An Angel In The War
8 EU NÃO Entendo
Com essa tarde que passei com Ryan, pude conhece-lo melhor e agora sei sobre algumas coisas que fiquei feliz em saber. Quando passamos por onde as meninas estavam, vimos que elas já haviam ido embora, o que me fez pensar que estivessem em casa. Chegando em casa vi que estava vazia.
—Parece que não tem ninguém. – comentei – onde será que as meninas estão?
—Eu sei tanto quanto você, Lena. – suspirei. Elas poderiam ter me avisado. Agora eu estou sozinha em casa com Ryan. Onde a Sarah se mete nessas horas...
—Isso vai soar estranho, mas você quer tomar banho? –perguntei e ele franziu as sobrancelhas, percebi que ele não tinha interpretado do jeito certo. – Não! Não comigo... –nós rimos.
—O Forte é bem aqui perto, posso ir lá. É melhor, não acha? – pensando bem era melhor sim.
—É pode ser. – ele passou os olhos pela casa, observando. – pensa naquilo que eu te disse sobre quem você é.
—Eu já sei quem eu sou, Ryan. Você só me conhece a três semanas, como você já pode vir com esse papo sobre “quem eu sou”? – eu estava um pouco irritada com essa historia que ele falou, e acabei sendo grossa. – Desculpa, por ser grossa...
—Não tem problema, um dia você vai me entender. – eu o olhei com cara de interrogação. – você ainda não leu né?
—Li o que? – cada vez mais ele me confundia.
—É... não leu ainda. Quando você ler vai me entender, e não vai achar que sou um louco que fica falando quem você é e etc. você vai me entender, ruivinha. E antes que me pergunte, não eu não vou dizer a você o que é que você vai ler, você vai saber do que eu estou falando quando ler. – ele parou de falar por alguns segundos — Ai que confuso.
—Realmente é confuso. – ele riu e eu tentei acompanha-lo. – mas podemos falar sobre outras coisas... – soltei no ar, o clima estava ficando meio chato.
—Nós podemos não falar. – Ryan me beijou, de repente. E eu ri, o que não atrapalhou nosso beijo. No começo estava calmo, nossas línguas se tocavam delicadamente, mordi seu lábio inferior com um pouco de força e foi o bastante para que ele acelerasse nosso beijo, eu levei minhas mãos para suas costas e ele apertou minha cintura o que me fez arfar. Toda vez que beijava Ryan eu me sentia conectada, como se nós dois tivéssemos uma ligação –Lena... –ele sussurrou, separando-se centímetros de mim. – Eu tenho que parar de te beijar, por que se eu continuar te beijando eu vou querer fazer outras coisas com você e você pode não estar pronta pra isso, ou pode. – ele sussurrava perto do meu ouvido, depois que ele disse isso fez uma trilha de beijos do pescoço até minha boca. – lembra que eu disse, quando brigamos, que eu só ficaria com alguém se eu realmente amasse a pessoa? – afirmei com a cabeça. – Eu não tive tempo pra te amar, ainda não dessa vez.
—Como assim não dessa vez? – perguntei confusa. Ele se afastou o bastante de mim para que pudesse me olhar nos olhos.
—Eu não sei o que isso pode causar, mas essa pode ser a última vez, todas as vezes podem ser as últimas... – eu franzi a testa – olha... você é Lena. Sempre Lena. Eu não sei se eu deveria te contar...
—Ryan! – eu disse impaciente. – eu não faço a mínima ideia do que você tá falando, e eu não suporto ficar sem entender as coisas. – eu não estava gritando nem nada, mas Ryan parecia nem estar preocupado com isso — Dá pra você me explicar? Ou parar de falar disso? Quer dizer, agora você vai ter que me dizer e de uma vez só por que... – Sarah abriu a porta de casa tão forte que eu e Ryan demos um pulo de susto. – O que foi Sarah? Você tá bem? –ela estava com os olhos arregalados e aparentemente apavorada, ofegante e branca como a neve. Fui em direção a ela e a toquei nos ombros. – Sarah, você tá muito gelada, e tremendo. Precisamos ir no hospital com você, o que houve? – Ryan veio até nós.
—Não, não eu não preciso de ajuda! – vi que os olhos dela estavam marejando – a Miranda. Ela saiu com o Cameron a um tempão e ela não voltou.
—Sarah, eles devem estar curtindo. Afinal, são namorados.
—Não Lena. Olha – ela me deu um papelzinho meio amassado e eu li.
“Ele não é quem eu esperava
Me ajuda, por favor
Eu estou indo pra pista de pouso, eu não posso fazer nada pra impedi-lo. Socorro.
Miranda “
—Eu tentei ir pra pista de pouso mas eu não sei onde ela fica. Ai eu pedi ajuda a uns soldados mas eles começaram a me assediar e não foi nada bom, Lena. – ela começou a chorar desesperada — Não foi! eles me pegaram e tentaram me beijar a força e pegaram meus braços e apertaram com força, eu tentei gritar, mas ninguém me ouviu então eu chutei um deles nos testículos o mais forte que pude aí vim correndo pra cá. E-ee-e a Miranda ela deve tá correndo perigo. – eu a abracei forte.
—Eu vou na pista de pouso. Fiquem aí, vocês duas.
—Não! – Sarah gritou. – eles estão vindo pra cá! Lena não deixa seu namorado ir embora e nos deixar aqui sozinhas! – olhei para o homem que não era meu namorado e ele assentiu com a cabeça.
—Ele vai nos deixar no hospital e vai procurar a Miranda. Okay? — ela concordou com a cabeça. Saímos correndo para o hospital, literalmente.
—Alguma de vocês duas sabe o sobrenome do Cameron?
—Briel. – eu disse – Miranda me falou sobre ele hoje no hospital.
—Droga. – Ryan disse. E começou a correr mais rápido. Eu novamente não entendi a atitude dele, mas não questionei.
Chegando ao hospital estávamos ofegantes, levei Sarah até uma maca e expliquei tudo para uma enfermeira que conhecíamos, chamada Lexie. Eu puxei Ryan para entrar comigo mesmo com ele insistindo que tinha que ir logo.
—Agora nós podemos ir? – ele perguntou angustiado.
—Podemos, vamos! – corremos até a saída e Ryan entrou numa ambulância parada e com um motorista dormindo atrás, para piorar a situação.
—Eu ainda acha que você não deveria ir. — Ele me disse ligando a ambulância.
—Eu vou. E por que me perguntou sobre o sobrenome do Cameron? – ele deu a partida e o cara lá atrás deu um grito, após cair com o impulso. Se eu não estivesse tão tensa até poderia ter rido a situação.
—O certo seria você ler aquela porcaria. – Ryan estava dirigindo feito um louco, mas não me lembrei de colocar o cinto de segurança. Apear de ter falado porcaria ele não estava sendo grosso ao falar – Mas eu to vendo que dessa vez sua teimosia está fora do comum. – eu estava prestes a questiona-lo por dizer “dessa vez” de novo. – Olha, lena. Cameron Briel não é uma pessoa de confiança. Ele era até se apaixonar a muito tempo atrás.
—Nenhum ser humano normal muda drasticamente depois de uma paixão.
—Quando eu digo muito é muito tempo mesmo. – ele pareceu ignorar meu comentário. – Eu conheço o Cam. Ele Daniel e eu éramos melhores amigos.
—Quem é Daniel?
—Mas Daniel tem a Luce e eu tenho você.
—Quem é Daniel e Luce? E a gente. Eu e você. Não temos nada, Ryan. – ele riu.
—O Cam se apaixonou – ele me ignorou de novo – por uma garota chamada Lilith que o deixou fora do normal, até que ele escolheu o mal e se distanciou de mim e do Daniel.
—Escolheu o mal? O que que isso tem haver? – Ryan deu uma curva brusca na ambulância e eu escorreguei no banco do carona.
—Hoje ele mudou, e provavelmente ele dó quer se aproveitar da sua amiga. Literalmente só se aproveitar. Ele pode machuca-la de perder o controle, entende?
—Não. Sinceramente eu não estou vendo nenhum sentido nas suas frases. – ele me olhou, enquanto desacelerava o carro.
—Chegamos. — ele desligou os faróis. – Lena eu quero que você fique aqui, tudo bem?
—Não Ryan. Eu não vou ficar aqui sozinha. Eu estou confusa, com frio, por que to molhada, está escuro, a Miranda ta com um cara perigoso, a Sarah tá no hospital com medo daqueles caras, e eu to com medo e não quero ficar sozinha. – meus olhos lacrimejaram. E Ryan me deu um beijo, um selinho rápido.
—Fica aqui. Por favor. Você ficará mais segura aqui, eu prometo. – uma lagrima escorreu pelo meu rosto, ele a limpou com o dedo e me deu outro beijo. – faz assim, qualquer coisa você liga a sirene da ambulância okay? Ou aperta na buzina. Se você precisar eu volto, mas fica aqui, por mim. – eu engoli seco e acabei concordando. – obrigado. E nós. Eu e você – ele falou no mesmo tom que eu tinha falado antes. — Nós temos algo sim, vai dizer que você não sente que somos ligados? – aquilo foi uma surpresa não achei que Ryan também sentisse. Tentei sorrir e ele saiu da ambulância me deixando sozinha.
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