Oi para você que está agora lendo a minha história. Meu nome é Park Jimin e eu tenho vinte e um anos. Não preciso dizer como sou de aparência, pois você vai descobrir isso conforme vou contando para vocês o que aconteceu.

Vou contar a vocês sobre o momento em que minha vida parou de fazer sentido, quando eu tinha dezoito anos e perdi simplesmente todos que eu mais amava e, por conta disso, acabei conhecendo o garoto por quem me apaixonei perdidamente sem nem mesmo ter uma prova de que ele era real — algo que ele me provou tempos mais tarde.

Um amor totalmente impossível, que eu queria ter ao meu lado para sempre. Mas nada bom nunca durou por muito tempo ao meu lado. Minha família é o maior exemplo disso.

Quando saí do ensino médio, eu fui aprovado na faculdade, iria cursar dança. Coisa que claramente desisti de fazer. Eu desisti de tudo, só não desisti da minha vida porque tinha ele ao meu lado.

Talvez hoje já não possa mais dizer o mesmo.

Mas vamos voltar a aquele momento e nos atentar apenas nisso, pelo menos por enquanto.

No meu último final de semana em família, meu pai, minha mãe, meu irmão e eu resolvemos dar uma volta de carro após o almoço.

Na volta para casa, estava chovendo torrencialmente e meu pai acabou perdendo o controle do carro. Todos fomos parar no hospital, ainda com vida.

Eu e meu irmão éramos os que estavam com o melhor estado, até porque estávamos no banco traseiro.

Um dia depois de ser internado às pressas eu recebi a notícia de que meu pai e minha mãe haviam falecido. Já o meu irmão teve uma parada cardíaca ao receber a notícia e assim eu fui o único que sobreviveu ao acidente.

Meus dias de recuperação passavam se arrastando, como se fossem eternos. Eu não aguentava mais ficar enfiado naquele quarto branco e quando pensei em dar um fim em minha tristeza e simplesmente me atirar da janela do oitavo andar, fui impedido por uma voz, da qual nunca vou esquecer quais foram as palavras pronunciadas.

— Você não deveria fazer isso, Jimin.

Eu o encarei confuso, mas sinto até hoje que quase babei por sua beleza. Ele estava todo de branco, tinha os olhos castanhos mais lindos que eu já havia visto e tinha desgrenhados cabelos morenos pela cabeça. Ele era lindo.

— Como sabe meu nome? Quem é você? O que está fazendo aqui?

Quem é que faz tantas perguntas de uma só vez? Pois é, eu faço, pois minha curiosidade é sempre enorme, ainda que minha vontade de morrer naquele instante tenha sido muito maior.

— Sou seu anjo da guarda. Me chamo Jeon Jungkook. Vim te ajudar.

— Me ajudar? Olha, Jungkook, eu não preciso de ajuda.

— Então você iria apenas pegar um ar ao se aproximar dessa janela? Acredito que você iria pular. Eu estava cuidando de você de longe, mas precisei aparecer para poder evitar que essa catástrofe acontecesse.

— Você se preocupa tanto assim comigo? Você nem real não deve ser.

— É claro que eu me preocupo, Jimin. E sim, eu sou real. Estou aqui com você e não vou te abandonar, eu prometo.

Eu queria que ele tivesse cumprido essa promessa. Mas, como eu disse, nada que fosse bom durava perto de mim.

Esse, infelizmente, sou eu.

○ ○ ○ ○ ○ ○

Acordei no dia seguinte com uma dor horrível em minha cabeça. Não dormi direito durante a noite e nos momentos em que dormi tive pesadelos. Eu estava assombrado pelos últimos acontecimentos. Tudo que vinha em minha mente era aquele acidente que tirou a vida das pessoas que tanto amava.

— Bom dia.

Olhei para o lado e vi Jungkook sentado na poltrona, com sua roupa branca igual à do dia anterior. O encarei pensativo e ele abriu um pequeno sorriso para mim.

— Não vejo nada de bom.

Sei que fui um pouco rude, mas apenas falei a verdade. Não conseguia pensar em nada bom naquele momento e, se for para pensar nos momentos atuais, continuo sem pensar em algo bom.

— Não estou perguntando se está bem, Jimin. Não sou burro, sei que não está nada bem. Estou apenas desejando que você tenha um bom dia, mesmo que eu ache isso algo difícil de se acontecer.

Olhei para baixo e revirei os olhos. Ele era insistente e muito bom na arte de falar comigo. Era incrível a maneira que ele dizia justamente o que eu precisava ouvir e essa maravilhosa habilidade seguiu ao lado dele no decorrer desses quase três anos em que nos conhecemos, mas isso é história para depois.

— Também duvido.

Eu disse simples para ele, o encarando e observando todos os perfeitos detalhes de sua aparência. Os cabelos morenos, a vestimenta branca, os olhos castanhos, o sorriso iluminado. Era tanta bondade que pairava na volta dele, que chegava a ser um pouco assustador.

— Mesmo sendo difícil se animar, eu acho que tenho boas notícias.

Ele levantou e se aproximou da cama, parando ao meu lado.

— Que seriam?

Perguntei, admito que com um pouco de medo de sua resposta.

— Você vai ser liberado hoje do hospital, mas permanecerá em recuperação na sua casa, pelo que entendi vão te dar alguns remédios e pedir para que você visite um psicólogo, mas, tirando isso, são boas notícias.

Boas notícias? Sério que aquilo eram boas notícias? Aquilo era o melhor que ele tinha a me oferecer? Honestamente, minha irritação maior não foi por pensar que eu iria para casa, porque isso era ótimo. Minha irritação foi por, não acredito que vou admitir isso novamente, pensar que eu talvez não fosse vê-lo outra vez.

Jungkook se tornou, de um dia para o outro, uma boa companhia. Seu otimismo sempre me animava, embora eu não tenha admitido isso nem uma única vez em voz alta. Admiti uma vez que não queria perde-lo e outra que eu estava apaixonado, fora outras coisas em relação a isso. Mas nunca citei o fato de que amava seu otimismo.

— Ânimo, Jimin!

Ele praticamente pulava dentro do quarto e eu fui obrigado a sorrir. Era impossível que eu não sorrisse com ele daquele jeito.

E então, sorrindo como um idiota apaixonado — coisa que eu definitivamente ainda não estava –, lembrei novamente do acidente e uma tristeza me atingiu com ainda mais força.

Aquela cena nunca vai sair da minha cabeça. É impossível.

Olhei novamente para Jungkook e ele chegou mais perto de mim, colocando sua mão sobre a minha. Me assustei por não sentir nada e acabei puxando a mão bruscamente. O encarei ainda mais confuso e toquei seu rosto. Eu poderia dizer que senti um arrepio em mim, uma boa sensação, qualquer coisa, mas nada era possível de ser sentido.

E, acreditem, isso não mudou. A única coisa que já senti perto dele foi um leve formigamento em meus lábios em um certo momento, o qual vocês ainda irão saber. Mas, tirando isso, nunca senti nada. Já o abracei, já beijei seu rosto, já dormi ao seu lado e nunca senti absolutamente nada e, por mais que isso me assustasse, eu simplesmente não conseguia me afastar.

Naquele momento eu o perguntei o motivo de não poder senti-lo, então ele me disse que o lugar dele não era ali. Ele só estava ali para cuidar de mim e, logo, de outras pessoas que também necessitavam de sua ajuda. Nunca entendi muito bem o motivo da sua existência e por qual motivo o mundo precisava de anjos, mas eram em momentos de ternura e carinho que ele me transmitia, que eu conseguia entender.

Ele existia por pessoas como eu, com problemas em sua vida, com um vazio no peito, um buraco no coração. Ele existia para evitar que nós simplesmente tirássemos nossas próprias vidas. Existia para mostrar bons motivos para vivermos e seguirmos em frente.

Eu poderia facilmente dizer que ele me salvou, ainda que agora pareça que ele me afundou ainda mais, me atirou no fundo do poço e me deixou à deriva para morrer. Sei que pode parecer confuso, mas ainda irei explicar. Sei que pode parecer estranho falar sobre o fato de que ele me abandonou, mas foi exatamente isso que ele fez, tudo porque ele fez algo que não podia. Ele se apaixonou por mim e, tão perdidamente quanto ele, eu também me apaixonei.

Mais tarde naquele dia eu realmente fui liberado do hospital e voltei para casa de táxi. Eu estava com medo de entrar novamente em um carro, mas Jungkook estava ao meu lado me observando o tempo todo. Quando descemos do táxi, entreguei o dinheiro para o motorista e peguei as chaves de casa. Encarei a residência que eu costumava viver com minha família e uma enorme vontade de chorar me invadiu.

Vi minha vizinha se aproximar e, com ela, sua filha, a qual tinha cinco anos. A cumprimentei com um abraço e ouvi suas condolências, me segurando para não chorar. Quando nos separamos, pude ver que a criança olhava na direção de Jungkook e foi naquele momento que eu percebi que eu não estava ficando louco. Ele era de verdade.

— Pequena, você não quer vir mais tarde aqui em casa olhar desenhos?

Perguntei para Yang Mi, sempre me dei bem com ela e com Sun Hee, pois tinha apenas três anos de diferença de Sun Hee e crescemos juntos. A garotinha sorriu para mim, pediu permissão para Sun Hee e, após eu dizer que precisava mesmo de companhia, a loira finalmente permitiu e então nos despedimos e adentrei minha casa.

Era estranho chamar aquele lugar de lar agora. Estava tão vazio, que poderia facilmente ecoar minha respiração. Era triste estar ali, mas eu não tinha para onde ir.

— Como ela conseguiu te ver? E como eu posso te ver e os outros não?

Perguntei assim que ele passou pela porta e eu a fechei. Aquela era a minha maior curiosidade desde o momento em que botei meus olhos nele.

— Só as pessoas que eu cuido podem me ver... me machuca você não lembrar de mim, mas já faz tanto tempo, que eu não o culpo.

Ninguém entendeu nada? Naquele momento, juro que eu também não. Eu só conseguia pensar em algo relacionado a 'o que ele quer dizer com eu não me lembrar?'.

— Desculpe... o que?

Ele me encarou com um sorriso triste e sentamos juntos no sofá, onde ficamos bem próximos um do outro e novamente eu não sentia nada com ele tão perto. Era irritante.

— Nenhum adulto pode me ver. Você só consegue porque eu sou seu anjo da guarda desde que você nasceu. Apareci quando você nasceu e te dei uma benção. Eu ia todas as noites ao seu quarto para ver se você dormia bem e só apareci de verdade quando você perdeu sua avó. Você pode não se lembrar disso, pois você cresceu, mas você adorava passar seu tempo comigo e sempre chegava da escola cheio de perguntas para mim. Essa é a razão pela qual Yang Mi me vê. Eu sou o anjo dela, assim como era e sou o seu. No futuro Yang Mi nem lembrará da minha existência, já você, me terá sempre em sua memória.

— Espera, isso é sério? Eu não lembro...

— Se você não lembra, então fico feliz, pois isso significa que você seguiu em frente e superou o trauma de perder sua avó. Eu só espero que, por mais que supere o que houve no acidente, você não se esqueça de mim.

— Não vou me esquecer.

— Como pode ter tanta certeza? Você pode esquecer...

— Poder eu posso, eu apenas não quero.

E, por mais que ele esteja agora longe de mim, eu ainda permaneço com a ideia de que não quero esquecê-lo.

Por mais que me doa, eu não consigo parar de amá-lo. É uma dor que só aumenta, mas, junto com ela, meu amor também só cresce.

Como vou superá-lo quando está bem claro que quase três anos se passaram e eu ainda não desisti de alguém que não consigo nem sentir? Se até agora eu não consegui, então isso nunca irá passar.

Passarei o resto da minha vida preso a uma paixão louca, um desejo que não posso matar, um amor impossível.

○ ○ ○ ○ ○ ○

Ouvi batidas na porta e, com Jungkook atirado no meu sofá, andei até a porta e a abri, encontrando Yang Mi comendo um enorme pirulito. A cumprimentei e ela passou pela porta, andando de volta comigo até a sala. Ao ver Jungkook ela correu e se sentou com ele.

O sorriso da pequena era tão grande e brilhante, que me fez sorrir junto.

— Porque o titio Jimin pode te ver se você é o meu anjinho, Goo?

Yang Mi perguntou e aquela simples pergunta fez com que meus olhos se enchessem de lágrimas, de emoção, não de tristeza.

Até hoje, só de lembrar-me disso, sinto lágrimas querendo sair de meus olhos e rolarem por meu rosto e, muitas vezes, permito que elas caiam. Sinto falta desses doces momentos que, mesmo que por poucos minutos, tinham o poder de fazer o mundo parecer um lugar tão melhor, tão mais alegre e tranquilo.

Sinto falta dos mínimos detalhes que me contemplavam exatamente no momento em que eu e Jungkook nos encontrávamos no mesmo ambiente. Vou passar o resto da minha vida lembrando desses detalhes que hoje parecem ser apenas fruto da minha louca imaginação.

— Porque eu também sou o anjinho dele, Yang Mi.

Jungkook explicou para a pequena, que me puxou pela mão para que eu me sentasse com os dois no sofá e assim eu o fiz, sentando com Yang Mi entre eu e Jungkook. Naquela tarde nós rimos bastante com os desenhos que assistimos com a pequena Yang Mi, mas tudo pareceu simplesmente fugir de minha volta quando fiquei a sós novamente com Jungkook.

Ele era tão lindo, que meus olhos conseguiam apenas fita-lo em uma tentativa inútil de realmente conhece-lo apenas com a força do meu pensamento. Eu me sentia perdido naqueles olhos castanhos dele, que tinham um poder quase que de hipnose sobre mim. Tudo nele era lindo, puro e exalava amor e alegria.

Ele me fazia sentir coisas que nenhuma outra pessoa jamais conseguiu fazer e, além das duas vezes que declarei o que realmente sentia por ele, nunca tive coragem de dizer coisas tão particulares para ele. Tudo porque a simples presença dele me deixava nervoso. Posso parecer exagerado, mas eu chegava a tremer apenas por estar ao lado dele.

— Jimin, está me ouvindo?

Lembro-me dele chamando minha atenção e lembro até hoje de que eu corei naquele momento, porque com certeza ele percebeu que eu estava o admirando. Anjos são criaturas extraordinárias, que não enxergam maldade nem nos olhares mais repletos de luxúria possíveis, mas sei que ele tinha distinguido bem o que eu estava sentindo naquele momento e sei que ele sentia que, se ele não fosse um anjo, nunca teríamos tido a oportunidade de nos apaixonarmos antes de nos envolvermos.

— Eu me distraí.

Minhas palavras o fizeram abrir um sorriso e eu simplesmente não me contive e também sorri. Volto a dizer: tudo nele é lindo e puro. Seu sorriso poderia ser capaz de curar uma doença, não é à toa que curou meu coração despedaçado. Ele pegou todos os pedaços do meu coração e o encheu de amor.

Tudo para me derrubar de vez anos mais tarde.

Não pense que eu o odeio ou que sinto raiva dele. Isso seria pesado demais para mim e eu não consigo guardar tanto rancor em meu coração. Ele é simplesmente tudo para mim e a minha tristeza é justamente o fato de que eu não o tenho mais, se é que em algum momento já o tive.

— Você viu a carinha da Yang Mi quando estávamos os três aqui?

Perguntei, claramente tentando mudar de assunto. E devo dizer que não deu certo, pois ele sempre fora mais inteligente que eu, ele sempre me disse que já estava acostumado com pessoas que fugiam dos assuntos.

— Por que você ficou tão triste quando ela me perguntou se eu ia embora?

— Porque eu não quero que você vá.

Segundos depois de dizer aquilo eu me arrependi, mas não podia voltar atrás, fora que era a mais pura verdade. Eu não queria que ele fosse embora, pois sabia que ficaria totalmente sozinho de novo e não sabia se conseguiria suportar essa dor. Não de novo.

— Enquanto você me quiser por perto, estarei aqui. Só irei embora se perceber que não sou mais necessário.

— Eu sempre vou precisar de você.

— O pior é que não. Um dia você vai pedir que eu vá embora, pois você vai encontrar o seu grande amor, com quem construirá uma família e eu serei apenas alguém do seu passado.

Ele definitivamente sabia sempre o que dizer. Nunca entendi como era possível alguém ter uma resposta simplesmente para tudo, mas sei que ele sempre tinha.

— Não vou. Você nunca será apenas meu passado, não, não, não, você vai ser o meu futuro. Quer dizer... você vai estar no meu futuro.

Naquele momento eu quis simplesmente morrer. Eu tinha acabado de fazer uma das maiores burrices que eu podia, porque Jungkook era inteligente o suficiente para entender o que aquilo significava.

— Jimin, você não pode dizer isso. Olha, você está confuso, porque eu estou aqui e sou o único por enquanto, mas isso não significa que você não vá conhecer novas pessoas. Sei que o que está reservado para você é bom e você vai conhecer alguém que te complete. Esse alguém não sou eu.

— E o que acontece se eu me apaixonar, Jungkook? Eu estou mais vulnerável do que nunca estive antes, não sei o que está acontecendo comigo, mas eu não consigo enxergar você indo embora da minha vida. Isso doeria demais.

E, sem nem perceber, eu estava chorando e ele estava secando minhas lágrimas. Ele tocava em minha pele e eu não o sentia, aquilo me deixava ainda pior, pois eu queria senti-lo, queria saber que ele estava mesmo ali. Mas tudo continuava a parecer uma ilusão.

— Não sei o que acontece, Jimin, só sei que não quero te ver sofrendo.

Ainda naquele dia ele me fez prometer que eu não deixaria meu coração vencer essa batalha e se apaixonar. É claro que eu não consegui cumprir essa promessa, mas por que eu deveria quando ele também não conseguiu e cedeu antes mesmo que eu? Nós dois caímos em amores ao mesmo tempo e até hoje não sei dizer quem foi o primeiro a ceder em tudo isso, é bem provável que tenha sido os dois ao mesmo tempo.

Isso nem é tão importante. Existem tantas coisas importantes para serem contadas, principalmente o motivo pelo qual eu estou agora magoado com ele.

Mas, acho que para chegar lá, precisamos ir por partes.

Como ele sempre gostou de me dizer, tempo é algo muito relativo e cada um faz o seu tempo. Dizem que o amor é construído com o tempo, mas se cada um faz o seu tempo, isso significa que podemos escolher o momento em que cedemos ao amor? O momento em que desistimos de lutar contra esse sentimento e simplesmente nos entregamos a ele?

Eu demorei para admitir a mim mesmo o que já estava claro desde o início, sobre minha paixão por ele. Mas ele parece ter certeza disso há tanto tempo a mais que eu. Chega a ser assustador.

O tempo vai continuar a passar agora, da mesma maneira que passou nos últimos três anos, mas se ele ainda voltar para mim, então sentirei que o tempo simplesmente não existe, pois quando estou ao lado dele não existe tempo, não existe hora, não existe lugar. O mundo é nosso, o tempo é nosso, tudo é nosso.

Se ele apenas soubesse o quanto sinto sua falta e o quanto o quero ao meu lado, será que ele teria ido embora?

Não sei se mudaria de algo, mas eu não me arrependo nem um pouco de ter me apaixonado por ele, pois foi no momento em que ele me fez prometer que não me apaixonaria que eu simplesmente passei a amar o meu doce anjo da guarda.

Será que eu posso acelerar um pouco minha história com Jungkook? Não se preocupe, são apenas três semanas. Mas é que eu preciso chegar nisso, pois quando eu pensei que já tivesse perdido todas as pessoas que eu amava e que se preocupavam comigo, meu novo amigo resolveu dizer que partiria e, embora não fosse um adeus, eu senti como se fosse e o meu mundo desabou.

— Jimin, acho que agora que você já está se recuperando muito bem, é minha hora de partir, não concorda?

Essa foi a exata pergunta dele e eu me lembro de começar a chorar e xingar ele. Ele tentou me acalmar me abraçando, mas eu não podia sentir nada, então de que adiantava? Era como abraçar o vento, sendo que o vento eu ainda poderia sentir. Eu simplesmente queria mais que tudo senti-lo, mas nunca consegui concretizar perfeitamente esse sonho.

Lembro que fiquei tão alterado, que ele andou comigo até o piano que tinha na minha sala e sentou-se no banco, comigo sentado ao seu lado. É importante que eu conte isso, porque o que eu senti nesse momento foi inexplicável. Foi incrível, perfeito e eu ansiava por mais dele. Todos os segundos ao lado dele eram impecáveis, incomparáveis e completamente maravilhosos.


Step out the door and it feels like rain (Um passo para fora e parece que está chovendo)

That's the sound, that's the sound, on your window pane (Este é o som, este é o som, no vidro da sua janela)

Take to the streets but you can't ignore (Andando pelas ruas, mas você não pode ignorar)

That's the sound, that's the sound, you're waiting for (Aquele é o som, aquele é o som, que você estava esperando)


Lembro claramente, e provavelmente lembrarei para sempre, de Jungkook encostando naquelas teclas com tal suavidade. Ele cantava com tanta graciosidade, parecia mesmo um anjo com aquela sua voz, que penetrava meus ouvidos e me deixava como em estado de hipnose de tão encantado.

Com as palavras cantadas por ele meu desespero conseguiu aumentar ainda mais e eu ainda lembro que me escorei em seu ombro, me agarrei em seu braço e voltei a chorar. Eu sentia vontade de gritar, espernear ou até mesmo me atirar da janela do meu quarto, mas eu sei que ele me impediria. Suas palavras têm muita força para mim, elas têm um efeito tão forte que é quase impossível ignorá-las.


If ever your world starts crashing down (Se alguma vez o seu mundo começar a se desmanchar)

Whenever your world starts crashing down (Quando quer que o seu mundo comece a se desmanchar)

Whenever your world starts crashing down (Quando quer que o seu mundo comece a se desmanchar)

That's when you'll find me (É quando você me encontra)


Eu afastei meu rosto do ombro dele e o observei. Cada detalhe seu era tão perfeito. Suas roupas brancas e suaves, sua pele clara, seu cabelo escuro, sua voz, seu perfume. Tudo nele é simplesmente incrível. Ele não parece de verdade, parece ter sido desenhado detalhadamente.

A quem quero enganar? É possível de se perceber que eu o amo só por eu achar tantos detalhes perfeitos nele e eu, honestamente, cansei de negar tais sentimentos. Eu realmente o amo, mas acredito que eu ainda não soubesse disso naquela época. Eu sabia que estava apaixonado por meu anjo, mas tantas coisas aconteceram ao mesmo tempo que um pouco de confusão era admissível.

O que se pode fazer quando você se apaixonar por alguém que te toca, mas você não sente nada? O que fazer quando você se apaixona por alguém que não pode sentir o mesmo por você? Ele foi feito para dar amor a todo mundo, não para ser meu.


Yeah, God love your soul and your aching bones (Yeah, Deus ama sua alma e seus ossos doloridos)

Take a breath, take a step, meet me down below (Respire fundo, dê um passo, me encontre logo ali)

Everyone's the same (Todos somos iguais)

Our fingers to our toes (Nossos dedos das mãos até os dedos dos pés)

We just can't get a ride (Nós não podemos simplesmente pegar uma carona)

But we're on the road (Mas estamos na estrada)


Ele continuou a dedilhar o piano enquanto me olhava serenamente. Por mais que eu sentisse que ele pudesse entender o que eu estava sentindo, nada além de alegria era transmitido dele para mim. Contudo, por algum motivo, eu não estava sentindo aquela alegria. Talvez fosse pelo fato de minha tristeza ser maior, mas até agora isso não tinha sido um obstáculo tão grande.

Ou talvez a dor de saber que eu não fosse mais ter ele ao meu lado machucasse mais justamente porque aí eu estaria sozinho novamente e me perderia na minha própria tristeza, exatamente como eu estaria se ele não tivesse aparecido para mim.


If ever your world starts crashing down (Se alguma vez o seu mundo começar a se desmanchar)

Whenever your world starts crashing down (Quando quer que o seu mundo comece a se desmanchar)

Whenever your world starts crashing down (Quando quer que o seu mundo comece a se desmanchar)

That's when you'll find me (É quando você me encontra)


Eu sentia que depois daquilo eu o perderia. Agora vejo que eu estava enganado, ele não estava disposto a me abandonar. Diferente de agora, quando ele claramente ainda não voltou para mim.

Sinto que talvez fosse melhor se ele simplesmente tivesse deixado que eu me atirasse daquele quarto de hospital. Ele teria me poupado um grande sofrimento, e tudo bem que os três anos que passei ao lado dele me proporcionaram certa alegria, mas de que isso adianta se na maior parte do tempo eu apenas sofri?


Yeah, lost 'till you found (Perdido até ser encontrado)

Swim 'till you drown (Nade até se afogar)

Know that we all fall down (Saiba que nós todos caimos)

Love 'till you hate (Ame até odiar)

Jump 'till you break (Pule até se quebrar)

Know that we all fall down (Saiba que nós todos caimos)


Eu o encarava sem me preocupar com o que ele iria pensar daquilo, embora eu soubesse que ele não veria maldade alguma. E é claro que ele não deveria ver maldade nas coisas, até porque nunca deve ter vivenciado algo que o fizesse ter pensamentos maliciosos. Devo ser o único adulto de quem ele toma conta e, mesmo que haja outros, devo ter sido o único que gostou tanto dele que chegou a se apaixonar.

Será que esse amor que sinto por ele é normal? Será que é um amor bom? Porque tantas vezes eu já duvidei da alegria que ele podia me proporcionar. Tantas vezes já duvidei de que esse amor era real.

Bom, que ele é real eu posso provar, porque sinto mesmo que é. Apenas não posso dizer que é recíproco, pois está bem óbvio que inventei tudo na minha cabeça. Eu preferia não ter a habilidade de pensar e sonhar. Eu sofreria menos.


If ever your world starts crashing down (Se alguma vez o seu mundo começar a se desmanchar)

Whenever your world starts crashing down (Quando quer que o seu mundo comece a se desmanchar)

If ever your world starts crashing down (Se alguma vez o seu mundo começar a se desmanchar)

That's when you'll find, find me (É quando você encontrará, me encontrará)


Quando a música acabou eu estava novamente me debulhando em lágrimas e ele estava me abraçando, dizendo que tudo ficaria bem e que as pessoas que se preocupam com nós, nunca nos abandonam de verdade.

Eu queria que aquilo fosse verdade, mas eu simplesmente não aguentava mais tanta dor. Perdi meus pais e meu irmão. Perdi meu porto seguro e, com isso, perdi qualquer vontade de viver. E agora, para piorar mais um pouco, perdi a única pessoa a quem eu tive coragem de me apegar.

Viver para que? Para lembrar o tempo inteiro daquele acidente que agora me assombra mesmo que eu esteja acordado? É como viver um pesadelo. Foi por isso que naquele momento resolvi que acabaria com a minha vida.

Se você está lendo isso está percebendo que eu, infelizmente, falhei. Caso contrário, não estaria aqui contando isso. Sorte seria a de vocês de não ler a história de um menino depressivo que perdeu tudo.

Fui até o armário do banheiro onde minha mãe guardava seus calmantes. Ela sempre os mantinha longe de mim por eles serem muito fortes. Eu não sabia o que aquilo causaria em meu organismo, não sabia que quantidade tomar para acabar com minha vida, mas meu desespero foi tanto que tomei todos que tinham ali e não eram tantos assim.

Se eu tivesse morrido, teria dado adeus à minha vida em lágrimas, já que eu não conseguia parar de chorar enquanto ingeria aqueles comprimidos e a água.

O que eu poderia fazer? Não tinha mais ninguém para eu amar e me amar de volta. Eu não precisava viver.

Na verdade, eu precisava, só não tinha noção disso ainda.

○ ○ ○ ○ ○ ○

Pelo que entendi, eu acordei três dias depois do que aconteceu, deitado novamente em uma cama de hospital, com Jungkook me observando com certa preocupação estampada em seu rosto.

— O que houve?

O perguntei e ele negou com a cabeça, apontando em direção a enfermeira que estava na porta. Jungkook passou sua mão em meu rosto e desapareceu de minha vista. Fui interrogado pela enfermeira, que perguntava repetidas vezes o que eu tinha em mente ao me entupir de remédios. Quando eu falei que queria tirar minha própria vida ela chegou com um discurso de que nós temos um propósito no mundo e que precisamos viver o que nos foi destinado, até se assustou quando a mandei para o inferno. Não tinha paciência para alguém me dizer que eu precisava viver a minha vida quando eu mesmo não a queria mais e tinha bons motivos para isso.

Antes do acidente eu nunca teria pensado em tirar minha vida, mas ao perceber que nada tinha me restado, foi como se minha única saída fosse também morrer e me juntar a aqueles que uma vez me amaram.

Fui liberado dois dias depois de acordar e, assim que botei os pés em casa, vi um moreno de roupas brancas parado e de braços cruzados me encarando.

— Onde estava com a cabeça ao fazer aquilo, Jimin?

Jungkook permanecia de braços cruzados e eu apenas andei até o sofá e me sentei, me sentia um pouco fraco por ter passado cinco dias deitado em uma cama de hospital. Se querem saber como fui parar no hospital, eu só entendi isso um tempo depois. Jungkook falou para Yang Mi me fazer uma visita e disse que eu precisava de ajuda, então ela arrastou Sun Hee com ela, que me ajudou.

— Eu queria morrer. Não bastava ter perdido toda a minha família ainda iria perder você. Não podia prosseguir sofrendo. Eu não aguento mais sentir essa dor, Jungkook. Meu coração não para mais de doer. Estou cansado disso.

Desabei em lágrimas e ele rapidamente sentou-se ao meu lado e me abraçou. Me agarrei nele com todas as minhas forças, mas era a mesma coisa que abraçar o vento.

— Você precisa amar a si mesmo, Jimin. Você é a pessoa mais importante do mundo.

— Para quem, Jungkook? Porque para mim a pessoa mais importante nesse momento é você.

Ele continuou me abraçando, mas senti que algo, em sua aura talvez, havia mudado. Como se ele tivesse ficado sério do nada.

— Você não deveria dizer essas coisas.

— Está dizendo que eu deveria mentir?

— Para de ficar me perguntando tanta coisa.

— Para de agir desse jeito, Jungkook. Você age como se nada do que eu falasse te atingisse. Por que ser desse jeito comigo? O que ganha fazendo isso? Já não me basta tudo que aconteceu, não?

— Por favor, não faz um drama maior do que o necessário.

— Viu o motivo de eu querer morrer? Você é a única pessoa com quem eu posso conversar e aí você age desse jeito. Será que não percebe que eu gosto de você e que te quero por perto?

— Me perdoa por agir desse jeito. Eu tive uma discussão com o anjo responsável por meu destino. Não foi algo agradável.

— Por que discutiu com ele, Jungkook?

— Porque eu preciso ficar mais tempo com você do que pensava e tive que transferir outras pessoas que seriam minhas obrigações para outros anjos. Mas agora está tudo bem, ele meio que entendeu e permitiu que eu fique ao seu lado. Não vou sair do seu lado, Jimin. Eu mantenho as minhas promessas.

E lá eu estava o apertando mais ainda contra mim, tentando inutilmente sentir qualquer coisa, mas apenas a vontade de sentir algo era o que eu recebia.

Ele disse naquele momento que cumpria suas promessas. Hoje por saber dessa mentira sinto uma dor em meu peito apenas por lembrar que ele, sendo um anjo, mentiu para alguém que estava frágil e iludido. E digo iludido porque está bem óbvio que mergulhei de coração, corpo e alma nesse amor. Um amor que apenas me despedaçou.

Um amor que serviu para me alegrar e depois destruir. Quando as pessoas diziam que o amor nos fazia sofrer, eu não acreditava, mas agora essa é a minha única certeza.

É engraçado como as coisas mudam, como tão pouco pode significar tanto. Por exemplo, eu podia não senti-lo, mas mesmo assim ele permaneceu me abraçando e me acariciando, tentando da sua maneira me passar conforto.

— Você pode pensar que o mundo é horrível, Jimin. Pode pensar que as coisas nunca vão melhorar. Mas eu te garanto que as coisas boas ainda estão por vir. Se você tiver força de vontade, poderá ter o mundo.

Ele podia dizer aquelas lindas palavras para qualquer pessoa e os mesmos se contentariam imediatamente. Mas não eu. Eu não queria o mundo, eu queria ele. Estava claro em minha mente que ele nunca poderia me querer, talvez não por falta de sua vontade e sim por realmente não poder.

Talvez ser ele não fosse tão interessante quanto aparentava. Ou talvez ser proibido de fazer tantas coisas fosse até melhor. Imagine nunca sofrer, nunca ter que se apaixonar e ter amor dentro de si o suficiente para dar a outras pessoas? De repente era melhor do que ser um humano como eu.

— Você pode pensar que sua vida é formada apenas por tempestades e mais tempestades, mas o sol irá brilhar para você, Jimin. Basta você querer e não desistir. Por favor, não desista da sua vida. Eu peço tanto que Deus cuide de ti e te proteja. Eu não quero te perder.

Talvez fosse aquilo o que eu precisasse ouvir. Mas ainda assim eu parecia precisar de algo a mais dele. Eu posso ser muito egoísta, mas o que posso fazer? Eu o quero, quero só para mim. Não queria ter que dividi-lo, emprestá-lo para um outro alguém.

E é claro que nunca o tive... E se tive, talvez tenha desperdiçado a minha maior chance de todas, pois o perdi e é provável que eu nunca mais o veja.

Naquele momento eu o disse que precisava dele para viver, ele disse que eu não deveria pensar assim e novamente falou que eu sou a pessoa mais importante do mundo. Um tempo mais tarde ele disse que eu era a pessoa mais importante do mundo para ele, ainda que eu achasse que ao falar isso ele se referia apenas a mim.

Posso dizer que tais palavras me surpreenderam, já que eu nunca esperaria algo assim vindo dele. Ele sempre fora tão fechado em relação ao que sentia ou deixava de sentir, que muitas vezes me perguntei se ele sentia mesmo alguma coisa. O perguntei se ele podia sentir minha pele ao me tocar e me surpreendi mais ainda por saber que, assim como eu, ele nada podia sentir.

A não ser, claro, que ele deixasse de ser um anjo, coisa que aconteceria caso ele cometesse o erro, como ele mesmo disse, de se apaixonar por um humano. Seria como ser expulso. Eu pensei que isso poderia acontecer entre nós. Pensei que ele se tornaria humano e viveríamos juntos. Porém é óbvio que nada do que eu pensei chegou a acontecer.

Dias depois acabei conhecendo outro anjo, um que era amigo de Jungkook, muito querido por sinal. Seu nome era Jin e confesso que me apavorei quando o vi pela primeira vez. Achei que Jungkook tivesse ido embora e me transferido para outro anjo, mas na verdade esse outro anjo apenas queria conhecer quem era o famoso Jimin que tanto falava com Jungkook. Pelo menos foi essa a explicação que ele me deu e depois não me largou mais. Ainda nos falamos, acho que posso chamá-lo de amigo, se é que um anjo pode ser seu amigo.

— Por que resolveu me conhecer? Pensei que precisasse tomar conta de outras pessoas.

Eu o disse no mesmo dia em que nos conhecemos, então ele abriu um enorme e radiante sorriso e tocou minha mão. Eu o senti. Puxei minha mão sem acreditar que estava o sentindo e novamente me aproximei dele, encostando em sua pele mais uma vez.

— Como eu posso te sentir? Eu não sinto Jungkook.

— Vou te explicar. Você não é o primeiro humano mais velho de quem ele cuida, sabe? Cerca de cem anos atrás Jungkook cuidava de um menino, tão encantador como você. Ele era feliz cuidando daquele garoto, porém acabou se apaixonando e pediu para ser transformado em humano, assim poderia viver o seu amor. O único problema, é que o garoto sofreu um acidente com sua família e acabou morrendo, destruindo assim o coração de Jungkook. Ele pediu para voltar a ser anjo e conseguiu, mas teria que abrir mão da sua habilidade de sentir o toque de qualquer pessoa que fosse, além de a pessoa também não poder senti-lo novamente.

— Isso me parece um pouco com a minha história.

— Ligue os pontos, Jimin. Não é tão complicado quanto parece ser.

E aos que pensam que já entendi ao que ele se referia, estão enganados. Eu nunca entendi. Jin sempre se negou a me explicar.

O barco chamado minha vida poderia ter continuado a afundar, mas a partir daquele momento eu encontrei em Jin um amor familiar tão maravilhoso que nunca mais o deixei ir embora. Ele sempre cuidava de mim quando as palavras de Jungkook não eram o suficiente, me abraçava quando eu precisava e me consolava. Afinal, ele sempre soube de meu amor por Jungkook sem eu nem mesmo precisar falar algo.

E isso me faz pensar:

Será que Jungkook também sempre soube?

Para não se cansarem de mim, vou acelerar mais os fatos. Eu, Park Jimin, já passei por muitos momentos nesses três anos onde eu tive vontade de desistir de tudo, de mim, minha casa, minha vida, tudo. Eu digo desde o início que Jungkook me abandonou e talvez esse seja o momento certo de eu dizer a vocês o motivo de eu pensar isso.

Para começar, vamos desde o início. Três dias atrás, quando tudo aconteceu, ele tinha passado a noite em meu lado, pois eu não conseguia parar de chorar. Eu só sabia dizer que eu não era importante, da mesma maneira que minha vida não valia nada aos meus olhos.

Ele ficou dizendo que eu não deveria pensar desse jeito, que eu valia a pena e que muitas pessoas se importavam comigo. Com muitas pessoas, eu diria que Yang Mi, Sun Hee, ele e Jin eram os que se preocupavam. Ou aparentavam se preocupar e Jin ainda era mais que os outros.

Para constar, eu dei um jeito em minha vida. Voltei a estudar — dança, é claro — e comecei a trabalhar em uma escola de dança, já que, segundo Jungkook, eu não podia desistir das coisas apenas por estar demasiadamente triste.

Na tarde de sábado, após o almoço, eu me deitei para descansar a cabeça. Estava explodindo de dor e queria apenas dormir até a dor ir embora. Nesse exato momento, na terça-feira, estou apenas relembrando de tudo isso, pensando no quanto eu queria que as coisas tivessem dado certo. Não consigo nem me concentrar em meu trabalho. Mas voltando ao sábado.

Eu estava reclamando sobre minha vida, como de costume, dizendo que ninguém se importava o suficiente, inclusive eu mesmo.

Provavelmente irritado com a minha exagerada atuação de pura tristeza, Jungkook andou até a cama onde eu estava deitado, subiu na mesma e se sentou sobre minhas pernas. Eu queria poder dizer que senti algo além de meu coração acelerado como nunca, mas a verdade é que mais uma vez eu não o sentia. Já estava até me acostumando a isso.

Quando ele se inclinou sobre mim eu não senti nem mesmo sua respiração. Lembro-me de que fechei meus olhos após ver ele fazer o mesmo e senti um leve formigamento, provavelmente provocado pelo fato de que ele estava me beijando. Foram segundos, segundos que foram mais especiais do que toda a minha vida. Meus vinte e um anos de idade não significaram tanto quanto aqueles breves segundos.

Ao abrir os olhos, apenas a lembrança do rápido formigamento e a leve sensação de paz e calma foi o que permaneceu, já que sua presença agora estava presente apenas em meus pensamentos. Seu corpo, ou a ilusão do mesmo, já havia ido embora.

Tentei chamar por ele, chorar, mas de nada adiantou. Ele havia quebrado sua promessa, havia abandonado a mim e aquela era a única certeza que permanecera visível aos meus olhos.

Nunca vou esquecer essa dor, sei que ela nunca passará. Passaram-se três dias e ele simplesmente não voltou para mim. Ele nunca ficou tanto tempo longe de mim.

Ele sempre permanecia ao meu lado até que eu dormisse e fazia carinho em mim, mesmo sabendo que eu não sentia. A intenção dele era o mais importante. Agora eu simplesmente sinto que não sei mais nada sobre ninguém no mundo, muito menos sobre eu mesmo.

Agora eu estou aqui, encarando os novos alunos de dança onde trabalho e, honestamente, queria que todas eles pegassem fogo. A culpa é minha. Eu deveria ter seguido em frente sem ter me apaixonado por ele. Ele deveria ter permanecido sendo apenas meu anjo da guarda, mas eu estraguei tudo.

Minha chefe me liberou por dizer que eu estava muito disperso e, assim, segui para casa, triste e desolado. Era uma das únicas coisas que eu podia fazer agora. Eu quero seguir minha vida, quero pensar que as coisas podem andar para frente sem as lembranças conturbadas do meu passado. Mas essa é apenas mais uma mentira que conto a mim mesmo.

Nem mesmo as visitas frequentes a psicólogo e psiquiatra surtem efeito.

A verdade é que eu permaneço querendo ele e, mais que isso, querendo saber o motivo de ele ter partido sem nem dizer adeus. Essa era a importância que ele dizia que eu tinha? Pois se era, eu preferia não ser importante.

Ao chegar em casa, encontrei Jin atirado no meu sofá com o seu sorriso de sempre. Ele percebeu como eu estava e me apertou firme quando simplesmente, e literalmente, desabei em seus braços e comecei a chorar.

— O que houve? — Perguntou-me de seu jeito usual. Sua voz me acalmava tanto quanto a de Jungkook.

E antes que perguntem: Não me apaixonei por ele. Ele é meu amigo. O que sinto por ele é um amor normal que temos por nossos amigos.

— Você sabe o que houve. — Falei com desespero. — Ele me abandonou. Ele quebrou a promessa dele.

— Espera... — Jin levantou e me encarou confuso. — Por que ele te abandonou? Isso não faz sentido. Ah, isso só pode significar uma coisa. Droga, Jungkook, de novo não.

— O que você está querendo dizer? Me fale logo, Jin, não use curvas, por favor. — Pedi aflito, vendo-o em pé andando de um lado para o outro.

— Ele só pode ter se apaixonado por você, por isso se afastou. Ele tem medo de sofrer de novo. É claro! Agora faz sentido. — Jin continuava falando como se estivesse conversando consigo mesmo, ignorando completamente minha presença ali, sem se importar de eu estar bem na sua frente. — Sinto dizer isso, mas só tem um jeito de ele voltar para você, já que ele não vai escutar conselho meu e se machucar de novo.

— Me fala! Eu faço qualquer coisa. — Disparei as palavras e ele negou com a cabeça, soltando um suspiro e sentando-se novamente. — Por que não quer me dizer?

— Você precisa beijar alguém. Machucar o coração dele. É o único jeito. — Jin disse um pouco desapontado, novamente negando com a cabeça.

— Então me beija! — Aquilo foi praticamente uma ordem. — Se esse é o único jeito, eu te imploro, me beija.

— Desculpa, Jimin, mas eu já tenho o meu humano querido. Não posso fazer isso com ele.

— Amigos vêm em primeiro lugar. — Tentei. — Por favor. Eu juro que nunca mais te peço nada.

— Não, Jimin. Não posso fazer isso. — Novamente ele se levantou e se aproximou de mim. — Queria poder ajudar, mas não posso. Não com isso.

— Por favor. — Pedi cabisbaixo, literalmente agindo feito uma criança.

— Ah... eu vou me arrepender tanto disso. — Mais um suspiro foi o que ouvi.

Jin me puxou para mais perto e então juntou seus lábios nos meus. Por mais que eu não tenha sentido Jungkook quando o mesmo me beijou, ainda assim senti uma coisa diferente, um certo nervosismo, algo assim. Eu gostava de Jin quase que como se ele fosse meu irmão, então era estranho beijá-lo.

Esse é o tipo de coisa que se faz por amor. Se essa é a única maneira de eu ver Jungkook de novo, então que seja assim. O beijo não durou muito, fomos interrompidos por um estrondo na sala.

— Eu posso saber o que isso significa?

Quando olhei na direção de quem tinha pronunciado as palavras, quase senti meu coração parar de bater. Jungkook estava ali, parado de braços cruzados e com uma péssima expressão no rosto.

— Vou ter que perguntar de novo? — Novamente ouvi a voz dele e minha vontade era simplesmente abraçá-lo, pronto para nunca mais soltar.

— Jungkook, até que enfim você apareceu. Eu estava sentindo sua falta, preocupado com você. — Falei com um sorriso enorme, mas fui ignorado por ele, que nem tinha seus olhos em mim.

A maneira fixa que ele encarava Jin chegava a assustar. Nunca o vi com um semblante tão carregado quanto aquele que estava em seu rosto agora. Senti até um arrepio com a maneira penetrante que ele encarava meu amigo.

— Fiz isso pelo bem de vocês dois, Jungkook. Você sabe muito bem disso, além do mais... — Jin falava, mas fora bruscamente interrompido e eu cheguei a estremecer.

— Vai embora! — Ordenou com raiva, realmente eu nunca vi Jungkook assim. — Depois eu me resolvo com você. Tenho coisas pendentes para o momento.

Jin disse um se cuida para mim, mesmo sendo ameaçado pelo olhar de Jungkook e desapareceu. O silêncio se tornou horrível, eu nem mesmo conseguia olhar nos olhos de Jungkook. Apenas me sentei e senti seu olhar em mim, senti também que o ar ficou mais leve quando ele se sentou ao meu lado.

— Então... — Comecei. Foi a melhor maneira que encontrei de quebrar o silêncio e admito que não foi uma atitude muito inteligente.

— Pode perguntar. Não vou mais fugir de você ou de suas perguntas. — Finalmente me encarou, então também o encarei.

— Por que foi embora? — Comecei com uma pergunta simples. Não conseguiria arrancar grandes coisas se fosse afobado.

— Porque eu fiquei nervoso, demais até... — Um olhar triste estampou seu rosto e aquilo me doeu. — E eu acabei tendo coisas para resolver.

— Que coisas? — Minha curiosidade é meu pior defeito. Odeio ser tão curioso.

— Coisas. — Repetiu ele. — Não se referem a você. Eu não cuido mais de Yang Mi, entende? Precisei interferir no plano terreno para poder ajudar ela e isso me causou uma advertência das graves. Assim como a do Jin causou a perda do amor dele... — Soltou um suspiro.

— Como assim? — Confusão provavelmente estava estampada em meu rosto. O que ele queria dizer com aquilo?

— Estou irritado demais com ele para defendê-lo agora. — Jungkook disse secamente. — O que mais quer perguntar?

— Por que você me beijou? Você gosta de mim? — Ele deu um sorriso fraco, negando com a cabeça e, por algum motivo, aquilo me incomodou. — Não gosta?

— Não. — Negou ele. — Eu te amo, Jimin.

— Oh... — Se eu estou surpreso? Mas é óbvio. Não consigo nem acreditar em uma coisa dessas. — Eu também te...

— Não, isso só vai deixar as coisas piores. — Novamente estava a tristeza em sua face e, mais uma vez, senti uma dor enorme me invadir.

As coisas com Jungkook sempre precisam ser assim? Alegria absoluta ou uma tristeza destruidora? Por que sempre tudo com ele precisa ser aos extremos? Por que sempre estamos muito bem ou quase morrendo? Nunca vou entender, mas algo muito injusto deve ter acontecido com ele, caso contrário ele não agiria desse jeito e não seria tão repleto de segredos que se nega a me contar. A maior parte do que sei sobre Jungkook eu descobri com Jin, pois eu conseguia comprá-lo com chocolate. Dá para acreditar que os anjos não são acostumados a comer? Pois é. Eu não sabia disso quando ofereci doce a Jin e então ele acabou se viciando. Sendo honesto, isso não é de todo o mal, até me ajudou bastante.

— Eu quero você, Jimin, mas eu não posso te ter. O universo já me provou isso mais de uma vez. — Jungkook estava cabisbaixo, pude jurar até mesmo ter visto uma lágrima escorrendo por seus olhos. — Eu preciso ir...

— Quando você volta? — Me levantei e agarrei seu braço quando ele também levantou.

— Eu não vou voltar. — Disse sem muita firmeza. — Acredito que isso seja um adeus...

— Eu me nego a dizer adeus a você. — Falei já aos prantos. — Não, você não pode fazer isso comigo, por favor...

— Eu preciso. Vai ser o melhor para nós dois. — Afirmou com a cabeça, se aproximando de mim e me abraçando.

Me grudei nele como se minha vida dependesse disso, chorando como nunca. Meu coração estava doendo a cada batida mais, não sei nem explicar como isso é possível. Eu queria ter o poder de prender Jungkook aqui para que ele nunca mais fosse embora, mas sei que ele desapareceria feito pó, então não iria adiantar de nada prendê-lo.

Quando nos afastamos do abraço não consegui me aguentar, me aproximei e o dei um selinho demorado. Sabia que não era o momento para um beijo clássico de filme, sabia que ele me afastaria, fora que nem tinha clima para isso.

Lágrimas rolavam pelo rosto de nós dois, ambos sabíamos o que aquilo significava e provavelmente a dor era igual para nós dois. Decidi então que não era justo eu ser egoísta a ponto de pedir para que ele ficasse. O meu amor falava mais alto do que minha vontade de ter ele ali comigo para sempre.

Ele mais uma vez me encarou, me deu um último selinho e sussurrou um adeus, sumindo em seguida. Queria eu dizer que fiquei chorando feito uma criança na minha cama, mas a verdade é que eu apenas me escorei nela e me botei a pensar. Eu poderia ter esperneado, mas de que adiantaria forçá-lo a ficar aqui contra sua vontade?

Não vale a pena fazer alguém infeliz só para que você fique bem. Isso nunca vale a pena. Estava tão imerso em pensamentos que nem mesmo percebi quando caí no sono, só descobri isso porque fui acordado nem um pouco delicadamente por alguém se atirando em cima de mim. Abri os olhos e vi que era Jin.

— Que maravilha acordar sendo sovado que nem um pão caseiro. — Falei irônico, coçando os olhos e vendo ele sentar-se ao meu lado. — Você parece feliz. Se acertou com Jungkook?

— Sim. — Disse em meio a um sorriso. — Precisamos conversar.

— Sobre? — Não estava com muita vontade de ter uma conversa agora, mas como ele sempre me animava, resolvi arriscar e ouvi-lo.

— Muitas coisas. — O sorriso desapareceu de seu rosto. — Eu tenho permissão de te contar as coisas que aconteceram, já que eu tenho certeza de que você não ligou os pontos como mandei.

Me botei a pensar sobre o que ele poderia estar falando. Será que era sobre o garoto pelo qual Jungkook fora apaixonado um século atrás? Porque se fosse, eu realmente não tinha ligado ponto nenhum, nem tinha pensado em como fazer isso.

— Você era o garoto. — A simplicidade em sua voz me assustou mais do que as palavras em si. Jin era sempre tão direto. — Por isso não fui a fundo nos detalhes. Bom, não era exatamente você, era o você de cem anos atrás. E o acidente que vocês sofreram foi de bonde e não de carro.

Se estou chocado? Claro que estou. Que história toda é essa? O meu "eu" da minha vida passada estava interligado a Jungkook? Isso explicaria o motivo de ele ter se apegado tão rapidamente a mim, da mesma maneira que me apeguei a ele. Mas eu não entendi ainda uma coisa...

— Você está muito pensativo. Qual a dúvida? — Perguntou me olhando.

— Hoje ele disse que me amava. Se ele me ama e eu também o amo, o que nos impede de ficarmos juntos?

— Nossos destinos são traçados no momento em que nascemos, Jimin. Ele sabia que você sofreria um acidente e sofreu durante todo o seu crescimento. — Explicou-me. — Vendo que meu melhor amigo já havia sofrido demais para um anjo, eu me meti no plano terreno e te salvei do acidente, eu literalmente me atirei em você, mas como eu não estou bem vivo, apenas senti uma dor no corpo. Sei que agora deve estar pensando o motivo de eu não ter salvado sua família, mas eu realmente não pude. Foi tudo tão rápido, que as ferragens se cravaram em mim ao invés de você. — Eu o encarava pasmo. Aquilo parecia um pesadelo, mas o abracei mesmo assim. — Por que está me abraçando?

— Porque você me salvou e se machucou só para ver seu melhor amigo feliz. — Esclareci. — Mas se Jungkook sofreu uma advertência por ter se metido em plano terreno, você também sofreu, não?

Seu olhar se tornou triste. Me perguntei mentalmente se não foi uma má ideia ter tocado no assunto e acabei por descobrir que não foi uma má ideia: Foi péssima.

— Não precisa falar... desculpa. — Falei, desviando meu olhar do dele.

— Lembra que antes de te beijar eu falei que tinha o meu humano? — Assenti. — Eu não tenho mais... Desde que te salvei. Essa foi a minha punição. Ele não pode mais me ver...

— Eu sinto muito, Jin. — Mais uma vez o abracei. — Seria demais perguntar qual foi a punição de Jungkook? Isso tem algo a ver com o motivo de ele ter partido?

— Ele quer assumir a minha punição, pois agora ele finalmente teve a chance de te dizer adeus, coisa que da última vez não pôde. Ele não pôde nem dizer que te amava e agora ele conseguiu. — Eu apenas assenti, mais uma vez. — Não se preocupe, eu não vou permitir que ele faça isso.

— Permita. — Me exaltei. — Você merece ser feliz, Jin. — Ele sorriu triste.

— E eu vou ser. Por isso mesmo que não posso permitir que ele faça isso. Eu vou virar humano. — Seu sorriso novamente aumentou. — E quero convencer Jungkook a fazer o mesmo, mas acho que não tenho força o suficiente para isso. Precisarei deixar essa tarefa em suas mãos.

Em minhas mãos? O que Jin tem na cabeça para pensar que Jungkook iria me ouvir já que até agora preferiu não ligar muito para o que eu quero ou penso?

Jin permaneceu mais um pouco comigo, me prometendo que convenceria Jungkook a voltar nem que fosse para um último abraço, mas não deixei minha esperança crescer muito. Eu sabia das chances que tinha de aquilo acontecer e sabia dolorosamente que eram poucas. Fiquei pensando sobre o que faria para convencer Jungkook, o que o diria, se o abraçaria ou apenas falaria, se o beijaria ou apenas diria que o amo.

Como sempre minha mente é um turbilhão de perguntas, sensações e sentimentos, coisas que nem sei explicar ou entender o motivo de me perturbarem tanto. Apenas sei que dói não ter o controle das próprias emoções ou do que vai acontecer no dia de amanhã. É estranho e não de um jeito normal, e sim de um jeito sufocante.

É doloroso como só perder alguém pode ser e nisso eu posso dizer que tenho experiência. Perdi minha avó quando era criança, perdi meu pai, minha mãe e meu irmão três anos atrás, perdi Jungkook e agora estou a ponto de perder mais uma pessoa, talvez a mais difícil de se recuperar:

Eu mesmo.

Jeon Jungkook

Abri meus olhos pela primeira vez naquele dia e percebi que não me encontrava onde deveria, afinal já estava escurecendo e logo eu precisaria tomar conta dos meus humanos. Eu estava perto de Jin ao invés de meu local de descanso. Por que eu estava perto dele? Eu não saberia responder, mas também não me esforcei para lembrar.

Anjos não costumam sentir dor física, apenas emocional, mas por algum motivo eu sentia minha cabeça latejar um pouco. Talvez fosse um pressentimento ruim, mas mais uma vez eu não conseguia entender o que aconteceu e ainda estava acontecendo.

— Jungkook. — Ouvi a voz de Jin e olhei em sua direção. — Se sente melhor?

— Melhor? O que houve? — Perguntei, coçando meus olhos e sentando na cama em que me encontrava.

— Você fez um rio de lágrimas no meu quarto. — Jin parecia um pouco inconformado por eu não me lembrar. — Você ficou dizendo que Jimin não te amava e que você só sofria com o amor.

Acho que lembrei. É tudo tão confuso na minha cabeça. Eu lembro que estava triste e que recorri a Jin, já que ele é o meu melhor amigo, mas eu não lembro muito bem do que aconteceu após isso. Talvez não seja importante. Talvez eu só tenha fechado os olhos e descansado, não é? Eu não saberia dizer, mais uma vez.

Eu ainda tinha certo receio com Jin, principalmente depois que o vi beijando Jimin. Eu entendia os motivos que o levaram a tal ato, mas a parte ciumenta e protetora de mim falava mais alto. Eu sentia que não precisava proteger Jimin se Jin estivesse por perto. É claro que isso é apenas loucura da minha cabeça, mas é o que eu sinto.

Eu conheço Jin a mais tempo do que posso lembrar e em todos esses muitos anos ele sempre esteve ao meu lado e me apoiou como o verdadeiro melhor amigo que é.

Quando as coisas deram errado com Jimin na primeira vez, Jin foi o único que me apoiou e ainda me ajudou a voltar para o mundo dos anjos. Ele sempre esteve ali por mim da mesma maneira que eu sempre estive ali por ele. E agora ele não é mais um anjo. Agora ele é humano novamente e só consegue me ver por eu ter lembrado de fazê-lo me escolher como seu anjo da guarda. Caso contrário, ele jamais me veria novamente.

— Goo... Você precisa visitar ele. — Me informou Jin e eu apenas o encarei sem nada dizer. — Entendo os seus medos e receios, entendo que você queira manter seu coração à salvo, mas Jimin não está bem e sei que você também não está. Você é o meu melhor amigo e por isso eu sei o que estou dizendo, tudo bem? Visite ele, nem que seja para tomar conta do sono dele.

E eu apenas assenti. Nunca dava certo teimar com Jin e quando eu o contrariava as coisas mudavam bruscamente de direção. Além de Jimin, a única pessoa que eu consigo amar por querer é ele.

E como assim por querer? Nós anjos amamos por instinto qualquer pessoa da qual tomamos conta e cada um de nós é responsável por inúmeras crianças. Como já sabem, o único adulto que me via era Jimin e agora Jin, mas por motivos diferentes e isso eu acho que já foi explicado. Já Jin cuidava também de um humano adulto e, assim como eu, caiu na tentação de se apaixonar. Mas por conta do destino de Jimin, Jin mudou o rumo das coisas e foi penitenciado a nunca mais poder ser visto pelo seu grande amor. E eu, tentando salvar Yang Mi de uma parte de seu destino, e no passado quando salvei o Jimin de sua vida passada, fui condenado em nunca mais poder sentir nada e, quem me tocasse, também não sentiria. Isso é horrível, não é?

Sim, ainda mais quando Jimin precisou tanto de um abraço e meus braços não podiam lhe passar o aconchego que ele tanto necessitava. Sei que o que fiz foi pelo bem deles, mas a minha condenação acabou afetando outras pessoas das quais eu cuido.

Eu aguardei escurecer um pouco mais antes de ir até Jimin. Não queria que ele me visse, queria pegar ele já dormindo. Acabou que só fui até ele na madrugada. Quando cheguei, encontrei ele dormindo e com uma caixinha de lenços ao seu lado. A televisão ligada mostrava o final do filme Cidade dos Anjos. Senti aquilo como uma indireta. Aquele filme realmente combinava com a minha história com ele, em alguns aspectos, mas não em todos. Embora o filme seja fantástico, estamos aqui falando da vida real e na vida real eu não posso nem mesmo permitir agora que Jimin me veja. Se ele me ver, não me deixará partir e a última coisa que eu preciso ver é ele novamente chorando por culpa minha.

A pior dor que eu já senti, além de presenciar a morte de Jimin, foi ver ele chorando quando eu fui embora. Eu fiquei olhando-o para impedir que ele fizesse alguma besteira, mas eu senti tanta dor de ver seu sofrimento que fui mesmo embora. E então passei aqueles três dias sem falar com ele após beijá-lo e senti que ele me odiava. Mas sabem o que é pior?

O amor dele não diminuiu, apenas aumentou e se fortificou ainda mais. Eu não conseguia entender como cabia tanto amor no coração de um humano quanto cabia no dele. Eu consigo ver os humanos adultos e sei muito bem que a maioria deles tem o coração tão repleto de maldade que todos deveriam estar em uma prisão. Eu nunca consegui entender como alguém era capaz de tirar a vida de outra pessoa apenas por sentir vontade. Nunca entendi o motivo dos humanos magoarem uns aos outros, mas então eu percebi algo importante.

Eu sou um anjo, devo passar luz, alegria e amor para as pessoas e eu magoei alguém. Eu fiz alguém chorar. Eu fiz algo que não deveria, então quem sou eu para julgar? Talvez eu não seja tão inumano quanto julgam que eu seja.

Jimin não parecia estar tendo um sonho bom, parecia ofegante e com o coração batendo forte. Passei a acariciar seu rosto e seus cabelos e o fiz ter um sonho doce. Criei uma imagem em sua mente assim como eu fazia logo que sua avó partiu. Ele gostava de sonhar com ela, mas dessa vez eu fiz um sonho diferente.

Era uma tarde de algum dia, Jimin e sua família estavam no campo. Seu pai, sua mãe, sua avó e seu irmão. As pessoas que ele ama. Eles estavam sorridentes e riam por qualquer coisa. Jimin estava feliz. Um garoto, ou melhor, eu, chegou já entrelaçando sua mão na de Jimin e o abraçou.

O semblante de Jimin agora estava tão sereno e sua respiração tão calma, que lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Eu o deixei um pouco mais alegre, mas de nada adiantava se ele fosse acordar para continuar pensando em uma ilusão que eu criei. Sua família não vai voltar e, bem, nem eu. Eu não posso cometer o mesmo erro duas vezes, não posso permitir que ambos saiamos machucados de novo.

Eu realmente posso parecer um covarde por estar fazendo isso, mas é apenas medo. Medo de perdê-lo de novo, medo de novamente o ferir, medo de sair de coração partido.

Até mesmo medo de amar.

Eu queria que tudo fosse mais fácil, mais simples, mas nada nunca vem fácil. Pelo menos não da maneira que se vai. É muito mais fácil perdermos algo do que ganharmos, fora que sempre perdemos em maior quantidade. Eu não posso dizer que sei quando me tornei um anjo, porque pelo que eu entendi eu fui criado para ser um anjo. Eu queria lembrar de algum detalhe que possa ter passado desapercebido, mas em todos esses anos nada nunca pareceu fazer sentido.

E então eu olho para Jimin. A melhor obra desse mundo. A criatura mais linda que eu já vi em minha vida. Ele é uma obra de arte que eu queria que estivesse exposta apenas para mim. Eu daria tudo para ver ele sempre sorrindo. Queria poder apagar todas as suas mágoas e pegar para mim todas as suas dores, mas quem sou eu para fazer isso?

Eu sou apenas um anjo com medo. Não posso mudar o passado ou escrever meu futuro. Eu preciso apenas aguardar e agora sei que irei viver para sempre com essa culpa enorme em meu peito.

Jimin me ama e eu também o amo. E aí eu pergunto: Será que precisamos de algo além de nosso amor?

Talvez eu nunca saiba a resposta.

○ ○ ○ ○ ○ ○

Saí da casa de Jimin com muito custo, porém com uma determinação sem igual. Eu precisava falar com Yoongi, o chefe de nós anjos. Eu precisava pedir uma segunda chance a ele, precisava que ele permitisse o meu retorno ao mundo humano. Eu não podia continuar longe de Jimin por nem mais um segundo.

Precisava abraçá-lo e sentir seu calor, sentir seu toque. Precisava sentir seu beijo, precisava sentir tudo que ele pudesse me proporcionar. Eu o amava, só isso importava.

— Yoongi. — Chamei, me aproximando lentamente dele. — Eu tenho um pedido a fazer.

— Eu sei. — Sorriu para mim. — A resposta é não.

— O que? Por que? — Eu já estava me sentindo derrotado.

— Jungkook, meu querido, você sabe o que aconteceu da última vez. — Yoongi me olhou um pouco triste, mas logo voltou a sorrir. — Não quero que sofra.

Me senti inconformado. Eu já estava sofrendo e se fosse apenas para sentir o abraço de Jimin eu não me importaria de sofrer mais um pouco. É horrível amar alguém, ser amado de volta e não poder sentir a pessoa. É horrível, no maior nível possível.

— E se fosse só por uns dias? — Novamente tentei, mas tive meu pedido negado.

Eu só não esperava que ele dissesse o que me disse a seguir:

— Se for amor de verdade, você se libertará do mundo dos anjos em um piscar de olhos, ou um mísero toque. O destino trabalhará por conta própria. Eu não estou permitindo que você vire humano, mas não estou negando as chances de isso acontecer. Boa sorte, Jungkook!

Eu sorri tristemente, me sentindo derrotado por não ter conseguido a simples aceitação de meu pedido. Eu só queria uma nova chance, mas nem isso não fui capaz de conseguir.

Saí dali e fui de encontro a Jin. Precisava do meu melhor amigo, agora mais do que nunca. Eu sentia que estava me despedaçando lentamente e não era nem um pouco boa a sensação. Cheguei em sua atual casa e comecei a desabafar.

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Falei sobre meu medo de não ser verdadeiramente amado por Jimin, falei do meu medo de nunca poder ficar com ele, falei do meu medo de algo acontecer com ele. Eu basicamente falei que tinha medo e que tudo que eu sentia, fosse medo ou boas sensações, era relacionado diretamente à Jimin. E, novamente, não era bom.

— Você precisa se acalmar. — Jin disse quando eu finalmente fiquei em silêncio, depois de uns quarenta minutos falando sem parar. — Você quer dar um passo maior que a sua perna, Goo. Isso não é bom, nem saudável. Você não pode ficar desse jeito. Me escuta, eu sei que as coisas não são fáceis, nunca foram nem nunca vão ser, mas desistir nunca foi algo que você fizesse. Você lutou durante muitos anos por esse amor impossível para acabar com isso de repente. Você provou que nós anjos podíamos amar por escolha e provou que somos capazes de nos apaixonar, provou que isso não é um amor tão impossível quanto aparentava. Você mostrou a todos nós que nada, absolutamente nada, é impossível. Não vou permitir que desista agora.

E a seriedade com que ele disse aquelas palavras me convenceu de um jeito anormal. Eu sabia que ele estava certo e sabia que sempre poderia confiar em suas sábias palavras. Jin era mais velho e muito mais experiente que eu, além de muito mais sábio, esperto e inteligente. Ele sempre tinha os melhores conselhos e dificilmente errava suas projeções. Não é à toa que eu fiquei durante uns bons meses em dívida com ele por não ter acreditado que Jimin seria capaz de se apaixonar de novo por mim.

A questão, é que Jin sempre foi aquele com quem eu podia contar e sempre foi o que mais me ajudou, sem pedir absolutamente nada em troca. Isso é o que eu chamo de amizade verdadeira e duradoura, são mais de cem anos de amizade.

Suspirando de maneira frustrada e me sentindo derrotado mais uma vez, saí para andar pela rua, espairecer um pouco. Só voltei para algum lugar quando já era para lá de meia noite. Entrei no quarto de Jimin e sentei-me ao seu lado na cama, passando a acariciar o seu rosto de maneira tranquila e delicada.

— Jungkook?! — Jimin murmurou abrindo seus olhos e os coçando, me encarando em seguida.

— Você parecia tão distante no mundo dos sonhos... — Estranhei, já que mal havia encostado nele. Jimin acabou se sentando e me encarando.

Foi então que eu pareci entender o que havia acontecido e, lentamente, aproximei minha mão de seu rosto, o acariciando amorosamente. Percebi que ele fechou seus olhos e, logo em seguida, colocou sua mão sobre a minha.

— Eu consigo te sentir. — Sussurrou ele, abrindo um lindo sorriso em seguida. — Goo, eu consigo te sentir.

— E-eu também consigo te sentir. — Eu mal conseguia acreditar e acabei também abrindo um largo sorriso. — Jimin, nós estamos nos sentindo... isso significa que o destino está nos dando uma nova chance. E-eu... eu sou humano de novo.

A alegria havia tomado conta de mim e eu o puxei para um abraço apertado. Lágrimas caíam pelos meus olhos sem parar e, assim como eu, Jimin também estava chorando. A emoção em mim apenas aumentava, eu estava feliz, eu queria manter aquele momento na eternidade de minhas lembranças, ainda que agora eu tivesse a plena certeza de que eu não seria mais eterno. Mas minha alma permaneceria intacta e essa sim seria eterna.

— Deita comigo? — Me perguntou o meu menino, me fazendo assentir com um enorme sorriso brincando em meus lábios.

Ele novamente se deitou em sua cama e eu me deitei em seu lado. Permanecemos de lado na cama e de frente um para o outro, trocando carícias amorosas, como se estivéssemos conhecendo um ao outro no meio de toques. E era maravilhoso sentir a pele macia e delicada de Jimin sob meus dedos, era incrível sentir os arrepios que tocar nele me causavam.

Aproximei-me um pouco mais e, lentamente, o notei fechando seus olhos e também fechei os meus após colocar meus lábios sobre os seus para finalmente sentir seu beijo, depois de um século na procura por um toque tão incrível quanto o dele. Permaneci com minha mão em seu rosto, o acariciando enquanto o beijava e senti ele levar sua mão até meu pescoço, me puxando para mais perto e aprofundando o beijo, que permaneceu calmo, porém mais intenso.

— Goo... — Permanecemos de olhos fechados, mas Jimin iniciou sua fala. — Posso te pedir uma coisa? Quer dizer... duas coisas?

— Claro que pode. — Finalmente abri os olhos e o encarei, vendo ele sorrir para mim.

Se existia em algum outro lugar um amor tão puro quanto o meu e de Jimin, eu diria que são pessoas com sorte. Porque o amor que partilhamos é tão maravilhoso, que daria um belo livro de amor.

— A primeira é: você promete que não vai sair do meu lado até eu acordar novamente? — Me encarou profundamente e eu não tive como negar seu pedido.

— Eu prometo, Jimin. — Sorri. — Qual a segunda coisa?

— Me beija de novo? — Pediu, então eu me aproximei e selei nossos lábios mais uma vez.

— Tem algo que preciso te dizer. — Comuniquei.

— Então diga.

— Eu te amo, Jimin.

Ele sorriu para mim e me beijou mais uma vez, entrelaçando sua mão na minha e logo em seguida sorrindo largamente.

— Eu também te amo, Goo.

Park Jimin

Sentir o toque de Jungkook finalmente depois de tanta espera foi provavelmente um dos momentos mais especiais que já vivenciei. Nunca que eu esperava que todos os meus sonhos, que sempre o envolviam, finalmente se tornariam reais. Eu pensei que só poderia tocá-lo enquanto estivesse dormindo, mas agora sei que posso fazer isso de verdade e, mais que isso, posso sentir seu toque e fazer com que ele sinta o meu.

Sentir a liberdade de dizer a ele que o amo após ouvi-lo confessar que também me ama foi uma sensação incrível, algo que nunca conseguirei sentir igual em momento algum em minha vida.

Acabou que eu adormeci em seus braços, mas apenas porque fui vencido pelo cansaço e porque Jungkook prometeu estar ali comigo o tempo inteiro, dizendo que também dormiria.

No dia seguinte, recebemos a visita de Jin e seu namorado.

— Esse é o Namjoon, eu queria apresentar ele para vocês. — Informou Jin, levando Jungkook e eu a cumprimentar o namorado dele, que era muito simpático por sinal.

— Eu posso perguntar uma coisa? — Perguntei. — Como você e Jungkook se conheceram, Jin?

— É uma longa história. Está preparado? — Perguntou-me, sentando em minha frente, assim como Jungkook e Namjoon. — Bem, vamos lá. Eu era um anjo novato, assim como ele. Ele estava cantarolando por todos os cantos e eu fiquei muito curioso para saber do que se tratava sua cantoria, então fui atrás dele e perguntei o que tinha acontecido. Ele me disse que uma criança tinha o feito rir e que ele estava muito feliz por ter rido tanto com alguém. Antes que pergunte, sim, Jimin, essa criança era você. Desde esse dia somos amigos, pois conversamos por horas sobre você.

— Essa é a longa história? — Brinquei.

— Sim. — Riu ele. — Nós nos tornamos muito próximos. Aprendemos muitas coisas juntos, portanto que sempre saíamos juntos para visitar as crianças das quais cuidávamos. Era divertido fazer nosso trabalho, por isso ficamos tão amigos assim.

— É. — Afirmou Jungkook. — E então você foi crescendo, Jimin, e eu sabia que não poderia cuidar de você para sempre, ainda mais quando descobri o seu destino e descobri que você iria partir desse plano junto com sua família. Eu fiquei péssimo, sofri por antecedência e Jin esteve ali por mim nesses momentos tão difíceis. Eu teria me perdido se não fosse por ele, mas, como ele esteve ali, eu apenas pedi para voltar a ser anjo e paguei o preço de não poder sentir ou me fazer ser sentido.

— Os anos se passaram e você voltou a precisar de Jungkook. Cem anos depois, em uma vida seguinte, você surgiu para precisar dele novamente, mas mais uma vez sabíamos o que aconteceria e eu estava cansado de ver Jungkook sofrer. Era difícil para mim viver a dor dele e a minha ao mesmo tempo. — Continuou Jin. — Eu cuidava de Namjoon quando ele era pequeno, assim como Jungkook cuidava de você e nós dois sabíamos que esse amor talvez não pudesse ir para frente.

— O de Jin ainda tinha mais chances que o meu, porque eu sabia que quando você crescesse sofreria novamente o acidente e eu não conseguiria mudar isso, eu só acabei ficando ainda pior. Eu era triste demais para quem era um anjo. — Jungkook disse com um sorriso triste no rosto. — Então Jin fez o impensável. Ele tomou a atitude inesperada que eu nem cheguei a pensar.

— Eu me enfiei no meio do acidente e deixei que ele me afetasse ao invés de machucar você, por esse motivo sofri o castigo de não poder mais ver Namjoon, paguei o preço durante três anos, mas aí eu virei humano e reencontrei o meu amor, que por sorte ainda esperava por mim. — Jin continuava contando. Jimin tinha lágrimas em seus olhos. — Valeu a pena, tudo o que fiz. Se é para a alegria de alguém, então vale a pena o sacrifício. — Finalizou Jin, sorrindo imensamente.

— E como você conheceu Namjoon? — Perguntei, estava curioso para saber mais sobre a vida do meu amigo. — Você era o anjo dele quando pequeno, isso eu entendi, mas como o viu quando ele cresceu?

— Eu não perdi a habilidade de ver ele, o que é bem estranho. — Namjoon disse.

Durante o restante do tempo eu foquei em observar Jungkook. Eu estava tão encantado por ele, tão apaixonado, o amando tanto. Apenas queria ficar abraçado nele, dizendo o quanto o amo.

Nosso amor passou de impossível e improvável a completamente verdadeiro e recíproco. Não pensei que conseguiria dobrar as regras do mundo para finalmente ficar com ele, mas a maneira que ele simplesmente se entregou ao nosso amor e largou mão de sua condição de anjo apenas me prova que nós mesmos somos capazes de fazer nosso destino.

Podemos até pensar que não, que nosso destino já está escrito, mas não é assim.

Cada ação nossa leva a uma reação e, futuramente, nosso destino será formado pelo conjunto de reações das nossas ações. Ou pelo menos é assim que eu vejo as coisas.

A única coisa que eu verdadeiramente sei e amo saber, é que eu tenho orgulho de dizer que amo Jungkook. Tenho orgulho do nosso amor e da nossa paixão, que apenas aumentará com o passar do tempo e a chama do nosso amor sempre estará acesa. Ela pode até diminuir um pouco, dependendo da tempestade que chegar, mas ela nunca se apagará.

Por fim, tenho apenas uma coisa a dizer:

Eu tenho orgulho de poder dizer, que eu vivo o meu amor impossivelmente possível.

Eu amo Jungkook com todas as minhas forças, ele sempre será o meu anjo da guarda e sempre irei amá-lo, todos os dias de nossas vidas.

Não é como se precisássemos de algo a mais que isso, não é?


Fim.



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