An Angel In The War

2 Olhos cor de esmeralda


Notas iniciais
Primeiro capitulo... espero que gostem ^^

P.O.V. Lena

Eu estava sozinha, ou pelo menos achava sim, o dia não estava mais tão claro, a neve afundava em meus pés e o frio me congelava. Apesar do sol aparecer quase todos dias, para mim os dias amanheciam nublados, escuros e amedrontadores, meus pensamentos nunca tinham um final feliz, sempre tendo algo relacionado em como, daqui a uma semana, seriam meus dias distantes da minha família. Meu pai não pode ir pra guerra por conta de problemas físicos e meu irmão irá viajar para a tão temida Alemanha, um dia antes da minha viagem para Pearl Harbor. Dizem que a esperança é a última que morre, se ela é a última, não sei mais o que está vivo em mim. Eu tinha ido comprar comida pra o jantar e estava voltando pra casa, faltava pouco para que eu chegasse lá.

Ouvi passos atrás de mim, mas não olhei para trás, ao invés disso acelerei o passo...

–Hei moça! – era uma voz masculina, não tinha a autoridade de um soldado que geralmente ficavam fazendo ronda pelo meu bairro, por motivos que eu não entendo, na verdade era bem gentil. – Garota ruiva você pode olhar pra mim? – Parei de andar quando ele pronunciou a cor do meu cabelo, para que ele queria falar comigo? Quando eu estava prestes a virar senti sua mão em meu ombro esquerdo. Eu estava congelando por fora e na hora do seu toque senti tudo esquentar por dentro. Olhei para o garoto, a primeira coisa que vi foram seus olhos cor de esmeralda. Senti como se já o conhecesse de algum lugar, talvez antes da guerra ser declarada. O garoto não falou nada por cerca de um minuto, observei sua roupa de soldado, ele deve ter sido aceito a poucos dias porque se fosse alguém mais experiente com certeza só teria me observado. – É... O que está fazendo aqui na rua a essa hora? Você já deveria estar em casa.

–Eu estava indo pra casa, mas você me chamou. E não há perigo algum por aqui. – eu não quis ser grossa, mas também não queria dar satisfação a uma pessoa que acabara de conhecer. Vi que ele olhou para as minhas mãos para as sacolas de comida, agora ele já sabia de onde eu vinha.

–Quer que eu lhe acompanhe até sua casa? Não parece muito seguro que você vá sozinha até lá. Eu estou querendo dizer, que se alguém tentar te machucar, você não terá como se defender – Não parecia ter sarcasmo na sua voz, mas mesmo assim rejeitei.

–Eu nem sei quem você é. – Olhei para sua farda e li seu sobrenome. – Soldado Brighton.

–Agora sabe quem eu sou, mas não completamente... – Franzi a testa. Pensei no que o garoto me disse.

–Soldado Brighton, me dê licença, estou indo pra casa. Minha família está me esperando. – virei-me e voltei a seguir meu caminho para casa. Mas ele falou novamente.

–Será que eu poderia saber seu nome?

–Não vai ser fácil você encontrar outra garota ruiva com a minha idade por aqui. – ele riu. – Mas meu nome é Lena Woods.

–Foi um prazer conhece-la, senhorita Woods. – sorri e assenti com a cabeça.

O soldado Brighton não saiu da minha cabeça. Até chegar em casa pensei em tantas coisas, pensei em como deveria ser o nome dele, Trevor, Simon, Robert... pensei em como seria se ele tivesse me conhecido antes de eu saber que iria pro Havaí, ou se seria possível ele ter me conhecido antes da grande guerra...

Abri a porta de casa e me deparei com minha irmãzinha mais nova dançando uma música imaginária, de olhos fechados, no meio da sala. Aquilo me fez rir.

–Larissa? – ela deu um pulinho de susto. Eu ri mais ainda.

–Lena, sua chata. Você me assustou.

–Eu sei, haha! – saí correndo, pois a Lari ameaçou me bater com uma almofada. Não que eu tivesse medo de uma garotinha de oito anos, mas eu amo brincar com minha irmã. – duvido você conseguir me pegar! – ela soltou um gritinho muito fino me fazendo parar de correr pra cobrir os ouvidos, senti uma coisa felpuda bater no meu rosto, sim ela conseguiu. – Para Lari! – estávamos rindo muito.

–Agora já sei como te fazer parar de ganhar de mim.

–Como assim Lari? – meu irmão perguntou de cima da escada. – você começou sem mim?

–O que é isso? – eu disse — Eu não fiz nada e vocês querem brincar de me bater? – todos rimos.

–Mais ou menos – Luke disse já perto de mim deitada no chão. – quer ajuda maninha? – estendi a mão e ele me ajudou a levantar.

–Lari, você pode chamar a mamãe e o papai lá em cima, por favor? – ela assentiu e saiu correndo.

–Lena – olhei pra Luke – Queria te dizer isso ontem mas não deu... eu não quero que você sofra se algo acontecer comigo. – meus olhos marejaram. – eu quero que você seja feliz independente do que acontecerá comigo tá?

–Luke, não me faça chorar. Ainda temos uma semana jutos, né maninho? – ele me abraçou forte. Eu e Luke sempre tivemos uma ligação muito forte desde pequenos, talvez por conta da diferença de idade que não é tanta. Lari veio por acaso, mas ninguém consegue viver sem ela. Lembro que eu fazia Luke brincar do que eu queria e ele sempre brincava, só pra me ver feliz, lembro-me das lutinhas em cima do sofá, são tantas lembranças. Lagrimas quentes molharam meu rosto. – eu te amo muito Luke.

–Também te amo demais maninha. – ele me beijou na testa. Escutei os passos de todos descendo as escadas e sorri.

–Tá com fome, Luke?

–Eu estou, com muita! –meu pai respondeu indo em direção a mesa de jantar com a ajuda das suas muletas. Revirei os olhos rindo.

–Lena, amanhã eu vou no quartel preencher uns papeis, quer ir comigo? – Luke me perguntou enquanto sentávamos à mesa.

–O que é que a Lena vai fazer num quartel, Luke? – minha mãe perguntou parecendo indignada, prendi uma risadinha.

–Ah mãe... eu só queria que ela fosse conhecer e tal. – minha mãe continuou a olhar estranho pro meu irmão, e então eu comecei a rir e a Lari e meu pai me acompanharam. – O que? Do que vocês estão rindo? – eu já estava lacrimejando de tanto rir, na verdade eu nem sei por que eu ria tanto, mas é muito melhor chorar de tanto rir do que soluçar de tanto chorar.

...

Já estava na minha cama, pronta pra dormir e como de costume comecei a relembrar todo o meu dia, a primeira coisa que me veio na cabeça foi o Soldado Brighton, eu nunca vi olhos tão verdes como os dele, eles eram indescritíveis. Fiquei pensando em como eu faria para vê-lo novamente, talvez se eu fosse no quartel com meu irmão...

Meus pensamentos sobre o soldado Brighton só chegaram ao fim quando caí num sono profundo.