com um sorriso meigo, como se estivesse tentando interpretar um médico — Você não está mais infectada por ele, então pare de se sentir culpada, está bem Fujisaki-san?
– Hotori... kun... obrigada... muito obrigada por ficar ao meu lado... e me "curar".
Nadeshiko sentia-se tão emocionada que seu coração parecia que ia explodir, e ela tinha vontade de chorar de alegria. Mas como sabia que isso só preocuparia ainda mais o garoto, ela conteve as lágrimas, e ao invés de chorar, sorriu. Um sorriso que misturava felicidade, gratidão e uma sensação maravilhosa de sentir-se protegida. Tadase sorriu de volta, extremamente aliviado de poder ver aquele sorriso que tanto amava outra vez. Sim... um milagre acontecera e Nadeshiko finalmente voltara a sorrir.
*** Próximo Capítulo: Aposta Perigosa ***
Notas finais
Mas achei essa uma cena muito interessante de se escrever, nunca tinha feito isso em nenhuma outra fic antes... foi bem difícil, admito -.- Mas até que eu gsotei do resultado *-*
Ahh e se alguém aqui nunca viu uma flor de magnólia antes, basta dar uma olhada nesse link e conferir, é uma flor realmente linda *--*
http://1.bp.blogspot.com/_XzYqp7JpC1c/S-jzLODOTzI/AAAAAAAATEE/STuN7ZRQp-8/s1600/Nossa+Magn%C3%B3lia+no+jardim.jpg
Sabem, enquanto eu revisava o capítulo, eu só conseguia pensar "Não fui eu que escrevi isso gente, não é possível.. como um ser inferior feito eu conseguiu escrever uma coisa tão linda, tão maravilhosa?! Foi a alma de algum escritor famoso já falecido que me possuiu e me ajudou a escrever, num é possível". Ainda não sei como raios eu consegui escrever isso (realmente deu trabalho pra caramba e me deu uma baita dor de cabeça, mas eu amei o resultado) mas se vcs tbm gostaram, por favor me falem! Sim, estou falando de vcs leitores fantasmas que lêem e a fic sem deixar review, eu sei que vcs estão aí, não adianta se esconderem!!
Leiam também a nova fic que estou escrevendo junto com a Shiroyuki-chan por favor!! (só pra constar, é yaoi, depois não digam que eu não avisei =P)
https://www.fanfiction.com.br/historia/198965/Yakusoku
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