Anacrônica

1 Fantasmas


Nunca caminhou sozinha

Cada passo que dava no espaço

Tentando silenciar os fantasmas

Que sussurravam e gritavam

As verdades ingratas de sua jornada

Ela mesma era também um fantasma

Zagala do universo, ou talvez pária

Carregando em sua alma

O peso das histórias que se tornam

Poeira estelar

Assim como todas as criaturas

Vistas ouvidas sentidas

Apenas sombras espectrais

Das memórias de quem fica

Não pode se esconder

Do que lhe habita

Ela corre para fugir de si

Não sabe pra onde nem quando

O tempo é relativo

Os fantasmas perdidos sempre vão encontrá-la

No fim de tudo, no abismo