An authentic scotch

1 Ou um autêntico inglês?


Notas iniciais
Sabem quando a inspiração vem e vem de um jeito estranho, ou em uma hora dita imprópria? Pois então, eu estava esta semana em reunião virtual no trabalho e um detalhe na parede de trás da cadeira onde meu chefe estava sentado, comandando a reunião, me chamou a atenção e inspirou este drabble...

Espero que curtam!

Papéis e mais papéis. Aquela era a parte realmente odiosa de seu trabalho. Enervante. Estressante. Rotineira e estúpida. Terrível. E tanto outros adjetivos ruins ou asquerosos que conseguia pensar a respeito. Ao menos era uma pequena parte do que tinha a fazer todos os dias. E chegar a ela significava que seu trabalho tinha chegado ao fim também, pois os relatórios e o preenchimento do grande livro dos juízes ficavam sempre para o final.

Após assinar mais uma sentença, deixou a caneta tinteiro de lado por um segundo e fechou os belos olhos dourados, buscando um pouco mais de concentração para finalizar o dia, faltavam pouco mais de dez folhas do livro para rubricar. No movimento de puxar o ar para inspirar e expirar, sentiu a garganta um pouco seca. Abriu os olhos e no mesmo instante se levantou, tirando a toga e a colocando de qualquer jeito sobre o espaldar da cadeira, e se dirigiu até uma mesa mais afastada da sua de trabalho. Passando uma das mãos de maneira nervosa pelos cabelos curtos e dourados, escolheu uma garrafa e se serviu de sua bebida preferida, em uma meia taça de cristal. Duas doses, sem gelo.

Ao levar a meia taça aos lábios, percebeu que alguém adentrava o tribunal do inferno. Quando se virou na direção das pesadas portas, viu o espectro dono da sapuris de Harpia parado junto à mesma, como se aguardasse autorização para se aproximar.

—O que deseja, Valentine?

—Trouxe-lhe mais alguns documentos para sua assinatura, meu senhor, a pedido do senhor Aiacos.

O outro grunhiu aborrecido e fez um sinal para que Valentine deixasse os malditos papéis sobre a mesa de trabalho. Voltou sua atenção para a meia taça em suas mãos, mas quando tencionava beber seu conteúdo, percebeu que o jovem ruivo estava parado ao seu lado, olhando para ele de um jeito estranho.

Quando Radamanthys tencionou perguntar o que estava acontecendo, Valentine simplesmente tomou a meia taça de sua mão e bebeu um pequeno gole da bebida. Suficiente para fazê-lo tossir como se estivesse engasgado.

—É um-muito for-forte... E o sabor... É estranho – ele disse, devolvendo à meia taça para o outro.

—Claro, você o tomou do jeito errado, Valentine. Não se bebe um autêntico uísque escocês como se fosse água!

Indignado, Radamanthys enfim bebeu seu uísque. E, quando iria se servir de mais uma dose, percebeu que Valentine o encarava com os olhos verdes brilhando de de maneira enigmática. Abriu a boca para dizer algo, mas foi pego de surpresa pelo subordinado, que segurou seu rosto pelo queixo e o beijou.

Lentamente, como se degustasse cada ponto, canto e centímetro da língua e boca quente do juiz infernal. E quando o inglês finalmente se deu conta de que era beijado e quis participar mais ativamente do ato, Valentine o soltou.

—Tem razão, meu senhor... É preciso beber do jeito certo para apreciar o sabor de um autêntico escocês...

E então saiu, deixando Radamanthys encarando-o, sem ação...

Notas finais
Desta vez, não temos música tema, mas se quiserem trilha sonora para ler a fic posso dar um jeito de colocar no ar a leitura das análises que fizemos dos projetos da empresa na reunião...

Grande beijo!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!