Anônimos
3 Anthony
Notas iniciais
Sábado, 14:36
Faz uma semana mais ou menos que eu fui convidada para uma festa na piscina, então nesse momento estou no carro do irmão do Vini indo para o local da festa.
— Como é seu nome mesmo? — O irmão do Vini me perguntou, me olhando pelo retrovisor.
— Clara — Respondi
— Clara... Você é bem bonita sabia?
— Ai Guilherme, dá pra parar? — O Vini disse.
— Relaxa, só to elogiando.
— Eu sei que sou bonita, não preciso ouvir de outras pessoas. — Falei me encontando no banco, cruzando os braços e olhando pela janela.
Seguimos o caminho em silêncio, e eu dei graças a Deus quando chegamos. Fui a primeira a sair do carro.
O Guilherme desceu do carro e nos seguiu, eu estranhei mas não quis dizer nada.
— Você vem junto? — O Vini perguntou
— Sim. Eu conheço o dono da casa. — Falou e deu uma piscadinha.
Vi a Mel pegando alguma coisa na mesa de comidas, ela estava sozinha então eu fui falar com ela.
— Oi — Falei
— Oi — Ela deu um sorrisinho que me pareceu forçado.
— Olha... — Comecei — Desculpa... Ta?
— Você promete que não vai mais julgar as pessoas pela aparência, ou... antes de conhecer elas melhor?
Suspirei e levantei a minha mão, em sinal de promessa.
— Prometo.
Nos abraçamos. Eu me senti aliviada por ela me desculpar tão rápido e por voltarmos a nos falar.
— Ele é um cara legal — Ela disse — divertido, gentil e engraçado... Ele vai vir, então vocês podem se conhecer!
— É... podemos
Ficamos conversando por uns minutos e ela teve que ir no banheiro.
Me sentei na borda da piscina de perna de índio, não tenho coragem de encostar naquela água. Deve ter xixi ou o vômito de alguém.
Logo o Bruno se sentou do meu lado. Nós estudamos juntos desde os 6 anos, e desde os 6 anos ele fica pegando no meu pé. Ele é o Badboy da escola e todas as garotas querem ficar com ele. Não sei porque, eu acho ele um idiota. Um idiota lindo. Mas um idiota.
— E aí Clarinha.
— Oi.
— Faz tempo que a gente não se fala né?
— Por mim a gente não precisava se falar nunca mais. — Falei friamente.
— Ah qual é. Você sentiu minha falta. — Falou convencido disso.
— Não. — Até agora eu não tinha olhado ele nos olhos.
— Sentiu sim... Olha pra mim. — Não obedeci. — Olha nos meus olhos lindos e fala que não gosta de mim.
Agora eu obedeci. Fiquei olhando pra ele por um instante então resolvi falar:
— Eu não gosto de você. — Falei pausada e calmamente.
Ele balançou a cabeça rindo e ficou me encarando. Me senti desconfortável, eu não gosto dele e nem de contato visual.
Ele foi se aproximando pra me beijar e eu rapidamente percebi isso, mas fiquei parada, apenas falei:
— O que você ta fazendo? — Achei graça daquilo.
— Ah. Nada... nada. — Falou recuando.
— Você ia me beijar?!
— O quê?! Não! Ta doida? Eu, beijando você? Nunca!
— Não era isso que tava pensando há um minuto atrás. — Provoquei
— Tchau Clarinha. — Ele se levantou e foi embora.
A Mel estava demorando e eu achei melhor procurar ela. Virei numa "esquina" da casa e vi ela e o Nicolas se beijando intensamente. Se eles estivessem sozinhos, com certeza estariam transando ali mesmo.
— Ai caralho! — Pensei alto enquando recuava, fingindo não ter visto aquilo.
— Clara! Que bom, é... — Ela falou ofegante, tentando arrumar seus cachos loiros. — Nicolas! Agora vocês podem se conhecer!
— Ah não, desculpa, eu vou... voltar pra lá — Falei me virando.
— Clara! Por favor — A Mel implorou.
Bufei e aceitei.
— Ta bom...
Era estranho estar ali com a minha melhor amiga e o cara que eu beijei há dois dias atrás.
Conversamos um pouco e... Ok, ele era legalzinho e engraçado, mas, meu ex por exemplo, é mais legal do que o Nicolas.
Eu estava escostada na parede, até que o Guilherme, irmão do Vini, colocou a mão nessa parede, me encurralando.
— O que você quer? — Perguntei.
— Ficar com você
— Ah, hoje é dia de caras escrotos darem em cima de mim e ninguém me avisou? — Falei sarcásticamente.
— Ih, essa aí é uma tigreza né? — Falou se direcionando ao Nicolas.
— Tá bem claro na cara dela que ela não quer ficar com você, — Ele respondeu — então eu acho bem justo ela agir como uma "tigreza" — Fez aspas com as mãos.
— Ah cara, você sabe como é né? Tem umas que se fazem de difícil, mas no fundo tão doidas pra agarrar a gente.
— VOCÊ É CEGO OU O QUE? — O Nicolas falou empurrando o Guilherme. — ELA JÁ DISSE QUE NÃO QUER!
— Nicolas! Se acalma. — A Mel disse segundo ele.
— Tudo bem — Guilherme falou — Eu já to indo. — Ele se virou e foi embora.
— Obrigada — Agradeci gaguejando
— Caralho que cara idiota... escroto.
— Você foi incrivél Ni, obrigada. — A Mel disse.
Depois disso eu pensei em mandar uma mensagem pro Any Boy.
Clra: Oi
Clra: Eu preciso falar com alguem, e o escolhido foi você.
Passou uns dez minutos e ele não respondeu. Ok, pode me chamar de doida, controladora, chata, paranóica e tal, mas eu precisava conversar, então mandei mais uma.
Clra: Ai que merda, fala comigo.
Clra: Any Boy!
Clra: Que merda, qual é o seu nome?!
Clra: Caralho
Clra: Já que você não ta aqui pra me ajudar eu vou desinstalar esse aplicativo.
[...]
Depois daquilo eu pedi um uber e fui embora, ainda irritada.
Cheguei em casa e fui direto para o banheiro tomar um banho de meia hora. Terminei, me joguei no sofá e liguei a tv, ainda de cabelos molhados.
Respirei fundo e recebi uma mensagem do Any Boy. Finalmente.
Any Boy: E aí Julieta.
Any Boy: Espero que ainda esteja aí e não tenha desinstalado o Anônimos.
Any Boy: Aliás, o nome do aplicativo é Anônimos, e não Whatsapp pra você salvar meu contado com meu nome e um coração♡
Clra: Eu não salvaria o seu nome com um coração. E eu não sou mais anônima pra você então não é justo você ainda ser anônimo pra mim.
Any Boy: Eu descobri que seu nome é Clara porque você colocou um nome de usuário muito ruim que é parecido com o seu nome.
Clra: Continuando: e também não é nada prático nem legal te chamar de Any Boy.
Esperei um tempo até ele responder e me supreendi quando li aquela mensagem:
Any Boy: Anthony.
Clra: Anthony?
Any Boy: É.
Fiquei pensando e logo mandei:
Clra: Então Anthony, onde você tava quando eu precisava de você?
Any Boy: Então Clara, eu fui andar de skate pelas ruas da cidade e esqueci o meu celular em casa.
Clra: Hum
Clra: Você anda de skate?
Any Boy: Você gosta de caras que andam de skate?
Clra: Talvez
Any Boy: Então talvez eu ande de skate.
Clra: Você também joga futebol americano, toca violão no show de talentos da escola e canta suas músicas autorais?
Any Boy: Não, isso não.
Clra: Eu já espera isso.
Any Boy: Boa noite, Julieta
Clra: Boa noite, Anthony
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