Amável Tormento.

1 capítulo único


Notas iniciais
Bueno... como eu adoro o Shizuo por achar ele o personagem mais humano e sentimental de Drrr! resolvi fazer um draminha... Acho que não ficou tão ruim. Foi divertido de escrever, pelo menos. E espero ter conseguido deixar não muito igual a todas as outras fanfics Shizaya! Boa leitura a você!

Amável tormento.

00:01 – Num apartamento em Shinjuku.

Um garoto pálido, magro e de cabelos pretos, Orihara Izaya, deitado em seu sofá, não tinha nenhum sono a essa hora, ele não costumava dormir muito. Agora pensava em como poderia se divertir essa noite, então resolveu ligar para alguns de seus conhecidos e saber o que acontecia pelos arredores.

— Hmm, sei... Heiwajima está acordado... – Disse antes de desligar o terceito e último telefonema. Ao saber que o homem que tanto o detestava, e um dos que mais o divertia, estava caminhando sozinho pelas ruas, decidiu o que faria, e saiu em busca do tal.

***

00:27 – Noite escura de Ikebukuro, as ruas iluminadas pelos altos postes com lâmpadas amarelas cujas luzes projetam longas sombras de tudo que é iluminado por elas.

Heiwajima Shizuo, um rapaz usando roupa de barman, andava por uma dessas ruas, não havia conseguido pegar no sono essa noite, e caminhava para tentar se distrair, mas seus pensamentos o incomodavam.

“Maldito seja, quero matá-lo, por que não me deixa nem dormir em paz?!” – Pensava o loiro enquanto caminhava, acendendo um cigarro e chutando uma latinha que rolava pelo chão a sua frente, aquela lata voou alto até o final da quadra, e ele seguiu andando, com sua costumeira expressão séria. Porém, ouviu uma risada distante, e percebeu que não havia soado nenhum barulho da latinha caindo no chão, e então ouviu de novo a vóz que escutara rindo.

— Shizu-chaaaan! Caminhando por aí à noite, algo te incomoda, huh?

Como aquele idiota tinha coragem de perguntar uma coisa nessas?! Shizuo fechou as mãos com força, era a pior coisa que poderia acontecer naquela noite. Encontrar a razão do seu tormento. E realmente estava acontecendo, agora seus olhos já confirmavam, o maldito estava alguns passos a sua frente. E como de praxe, o nome do rapaz saiu de sua boca junto com sua raiva acumulada por anos, que hoje era maior do que o normal.

— II-ZAA-YAA! – E, assim, levantou o braço e foi na direção do outro, com a intenção de socá-lo. Porém, seu soco foi desviado com facilidade pelo outro, que com uma velocidade quase sobrenatural, foi parar atrás dele. E, na ponta dos pés, o moreno sussurrou no ouvido de Shizuo.

— Lento demais, Shizu-chan. – o garoto riu, e para o loiro o som dessa risada foi muito mais irritante do que em todas as outras vezes que a ouvira antes, ele estava hesitando, confuso, e não estava entendendo a si mesmo. Isso não era comum. – Vaamos, será que eu te abalei tanto assim, Shizuu? – Aquela voz irônica, aquele tom debochado, Shizuo cerrava os dentes tão forte que poderia trincá-los se forcasse um pouquinho mais, virou-se, segurando o menor pela blusa, erguendo-o do chão.

— Escuta aqui, pulga idiota, você é uma criatura chata e insignificante. E pra provar isso eu vou matá-lo. – Ele encarava Izaya com todo seu ódio, mas esse parecia nem se importar, ergueu os ombros, mantendo seu sorrisinho detestável no rosto, enquanto respondia.

— Ora, ora, Shizu-chan, se eu fosse tão insignificante, então você não se importaria tanto com a minha existência...huh?!

O moreno tinha razão, chegava a ser doloroso de tão horrível para Shizuo concordar com isso, e ele não admitiria nunca, mas estava perturbado, não conseguira dormir essa noite por culpa do rapaz que não saía de seus pensamentos, ele achava que enlouqueceria a qualquer momento, desde uma conversa com Karisawa Erika, e um pequeno acidente inconveniente logo depois.

#Flashback

Na semana anterior, quarta-feira às 17:09.

Shizuo voltava do mercado pra casa, quando encontrou Erika saindo de uma loja de mangás com montes de sacolas nas mãos, cumprimentou-a, já que iam para o mesmo lado, e a ajudou a levar as sacolas.

— Mas por que tanta coisa, Erika?

— Aah, é que comprei pro Walker também, já que ele não pôde vir hoje.

— Ah, entendo... – Mesmo assim, o loiro achava que eram muitas sacolas, mas conhecendo a garota e seu amigo já havia se acostumado com o exagero de compras ao saírem de lojas de mangás e colecionáveis.

— Shizuo-kun...como está o Izaya? – a garota olhava pra frente, e tentava parecer educada ao perguntar, mas seus olhos brilhavam e seus pensamentos corriam mirabolantes em enredos de yaoi.

— Ahn?! Do que está falando? Por que eu saberia como está aquele imbecil?! – Shizuo controlava a raiva que sentia só pela menção daquele nome.

— Uh... óra, Shizuo-kun, é porque eu acho que vocês ficam tão bem juntos, sabe, parece que se complementam...se completam...é, vejo uma relação tão especial entre os dois! – Agora a garota já se esquecera de esconder sua empolgação, olhava para o rapaz enquanto falava animadamente, piscando os olhos ao parar de falar, olhos estes que ainda brilhavam com emoção.

Shizuo parou de andar, não conseguia suportar o que ouviu, eles já estavam na frente da casa de Erika, ele largou as coisas, não queria acabar batendo na garota, então se virou e com muito esforço foi saindo em silêncio.


— Ah, aah, desculpa, Shizuooo!! Se você não queria falar sobre isso... ah... aah, sinto muito eu só...Desculpe!!!


— Deixa pra lá, mas não me fale mais dessas suas fantasias estranhas. – respondeu entre os dentes, sem olhar pra trás.

Algumas quadras depois, no caminho pra casa, as palavras da garota ainda estavam na sua mente, e ele repetia para si mesmo em pensamento: “Que bobagem, que nojo, como ela pode pensar assim, aargh, eca!”. E enquanto isso, puxava um cigarro do bolso, mas antes de conseguir acendê-lo, foi surpreendido por um Izaya que surgiu na sua frente.

— Shizu! Boa noooite! – disse ele dando uma risadinha.

Shizuo imediatamente amassou o cigarro e jogou no chão, pisando em cima, e tentou dar um soco no rapaz a sua frente, mas esse desviou e saiu correndo, Shizuo arrancou uma placa qualquer e arremessou contra ele, e assim começou a correria de sempre... só que dessa vez, Izaya parecia correr mais lentamente, para que Shizuo pudesse escutá-lo falando.

— Então... andou conversando com a Erika... ela é uma menina bem engraçada com aqueles delírios com mangás e tal...

— O quê?! – Shizuo não conseguia saber desde quando o outro o seguia, ou então quem e por que alguém teria dito a ele que havia conversado com a garota. Mas certamente só sabia para poder irritá-lo, e funcionava.

— Óra, ela deve ter falado de mim, não é? Conheço meus amados humanos, e as garotas como a Erika são bem engraçadas... gosto de rir com as loucuras delas...

— Grrr! – Shizuo tentou apressar mais o passo pra tentar alcançar Izaya, parecia tão próximo e fácil, mas isso o fez acabar tropeçando, e confirmando que o outro realmente estava perto, pois acabaram indo juntos pro chão. Shizuo apoiava os cotovelos na calçada, olhando pro garoto embaixo dele, processando como tinha ido parar no chão.

— Huhuhu, está incomodado, Shizu, é porque acha que a Erika-chan pode ter razão? Sobre nós? – Izaya encarava o maior, maldosamente.

— Claro que não! Imbecil! – Shizuo protestava furioso.

— Uhn... – Izaya levantou a cabeça do chão, sussurrando no ouvido do loiro. – Então por que é que ainda não saiu de cima de mim, Shizu-chan? – antes de Shizuo ter tempo de reagir, o moreno deu um beijo na bochecha dele, perigosamente perto dos lábios. Shizuo ficou em pé num pulo, puxando uma lixeira enorme que estava ao lado dos dois, atirando-a no chão onde o outro ainda ria, mas este por sua vez conseguiu levantar dando pulos pra trás, e saiu correndo sumindo no anoitecer, sua risada maliciosa ecoava pelas ruas.

#Fim do flashback.

- Do quê está falando, imbecil? A única coisa que você faz é me irritar, eu te odeio, quero te matar, e é só isso! – o loiro então arremessou seu inimigo na direção de um prédio, mas este era habilidoso demais pra se machucar, conseguiu se virar no ar e pisar na parede, caindo no chão como se controlasse a gravidade.

A mente de Shizuo estava embaralhada, ele não sabia mais se o ódio era o único sentimento que mantinha por Izaya, mas como era possível que só tivesse notado com aquela garota dizendo isso a ele?! E se isso fosse verdade, além de se sentir idiota por ser verdade ainda se acharia mais idiota por não ter notado sozinho. Estivera usando de um ódio que talvez já nem importasse mais, no lugar de... algo diferente?! Não, ele não admitiria que fosse verdade, não podia ser amizade, nem admiração, não podia ser paixão ou amor, não podia ser nenhum tipo de desejo, não suportava essa idéia. Aquele era Orihara Izaya, era o motivo de sua dor de cabeça, mas era isso por que o irritava, e o irritava por motivos do passado, tinha raiva dele, queria que desaparecesse, mais nada.

- Mas, Shizu-chan... pense em como sua vida seria chata sem mim... pense em como você tem um objetivo na vida enquanto eu estou vivo. – O moreno voltava a andar na direção do loiro, falando calmamente.

- PARE! – Dessa vez o objeto arremessado na direção de Izaya foi um hidrante, obtido por Shizuo depois de andar uns passos para o lado. Novamente o moreno desviou, mas o objeto passou bem perto dele, fazendo seu cabelo esvoaçar com o vento. Ele continuou andando, acostumado aos ataques... parou na frente do Shizuo outra vez.

- Shizu, cadê sua confiança? – ria baixinho.

- Ora seu.. – o loiro começou, mas foi interrompido.

- Acho que a Erika pode estar certa em alguns aspectos afinal, você está desde aquele dia sem correr atrás de mim tentando me matar, eu tive que vir até você pra isso... Hm, Shizu-chan? Está confuso? Consegui te atormentar bastante? Acha que está a fim? Acha que esse seu ódio é um disfarce do que realmente sente? Shizuu?

- C-claro que não, você não me ouviu? Idiota, morra!! – a convicção na vóz do loiro havia quase sumido por completo, Izaya havia acertado em cheio, como quase sempre fazia. Aliás, ele havia planejado tudo, e Shizuo se culpava por não conseguir se livrar da teia.

- Hnmm... – Izaya sorriu vitorioso. – Shizu, por que não admite logo que me ama? – perguntou, chegando cada vez mais perto do loiro.

- Porque não amo, maldito! – Shizuo fechou os olhos por um instante, uma veia já saltava de sua testa e sua cabeça doía intensamente, poderia derrubar um prédio arranha-céu com um soco com todo o ódio que sentia. Quando abriu os olhos viu o moreno a poucos centímetros dele, segurando-se com as duas mãos no seu colete preto. Isso o surpreendeu.

- Aahm...sei. Bem, eu me sinto na obrigação de dizer que gosto muito te de ver atormentado assim, é tão mais prazeroso pra mim do que quando te vejo só com raiva... talvez eu goste um pouquinho que você se importe tanto comigo, com o que eu faço, com a minha existência e com a nossa relação... – Ele falava baixo, com seu risinho provocando ainda mais, como se fosse necessário.

Shizuo estava sem palavras, ele já não conseguia mais nem se controlar pra bater no outro, não conseguia nem sair do lugar, queria gritar, queria sair dali, queria sumir e não ter que ver o moreno ali tão próximo... E ao mesmo tempo, pensava no que Erika havia dito “acho que se completam” e que Izaya havia reforçado “sua vida tem um objetivo enquanto eu estou vivo”.

O moreno se soltou do colete do outro, passando os braços em volta do seu pescoço e ficando na ponta dos pés, fechou os olhos e aproximou-se mais, zerando os centímetros restantes entre eles, beijando o loiro, confiante. Ao sentir os lábios do menor encontrando os seus, a mente de Shizuo esvaziou, até sua dor de cabeça pareceu passar subitamente, ele abraçou o rapaz e retribuiu aquele beijo intensamente, decidindo que, mesmo se Izaya só o estivesse iludindo outra vez, deixaria seu impulso guiá-lo nesse momento, do mesmo modo que sempre fez nas horas de raiva, faria o que seu instinto mandasse, e não a razão... as consequências? O que viria depois? Nisso ele pensaria outra hora. Agora, ter o moreno em seus braços trazia paz, e era até mais agradável do que acertá-lo com objetos voadores.

Izaya encerrou o beijo em seguida, e ficou abraçado Shizuo sem dizer nada, pensando com seus botões “É, Erika-san, talvez tenha mesmo razão e eu não goste apenas de atormentá-lo, mas sim de fazer parte dos pensamentos dele, de ser importante."

Notas finais
É o fiiim... ou o início, hihiihihii! AAh, avisem se eu tiver deixado passar algum erro, porque terminei isso e estou postando as 4:36 da manhã... hehehehee.
Então...personagens de anime do mundo...SEMPRE OUÇAM SUAS AMIGAS ERIKAS, digo, OTAKUS! AHSUEHAUSEHAUSEA ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!